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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Pinguela a maldição do vice - Aylê - Salassié Filgueiras Quintão


Ontem , tive a grata surpresa, mais uma, proporcionada pelo AYLÊ - SALASSIÉ, JORNALISTA, PROFESSOR, DOUTOR EM HISTÓRIA CULTURAL, EX-ALUNO DO COLÉGIO EVANGÉLICO DE ALTO JEQUITIBÁ (onde estudamos), mineiro de Pirauba e ESPECIAL AMIGO, com a chegada pelos Correios de seu novo parto, conforme citado em sua dedicatória no seu novo livro: PINGUELA  a maldição do vice (Editora Otimismo - Brasília), que vou ler com muita atenção e carinho.

Ao abrir o livro me deparo com uma deferência especial, tendo meu nome sido citado em seus agradecimentos, juntamente com outros colegas e amigos.

Só pode ser ter sido pela maneira como sempre me distinguiu, enviando-me seus textos e livros de extrema qualidade, os quais sempre compartilho e cito em minhas comunicações com meus contatos e amigos, principalmente, esse o real motivo, creio eu, pela sua postura em relação a seus amigos, dentre os quais eu tenho prazer e privilégio de me incluir e de poder usufruir de sua capacidade intelectual, historiador e humanista de primeira linha. 

Muito obrigado, mais uma vez, por essa especial atenção. Vida longa e muitos partos mais.

Recomendo o livro, quem gosta de ler sobre a história e estórias do Brasil, terá nele uma abordagem sobre os vice presidentes e os períodos de suas participações no embroglio político em momentos distintos entre nova república, ditadura, governos civis e militares, democracia, liberdades e repressões.

Aquisição pela Editora Otimismo - (061) 3386- 459 ou nas melhores casas do ramo em Brasília.
 


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Fragmentos de Memórias de Jequitibá



Recebi mensagens de amigos e ex-colegas que estudaram no Colégio Evangélico de Alto Jequitibá comunicando a ideia de se escrever artigos que lembrassem a passagem e lembranças de cada um durante seus anos em Jequitibá, para publicação em um livro que a Associação de ex-alunos está pretendendo lançar.

A principio não me motivei a escrever por vários motivos,ter estudado apenas 2 anos lá (1960 e 1961), sem tradição familiar de gerações que estudaram, não ter o dom da escrita, ter retornado a Jequitibá apenas em duas oportunidades, uma vez retornando de férias com minha família, fui mostrar onde tinha estudado, tentar rever algumas pessoas que me marcaram positivamente e relembrar momentos vividos. Outra vez foi em um 7 de setembro, juntamente com um grupo de amigos ex-alunos.

Minhas lembranças são poucas, mas sempre estiveram claras em minhas memórias. As amizades se mantiveram, poucas em contatos mais permanentes, outras mesmo à distância se mantiveram vivas e afetivas, em alguns casos se tornaram uma lista de nomes guardados em um canto da memória.

Passei a pensar como fui parar em Jequitibá. Moleque folgado sendo criado em cidade grande, fazendo meus limites, vendo meus amigos Euzébio Cabral e Carlos Magno Cabral, amigos e vizinhos de rua, se preparando para voltar aos estudos em Jequitibá, acabei sendo motivado e apoiado com muito esforço financeiro pela minha família, a ir para o internato. Assim foi.

Chego num voo da Aerosita Táxi Aéreo, um avião Bonanza, aeronauta de primeira viagem, vejo a aterrissagem num alto de morro, pista meio em curva e lá esperando um Jeep com capota de aço, do Pedrinho. Descida e chegada a cidade. Pensei, deve ser um bairro mais afastado. Mal sabia que era a rua principal, e o prédio do internato surge inteiro.

Recepcionado pelo Juarez, encaminhado ao dormitório "3 do prédio velho", escolho cama, recebo primeiras orientações de como me organizar, mesa de cabeceira com toalha de banho e mala de objetos de uso pessoal e escolar, rouparia para guardar a mala maior. Uso de lavanderia, fazer o rol de roupas a lavar. Horários de refeições, banho , de aulas, de estudo, recreio, assembleias, cinema nos fins de semana, dias de educação física.

Sobre o permitido, e sobretudo o proibido: Fumar, roubar frutas em quintal alheio, nadar nos riachos, sair do perímetro urbano, beber e jogar valendo dinheiro. Esses eram os itens mais desejados e provocadores.

Primeiro fim de semana, fomos novatos e alunos antigos nadar na água mineral. Saímos do perímetro urbano, caímos na água, aparecem dois regentes, todo mundo de volta ao internato e primeiro castigo, gelo e próximo fim de semana sem sair do internato e ficar confinado no refeitório. A coisa era para valer. Não haveria moleza.

Primeiras amizades com alunos internos e externos. E as tentativas de se fazer o proibido era cada vez mais provocador.

Romper com as regras era a regra.

Foi onde mais estudei em minha vida, descobri que havia o "Quadro de Honra," para alunos que tiravam média de 8,5 nas notas. Prêmio, sair do internato todas as quartas - feiras à tarde, após os estudos, poder ir ao culto na igreja evangélica e as missas da igreja católica realizados em horários noturnos. 

Cada saída, era romper os limites do perímetro urbano era a aventura, voltar com a fronha cheia de laranjas de quintais ou fazendas alheias e entrar com ela sem ser pego pelo Juarez ou algum regente, era a vitória.Depois, era compartilhar com os amigos mais chegados.

Lembro-me das disputas esportivas dos times futebol e basquete, Sabia jogar basquete, mas era novo para os padrões e futebol era reserva do time do BV (Boa Vontade). Verdadeiro perna de pirata.

As assembleias nas datas festivas, tinham discursos do João Barra, com seu terno de linho branco, do Ziba, e as pregações do Reverendo Cícero Siqueira ou de Dona Cecília.

Os grêmios de cada turma se reuniam e todos tinham que participar, fazendo o que gostasse, cantar, recitar,tocar instrumento, contar piadas limpas, dançar, isso valia ponto para nota e havia o júri composto por alunos que davam notas a cada apresentação. A pior era : "cumpriu com a sua obrigação".

Tinha o Ênio, dando bronca a cada vez que cantávamos os hinos com as letras modificadas (Entrou um bichinho no meu nariz, sai bichinho, sai bichinho) ou arrastávamos os pés sempre que havia a famosa frase: "Alguém tem alguma coisa a comentar?". Aí era bronca do Ênio " O sô, faz isso não sô, quer ficar de pé lá na frente? Quer ficar de castigo"?

Os dias de cinema, aos sábados, eram aguardados com expectativas e quem tinha dinheiro recebido pela mesada autorizada e bancada pela família, comprava pipoca no carrinho, balas e doces na carrocinha do Sr. Silas.

Filme que tinha beijo, um Zé Mané colocava a mão na frente da tela, era a censura moral tupiniquim em ação. Aí, a vaia corria solta. Luzes acendidas e ameaças de se encerrar a seção de cinema. Melhor acabar de ver o velho filme censurado, do que ter que ir mais cedo para a cama.

Era com o Sr. Silas que também se comprava bananas para mandar fritar na cozinha e compartilhar pedaços com todos da mesa, manjar dos deuses, juntamente com a carne moída das quartas - feiras e a de porco aos sábados, quando havia. Aliás, sempre que havia carne moída ou de porco, alguém colocava um fio de cabelo no prato, isso depois de comer pouco mais da metade da comida e reclamava. Recebia um "prataço" cheio de comida vindo da cozinha e com muita carne. Pelo menos, por duas vezes, consegui a recompensa.

Os porcos capadões grandes eram limpos estripados e cortados em pedaços para serem fritos e servidos, foi a primeira vez que vi como se fazia o "porquicídio" sendo praticado nos fundos da cozinha do internato.

Justiça seja feita, o pessoal que trabalhava na cozinha, lavanderia, serraria e limpeza ralavam  e pegavam no pesado. Destaque para os colegas que eram serventes do refeitório.

Isso os redime do dia em que serviram um bolo de mandioca com molho de tomate por cima, foi uma infecção intestinal generalizada. A salmonela pegou firma e foi uma caganeira geral. Tinha privada com fila de espera de 2, 3 alunos, apressando o que estava a usar a dita cuja.
Imaginem o caos que foi, não havia descarga, isso era feito com uma lata d'água. Só não havia latas suficientes e nem tempo, desespero total.

Nós eramos realmente protegidos pela sorte e todos os tipos de anjos e santos, pois no dia em que faltou água foi permitido tomar banho no córrego que corria nos fundos do internato, íamos em grupos controlados por regentes. A ordem era,entrar, molhar, sair, ensaboar e entrar para enxaguar  o corpo. Tínhamos que ficar de olho nos detritos que desciam boiando, saídos dos esgotos das casas que ficavam nas margens do córrego. Ninguém pegou uma doença de pele ou infecção qualquer. Mas, nadar era proibido.

Havia um aluno que morava , creio duas casas abaixo do internato, onde a turma dos atletas se reuniam para exercícios, não me lembro do nome, lembro que subia e descia o córrego remando em uma canoa, parecia um índio ou Tarzã. Engraçado como certas imagens ficam grudadas na memória tantos anos depois.

Me lembro, também, dos apelidos, alguns eram herdados de alunos que por lá passaram, outros eram novos. Cheiroso, padeiro, vaqueiro, boiadeiro, tarzã, índio, caolha, João peneném, benguela, zunha, brigite, brigitinha, zé capeta, zé  paulada, bom bril, bode, bodinho,ratinho, caratinga, barão, cuia e outros mais.

Recordo da Banda Marcial, também conhecida como Banda Marginal, alguns insubordinados renitentes eram escolhidos para a banda para uma terapia musical e funcionou com muitos. Na festa católica do mês de maio, mês de Maria, a furiosa da igreja católica fazia uma apresentação , bem cedo, ao lado do prédio velho do internato, na praça ao lado, dando início as festividades.

Esse dia era esperado com viva ansiedade pelos alunos novatos, já que os antigos contavam que jogavam sapatos velhos, bolas de gude e o que mais tivessem escondido na sua mesa de cabeceira. Aos primeiros foguetes espocados e acordes da furiosa, dois alunos jogaram algumas coisas. Foi o suficiente para os regentes acabarem com a brincadeira no início.

Gostava de ver a disputa das duas bandas no desfile de 7 de setembro, quando uma passava pela outra, cada uma tocava mais vibrante para tentar abafar e superar o som da outra. Teve um ano, que um aluno do internato jogou uma mamucha de laranja na tuba da furiosa da igreja católica, o que gerou um grande bafafá.

As aulas de educação física, eram cedinho, no inverno uma neblina brava e um frio do cão. Depois de correr e fazer ginástica, vinha o pior, tomar o banho frio, tão  gelado que doía a cabeça. Depois era tomar o café e e ir para as aulas.

Tinha a turma do "atletas" que faziam musculação nos fundos da serralheria com equipamentos improvisados. Havia a dos fumantes,essa bem maior do que a dos atletas. Fumavam nos fundos do pavilhão , atrás das casas de professor e do diretor. Vinham os regentes era jogar fora os cigarros, pisar em cima para eliminar a prova do crime. Quando alguém era pego, cumpria castigo por "FUMAR ESCONDIDO" e para coibir o fumo, quem estava na roda , mesmo sem fumar, pegava uma pena de "SUSPEITO DE FUMAR", Não adiantava nadica de nada. Se soubessem que tudo que é mais reprimido e proibido, tornava o fruto mais saboroso, não tentariam reprimir e punir.

Num dia muto frio de inverno, descobri a melhor utilidade para o lápis de cor banca de meu estojo de lápis de cor. Cortei um no tamanho de um cigarro, colori a ponta misturando cor preta e vermelha. Atravessei a quadra de basquete soltando a fumaça do frio, com o "cigarro" nas mãos e levando a boca fazendo cena de que fumava. Vários alunos me viram e acharam que eu estava maluco, veio um regente e começou a me dar bronca e querendo me punir. Dei uma baita risada na cara dele e mostrei o cigarro de lápis. O camarada ficou com uma cara de tacho e com uma baita vergonha pois caiu no ridículo na frente de muita gente. Foi pior para ele que ainda tentou se impor. Dei-lhe mais uma boa risada e perguntei se era proibido se divertir. 

Na véspera das férias, era reservar lugar nos trens que partiam para o Rio de Janeiro e Manhuaçu. Contavam-se histórias das viagens de ambos os ramais. Eu ia para Manhuaçu, para passar uma noite no hotel e pegar o ônibus para Belzonte no dia seguinte. A liberdade de comprar cerveja e cigarro, levar escondidos para o hotel e beber e fumar até tarde da noite, em companhia de companheiros de viajem, julgando-se um adulto sem medo da repressão. 

Quando o trem parava em Manhumirim, muitos de nós íamos ao banheiro para fazer xixi e cocô, só para deixar rastros na estação.

Numa das férias de meio de ano, fomos recepcionados por pessoas, inclusive alguns colegas de internato, para defenderem a sua cidade de nossa insanidade. Muitos de nós não desceram do trem, alguns foram comprar lanches, esperar o trem começar a andar e sair correndo com a famosa frase "PAGO NA VOLTA", contava-se que para o Rio coisas similares aconteciam.
Jogávamos futebol dentro do trem e quando o trem diminuía a sua velocidade para se engatar na cremalheira para ajudar na subida da serra, com o trem em movimento descíamos do primeiro carro e subíamos novamente no último carro da composição.

Quero aproveitar para pedir desculpas por ter colocado formigas lava pés e açúcar, em camadas, entre o lençol, o cobertor e a colcha na cama de um colega de dormitório, que havia balançado minha mala da mesa de cabeceira e me dado o maior trabalho para limpar a mala, e todo o meu material escolar guardado. Pois um vidro de mel abriu e melou tudo.O pobre coitado , não conseguiu dormir, a noite foi de muito frio, levou muitas ferroadas e o regente teve que arrumar outra cama para ele terminar a noite. Não me lembro, agora, tanto tempo depois, o nome dele. Se ainda estiver vivo e ler esse texto. Me desculpe!!!

Enfim, foram dois anos que deixaram boas lembranças, amizades e conceitos que mudaram minha vida, que ajudaram a mudar minha forma de ver o mundo e de vivê-lo.

É isso, sou um jovem "gastinho" de 71 anos, chegando aos 72, que guarda em um canto da memória e do coração as melhores lembranças de seu tempo de aborrecente vivido saudavelmente aos seus 15 e 16 anos em Jequitibá.

Um abraço do tamanho do Universo para todos e muita falta de juízo.

L'amitié - A Amizade - François Hardy - Filme Invasões Bárbaras




L'amitié

Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la terre

Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse

Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi tu viendras

Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse

Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines

Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton boi


A Amizade

Muitos de meus amigos vieram das nuvens,
Com o sol e a chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
A mais bela das quatro estações da terra.

Têm a doçura das mais belas paisagens,
E a fidelidade dos pássaros migradores.
E em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, as vezes, uma tristeza aparece em seus olhos.

Então, vêm se aquecer comigo,
e você também virá.

Poderá retornar às nuvens,
E sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura,
Quando alguém quiser esconder sua tristeza.

Como não sabemos o que a vida nos dá,
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda,
Me esquecerei das lágrimas e penas.

Então, talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama.

Pesquisa: Vídeo YouTube - Letras Internet

domingo, 27 de novembro de 2016

"O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO" - José Antônio Oliveira de Resende



Sou do tempo em que ainda se faziam visitas.
Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido.
Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé.
Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo.
E os donos da casa recebiam alegres a visita.
Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto!
- Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos.
Aí chegava outro menino.
Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala.
Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre.
Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre.
Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora.
A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras.
Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes.
Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
*– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.*
Tratava-se de uma metonímia gastronômica.
O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam.
As gargalhadas também.
Pra que televisão?
Pra que rua?
Pra que droga?
A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança...
Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
Quando saíamos, quase sempre antes das 22:00 h, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina.
Ainda nos acenávamos.
E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida.
Era assim também lá em casa.
Recebíamos as visitas com o coração em festa...
A mesma alegria se repetia.
Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta.
Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão.
Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, internet, e-mail, celular, Whatsapp ...
Cada um na sua e ninguém na de ninguém.
Não se recebe mais em casa.
Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas.
Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas...
Pra que abrir?
O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos de nata...
*Que saudade de um compadre e de uma comadre!...*
Créditos: José Antônio Oliveira de Resende
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.

Texto enviado pela prima, de Juiz de Fora, Luz e Mar Rodrigues Soares

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Recebendo os amigos, prazer muito especial e uma noite de alegrias


JANTAR – 18/11/2016 

COMENSAIS – WALCIRA - LÚCIA – DÉBORA – MARCELO – SÉRGIO – UNIVERSO

ENTRADAS:

MIX  DE TRECOS:


  • TERRINE DE CANARD TRUFFÉ
  • OVAS DE CAPELIN TIPO CAVIAR
  • TORRADINHAS SABOR LARANJA
  • BRUSQUETA CREME DE MASCARPONE E POLENGUI CREMOSO, GERGELIM TOSTADO, MORANGO MACERADO NO BALSÂMICO DE PERA E NOZES
  • PRESUNTO CRU RECHEADO COM GELEIA DE CASSIS
  • TORRESMIN DE BARRIGA COM GOIABADA CREMOSA E FAROFA DE CASTANHA DE CAJU
  • GASPACHO DE TOMATE E MANGA

PRATO PRINCIPAL:


  • PERNIL  DE CORDEIRO A  ARAGON COM TIRAS SALTEADAS DE PIMENTÃO VERMELHO E AMARELO
  • ARROZ  COM AMÊNDOAS TOSTADAS E PASSAS
  • PERA ASSADA  COM QUEIJO BRIE
  • AMEIXA  GRELHADA COM QUEIJO MINAS  E  MEL QUENTE
  • PURÊ RÚSTICO DE BANANA DA TERRA

SOBREMESA:

TIRAMISÙ

PARA RESFRIAR A PALAVRA E LUBRIFICAR A GARGANTA:

PROSECCO
VINHOS TINTOS

PARA ENCERRAR OS TRABALHOS:

AMARULA E  FINANCIER 

 BRUSQUETA


 MIX DE TRECOS



PRATO PRINCIPAL


TIRAMISÙ


O CHEFETE E A ANFITRIÃ

Faltaram as fotos do gaspacho de tomate e manga e do torresmin

FOTOS: Marcelinho 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

MPQ - Música Popular de Qualidade - A mesma rosa amarela - Maysa Matarazzo - Música de Capiba e Carlos Pena Filho


Foto: UNIVERSO - CHICUREO - CHILE

A MESMA ROSA AMARELA

Você tem,
Quase tudo dela,
O mesmo perfume,
A mesma cor,
A mesma rosa amarela,
Só não tem o meu amor.

Mas nesses dias de carnaval,
Para mim você vai ser ela,
O mesmo perfume a mesma cor,
A mesma rosa amarela,
Mas não sei o que será,
Quando chegar a lembrança dela,
E de você apenas restar,
A mesma rosa amarela





Dica da Música da amiga de Recife, Iracema Persivo
Vídeo: YouTube
Foto: Universo
Rosa amarela: Cultivada por Alfredo Ávalos , do Chile

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Maria Tereza a amante mala sem alça - Comandante Pedro Persivo

Comandante Pedro Persivo e sua Maria Tereza

Falam as más línguas que todo aviador, por onde passa, tem uma mulher, uma asa quebrada.
Eu não nego e minha esposa sabe que eu tenho uma oficial, a minha Maria Tereza . Ela me acompanha há muitos anos em minhas viagens e tem sido uma bela companheira. Maria Tereza conheceu já vários lugares, trás nas suas rodas a poeira do mundo.
Certa vez, cansado de tantas idas e vindas, ao chegar no hotel, ao abrir a Maria Tereza, ela me presenteou com um tufo de pelos do Thor. Ela sabia que eu precisava deste mimo para me alegrar e guardou com carinho uma lembrança de meu menino. Muito gentil minha companheira de luta.
Outra vez, falei em voz alta: estou cansado de carregar esta mala! E não é que Maria Tereza me deu o troco: virou uma mala sem alça. Aprendi à duras penas a respeitá-la. Quantas vezes, na chegada dos voos na madrugada, me debrucei sobre ela enquanto aguardava o ônibus. Ela gentilmente me acolhia.
A Maria Tereza tem coração grande e sempre acolhe a minha saudade de minha casa e daqueles que tanto amo. O peso da saudade ela conduz com maestria, aquecendo os bagageiros frios por onde ela passa.
Uma coisa que me chama a atenção, quando chego em casa depois de uma jornada, é que o meu Thor, após me beijar, vai lá na Maria Tereza e cheira ela. Com certeza, com toda a sua sensibilidade e bondade, ele sabe o qual valorosa é a minha companheira.
Cheia de saudade, cheia de experiências, cheia de vida! Estamos juntos, companheira de jornada. Juntos voamos alto!

Texto postado no Facebook pelo amigo Pedro, casado com a Mariana, pai do Thor, do Jazz e da Cora filho dos queridos amigos amigos Geraldo e Iracema, de Recife

terça-feira, 27 de outubro de 2015

70 e algumas coisas já vividas

Estive pensando e repensando coisas que vivenciei com os 70 anos de idade e 4 meses já vividos.

Balanço de vida? Não , acho ainda muito cedo para fechar a vida para balanço, vou esperar muito mais , assim terei mais coisas para avaliar, contar e saborear.

Algumas são coisas interessantes, outras nem tanto. Há as tristes, alegres, loucamente engraçadas, algumas de alto risco.

Quando se é jovem não prestamos a mínima atenção ao que se passou e pouco no que poderá vir.

Mas, depois de se viver, com certeza, mais da metade de minha provável existência, passei, depois dos 50 anos a lembrar e ou tentar lembrar fragmentos de algumas histórias e passagens da vida.

Tenho alguns causos registrados e que consigo ainda me lembrar. Outros, esqueço por conveniência e sobrevivência de minha integridade mental. Ficar lembrando de coisas ruins vale a pena?

Vamos lá:

Pai, mãe e irmão já desembarcados dessa esfera

Vários amigos queridos que morreram novos na infância, juventude e na fase adulta. Tenho deles boas lembranças e vivências. Algumas tragédias ouvidas, presenciadas e vividas.  Prefiro não contar os casos, há coisas muito duras e tristes. Melhor deixar estar no fundo do baú das vivências. Não há nada a se fazer para mudar o que já foi. Falar de cordas, armas, afogamento, mortes, acidentes para que, não é mesmo? Que fiquem essas coisas no limbo do cérebro.

Muitas pessoas passaram pela minha vida e sumiram. Pessoas que "foram amigas" durante períodos e que se apagaram, se afastaram, me excluíram ou os excluí.
Penso aqui com os meus botões, velcros e zípers, será que eram realmente amigos verdadeiros? Correspondi a essas pessoas? Ou foram relacionamentos descartáveis de ambas as partes. Tenho a certeza de sentir a perda de contato e relacionamento com alguns deles. Enfim , isso é do jogo da vida. Se escolhe e se é escolhido.

Em contrapartida tenho retomado contato com amigos de longa data sem ver, glória ao Facebook.

E os que me querem bem e eu idem , mesmo à distância, quando nos encontramos ou nos falamos tecnologicamente, fica sempre um sabor de reminiscências, dos bons tempos. Fica um sabor de amizade para sempre, mesmo que demore mais 10 anos para se encontrar.

Tenho pessoas que estimo por vários estados do país, sabem que nos queremos bem.  Tenho todos eles na memória afetiva e sempre penso em um e outro. De vez em quando sou surpreendido por uma retomada de contato que emociona.

Parentes que foram importantes em minha criação e formação, estão em um recanto de minhas boas e melhores lembranças e num canto do meu coração.

Cumpri e cumpro ainda meu papel de pai e marido, com acertos e erros, dos acertos tenho certeza,  dos erros a mulher e os filhos sabem e dizem. O que posso remediar ou corrigir, tento às vezes, o que não consigo, deixa estar que a vida sabe cobrar. Se amadureço e aprendo, vou lá e refaço os laços.

Andei no fio da navalha, enfrentei a luz falsa que brilhava no fim ou início do túnel? Pisei em cacos de vidro, em taças de cristal, e em ovos sem quebrar ou me machucar. Enfrentei ondas e marés bravas. Surfei em mar de almirante.

Estive no entroncamento e soube optar pelo trilho certo. Levei pau, pedra e vi o fim do caminho, mas soube retornar e refazer minhas trilhas e minhas caminhadas. Não sujei os pés na lama.

Desagradei a gregos e troianos, agradei as pessoas que em mim acreditaram. Errei, me desculpei e consertei muitos vasos que quebrei, embora, o vaso, mesmo sendo chinês da Dinastia Ming não voltasse a ter o mesmo valor.

Muitas das pessoa que tentaram me ferir, vieram mais a frente "comer nas minhas mãos", a vida dá voltas, a terra roda, é dia, é noite, hoje na parte de cima, amanhã lá embaixo. As linhas retas e curvas ajudam a escrever, desenhar, a moldar e traçar uma vida pelo mundão de Padim Cícero, por sorte, ajuda e persistência meu modelo ficou até muito bom. Tive ajuda de meus protetores que são fortes e me protegeram. Mesmo tendo, muitas vezes, que passar a borracha no meu rascunho, em refazer as linhas e letras, jogar fora o molde, romper a linha do horizonte e seguir em frente tropeçando, caindo e levantando, continuo inteiro nas minhas andanças e vivências.
Vou e venho, penso e repenso, sorrio e choro, faço e desfaço, xingo, esperneio, para segundos depois tentar esquecer e fazer diferente, como bom geminiano que sou.

Mas, fato mais importante de todos, sem a minha mulher com quem constituí uma família aguerrida e unida não teria sido o que sou.
Bom e suave ter na minha mulher, uma baía de calmas águas para aportar meu barco e lançar âncoras, um cantinho para chamar de meu e refazer os motivos e desejos para continuar a vida com ela e com amor.

Fiz e refiz projetos nunca executados, realizei outros, sem planejar, por puro desejo e vontade própria. Sempre fui muito intuitivo.

Acho que o saldo positivo pende a meu favor, será? Quem vai botar na balança e pesar? No acerto de contas final saberei. Depois, um dia, volto para contar. Me aguardem com velas, marafo, farofa, frango preto, fitas amarelas e sambas bons. Ê monsefio, hum, hum !!!

Hoje, tenho tempo para olhar mais para a natureza, ver pássaros, flores, insetos, paisagens, nascer e por do sol, admirar luas cheias, azuis, novas. Me emociono com coisas simples que estão por aí e muitas vezes nem percebemos.  É a conquista de uma paz simples e muito especial.
Amo sorriso de crianças e de meus lindos netos. Todos eles puxaram a beleza, o charme, a inteligência, a espontaneidade e a modéstia do "Vô Niverso".

Esses filhotes de passarinho, eu os vi  nascer, crescer, sair do ninho, ir para o chão, alçar primeiros voos, se desgarrarem da mãe, acostumaram comigo e vieram comer em minha mão - Vídeo: UNIVERSO

Procuro ler de tudo um tanto, neste ano já li mais de 9.000 páginas. Ouço menos música do que gostaria, vou dar um jeito nisso.

Viagens caíram de intensidade este ano, já são 9 meses ancorado, com o casco cheio de zinabre e mariscos. Dezembro, me aguarde.

Diminuí o hobby de fotografar, cozinhando pouco também, retomando o blog, depois de meses sem motivação, aproveitei para ler mais. E tem o tal do Facebook, lugar bom para se divertir e saber dos amigos. Não deixo passar batido qualquer assunto, perco o amigo, mas não deixo passar a oportunidade de dar uma boa sacaneada, mesmo em assuntos mais sérios..

No mais, é cuidar para não enferrujar a máquina e manter a ferramenta em dia.

Se a velhice começa quando você passa a relembrar e contar as mesmas histórias, causos, vivências, ainda rir de uma boa velha piada, ser mais seletivo em tudo o que te agrada, eliminando e deixando de fazer o que não te agrada. Acho, que já estou ficando velhinho.

A paciência, vai acabando com a idade, uma das coisas que me cansa na vida é a falta de educação das pessoas que não respeitam nada e nem ninguém. As vezes tenho vontade de ter um dia de fúria para enquadrar esses tipos, aí caio na real e entendo que não tenho que consertar o mundo e nem tenho tampouco força física para tal, então só me resta me acalmar e pensar que felizmente meus filhos, netos, nora e genro, tocam as suas vidas há mais de 10 anos fora dessa anarquia que se transformou o Brasil, sem desejo nenhum de voltar um dia.

Mas, não perco a minha dignidade e tampouco a minha indignação contra tudo o que está aí. Vou a rua e participo pelas mudanças necessárias, falo, divulgo fatos que dizem respeito ao que desejo ver mudado. Quero um país mais "limpo" para viver. Não me omito.

Viajei muito pelo Brasil, conheço quase todos os estados e territórios, fui pelo menos a 15 países, rodei bastante, vi muitos lugares bonitos, históricos, deliciosas comidas e bebidas, gente de todo tipo, com as pessoas que mantive contato por qualquer motivo, sempre fui muito bem tratado e sempre recebi de volta o que pratiquei com todos - GENTILEZA, GERA GENTILEZA.

A fórmula é simples: desculpe-me, com licença, por favor, obrigado, bom dia, tarde, noite, preciso de sua ajuda, pode me ajudar? Pode me atender agora? Foi muito gentil de sua parte, desculpe se não falo a sua língua. Simples assim.

Tenho o prazer de não ter hora e nem compromisso, sair de casa e voltar antes da hora da onça beber água no trânsito. Ir e não ir onde desejo ou não.

Comer e beber o que desejar, quando for e sem qualquer restrição.

Vestir a velha calça folgada e desbotada, a camisa quase furando de tão rala a malha, tênis, crocs, bermuda. Barba? Quando me olho no espelho e vejo que os fios brancos não estão nada charmosos, faço a barba, remoço 3 anos.  Cabelos brancos são poucos e dão certo charme, quando vou cortá-los mando fazer um corte de aposentado, bem curtinho, e tirar só os fios brancos, assim só volto daí a quatro meses.

Minha mulher diz que fico com cara de rato alegre no fubá e meus filhos que fiz o corte Playmobil, igual o dos bonecos. Se fico com o cabelo grande chamam de cabelo de argentino. Sinto que estou perdendo a moral.

Tô na vida, tô na luta, para o que não vier e o que aparecer. Me sinto feliz dia sim outro não, com sáude, inteiro, em paz comigo mesmo. Amo e sou correspondido. Tenho uma família pequena, longe, mas ligada e antenada pelo afeto, mais próximos afetivamente do que muita gente que vive perto.

O que espero da vida? Viver !

Espero fazer o que eu gosto e ter amor por muitos anos mais, se assim que tiver que ser.

Se não for assim é porque não teria que ser. Sem churumelas.

Com licença, tô indo em frente..., vamos?

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Carta a Gustavo Teixeira - Pedro Luis de Aguiar

Poesia do amigo Pedro Luis de Aguiar que conquistou  honroso segundo lugar no concurso de poesias criadas, como parte das comemorações da Semana Gustavo Teixeira.


  


Gustavo de Paula Teixeira (São Pedro, 4 de Março de 1881 — São Pedro, 22 de Setembro de 1937) foi um poeta brasileiro, de tendências literárias entre o Parnasianismo e Simbolismo, peculiares as primeiras décadas do Século XX.




PEDRO LUÍS DE AGUIAR


Carta a Gustavo Teixeira

Caro Gustavo, inda que não me conheça, tomei a liberdade
 de a você escrever, para satisfazer uma grande curiosidade,
 que hoje, mais do que nunca, me deixa bastante intrigado.

Como você, em época tão distante, quase uma eternidade,
 uma obra tão densa e profunda, de gerar teve capacidade?
 Você deixa, na arte da poesia, um admirador extasiado.

Como se inspirar? Pesquisar? A muitos temas dar propriedade?
 Ritmos, métricas, rimas, sonoridade, tonicidade, musicalidade?
 Lugares e pessoas, flores e amores, um vocabulário rebuscado?

A luz que o inspirou, só pode ter vindo do amor, celestialidade.
 Para na terra se materializar, em forma de poesia, em verdade.
 Do Velho ao Novo testamento, do fato presente ao passado.

Ah! Mulheres, rosas, casa paterna. Sentimentos de saudade.
 A embalar corações, a estimular mentes. Poesia e realidade.
 Versos e emoções. Frases e razões. Um inestimável legado.

Causa espanto e admiração, a sua grande versatilidade
 Entre o Parnasianismo e o Simbolismo, transitou com facilidade
 No primeiro, da mitologia grega, do Apolo consagrado.

E, no segundo, na “arte pela arte”, fatos históricos com criatividade.
 Fiel à forma, às rimas raras, à preciosidade.
 Rítmico e vocabular, cada verso estruturado.

Eu me surpreendo, como se filmado fosse, o visual de veracidade
 da enigmática Cleópatra, descrita com incomum autoridade.
 “E a Náiade do Egito, ao ver a frota ingente de Marco Antônio, ri, levando unicamente contra as lanças de Roma a graça de um sorriso.”

Objetos e paisagens, detalhados com rara capacidade.
 Flui a narrativa, em meio à emoção, do forte apelo à saudade.
 Como em Casa Paterna: “Da velha casa em que a manhã da vida passei, conservo uma lembrança exata: Antes de eu vir ao mundo foi erguida perto da serra, quase ao pé da mata”.
 E a perfeita descrição se encerra em tom emocionado...
 “O ribeirão, o cafezal, a horta...Ah! Que saudade o coração me corta do lar querido que deixei chorando!”

Ah, você foi um ícone do Simbolismo, valorizou a subjetividade,
 o seu eu, o particular e o individual, sem a visão com generalidade.
 e do Romantismo também se enamorou, um romance privilegiado.

Aos seus versos trouxe o imaginário, a fantasia, musicalidade.
 Sem lógica ou sem razão, com intuição interpretou a realidade,
 Se necessário foi vago, indefinido, impreciso... um verso inacabado.

Uma obra genuína, marcante, sempre plena de atualidade,
 que, a despeito do momento, a tudo tratou com fidelidade.
 Fatos e imagens, no presente e no passado.

Conta a história, a sua retraída e tímida personalidade.
 Em São Paulo não se adaptou à já vibrante realidade.
 Na volta a São Pedro, mantém-se aconchegado.

Conta a história, a sua reconhecida humildade.
 Em tudo e com todos, evidenciava a simplicidade
 Própria dos soberanos, do espírito elevado.

A sua história, também contava meu pai, com grande saudade.
 E que seus manuscritos organizou, há quase uma eternidade,
 E que por você, no caminho das letras foi influenciado.

Ah, doces lembranças de meu pai, emocionante saudade.
 Bem que eu tento, de vocês dois, ter a mínima capacidade
 de escrever algumas linhas, mas não me faço de rogado.

 Reconheço a dupla sabedoria, aprecio a dupla humildade,
 e ouso, nas rimas pobres, pobres versos, mostrar autenticidade.
 Feliz aquele que desfrutou mínima parte de seu legado.
 A você, Gustavo, e pela sua eterna obra, o meu muito obrigado

Fotos: Gustavo Teixeira - Pedro Luis de Aguiar - Texto e poema: Facebook e Internet 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Flora Maria - Partiu e deixa saudade.

Olhos cor de mel, zen, alegre, amiga e companheira. 
Alegrou por 14 anos a vida de minha filha.
Amada e querida por todos que a conheceram, até por quem não a conheceu ou não era cachorreiro.
Conquistava a todos pela sua beleza e docilidade.
Quase atropelada numa noite chuvosa e fria de São Paulo, levada para casa, tratada, agasalhada, alimentada. Conheceu muitos lugares, viveu amada e paparicada.
Retribuiu com fidelidade, amizade e muitas lambidas.
Partiu, vai deixar lembranças, vazio e saudade. Foi feliz.
Linda companheira, reencarne e volte para nós.









segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Uma velha, disfarçada e traiçoeira conhecida. A depressão.



Vídeo YouTube - Este vídeo foi criado e publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para ajudar pessoas que sofrem ou conhecem alguém próximo que sofre do "mal do século 21", a chamada depressão. Atualmente, a depressão afeta mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo. Projecções da OMS estimam que no ano de 2030, entre todas as doenças, a depressão será a mais comum. Existem tratamentos, mas menos da metade dos afetados pela doença recebem qualquer tipo de tratamento. Como existe uma grande hipótese da depressão se tornar uma doença crônica em que a pessoa pode ficar várias vezes doente ao longo da vida, o tratamento é fundamental.

Muito se fala de depressão, mas poucos conseguem realmente entender o problema. A ilustração do artista Matthew Johnstone pode ajudar muita gente direta ou indiretamente.

TODOS DEVIAM VER E COMPARTILHAR ESTE VÍDEO!

O texto abaixo foi escrito por minha filha que corajosamente se abriu e tenta com sua atitude e tratamento adequado, exorcizar essa doença vil, que chega de mansinho e vai dominando corpos e mentes, vontades e desejos.
Ela deseja que possa ser de utilidade para a conscientização de outras pessoas que estão com depressão a buscarem ajuda especializada, apoio de amigos e família. Sobretudo, mostrar que é uma doença que tem tratamento e cura, principalmente se reconhecida e tratada imediatamente.
Para essa filha maravilhosa, batalhadora, mãe e esposa dedicada, profissional competente e sobretudo um ser corajoso, deixamos aqui, eu, minha mulher, seu irmão, marido, cunhadas(os), sobrinhos(as), tios (as), sogro e sogra, e seus amigos(as), nosso apoio a sua coragem de falar publicamente de sua doença.

Sem qualquer tentativa de glamourizar a doença, mas objetivamente como um desabafo e um alerta para todas as pessoas

Texto da Juliana postado no FB
"Ela é uma velha conhecida. Daquelas que ninguém quer encontrar ou falar sobre ela.
Ela simboliza o lado negro da força. Da vida. Uma chaga que ninguém vê mas sente. E sente em todos os órgãos do corpo. Mas ninguém entende porque a ferida não é visível.
É a falta de vontade de viver com a reação pela extrema ânsia de viver. O medo.
Talvez você já tenha encontrado com ela em algum momento da sua vida. Ou várias vezes. E a tenha negado. E se recolhido. E silenciado.
Sim, não falamos dela, nem gostamos de citar seu nome. Ela causa uma enorme vergonha.
Ela me acompanha há muitos anos. Nem sei quantos. Me debilita como um knock out num ringue.
Mas eu sou corajosa. Eu me reinvento e recomeço de novo.
É uma doença que a ferida não é visível, mas dói na alma. Provoca reações inesperadas e te faz perder amigos porque você sente tudo elevado a milésima potência, ou porque simplesmente é uma pessoa muito estranha. Desaparece, não quer falar com ninguém. Precisa se reorganizar.
Pode ter origem genética ou ser fruto de um desequilíbrio químico. Pode ser resultado de uma mudança de estações.
Só sei que parece não ter fim. E a sua sombra fica ali, esperando para voltar.
O nome disso é depressão. Falei dessa doença com poucas pessoas por vergonha. Vergonha porque eu mesma me pergunto a razão para sentir-me triste se tenho uma vida bacana, sou "saudável", chego onde quero, não me falta nada?
Porque parece fricote, bobagem, frescura comparado a problemas tão sérios de outras pessoas. Doenças as vezes sem cura. Fome. Falta de trabalho.
E esse negar a própria dor provoca mais sofrimento. Como eu, que sou exemplo de força e coragem para tanta gente posso "quebrar"? Por que eu não posso quebrar? Por que quebrar-se? São algumas elucubrações ao longo de cada crise.
Ela está aí. Resolvi falar dela, dar nome. Olhar de frente. Quem sabe ela vá de vez. Ou talvez aprenda a conviver com ela.
Sigo buscando respostas e ajuda. E decidi expor esse momento pois muita gente sofre em silêncio por vergonha ou por não saber o que se passa. E há quem chegue a extremos.
O que aprendi ao longo desses desagradáveis encontros é que preciso de ajuda. Profissional, da família, de amigos. Ninguém é forte o suficiente para lutar sozinho essa batalha.
E é viver um dia após o outro. Aos poucos ajustando a vida e essa ânsia de viver misturada a falta de vontade e o medo de viver.
E o pulso? Ainda pulsa."
Juliana Soares

Mensagens recebidas pelo FB, onde ela publicou o texto.
  • Marcia Kawase Que linda maneira de se expressar. Entendo a vergonha, o medo que se sente. Não tem regra, lei, época, motivo. 
    Um dia de cada vez. 
    Estamos juntas. De qualquer e de todo jeito.
  • Aurea Maranduba Tem mesmo que encarar e não ter medo de admitir.Isso faz parte de "ser forte", Ju.Não há por que se constranger..Força e fé!!!.Alimente-se do sorriso que você tem bem aí à sua frente.E siga em frente .Ora triste_por que não?_ ora alegre. Mas siga.Beijo .E lembre-se:tudo passa.tudo passa.(mas cuide-se).
  • Sonia L Nigri Tambem fiquei 'feliz' pela sua iniciativa e coragem. Orgulho de voce, Ju. Os principais medos e problemas tendem a diminuir quando encaramos de frente. E quando compartilhamos com pessoas queridas... Se cuida. To aqui sempre, como diz a Marcia Kawase, estamos sempre juntas. Bjos
  • Carlos Eduardo Sisso Ju, eu sim sei o que é não saber o que dizer agora.

    Não aquela forma leve com que você me escreveu ontem.

    Não saber o que dizer é essa vontade que eu tô de não dizer nada mesmo; só correr na sua direção, te dar um abraço e tentar achar um jeito de arrancar isso aí de dentro.

    Não se envergonhe do que fez.

    Você permitiu que outros pudessem ter acesso à intimidade silenciosa e solitária da sua dor, de maneira a torná-la menos solitária, menos silenciosa, menos dor.

    Por favor, se cuida.

    Se precisar, estamos todos por aqui, por aí. Você sabe quem e onde nos encontrar.

    Um beijo, minha amiga. Você vai sair dessa. Tenho certeza.
  • Clau Kogan Ju querida. Poucas vezes vi um texto tão sincero e verdadeiro. Me reconheci nas tuas palavras. Só queria te dizer que você não está sozinha. Não é preciso ter vergonha de nada, só a certeza de que, no teu íntimo, és mais forte do que este monstro que nos machuca a alma.
    Queria estar por perto para poder te dar um . abraço e conversar muito.
    Infelizmente não vamos conseguir nos ver quando você vier a SP agora, mas repito.... você é. mais forte do que ela. O Angelo me ensinou isto ... e sinceramente eu me sinto mais forte, eu comando minhas emoções e meu corpo ... nao ela ... Se precisar de alguma coisa estou por aqui e OBRIGADA por dividir teus sentimentos com a gente. Tenho orgulho de você!
  • Márcia Lage Ju, ficar doente não é sua culpa e nem motivo de vergonha. E depressão é doença! Não é fricote, nem bobagem, nem frescura e é tão sério e grave quanto qualquer outra doença. Ainda é mais cruel pq faz com q o doente se sinta pior pq não consegue "reagir", se "animar", q "não tem motivo pra sentir essa tristeza pq sua vida é tão boa", coisas ditas por pessoas q não compreendem o sofrimento q a doença causa independentemente de motivos externos. Além disso ela incapacita a pessoa de levar uma vida normal e lutar contra isso é difícil e doloroso. Nessa fase o q vc precisa, além da ajuda profissional, é de compreensão, carinho e apoio. Mesmo de longe, tô enviando tudo isso pra vc. Se cuida. Beijos.
  • Mercedes Basilio Parabéns Ju querida pela coragem!!!!!
    Sua coragem vai ajudar a muitas pessoas.
    Como Márcia Lage escreveu - não é frescura.....é doença. Vai passar!!!!
    Tudo passa!!!!
    Graças a Deus!!!!
    Mesmo de longe estou perto mandando força e carinho.
    Se cuida!!
    Bjs 
  • Juliana Soares Agradeço cada palavra de carinho. 
    Estou me cuidando direitinho. E,sim, só com força, coragem, apoio e cuidados a gente supera.
    Escrever é minha maneira de falar. E precisava transferir esses sentimentos a quem me desequilibra, a depressão.
    Senti cada abraço e isso conforta muito na dor.
    Espero, em breve, dizer que elástico foi e as cores voltaram a ser mais vivas e alegres e menos cinzas. Um beijo grande a todos.
  • Maurilo Andreas Ju, torço muito para que você tenha toda a tranquilidade, carinho e apoio do mundo para enfrentar essa luta. Um beijo muito grande. Ah, acho que esse texto deveria ser compartilhado, anonimamente ou não, para que mais pessoas possam se identificar, entender e começar sua caminhada contra a depressão sabendo que não estão sozinhos.
  • Walcira Maria Mendes Soares Coragem filha,essa é a palavra para descrever sua atitude e de enfrentar esse momento tão difícil.Ter amigos,família,mesmo que de longe,mas tão disponíveis para uma palavra de apoio e carinho é um conforto um afago,sim,nesse momento como é importante se sentir amparada,amada.Eu,sua mãe,te amo!
  • Silvana Barbara Ju, é isso. Estamos juntas. Beijo grande.
  • José Universo Soares Ju querida, falar e botar pra fora é um grande alento e sinal de que você está atenta. Você sempre foi uma lutadora e tem vencido seus desafios.Você sabe que conta nosso carinho, amor e apoio sempre. Sua coragem em compartilhar esse momento é muito importante para você, e para outras pessoas que sentem medo e vergonha de falar sobre suas necessidades. Beijo grande. Te amo.
  • Luz E Mar Rodrigues Soares Juliana, É só tristeza... Isto faz parte da nossa vida... Mas, ainda bem que passa... Pouco convivi com você... Mas, tenho convicção que você tem muitos motivos para ser feliz e agradecida. Tem um lindo filho, um dos mais belos de nossa família, um marido que parece que te ama, e é uma bela pessoa. Força!!! Console-se comigo...Tenho 66 anos e estou longe de todos os meus filhos e cuidando de uma mãe com Alzheimer... Força, vai passar... Quero te ver feliz e pondo a língua para fora... Com carinho e torcendo para que você fique bem...
  • Juliana Soares Mau Maurilo Andreas, obrigada. A idéia de escrever é justamente esta. É uma dor incompreendida e muitas vezes em silêncio. Se cada um que ler esse texto puder pedir ajuda é uma alegria para mim. A vergonha eu já perdi, portanto não preciso de anonimato. É esse anonimato que trás tanto sofrimento. Que seja compartilhado. E um graozinho de areia vai construir algo de positivo. Beijo
  • Paula Proença Ju querida, já passei por isso e é de fato terrível. Mas que Deus seja seu principal companheiro na jornada rumo ao arco-iris! Foi com Ele que saí do escuro e nunca mais voltei. Vou orar por você e pela sua plena recuperação. Um grande beijo!
  • Junia Moura Juju....minha tão amada amiga....estamos arragadas pela nossa sintonia, lembra ?!
    Há semanas e semanas que penso em te "skiper" e não sai do lugar...esse danado de fuso horario.
    Vc é iluminada de colocar pra fora esses fanstamas que ficam adormecidos e de repente se despertam, apesar de todo esse tumulto intérior vc nos dà uma bela lição de altruismo, sinceridade, coragem, lucidez, força !
    Tenho orgulho demais de vc ...Juju.....essa onda vem desequilibra um pouco os alicerces, mas ele é solido e logo vai estar de pé !
    Sinta-se muito amada......meus pensamentos estão em vc querida amiga !
    Beijo grande !
  • Renato Moraes Querida Ju, lindas suas palavras, mesmo em se tratando de algo sério e triste. Queria só lhe dizer que mesmo à distância estamos juntos pro que der e vier. Fique bem. Coragem sempre. Bjos
  • Rodrigo James Ju, muita coragem a sua! E falar é bom mesmo. Talvez te ajude muito. Apesar da distância e de nos encontrarmos poucos ao longos dos últimos sei-lá-quantos anos, tô aqui pro que puder ajudar. Bjos.
  • Thais Leal Tchutchukaaaa segura a peruca e tenha fé!!! Vc e iluminada com amor de sua familia, de seu marido e de seu presente divino que esse filhote delicinhaaaa vibre o bem e recebera o bem e a paz muita luz e brilhe porque nasceu para isso !!! Nao se esqueça disso!
  • Isabella Roscoe Ju vc não tem que se envergonhar . Já passei por isso cheguei no fundo do poço. Tenha fé que tudo vai dar certo e vc vai melhorar.
  • Cristina Rivetti Jú vc é e sempre foi corajosa e vai sair dessa mais fortalecida, busque a paz no seus amores, estamos juntos. Fé e muita paz! bjs 

Com nosso carinho e amor. Dedicamos a você essa linda música nossa garota iluminada