terça-feira, 27 de outubro de 2015

70 e algumas coisas já vividas

Estive pensando e repensando coisas que vivenciei com os 70 anos de idade e 4 meses já vividos.

Balanço de vida? Não , acho ainda muito cedo para fechar a vida para balanço, vou esperar muito mais , assim terei mais coisas para avaliar, contar e saborear.

Algumas são coisas interessantes, outras nem tanto. Há as tristes, alegres, loucamente engraçadas, algumas de alto risco.

Quando se é jovem não prestamos a mínima atenção ao que se passou e pouco no que poderá vir.

Mas, depois de se viver, com certeza, mais da metade de minha provável existência, passei, depois dos 50 anos a lembrar e ou tentar lembrar fragmentos de algumas histórias e passagens da vida.

Tenho alguns causos registrados e que consigo ainda me lembrar. Outros, esqueço por conveniência e sobrevivência de minha integridade mental. Ficar lembrando de coisas ruins vale a pena?

Vamos lá:

Pai, mãe e irmão já desembarcados dessa esfera

Vários amigos queridos que morreram novos na infância, juventude e na fase adulta. Tenho deles boas lembranças e vivências. Algumas tragédias ouvidas, presenciadas e vividas.  Prefiro não contar os casos, há coisas muito duras e tristes. Melhor deixar estar no fundo do baú das vivências. Não há nada a se fazer para mudar o que já foi. Falar de cordas, armas, afogamento, mortes, acidentes para que, não é mesmo? Que fiquem essas coisas no limbo do cérebro.

Muitas pessoas passaram pela minha vida e sumiram. Pessoas que "foram amigas" durante períodos e que se apagaram, se afastaram, me excluíram ou os excluí.
Penso aqui com os meus botões, velcros e zípers, será que eram realmente amigos verdadeiros? Correspondi a essas pessoas? Ou foram relacionamentos descartáveis de ambas as partes. Tenho a certeza de sentir a perda de contato e relacionamento com alguns deles. Enfim , isso é do jogo da vida. Se escolhe e se é escolhido.

Em contrapartida tenho retomado contato com amigos de longa data sem ver, glória ao Facebook.

E os que me querem bem e eu idem , mesmo à distância, quando nos encontramos ou nos falamos tecnologicamente, fica sempre um sabor de reminiscências, dos bons tempos. Fica um sabor de amizade para sempre, mesmo que demore mais 10 anos para se encontrar.

Tenho pessoas que estimo por vários estados do país, sabem que nos queremos bem.  Tenho todos eles na memória afetiva e sempre penso em um e outro. De vez em quando sou surpreendido por uma retomada de contato que emociona.

Parentes que foram importantes em minha criação e formação, estão em um recanto de minhas boas e melhores lembranças e num canto do meu coração.

Cumpri e cumpro ainda meu papel de pai e marido, com acertos e erros, dos acertos tenho certeza,  dos erros a mulher e os filhos sabem e dizem. O que posso remediar ou corrigir, tento às vezes, o que não consigo, deixa estar que a vida sabe cobrar. Se amadureço e aprendo, vou lá e refaço os laços.

Andei no fio da navalha, enfrentei a luz falsa que brilhava no fim ou início do túnel? Pisei em cacos de vidro, em taças de cristal, e em ovos sem quebrar ou me machucar. Enfrentei ondas e marés bravas. Surfei em mar de almirante.

Estive no entroncamento e soube optar pelo trilho certo. Levei pau, pedra e vi o fim do caminho, mas soube retornar e refazer minhas trilhas e minhas caminhadas. Não sujei os pés na lama.

Desagradei a gregos e troianos, agradei as pessoas que em mim acreditaram. Errei, me desculpei e consertei muitos vasos que quebrei, embora, o vaso, mesmo sendo chinês da Dinastia Ming não voltasse a ter o mesmo valor.

Muitas das pessoa que tentaram me ferir, vieram mais a frente "comer nas minhas mãos", a vida dá voltas, a terra roda, é dia, é noite, hoje na parte de cima, amanhã lá embaixo. As linhas retas e curvas ajudam a escrever, desenhar, a moldar e traçar uma vida pelo mundão de Padim Cícero, por sorte, ajuda e persistência meu modelo ficou até muito bom. Tive ajuda de meus protetores que são fortes e me protegeram. Mesmo tendo, muitas vezes, que passar a borracha no meu rascunho, em refazer as linhas e letras, jogar fora o molde, romper a linha do horizonte e seguir em frente tropeçando, caindo e levantando, continuo inteiro nas minhas andanças e vivências.
Vou e venho, penso e repenso, sorrio e choro, faço e desfaço, xingo, esperneio, para segundos depois tentar esquecer e fazer diferente, como bom geminiano que sou.

Mas, fato mais importante de todos, sem a minha mulher com quem constituí uma família aguerrida e unida não teria sido o que sou.
Bom e suave ter na minha mulher, uma baía de calmas águas para aportar meu barco e lançar âncoras, um cantinho para chamar de meu e refazer os motivos e desejos para continuar a vida com ela e com amor.

Fiz e refiz projetos nunca executados, realizei outros, sem planejar, por puro desejo e vontade própria. Sempre fui muito intuitivo.

Acho que o saldo positivo pende a meu favor, será? Quem vai botar na balança e pesar? No acerto de contas final saberei. Depois, um dia, volto para contar. Me aguardem com velas, marafo, farofa, frango preto, fitas amarelas e sambas bons. Ê monsefio, hum, hum !!!

Hoje, tenho tempo para olhar mais para a natureza, ver pássaros, flores, insetos, paisagens, nascer e por do sol, admirar luas cheias, azuis, novas. Me emociono com coisas simples que estão por aí e muitas vezes nem percebemos.  É a conquista de uma paz simples e muito especial.
Amo sorriso de crianças e de meus lindos netos. Todos eles puxaram a beleza, o charme, a inteligência, a espontaneidade e a modéstia do "Vô Niverso".

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Esses filhotes de passarinho, eu os vi  nascer, crescer, sair do ninho, ir para o chão, alçar primeiros voos, se desgarrarem da mãe, acostumaram comigo e vieram comer em minha mão - Vídeo: UNIVERSO

Procuro ler de tudo um tanto, neste ano já li mais de 9.000 páginas. Ouço menos música do que gostaria, vou dar um jeito nisso.

Viagens caíram de intensidade este ano, já são 9 meses ancorado, com o casco cheio de zinabre e mariscos. Dezembro, me aguarde.

Diminuí o hobby de fotografar, cozinhando pouco também, retomando o blog, depois de meses sem motivação, aproveitei para ler mais. E tem o tal do Facebook, lugar bom para se divertir e saber dos amigos. Não deixo passar batido qualquer assunto, perco o amigo, mas não deixo passar a oportunidade de dar uma boa sacaneada, mesmo em assuntos mais sérios..

No mais, é cuidar para não enferrujar a máquina e manter a ferramenta em dia.

Se a velhice começa quando você passa a relembrar e contar as mesmas histórias, causos, vivências, ainda rir de uma boa velha piada, ser mais seletivo em tudo o que te agrada, eliminando e deixando de fazer o que não te agrada. Acho, que já estou ficando velhinho.

A paciência, vai acabando com a idade, uma das coisas que me cansa na vida é a falta de educação das pessoas que não respeitam nada e nem ninguém. As vezes tenho vontade de ter um dia de fúria para enquadrar esses tipos, aí caio na real e entendo que não tenho que consertar o mundo e nem tenho tampouco força física para tal, então só me resta me acalmar e pensar que felizmente meus filhos, netos, nora e genro, tocam as suas vidas há mais de 10 anos fora dessa anarquia que se transformou o Brasil, sem desejo nenhum de voltar um dia.

Mas, não perco a minha dignidade e tampouco a minha indignação contra tudo o que está aí. Vou a rua e participo pelas mudanças necessárias, falo, divulgo fatos que dizem respeito ao que desejo ver mudado. Quero um país mais "limpo" para viver. Não me omito.

Viajei muito pelo Brasil, conheço quase todos os estados e territórios, fui pelo menos a 15 países, rodei bastante, vi muitos lugares bonitos, históricos, deliciosas comidas e bebidas, gente de todo tipo, com as pessoas que mantive contato por qualquer motivo, sempre fui muito bem tratado e sempre recebi de volta o que pratiquei com todos - GENTILEZA, GERA GENTILEZA.

A fórmula é simples: desculpe-me, com licença, por favor, obrigado, bom dia, tarde, noite, preciso de sua ajuda, pode me ajudar? Pode me atender agora? Foi muito gentil de sua parte, desculpe se não falo a sua língua. Simples assim.

Tenho o prazer de não ter hora e nem compromisso, sair de casa e voltar antes da hora da onça beber água no trânsito. Ir e não ir onde desejo ou não.

Comer e beber o que desejar, quando for e sem qualquer restrição.

Vestir a velha calça folgada e desbotada, a camisa quase furando de tão rala a malha, tênis, crocs, bermuda. Barba? Quando me olho no espelho e vejo que os fios brancos não estão nada charmosos, faço a barba, remoço 3 anos.  Cabelos brancos são poucos e dão certo charme, quando vou cortá-los mando fazer um corte de aposentado, bem curtinho, e tirar só os fios brancos, assim só volto daí a quatro meses.

Minha mulher diz que fico com cara de rato alegre no fubá e meus filhos que fiz o corte Playmobil, igual o dos bonecos. Se fico com o cabelo grande chamam de cabelo de argentino. Sinto que estou perdendo a moral.

Tô na vida, tô na luta, para o que não vier e o que aparecer. Me sinto feliz dia sim outro não, com sáude, inteiro, em paz comigo mesmo. Amo e sou correspondido. Tenho uma família pequena, longe, mas ligada e antenada pelo afeto, mais próximos afetivamente do que muita gente que vive perto.

O que espero da vida? Viver !

Espero fazer o que eu gosto e ter amor por muitos anos mais, se assim que tiver que ser.

Se não for assim é porque não teria que ser. Sem churumelas.

Com licença, tô indo em frente..., vamos?