domingo, 24 de julho de 2016

Florence Foster Jenkins- A pior cantora do mundo

Florence Foster Jenkins, nasceu em 19 de julho de 1868, em Wikes - Barre , Pensilvânia , nos Estados Unidos e faleceu em 26 de novembro de 1944, em Nova York, NY. 
Foi milionária e cantora americana que fez sucesso nos anos 40, pela sua persistência em cantar clássicos mais difíceis do canto lírico, sem acertar uma nota sequer. Era tão desafinada e gritava tanto em suas apresentações, que foi chamada de  A Diva do Grito pelo público que comparecia em seus recitais.
Herdeira do patrimônio que seu pai, uma rico banqueiro, usou seu dinheiro após os 41 anos de idade, depois da morte de seu pai, para atingir os seus sonhos de ser cantora desde os 7 anos de idade,
Seus recitais anuais no Hotel Ritz tinham grande procura e entre seu público viam-se nomes de compositores, cantores e artistas famosos.Toda a renda de seus recitais iam para entidades filantrópicas.
Após uma fase sem se apresentar e gravar discos, ela se apresentou no Carnegie Hall, em 25 de outubro de 1944, local de apresentações futuras de grandes nomes da música. Tão logo o recital foi divulgado os ingressos se esgotaram em poucas horas.
Foi uma anoite de grandes confusões, tendo a polícia de intervir para controlar o tumulto causado pelo grande número de pessoas que queriam ver o recital. Mais de 2.000 pessoas voltaram para suas casas sem conseguir entrar no Carnegie Hall.
Uma semana depois de sua sonhada apresentação no Carnegie Hall, aos 76 anos, Florence Foster faleceu em sua casa.

Vários espetáculos contando a sua trajetória foram criados, Souvenir, foi apresentado em Nova York e no Brasil o espetáculo Gloriosa, interpretado por Marília Pera, em 2009.
Recentemente estreou no Brasil o filme Florence Foster Quem é Essa Mulher?, com Meryl Streep e Hugh Grant, sobre a carreira de Florence Foster Jenkins.
Ouça, nos vídeos abaixo, o quanto Florence Foster era péssima para cantar, assassinou com suas interpretações obras de Verdi, Bach e Mozart.

 













Vídeos: YouTube - Pesquisa Internet: Wikipédia e outros sites.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Mistério do 666

Imagem: Internet

Matemático desvenda mistério da exacosioihexecontahexafobia, ou medo do 666.

Quero ouvir você pronunciar rapidamente e num fôlego a palavra acima em vermelho.

Telescópio espacial registra imagens mais distante já feitas do UNIVERSO.

                  Primeira foto: UNIVERSO fazendo churrasco na laje


             Segunda foto: Estou bem no meio da foto, achou?

                     Terceira foto:  Abaixo, a imagem mais distante.  
°

A segunda foto capturei no Blog da brima poeta Márcia C. Lio Magalhães

Receitas de drinks com cachaça 3 - Calendário Pirelli 1975

Clique nas imagens para ampliar




sexta-feira, 8 de julho de 2016

Preludio pra ninar gente grande (menino passarinho) - Luiz Vieira

Gravei o vídeo abaixo para registrar como os animais respondem aos sinais de quem não quer fazer o mal .
Vi esse bichinho ser chocado e nascer. Ser alimentado no ninho, até adquirir penas e descer para o chão no seu primeiro voo ensaiado e sem jeito.  
Depois, alçou voos mais ousados, distantes e sempre voltando para perto da mãe. 
Foi se acostumando comigo, chegando perto, até que comeu em minha mão.
Durante um almoço, veio e pousou em meu ombro esperando alguma comida.
São momentos mágicos que muitas pessoas conseguem interagindo em paz com a natureza e seus seres.
Sorte minha que consegui e consigo ver a beleza da vida em micros, pequenos e grandes detalhes.
Me sinto um menino que conseguiu ter o seu amigo passarinho, solto, livre para voar, ir e vir, chegar e ficar nas minhas mãos, nos meus ombros, sem medos.
Compartilho esse pequeno e mágico momento com vocês.
Em seguida, publico a letra e vídeo com Luíz Vieira interpretando Preludio pra ninar gente grande - Menino passarinho.

video


Quando estou nos braços teus
Sinto o mundo bocejar.
Quando estás nos braços meus
Sinto a vida descansar.
No calor do teu carinho
Sou menino-passarinho
Com vontade de voar.
Sou menino-passarinho
Com vontade de voar.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Cachaça cheia de graça, cheia de nomes




Moagem de cana no engenho, Hercules Florence, Museu Paulista da USP, São Paulo


Conforme a região do Brasil a cachaça é conhecida e chamada por nomes variados, assim como as marcas que são produzidas por todo o Brasil. Temos a cachaça (pinga) de cana de açúcar, de banana (Morretes - Paraná), de uva (Grappa ou Graspa) e de outras frutas.

Os nomes baixo foram compilados na Revista Marketing de 1975 e publicados em um calendário da Pirelli, juntamente com várias receitas de batidas, as quais publicarei em outras postagens. Esse calendário estava nos "alfarrábios" de meu falecido pai.

E também por Felipe Jannuzzi e Gabriela Barreto, criadores do Mapa da Cachaça, site especializado na bebida, elencaram mais de 400 nomes.


A
a-do-diabo, abre, abre-bondade, abre-coração, abrideira, abridora, aca, ácido, aço, acuicui, a-do-ó, água, água-benta, água-bórica, água-branca, água-bruta, água-de-briga, água-de-cana, água-de-setembro, água-lisa, água-pé, água-pra-tudo, água-que-gato-não-bebe, água-que-passarinho-não-bebe, aguardente, aguarrás, agundu, alicate, alpista, alpiste, amarelinha, amorosa, anacuíta, angico, aninha, apaga-tristeza, aquelazinha, a-que-incha, aquela-que-matou-o-guarda, a-que-matou-o-guarda, aquiqui, arapari, ardosa, ardose, ariranha, arrebenta-peito, assina-ponto, assovio-de-cobra, azeite, azougue, azulada, azuladinha, azulina, azulzinha
B
bafo-de-tigre, baga, bagaceira, baronesa, bataclã, bicarbonato-de-soda, bicha, bichinha, bicho, bico, birinaite, birinata, birita, birrada, bitruca, boa, boa-pra-tudo, bom-pra-tudo, borbulhante, boresca, braba, branca, brande, branquinha, brasa, braseira, braseiro, brasileira, brasileirinha, brava, briba
C
cachorro-de-engenheiro, caeba, café-branco, caiana, caianarana, caianinha, calibrina, camarada, cambraia, cambrainha, camulaia, cana, cana-capim, cândida, canguara, canha, canicilina, caninha, caninha-verde, canjebrina, canjica, capote-de-pobre, cascabulho, cascarobil, cascavel, catinguenta, catrau, catrau-campeche, catuta, cauim, caúna, caxaramba, caxiri, caxirim, caxixi, cem-virtudes, chá-de-cana, chambirra, champanha-da-terra, chatô, chica, chica-boa, chora-menina, chorinho, choro, chuchu, cidrão, cipinhinha, cipó, cobertor-de-pobre, cobreia, cobreira, coco, concentrada, congonha, conguruti, corta-bainha, cotréia, crislotique, crua, cruaca, cumbe, cumbeca, cumbica, cumulaia, cura-tudo
D
danada, danadinha, danadona, danguá, delas-frias, delegado-de-laranjeiras, dengosa, desmanchada, desmanchadeira, desmancha-samba, dindinha, doidinha, dona-branca, dormideira
E
ela, elixir, engenhoca, engasga-gato, espanta-moleque, espiridina, espridina, espírito, esquenta-aqui-dentro, esquenta-corpo, esquenta-dentro, esquenta-por-dentro, estricnina, extrato-hepático
F
faz-xodó, ferro, filha-de-senhor-de-engenho, filha-do-engenho, filha-do-senhor-do-engenho, fogo, fogosa, forra-peito, fragadô, frinha, fruta
G
garapa-doida, gás, gasolina, gaspa, gengibirra, girgolina, girumba, glostora, goró, gororoba, gororobinha, gramática, granzosa, gravanji, grogue, guampa, guarupada
H
homeopatia
I
iaiá-me-sacode, igarapé-mirim, imaculada, imbiriba, incha, insquento, isbelique, isca
J
já-começa, jamaica, januária, jeriba, jeribita, jinjibirra, juçara, junça, jura, jurubita, jurupinga
L
lágrima-de-virgem, lamparina, lanterneta, lapinga, laprinja, lebrea, lebréia, legume, levanta-velho, limpa, limpa-goela, limpa-olho, limpinha, linda, lindinha, linha-branca, lisa, lisinha
M
maçangana, maçaranduba, maciça, malafa, malafo, malavo, malunga, malvada, mamadeira, mamãe-de-aluana, mamãe-sacode, manduraba, mandureba, mangaba, mangabinha, marafa, marafo, maria-branca, maria-meu-bem, maria-teimosa, mariquinhas, martelo, marumbis, marvada, marvadinha, mata-bicho, mata-paixão, mateus, mé,  melé, meleira, meropéia, meu-consolo, miana, mijo-de-cão, mindorra, minduba, mindubinha, miscorete, mistria, moça-branca, moça-loura, molhadura, monjopina, montuava, morrão, morretiana, muamba, mulata, mulatinha, muncadinho, mundureba, mungango
N
não-sei-quê, negrita, nó-cego, nordígena, número-um
O
óleo, óleo-de-cana, omim-fum-fum, oranganje, oroganje, orontanje, oti, otim, otim-fifum, otim-fim-fim
P
panete, parati, parda, parnaíba, patrícia, pau-de-urubu, pau-no-burro, pau-selado, pé-de-briga, péla-goela, pelecopá, penicilina, perigosa, petróleo, pevide, pílcia, pilóia, pilora, pindaíba, pindaíva, pindonga, pinga, pingada, pinga-mansa, pinguinha, piraçununga, piribita, pirita, pitianga, pitula, porco, porongo, preciosa, prego, presepe, pringoméia, pura, purinha, purona
Q
quebra-goela, quebra-jejum, quebra-munheca, quindim
R
rama, remédio, restilo, retrós, rija, ripa, roxo-forte
S
saideira, salsaparrilha-de-brístol, samba, santa-branca, santamarense, santa-maria, santinha, santo-onofre-de-bodega, semente-de-arrenga, sete-virtudes, sinhaninha, sinhazinha, sipia, siúba, sorna, sumo-da-cana, sumo-de-cana-torta, suor-de-alambique, suor-de-cana-torta, supupara, suruca
T
tafiá, talagada, tanguara, teimosa, teimosinha, tempero, terebintina, tiguara, tindola, tíner, tinguaciba, tiguara, tiquara, tira-calor, tira-juízo, tira-teima, tira-vergonha, titara, tiúba, tome-juízo, três-martelos, três-tombos
U
uca, uma-aí, unganjo, upa, urina-de-santo
V
vela, veneno, venenosa, virge, virgem
X
xarope-de-grindélia, xarope-dos-bebos, xarope-galeno, ximbica, ximbira, xinabre, xinapre
Z
zuninga

Imagens: Internet - Alambiques do Brasil

POR QUE O SEU FILHO NÃO É UMA CRIANÇA DIFÍCIL - ANANDA URIAS


Crianças são seres cheios de vida, questionadores e inquietos, que estão sempre prontos para descobrir o que tem por trás de um simples ‘não’ e vivem rodeados de ‘POR QUEs’. Hoje, basta uma criança derrubar um copo de suco na mesa de um restaurante, brigar com um amiguinho na escola, questionar uma ordem, procurar explicações para aquilo que ela não entende, que já todos a sua volta praguejam: Nossa, que criança difícil!

Então, senta aqui, amiga que eu vou te falar o que o mundo ainda não percebeu: O SEU FILHO NÃO É DIFÍCIL, O SEU FILHO É UMA APENAS UMA CRIANÇA. 

CRIANÇAS NÃO SÃO DIFÍCEIS. DIFÍCIL MESMO É SER CRIADO EM UM MUNDO ONDE AS PESSOAS TEM FILHOS, MAS NÃO TEM TEMPO PARA ELES. Difícil mesmo é viver em um mundo onde as pessoas não respeitam o momento da criança, não tem paciência para os seus infindáveis QUESTIONAMENTOS, não têm empatia pelos seus medos (e que são muitos), não tem vontade de brincar e escutar as suas histórias cheias de fantasias.

Crianças não são difíceis, nós é que não temos tempo de levar uma criança até o parque, brincar no pula pula, jogá-lo para o alto, ensiná-los a andar de bicicleta sem rodinha, pintar o corpo, o papel, o chão, as paredes de casa com tinta enquanto fazem uma obra de artes em família. Perdemos a leveza de um café da manhã em família, a alegria de fazer um simples piquenique no parque ao som de sorrisos infantis, deturpamos os valores de uma infância feliz.

Uma criança ativa hoje é dona de um diagnostico de deficit de atenção, hiperatividade, dificuldade em conviver com o próximo. Uma criança ativa hoje é dopada com altas doses de tecnologia para que não faça barulho, não espalhe os brinquedos pelo chão da sala, não precise da atenção dos seus pais. Dizem até que uma criança ativa hoje é uma criança difícil de se conviver. E todos dizem em um coro só: manda a criança difícil para o psiquiatra, psicólogo, aula de inglês, espanhol, francês, natação, judô e ballet. Porque criança difícil hoje, não tem sequer o direito de brincar ou nada fazer.

Crianças dão trabalho, questionam, brincam, desobedecem, ajudam, atrapalham… e nada disso faz deles uma criança difícil de conviver. Eu demorei muito para descobrir que a dificuldade da minha filha era na verdade, a minha dificuldade em aceitar que ela não iria sempre me obedecer. Crianças não estão no mundo para suprir as nossas necessidades de auto firmação parental. Crianças não estão no mundo para nos fazer ganhar prêmios em competições maternas de redes sociais.

Grandes personalidades da história, foram crianças astutas e inquietas. E é preciso compreender que é DIFÍCIL CRESCER, é difícil descobrir quem somos! No dia que eu aceitei que difícil mesmo é ser criança nesse mundo engessado e cheio de regras, onde crianças são tratadas como adulto, muita coisa mudou por aqui.

O seu filho não é uma criança difícil, ele é apenas uma criança ansiando por viver o que de melhor o mundo tem para oferecer.

Beijos,

Ananda Urias - @maezice

EU FALO UM TAL DE MINERÊS - Tino Gomes




Belohorizonte é a capital de Minas
E nós falano é um trem doidmais
Onqueuvô onqueutô oio as menina
Êta trem bom é andar por Minas Gerais
Popôpó pa fazê um cafezim
Cum pão de queijo pruzianno um mucaquim
ópcevê se num parece português
Prestenção esse é o tal do minerês...
Eu sou mineiro e falo um tal de minerês
Eu sou de Minas e falo aqui procês
Eu sou mineiro e falo um tal de minerês
Eu sou mineiro e falo um tal de minerês
Na dispidida agente fala inté
Casdiquê eu tô falano aqui comoçês
reda um tiquim queeu chegoai gorinha mês
é sem noção num é alemão e nem inglêss
Oncetá seria bom sôcê ficasse
E me dizê sesse ons passa savassi
Que trem é esse que parece inté francês
Ô dódôcê, se num intendê o minerês
Sôcês anima a gente ensina aqui procês
Eu sou mineiro e falo um tal de mineres

Vídeo: YouTube

quinta-feira, 30 de junho de 2016

SENTA QUE LÁ VEM TEXTÃO. MESMO! MUITO GRANDE - FELIPE SILVA

Esse texto foi publicado pelo Felipe Silva no seu FB, e compartilhado pelo amigo Maurilo Andreas.
Não  conheço o Felipe Silva,mas seu texto que comoveu muitas pessoas que o conhecem ou não, despertou minha atenção para o fato de que a vida é de escolhas, concessões ou não. Por mais difícil que a vida seja, se as escolhas são as certas e se enfrente as dificuldades com caráter, honestidade e muita luta, os planos traçados e desejados, poderão ser alcançados.

O Felipe dá uma aula de que  com toda as dificuldades que a vida pode apresentar, é possível lutar e conseguir realizar seus sonhos.

Destaque para a mãe que foi a luta junto com ele, dando exemplo, mostrando os caminhos a seguir e que deu as condições para que Felipe pudesse se realizar como ser.

Congratulo-me  com Felipe e desejo que seu filho Murilo, cresça e siga os passos do pai.

O Brasil precisa de muitos "Felipes" para ser um dia um país inteiro e justo.


Felipe Silva
Texto do Felipe Silva

Hoje nasce meu filho.
Mas antes de vocês conhecerem o Murilo. Precisam me conhecer.
Então vou contar um pedacinho da minha história adulta. Só um pedacinho pra não tomar muito seu tempo.

Ano: 2001.
Chuva de balas do auge da guerra CV x ADA.
Eu, 17 para 18 anos. Preto, favelado, pobre. Raivoso feito um cão magro de rua. Teimoso, teimoso e teimoso.

Segundo grau completo em escola pública com um ano de antecedência, mas claro, nunca passaria num vestibular pra faculdade pública.
Sem dinheiro, sem emprego.

Duas saídas: escolha fácil, o tráfico de drogas! Direto, rápido, poder batendo na porta. Dinheiro sobrando pra esbanjar. Tava ali, era só querer.

Ou escolha difícil: projeto social do Governo do Estado para jovens de comunidades carentes. Ser Aux. de Serviços Gerais. Literalmente: faxineiro de órgão público.

Escolha difícil: virei faxineiro do hospital da Polícia Militar.

Enfermaria A. Varria, limpava e lavava todo o corredor, banheiros e todos os apts. No refeitório, só era permitido almoçar por último. Não iam misturar os faxineiros com os enfermeiros, médicos e policiais, né? Sabe o que acontecia? Nunca sobrava carnes. A gente tinha que comer ovo, todos os dias. Ovo frito.

Quer ouvir uma coisa triste? Eu achava que estava bom. Que era suficiente. Era o que eu merecia. Tinha um salário. Consegui comprar um tênis legal. Ajudava minha mãe nas contas de casa. Estava ótimo.

Aí… a polícia invadiu minha casa.

Seja inocente, trabalhador, honesto. Foda-se.
A regra quem faz não é você. Sua mãe no chão, seu sobrinho no chão, tiro de fuzil na sua porta.

De novo, escolha fácil: tráfico, vingança, chapa quente, guerra contras aqueles filhos da puta.
Escolha difícil: consguir um trabalho, ganhar mais e sair do morro.

Claro, escolha difícil: fui juntar dinheiro pra entrar na faculdade. Mãe foi fazer mais e mais plantões pra ajudar a pagar.

Comprei um guia do estudante, li tudo. Teimoso, quis fazer Publicidade.
Me disseram: pobre publicitário? Hahahaha…
Quis ser redator. Me dei conta: aos 22, só tinha lido 3 livros em toda a vida. Hahahahah.

6 meses de faculdade. Não consigo mais pagar.

Escolha fácil: desiste moleque.
Escolhe difícil: desiste moleque.

Ok, sem escolhas.
Mas não dizem que sempre tem escolha?
Dizem… hahahahahahah…
Sou teimoso, se é o que eles querem eu não faço.

Bora ser preto, suspeito na rua, dura da polícia toda semana, segurança de loja mandando abrir a mochila, porta de banco travando.
Mas vão se fuder que vou vencer honesto.

Meritocracia é a puta que pariu.
Oportunidade pra todos é a puta que pariu.
Não existe, chapa, tudo utopia.
Mas pobre não tem nada a perder. “Se você não saída, vença!” Foi o que eu fiz.

Fim do primeiro ato.

2016.
Eu, 33 anos. Preto, casa de dois andares, carro. Viagem pra NY. Redator da ÁFRICA, uma das maiores agências de publicidade do mundo. Leão em Cannes. Em print. Categoria foda. Mais de 200 livros lidos. Tatuaram uma frase minha na pele. Projeto humano com mais de 1500 kitis mensais para moradores de rua. Construi uma casa pra minha mãe.

E hoje, vejo nas timelines que só se entra no crime porque quer.
Que a oportunidade está aí. Que é só querer.
Que é só se esforçar. Que meritocracia funciona.
Que bolsa família faz o pobre não trabalhar.
Que ajuda do governo deixa pobre mal acostumado.
Que a polícia tem que invadir a favela e dar tiro.

Com toda serenidade e conhecimento que aprendi ao longo desse tempo, lhes digo: vão tomar no meio dos seus cu!

EU SOU O CARA DA FAXINA, rapaz.

Esse aí que tirou seu lixo hoje.
E esse país só vai melhorar quando você achar certo que que eu divida a mesa do trabalho com você. Que eu frequente o mesmo shopping, faça a mesma viagem, tenha o mesmo carro que você, vá a mesma faculdade que seu filho.

Quando você me der bom dia de verdade e não automático. E agradecer que eu limpei seu café derramado no chão. E ver que eu tenho nome.
Que eu sou gente.
Que eu tenho sonhos.
Que eu fiz escolhas difíceis pra caralho pra ser um faxineiro.
Que eu não quero comer ovo, porra.
Que eu não quero ser parado na rua porque sou preto.
Ser olhado feio porque sou pobre.

Antes de falar de preto, de pobre de favelado. Saibam: todos esses sou eu.
E te digo: viver no morro é uma merda. Ser pobre é uma bosta.

Porque escrevi tudo isso?
Porque hoje nasce o meu filho.

E, afinal, não era justo vocês conhecerem meu filho, se a maioria nem conhece direito o Felipe.

Mas hoje vocês vão poder saber porque eu vou olhar nos olhos dele com a certeza de que não arredei o pé da honestidade.
Não fiz concessões. Não dei um passo atrás. Não falsifiquei 1 porra de carteirinha de estudante sequer.

E fiz tudo isso só pra ele saber que é possível.
Só pra poder contar pra ele que é foda pra caralho, mas é possível.

Pensamentos de vó. - Denise Almeida e Iasmin Silva.





Foto: UNIVERSO - CHILE - 2016


"Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:
- Querida, venha cá.
Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado.
Tenho umas coisas pra te contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto: - O nome disso não é conselho, isso se chama colaboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões.
E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
Siga sempre seu coração.
Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
Satisfaça seus desejos.
Esse é seu direito e obrigação.
Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim.
Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália.
Cuide bem dos seus dentes.
Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.
Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito...”
"Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível.
Tenha uma vida rica de vida! Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.
Mas tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável.
Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor.
Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!
Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você.
Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão.
É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação.
Leia, pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais.
Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era só isso minha querida.
Agora é a sua vez.
Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?
Isso vale para todos nós, pais, filhos, netos e amigos..."
Dica: Rosemary Campagnuci, uma fraternal amiga de Juiz de Fora

Declaração de Amor - Manoel Bandeira

Na década de 50, eu ia e voltava todos os dias,  nesse bonde para a escola Jardim de Infância Mariano Procópio, em Juiz de Fora. Viagem segura e gratuita.

Talvez, Juiz de Fora, seja a única cidade no mundo que tenha usado os bondes para transporte escolar.

Na época da Ditadura no Brasil, a escola foi demolida e construíram no seu lugar um pesado monumento homenageando os militares.

Mais uma prova de como a educação no Brasil decaiu sob vários aspectos.




Fotos: Mauricioresgatandoopassado.blogspot.com.br

Juiz de Fora! Juiz de Fora!
Guardo entre as minhas recordações
Mais amoráveis, mais repousantes
Tuas manhãs!

Um fundo de chácara na Rua Direita
Coberto de trapuerabas ...
Uma velha jabuticabeira cansa de 
doçura.
Tuas três horas da tarde ...
Tuas noites de cineminha
namoriqueiro ...
Teu lindo parque senhorial mais
Segundo Reinado do que a 
própria Quinta da Boa Vista ...
Teus bondes sem pressa dando voltas
vadias ...

Juiz de Fora! Juiz de Fora!
Tu tão de dentro deste Brasil!
Tão docemente provinciana ...

Primeiro sorriso de Minas Gerais

sexta-feira, 6 de maio de 2016

MÃE - Mario Quintana

Com saudades, dedico a minha suave mãe.

Mário de Miranda Quintana , nasceu em Alegrete, 30 de julho de 1906, faleceu em Porto Alegre, 5 de maio de 1994. Foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Fez as primeiras letras em sua cidade natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre.

Mãe...São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o céu tem três letras
E nelas cabe o infinito
Para louvar a nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do CÉU
E apenas menor que Deus!

Dica do Euler Brabosa, via FB
Foro : Internet

MPQ - Música Popular de Qualidade - A mesma rosa amarela - Maysa Matarazzo - Música de Capiba e Carlos Pena Filho


Foto: UNIVERSO - CHICUREO - CHILE

A MESMA ROSA AMARELA

Você tem,
Quase tudo dela,
O mesmo perfume,
A mesma cor,
A mesma rosa amarela,
Só não tem o meu amor.

Mas nesses dias de carnaval,
Para mim você vai ser ela,
O mesmo perfume a mesma cor,
A mesma rosa amarela,
Mas não sei o que será,
Quando chegar a lembrança dela,
E de você apenas restar,
A mesma rosa amarela





Dica da Música da amiga de Recife, Iracema Persivo
Vídeo: YouTube
Foto: Universo
Rosa amarela: Cultivada por Alfredo Ávalos , do Chile

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Chá da Tarde com João Cabral de Melo Neto - Compilação da Revista Bula - Carlos Willian Leite

João Cabral de Melo Neto em 1924 com seu irmão mais velho Virgínio, à esquerda


Foto: UNIVERSO - Amanhecer em Chicureo - Chile - 2016

Tecendo a Manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Uma Faca só Lâmina

Assim como uma bala
enterrada no corpo,
fazendo mais espesso
um dos lados do morto;

assim como uma bala
do chumbo mais pesado,
no músculo de um homem
pesando-o mais de um lado;

qual bala que tivesse um
vivo mecanismo,
bala que possuísse
um coração ativo

igual ao de um relógio
submerso em algum corpo,
ao de um relógio vivo
e também revoltoso,

relógio que tivesse
o gume de uma faca
e toda a impiedade
de lâmina azulada;

assim como uma faca
que sem bolso ou bainha
se transformasse em parte
de vossa anatomia;

qual uma faca íntima
ou faca de uso interno,
habitando num corpo
como o próprio esqueleto

de um homem que o tivesse,
e sempre, doloroso
de homem que se ferisse
contra seus próprios ossos.

Alguns Toureiros

Eu vi Manolo Gonzáles
e Pepe Luís, de Sevilha:
precisão doce de flor,
graciosa, porém precisa.

Vi também Julio Aparício,
de Madrid, como Parrita:
ciência fácil de flor,
espontânea, porém estrita.

Vi Miguel Báez, Litri,
dos confins da Andaluzia,
que cultiva uma outra flor:
angustiosa de explosiva.

E também Antonio Ordóñez,
que cultiva flor antiga:
perfume de renda velha,
de flor em livro dormida.

Mas eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais deserto,
o toureiro mais agudo,
mais mineral e desperto,

o de nervos de madeira,
de punhos secos de fibra
o da figura de lenha
lenha seca de caatinga,

o que melhor calculava
o fluido aceiro da vida,
o que com mais precisão
roçava a morte em sua fímbria,

o que à tragédia deu número,
à vertigem, geometria
decimais à emoção
e ao susto, peso e medida.

Morte e Vida Severina

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.

O Relógio

Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.

Umas vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade.

Difícil Ser Funcionário

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.

Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar…
Fazer seu nojo meu…

A Educação pela Pedra

Uma educação pela pedra: por lições;
Para aprender da pedra, frequentá-la;
Captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
Ao que flui e a fluir, a ser maleada;
A de poética, sua carnadura concreta;
A de economia, seu adensar-se compacta:
Lições da pedra (de fora para dentro,
Cartilha muda), para quem soletrá-la.

Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
E se lecionasse, não ensinaria nada;
Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
Uma pedra de nascença, entranha a alma.

Fábula de um Arquiteto

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e tecto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.

Num Monumento à Aspirina

Claramente: o mais prático dos sóis,
o sol de um comprimido de aspirina:
de emprego fácil, portátil e barato,
compacto de sol na lápide sucinta.
Principalmente porque, sol artificial,
que nada limita a funcionar de dia,
que a noite não expulsa, cada noite,
sol imune às leis de meteorologia,
a toda hora em que se necessita dele
levanta e vem (sempre num claro dia):
acende, para secar a aniagem da alma,
quará-la, em linhos de um meio-dia.

Convergem: a aparência e os efeitos
da lente do comprimido de aspirina:
o acabamento esmerado desse cristal,
polido a esmeril e repolido a lima,
prefigura o clima onde ele faz viver
e o cartesiano de tudo nesse clima.
De outro lado, porque lente interna,
de uso interno, por detrás da retina,
não serve exclusivamente para o olho
a lente, ou o comprimido de aspirina:
ela reenfoca, para o corpo inteiro,
o borroso de ao redor, e o reafina.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Por quê? Simplesmente não deram um dicionário de MINEIRÊS para esses médicos? Horta Valadares em seu FB


Foto: UNIVERSO - SABARÁ - MINAS GERAIS


Compartilho por achar bão dimais da conta.
OH! Minas Gerais...
Saiu uma Notícia no Site da UOL, revelando que os alguns Médicos Cubanos que foram enviados para Minas Gerais, pediram transferência para outros Estados, pois depararam com muitas doenças das quais nunca ouviram falar:
- ISPINHELA CAÍDA
- DOR NOS QUARTOS
- MOLEIRA MOLE
- QUEBRANTO
- TOSSE DE CACHORRO
- PASSAMENTO
- FRIEIRA
- COBREIRO DE PÉ
- PEREBA
- REMELA NO ZÓI
- DORDÓI
- GASTURA
- DOR NO PÉ DA BARRIGA
- IMPINGE
- PANO BRANCO
- NÓ NAS TRIPA
- ESTALICIDO
- BICHEIRA
- ÍNGUA
- BICHO DE PÉ
- EMPACHADO
- FASTIO
- DOR NO ESPINHAÇO
- BUCHO QUEBRADO
- CALO SECO
- UNHA FOFA
- PÉ INCHADO
- BERRUGA
- BARRIGA D'AGUA
- DIFRUÇO
- DOR NA PÁ
- CADUQUICE
- VISTA CANSADA
- OS QUARTO ARRIADO
- PAPÊRA
- DOENÇA DOS NERVO
- JUÍZO INCRIZIADO
- FERVIÃO NO CORPO
- ISCURICIMENTO DO ZÓIO
- ESPORÃO DE GALO
- BICO DE PAPAGAIO
- DOR NA CACUNDA
- MAL JEITO NO ESPINHAÇO
- INTALO
- DOR NAS CADEIRA
- DOR NA JUNTA
- PÉ DURMENTE
- ESQUENTAMENTO
- SOLITÁRIA
- SAPINHO
- ALGUEIRO
- ESTOPOR
- UNHEIRO
- BOQUEIRA
- CALOMBO
- DORMÊNCIA NUMA BANDA DO CORPO
- ZÓIO NUVIADO
- ÁGUA NAS JUNTA
- RESGUARDO
- INTUPIDO
- FÍGADO OFENDIDO
- VÊIA QUEBRADA
- XILIQUE.
Acrescento carcanhá rachado, Juanete inframado, morróida agitada
Texto recebido via FB

domingo, 24 de abril de 2016

A morte não é nada - Henry Scott Holland

Foto: UNIVERSO - Amanhecer de um dia de outono -  Piedra Roja - Chile 2016

"...a morte não é nada.
Eu apenas passei para o outro lado:
É como se estivesse escondido no quarto ao lado.
Eu sou sempre eu, e tu és sempre tu.
O que éramos antes um para o outro ainda somos.
Liga-me com o nome que você sempre me deu, que te é familiar;
Fala-me da mesma forma carinhosa que tens usado sempre.
Não mude teu tom de voz, não assuma um ar solene ou triste.
Continua a rir daquilo que nos fazia rir,
Daquelas pequenas coisas que tanto gostávamos, quando estávamos juntos.
Reza, sorri, pensa em mim!
Que o meu nome seja sempre uma palavra familiar...
Diga-o sem o mínimo traço de sombra ou de tristeza.
A nossa vida conserva todo o significado que sempre teve:
É a mesma de antes, há uma continuidade que não se quebra.
Por que eu deveria estar fora dos teus pensamentos e da tua mente, apenas porque estou fora da tua vista?
Não estou longe, estou do outro lado, na mesma esquina.
Fica tranquilo, está tudo bem.
Vou levar o meu coração,
Daí acharás a ternura purificada.
Seca as tuas lágrimas e se me amas, não chores mais,
O teu sorriso é a minha paz"

Publicado no FB do Mauricio Vaz

Ponte que não me leva. Ponte que não me atravessa - Rita Alves

Foto: Internet - desconheço o autor - quem conhecer favor informar para que eu possa dar os merecidos créditos

Ponte que não me leva. Ponte que me atravessa.
Ali, onde os castelos são feitos de sonhos, brumas e beijos. Onde a torre guarda jasmins e girassóis. Onde encontramos a linha do infinito cada vez que nos olhamos.
Reparto o pouco que tenho, multiplico o muito que sinto.
Sou o meu próprio avesso, em que me reconheço. Nele me aprofundo, no espelho que atravessa meu contorno.
Ouço o som das águas que inundam minha alma de navegante.
Divida comigo a dúvida do abrigo.
Aguardo deste lado da margem a embarcação, nela está a outra margem.
Multiplico as searas nas múltiplas colheitas.
Distraída passo pela vida sem ser subtraída. Sou meu próprio tempo.
Sei do imensurável fio que conduz a brevidade do tempo.E no infinito deste momento renasço e morro de contentamento
Trago em mim navios e oceanos. Aguardo o silencio. Com ele o desfolhar das horas.
Meu vazio tem imensidão para acolher o novo e tudo o que colecionei ao longo da vida.Os pássaros que me habitam só voltam pela manhã.
Todos os domingos são parques de diversões. Coro de crianças, sorvetes e pipocas, mesmo quando há silêncio em mim. Sim, passam despercebidos aos nossos olhos os momentos mais importantes da nossa vida. Condenso e fortifico minha transparência. Transpareço minha consistência densa. Vou com o vento, volto miragem.
Penso enquanto vivo, vivo enquanto sonho. Retiro véus e me descubro nuvem.
Vou espalhando pelo caminho um pouco do que procuro. Sei que tenho asas mesmo quando não voo. Exclamo, interrogo, reticente...
Faço dos meus olhos bussola e leme. Trago em mim um pouco de cada coisa que não fui.
Dormi com as estrelas florindo a pele, acordei manhã. Meu deserto instaura em meus olhos alguns oásis. E as sílabas soltas flutuam no tempo, escrevendo um livro de sentenças.
Sentir, olhar, observar. Valem mais do que mil páginas lidas ou mais de mil teses escritas.
No verão, percebo os invernos que há em mim. Enquanto navego pelos icebergs da vida, me inundo de calor e cor.
Carrego dentro de mim pincéis e fogueiras. O doce não retira o amargo da boca.
Viajo e vejo minha paisagem interior. Encontro-me nos menores espaços, onde eu possa voar na imensidão do céu.
Aprecio as nuvens. Chuva? Trago o sol dentro de mim. Um pouco de sol, para que clareie a mente e doure o corpo.
Mesmo se caírem as pétalas, as flores espalharão perfume pelo caminho.
Os pés. São meus pés que me conduzem ao meu próprio UNIVERSO criativo.
Pinto um quadro com as tintas liquefeitas da alma. No mais negro dos céus, brilham as estrelas. Meu verso é o vento que espalha o alfabeto.
Não vou a lugar nenhum que me leve para longe de mim.

Dica do amigo: Eric Cohen - Via FB