sexta-feira, 21 de abril de 2017

Fragmentos de Memórias de Jequitibá



Recebi mensagens de amigos e ex-colegas que estudaram no Colégio Evangélico de Alto Jequitibá comunicando a ideia de se escrever artigos que lembrassem a passagem e lembranças de cada um durante seus anos em Jequitibá, para publicação em um livro que a Associação de ex-alunos está pretendendo lançar.

A principio não me motivei a escrever por vários motivos,ter estudado apenas 2 anos lá (1960 e 1961), sem tradição familiar de gerações que estudaram, não ter o dom da escrita, ter retornado a Jequitibá apenas em duas oportunidades, uma vez retornando de férias com minha família, fui mostrar onde tinha estudado, tentar rever algumas pessoas que me marcaram positivamente e relembrar momentos vividos. Outra vez foi em um 7 de setembro, juntamente com um grupo de amigos ex-alunos.

Minhas lembranças são poucas, mas sempre estiveram claras em minhas memórias. As amizades se mantiveram, poucas em contatos mais permanentes, outras mesmo à distância se mantiveram vivas e afetivas, em alguns casos se tornaram uma lista de nomes guardados em um canto da memória.

Passei a pensar como fui parar em Jequitibá. Moleque folgado sendo criado em cidade grande, fazendo meus limites, vendo meus amigos Euzébio Cabral e Carlos Magno Cabral, amigos e vizinhos de rua, se preparando para voltar aos estudos em Jequitibá, acabei sendo motivado e apoiado com muito esforço financeiro pela minha família, a ir para o internato. Assim foi.

Chego num voo da Aerosita Táxi Aéreo, um avião Bonanza, aeronauta de primeira viagem, vejo a aterrissagem num alto de morro, pista meio em curva e lá esperando um Jeep com capota de aço, do Pedrinho. Descida e chegada a cidade. Pensei, deve ser um bairro mais afastado. Mal sabia que era a rua principal, e o prédio do internato surge inteiro.

Recepcionado pelo Juarez, encaminhado ao dormitório "3 do prédio velho", escolho cama, recebo primeiras orientações de como me organizar, mesa de cabeceira com toalha de banho e mala de objetos de uso pessoal e escolar, rouparia para guardar a mala maior. Uso de lavanderia, fazer o rol de roupas a lavar. Horários de refeições, banho , de aulas, de estudo, recreio, assembleias, cinema nos fins de semana, dias de educação física.

Sobre o permitido, e sobretudo o proibido: Fumar, roubar frutas em quintal alheio, nadar nos riachos, sair do perímetro urbano, beber e jogar valendo dinheiro. Esses eram os itens mais desejados e provocadores.

Primeiro fim de semana, fomos novatos e alunos antigos nadar na água mineral. Saímos do perímetro urbano, caímos na água, aparecem dois regentes, todo mundo de volta ao internato e primeiro castigo, gelo e próximo fim de semana sem sair do internato e ficar confinado no refeitório. A coisa era para valer. Não haveria moleza.

Primeiras amizades com alunos internos e externos. E as tentativas de se fazer o proibido era cada vez mais provocador.

Romper com as regras era a regra.

Foi onde mais estudei em minha vida, descobri que havia o "Quadro de Honra," para alunos que tiravam média de 8,5 nas notas. Prêmio, sair do internato todas as quartas - feiras à tarde, após os estudos, poder ir ao culto na igreja evangélica e as missas da igreja católica realizados em horários noturnos. 

Cada saída, era romper os limites do perímetro urbano era a aventura, voltar com a fronha cheia de laranjas de quintais ou fazendas alheias e entrar com ela sem ser pego pelo Juarez ou algum regente, era a vitória.Depois, era compartilhar com os amigos mais chegados.

Lembro-me das disputas esportivas dos times futebol e basquete, Sabia jogar basquete, mas era novo para os padrões e futebol era reserva do time do BV (Boa Vontade). Verdadeiro perna de pirata.

As assembleias nas datas festivas, tinham discursos do João Barra, com seu terno de linho branco, do Ziba, e as pregações do Reverendo Cícero Siqueira ou de Dona Cecília.

Os grêmios de cada turma se reuniam e todos tinham que participar, fazendo o que gostasse, cantar, recitar,tocar instrumento, contar piadas limpas, dançar, isso valia ponto para nota e havia o júri composto por alunos que davam notas a cada apresentação. A pior era : "cumpriu com a sua obrigação".

Tinha o Ênio, dando bronca a cada vez que cantávamos os hinos com as letras modificadas (Entrou um bichinho no meu nariz, sai bichinho, sai bichinho) ou arrastávamos os pés sempre que havia a famosa frase: "Alguém tem alguma coisa a comentar?". Aí era bronca do Ênio " O sô, faz isso não sô, quer ficar de pé lá na frente? Quer ficar de castigo"?

Os dias de cinema, aos sábados, eram aguardados com expectativas e quem tinha dinheiro recebido pela mesada autorizada e bancada pela família, comprava pipoca no carrinho, balas e doces na carrocinha do Sr. Silas.

Filme que tinha beijo, um Zé Mané colocava a mão na frente da tela, era a censura moral tupiniquim em ação. Aí, a vaia corria solta. Luzes acendidas e ameaças de se encerrar a seção de cinema. Melhor acabar de ver o velho filme censurado, do que ter que ir mais cedo para a cama.

Era com o Sr. Silas que também se comprava bananas para mandar fritar na cozinha e compartilhar pedaços com todos da mesa, manjar dos deuses, juntamente com a carne moída das quartas - feiras e a de porco aos sábados, quando havia. Aliás, sempre que havia carne moída ou de porco, alguém colocava um fio de cabelo no prato, isso depois de comer pouco mais da metade da comida e reclamava. Recebia um "prataço" cheio de comida vindo da cozinha e com muita carne. Pelo menos, por duas vezes, consegui a recompensa.

Os porcos capadões grandes eram limpos estripados e cortados em pedaços para serem fritos e servidos, foi a primeira vez que vi como se fazia o "porquicídio" sendo praticado nos fundos da cozinha do internato.

Justiça seja feita, o pessoal que trabalhava na cozinha, lavanderia, serraria e limpeza ralavam  e pegavam no pesado. Destaque para os colegas que eram serventes do refeitório.

Isso os redime do dia em que serviram um bolo de mandioca com molho de tomate por cima, foi uma infecção intestinal generalizada. A salmonela pegou firma e foi uma caganeira geral. Tinha privada com fila de espera de 2, 3 alunos, apressando o que estava a usar a dita cuja.
Imaginem o caos que foi, não havia descarga, isso era feito com uma lata d'água. Só não havia latas suficientes e nem tempo, desespero total.

Nós eramos realmente protegidos pela sorte e todos os tipos de anjos e santos, pois no dia em que faltou água foi permitido tomar banho no córrego que corria nos fundos do internato, íamos em grupos controlados por regentes. A ordem era,entrar, molhar, sair, ensaboar e entrar para enxaguar  o corpo. Tínhamos que ficar de olho nos detritos que desciam boiando, saídos dos esgotos das casas que ficavam nas margens do córrego. Ninguém pegou uma doença de pele ou infecção qualquer. Mas, nadar era proibido.

Havia um aluno que morava , creio duas casas abaixo do internato, onde a turma dos atletas se reuniam para exercícios, não me lembro do nome, lembro que subia e descia o córrego remando em uma canoa, parecia um índio ou Tarzã. Engraçado como certas imagens ficam grudadas na memória tantos anos depois.

Me lembro, também, dos apelidos, alguns eram herdados de alunos que por lá passaram, outros eram novos. Cheiroso, padeiro, vaqueiro, boiadeiro, tarzã, índio, caolha, João peneném, benguela, zunha, brigite, brigitinha, zé capeta, zé  paulada, bom bril, bode, bodinho,ratinho, caratinga, barão, cuia e outros mais.

Recordo da Banda Marcial, também conhecida como Banda Marginal, alguns insubordinados renitentes eram escolhidos para a banda para uma terapia musical e funcionou com muitos. Na festa católica do mês de maio, mês de Maria, a furiosa da igreja católica fazia uma apresentação , bem cedo, ao lado do prédio velho do internato, na praça ao lado, dando início as festividades.

Esse dia era esperado com viva ansiedade pelos alunos novatos, já que os antigos contavam que jogavam sapatos velhos, bolas de gude e o que mais tivessem escondido na sua mesa de cabeceira. Aos primeiros foguetes espocados e acordes da furiosa, dois alunos jogaram algumas coisas. Foi o suficiente para os regentes acabarem com a brincadeira no início.

Gostava de ver a disputa das duas bandas no desfile de 7 de setembro, quando uma passava pela outra, cada uma tocava mais vibrante para tentar abafar e superar o som da outra. Teve um ano, que um aluno do internato jogou uma mamucha de laranja na tuba da furiosa da igreja católica, o que gerou um grande bafafá.

As aulas de educação física, eram cedinho, no inverno uma neblina brava e um frio do cão. Depois de correr e fazer ginástica, vinha o pior, tomar o banho frio, tão  gelado que doía a cabeça. Depois era tomar o café e e ir para as aulas.

Tinha a turma do "atletas" que faziam musculação nos fundos da serralheria com equipamentos improvisados. Havia a dos fumantes,essa bem maior do que a dos atletas. Fumavam nos fundos do pavilhão , atrás das casas de professor e do diretor. Vinham os regentes era jogar fora os cigarros, pisar em cima para eliminar a prova do crime. Quando alguém era pego, cumpria castigo por "FUMAR ESCONDIDO" e para coibir o fumo, quem estava na roda , mesmo sem fumar, pegava uma pena de "SUSPEITO DE FUMAR", Não adiantava nadica de nada. Se soubessem que tudo que é mais reprimido e proibido, tornava o fruto mais saboroso, não tentariam reprimir e punir.

Num dia muto frio de inverno, descobri a melhor utilidade para o lápis de cor banca de meu estojo de lápis de cor. Cortei um no tamanho de um cigarro, colori a ponta misturando cor preta e vermelha. Atravessei a quadra de basquete soltando a fumaça do frio, com o "cigarro" nas mãos e levando a boca fazendo cena de que fumava. Vários alunos me viram e acharam que eu estava maluco, veio um regente e começou a me dar bronca e querendo me punir. Dei uma baita risada na cara dele e mostrei o cigarro de lápis. O camarada ficou com uma cara de tacho e com uma baita vergonha pois caiu no ridículo na frente de muita gente. Foi pior para ele que ainda tentou se impor. Dei-lhe mais uma boa risada e perguntei se era proibido se divertir. 

Na véspera das férias, era reservar lugar nos trens que partiam para o Rio de Janeiro e Manhuaçu. Contavam-se histórias das viagens de ambos os ramais. Eu ia para Manhuaçu, para passar uma noite no hotel e pegar o ônibus para Belzonte no dia seguinte. A liberdade de comprar cerveja e cigarro, levar escondidos para o hotel e beber e fumar até tarde da noite, em companhia de companheiros de viajem, julgando-se um adulto sem medo da repressão. 

Quando o trem parava em Manhumirim, muitos de nós íamos ao banheiro para fazer xixi e cocô, só para deixar rastros na estação.

Numa das férias de meio de ano, fomos recepcionados por pessoas, inclusive alguns colegas de internato, para defenderem a sua cidade de nossa insanidade. Muitos de nós não desceram do trem, alguns foram comprar lanches, esperar o trem começar a andar e sair correndo com a famosa frase "PAGO NA VOLTA", contava-se que para o Rio coisas similares aconteciam.
Jogávamos futebol dentro do trem e quando o trem diminuía a sua velocidade para se engatar na cremalheira para ajudar na subida da serra, com o trem em movimento descíamos do primeiro carro e subíamos novamente no último carro da composição.

Quero aproveitar para pedir desculpas por ter colocado formigas lava pés e açúcar, em camadas, entre o lençol, o cobertor e a colcha na cama de um colega de dormitório, que havia balançado minha mala da mesa de cabeceira e me dado o maior trabalho para limpar a mala, e todo o meu material escolar guardado. Pois um vidro de mel abriu e melou tudo.O pobre coitado , não conseguiu dormir, a noite foi de muito frio, levou muitas ferroadas e o regente teve que arrumar outra cama para ele terminar a noite. Não me lembro, agora, tanto tempo depois, o nome dele. Se ainda estiver vivo e ler esse texto. Me desculpe!!!

Enfim, foram dois anos que deixaram boas lembranças, amizades e conceitos que mudaram minha vida, que ajudaram a mudar minha forma de ver o mundo e de vivê-lo.

É isso, sou um jovem "gastinho" de 71 anos, chegando aos 72, que guarda em um canto da memória e do coração as melhores lembranças de seu tempo de aborrecente vivido saudavelmente aos seus 15 e 16 anos em Jequitibá.

Um abraço do tamanho do Universo para todos e muita falta de juízo.

L'amitié - A Amizade - François Hardy - Filme Invasões Bárbaras




L'amitié

Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la terre

Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse

Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi tu viendras

Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse

Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines

Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton boi


A Amizade

Muitos de meus amigos vieram das nuvens,
Com o sol e a chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
A mais bela das quatro estações da terra.

Têm a doçura das mais belas paisagens,
E a fidelidade dos pássaros migradores.
E em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, as vezes, uma tristeza aparece em seus olhos.

Então, vêm se aquecer comigo,
e você também virá.

Poderá retornar às nuvens,
E sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura,
Quando alguém quiser esconder sua tristeza.

Como não sabemos o que a vida nos dá,
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda,
Me esquecerei das lágrimas e penas.

Então, talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama.

Pesquisa: Vídeo YouTube - Letras Internet

Carta de uma idosa

Arte do dia - Desfotografando - Abstrato 1

Alguns dos familiares visitam seus parentes, mas a maioria dos idosos espera anos e anos por uma simples chamada, que nunca chega… Atualmente, as pessoas estão ocupadas com o seu dia a dia, e não se lembram, ou não querem lembrar, de visitar quem os criou.

E assim, tristes e depressivos, a morte chega para os mais velhos, depois de anos de solidão. Foi o que aconteceu com essa mulher.

As enfermeiras pensavam que ela já estava senil, e que estava só esperando o dia de sua morte. Elas costumavam murmurar coisas para si mesmas, pensando que a idosa não percebia o que diziam… Mas quando ela partiu desse mundo, seus cuidadores encontraram uma carta que fez com que todos ficassem de queixo caído!


“O que é que vocês veem, enfermeiras? O que é que vocês veem?

O que é que vocês pensam quando me olham?

Uma velha rabugenta, não muito inteligente.

Com hábitos estranhos e olhar distante.

Aquela que a comida cai dos cantos dos lábios e nunca responde.

Aquela a quem dizem alto: ‘Pelo menos você poderia tentar’.

A que parece não ter consciência das coisas que vocês fazem.

E que sempre perde alguma coisa. A meia ou o sapato?

Aquela que, sem resistir ou não, deixa que vocês façam o que quiserem.

Que passa grande parte de seus dias no banheiro ou a comer.

É isso que vocês acham? É isso que vocês veem?

Pois então, enfermeiras, abram seus olhos, você não me veem.

Vou vos dizer quem eu sou, agora que estou sentada, fazendo o que vocês me dizem e comendo o que vocês pedem:

Eu sou uma garota de 10 anos, com pai e mãe,

irmãos e irmãs, que se amam.

Uma menina de 16 anos com asas nos pés,

que sonha em breve encontrar o amor.

Uma noiva de 20 anos, com o coração aos saltos,

Recordando os votos que prometeu cumprir.

Com 25 anos já tem seus próprios filhos,

que vai orientar e a quem vai fornecer um lar seguro.


Uma mulher de 30 anos, cujos filhos crescem rápido,

Unidos com laços que devem durar.

Aos 40, meus filhos jovens cresceram e se foram.

Mas meu marido está comigo para que eu não fique triste.

Aos 50, voltam a jogar bebês novamente no meu colo.

Eu e o meu amor voltámos a conhecer crianças.

Dias negros se aproximam, meu marido está morto.

Olho para o futuro e estremeço.

Meus filhos têm os seus próprios filhos.

E penso nos anos e no amor que conheci.

Agora sou uma mulher velha. A natureza é terrível.

Eu rio da minha idade como uma idiota.

Meu corpo está frágil. A graça e a força se despedem.

Agora só existe uma pedra onde batia o coração.

Mas dentro dessa velha carcaça ainda vive uma jovem mulher.

E o meu coração maltratado incha.

Lembro-me das alegrias, lembro-me das tristezas.

E eu vivo e amo todos os dias.

Penso nos anos, tão poucos e que foram tão rápido.

Eu aceito o fato de que nada é para sempre.

Então abram seus olhos. Abram e vejam.

Nada de velhas resmungonas.

terça-feira, 4 de abril de 2017

O amor impossível - Paula Romano - About a year ago

Ao que parece, as grandes histórias de amor são aquelas que não foram vividas.
Esta escultura de aço de 8 metros de altura criada pela artista Tamara Kvesitadze não é apenas um exemplo incrível de mecânica e design, mas também uma representação do amor impossível. A estrutura simboliza a história de Ali e Nino, dois amantes de diferentes origens religiosas.
Todas as noites às 19h, as duas esculturas começam a mudar de posições, movendo-se em direção a outra até que eles se encontram em um breve abraço, e assim continuam o seu caminho. À noite, a dança é iluminada com luzes coloridas, criando uma visão diferenciada na avenida beira-mar de Batumi, na Geórgia.
Originalmente concebida em 2007 com o nome de “A Women and Man”, a obra foi instalada em 2010 e, posteriormente, renomeada “Ali e Nino”, inspirada no romance escrito em 1937 por um autor do Azerbaijão que usa o pseudônimo de Kurban Said.
A história apresenta um caso de um amor trágico entre um jovem muçulmano do Azerbaijão e uma princesa georgiana cristã durante a Primeira Guerra Mundial.
video




Imagens: INTERNET - http://www.updateordie.com/ - Via Bored Panda

domingo, 12 de março de 2017

To Remember Me - Um Poema de Robert N. Test - Vida após a vida - Doamos nossos corpos para estudos e salvar vidas

Foto:  OBVIUS MAGAZINE - INTERNET - http://obviousmag.org/

Eu e minha esposa fizemos a doação de nossos corpos para a Faculdade de Medicina da UFMG em Belo Horizonte - Minas Gerais.

Legamos nossos corpos para que sejam mais úteis, que ajudem ao aprendizado, a novas curas, técnicas de tratamentos e cirurgias, proporcionando uma esperança e melhor qualidade de vida às pessoas que venham necessitar da medicina no futuro. 

O processo de doação é simples, rápido e desburocratizado.

As reuniões são em grupo. Em nosso grupo haviam 6 (seis) pessoas. No grupo anterior foram 17 pessoas que também optaram pela doação.

Essa é uma decisão que pode se tomada na hora ou não. 

Se você optar a não fazer a doação, não há a mínima pressão. 

Se você fizer a doação e depois desistir, basta comunicar a faculdade.

Detalhe interessante, havia um senhor de 93 anos, que foi sozinho, com uma vitalidade física e mental invejável, que optou pela doação.


É tudo muito leve e tranquilo, inclusive com boas tiradas de humor dos participantes.

Preferimos que nossos corpos ajudem a salvar outras vidas, em vez de deixá-los simplesmente apodrecer ou serem cremados.

Vamos dar "VIDA APÓS A VIDA"

Quem desejar fazer a doação de seu corpo para a Faculdade em Belo Horizonte, basta ligar para o telefone: 31 - 3409-9739, falar com Sr. José Henrique, que marcará a reunião para esclarecer todas a dúvidas e procedimentos.

Abaixo um poema que é bem tocante e verdadeiro, chama-se Lembre-se de mim (To Remember-me), ou, esse é o NOSSO TESTAMENTO.
 
To remember-me (Lembre-se de mim)

Dê a minha visão para o homem que nunca viu um nascer do sol, o rosto de um bebê, ou o amor nos olhos de uma mulher.

Dê o meu coração a uma pessoa cujo coração não causou nada além de intermináveis ​​dias de dor.

Dê o meu sangue ao adolescente que foi puxado dos destroços de seu carro, para que ele pudesse viver para ver seus netos brincarem.

Dê meus rins a alguém que depende de uma máquina para existir de semana para semana.

Leve meus ossos, cada músculo, cada fibra e nervo em meu corpo e encontre uma maneira de fazer uma criança aleijada andar.

Se você deve enterrar alguma coisa, que sejam minhas falhas, minhas fraquezas e todo preconceito contra meu próximo.

Dê meus pecados ao diabo.

Dê a minha alma a Deus.

Se, por acaso, você quiser se lembrar de mim, faça-o com uma espécie de ação ou palavra para alguém que precisa de você. Se você fizer tudo o que eu pedi, eu viverei para sempre.

(Por Robert N. Teste, poeta americano)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Depois - Marisa Monte (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte)


Vídeo: YouTube - VEVO
Depois de sonhar tantos anos
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também
Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos história
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também
Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois
(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte)

Arte em cerâmica - Beatriz Guimarães Soares - 10 anos

Prato de cerâmica pintado pela minha neta Beatriz, 10 anos


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A uma mulher amada - SAFO DE LESBOS

Imagem: Internet - suckmypixxxel

Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.

Sinto um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem-querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.

Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala... eu quase morro ... eu tremo.

(de "Clássicos do erotismo, vol. 2")

Resultado de imagem
Safo - foi uma poetisa membro da aristocracia e importante representante feminina da lírica grega. Faz parte dos nove poetas líricos do período arcaico.
Nasceu e morreu na ilha de Lesbos , na Grécia


Do BLOG: ANEL DE POESIA
POESIA ERÓTICA
cseabra@utopia.com.br

GÊMEOS - Uma homenagem a todos os amigos do UNIVERSO e a nós GEMINIANOS



Ah!Geminianos
Tem almas ciganas
De sorriso fácil...
Mas são contraditórios
Num dia amam a vida
Noutro não sabem ao certo
Mas quando amam uma pessoa
Se entregam de jeito único
Querem o bem de todos
Que estão por perto...
Adoram falar, adoram sorrir
Se pudessem conheceriam
Todos os dias um novo lugar
Mas uma coisa é certa
Esses geminianos sabem conquistar

Texto e imagem captado no FB

Deixem-me envelhecer - Silvana Freygang em Faculdade da Felicidade

Foto: UNIVERSO - LUA CHEIA - CHILE 2016

Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças,
Sem a obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém,
Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou,
Um amor para dividirmos tropeços desta nossa última jornada,
Quero envelhecer com dignidade, com sabedoria e esperança,
Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam,
Eu não quero perder meu tempo precioso com aventuras,
Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.
Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento,
Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão,
Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir,
Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos,
Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos,
Sem frustrações, terminar a etapa final desta minha existência,
Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas,
Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.
Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas,
Ter a certeza que minha luta não foi em vão: teve um sentido,
Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida,
Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim,
Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver,
Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida,
Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade,
Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz!!!

Silvana Freygang

Prato do dia - Gazpacho de tomate com manga



Foto e preparo do prato: UNIVERSO

Muito rápido e simples de se preparar. Sabor especial.

Bater no liquidificador, use o comando PULSAR, até obter um creme homogêneo:

1 ou 2 tomates maduros, sem as sementes e pele ( vai depender do tamanho do tomate) e 1 manga.

Tempere com uma pequena pitada de sal, para obter um sabor agridoce.

Ponha na geladeira até a hora de servir.

Decore com manjericão verde, roxo ou hortelã

Sirva como entrada. Bom apetite !!!

2 porções.

Prato do dia - Banana com mel, curry, licor de laranja e goiabada cascão de colher


Banana com mel, curry, licor de laranja e goiabada cascão

Lembram dos pratos Colorex?
Esse da foto tem 46 anos, um dos 6 restantes, para sobremesa, de um jogo que ganhei no meu casamento.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

POMPEIA: A VIDA SEXUAL NA ANTIGUIDADE - por Carolina Carmini em Obvius Magazine

Encoberta pelas cinzas vulcânicas do Vesúvio, a excitante vida (sexual) de Pompeia permaneceu preservada durante séculos. Longe dos olhares dos moralistas e dos conservadores, mantiveram-se obras e objetos que demonstram como o povo romano se relacionava com sua sexualidade. Estes achados fizeram com que durante muitos anos fez com os romanos fossem vistos como devassos. Mas a verdade é que eles compreendiam o sexo como algo natural e divino.

01_Pa_e_Hemafrodita_c54_68_CE_Afresco_presente_na_Casa_de_Dioscuri_Pompeia_01.jpg
Pã e Hemafrodita, c.54-68 CE, Afresco presente na Casa de Dioscuri - Pompéia.

Em 24 de agosto de 79 d.C., a cidade de Pompéia foi varrida do mapa pela erupção do vulcão Vesúvio. A tragédia, que matou milhares de pessoas e enterrou a cidade em seis metros de cinza, também preservou - como uma cápsula do tempo - imagens intactas do império Romano. Os estudos sobre a história romana tendiam a encarar a sexualidade através de segundo uma visão tradicional e conservadora. Durante anos, algumas peças com imagens explícitas eram destruídas durante as escavações. Outras, preservadas por seus valores artísticos, foram escondidas a sete chaves nos acervos dos museus.

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Afresco de uma relação sexual entre dois homens e uma mulher, encontrada em termas em Pompeia.

03_Homem_removendo_o_veu_que_esconde_o_sexo_de_uma_mulher_com_seios_enfaixados_1_st_C_Pompeia_03.jpg Homem removendo o véu que esconde o sexo de uma mulher com seios enfaixados, 1 st C - Pompéia.

04_Friso_com_desenho_erotico_s_d_Roma_04.jpg
Friso com desenho erótico, s.d - Roma.

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Detalhe de skyphos com um grupo erótico, 1st CE - Roma.

"(...) vejo pessoas que iam e vinham furtivamente por entre portas com placas e meretrizes nuas. Um pouco tarde, e mesmo um pouco demais, compreendi que ela me havia levado a um bordel." Satyricon - Petrônio (? - 66d.C | Roma).

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Amantes na Cama, 1st C - Pompéia - Villa of the Centenary.

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Amantes na Cama, 1st C - Pompéia, Villa dei Vettii.

Muitas das imagens, hoje nos museus, anteriormente estavam presentes nas ruas e nas casas das pessoas nas mais diferentes classes sociais de Pompeia. Ao contrário do que os primeiros estudiosos pensavam, os romanos não eram faziam mais sexo do que as pessoas fazem na atualidade. A diferença estava no valor que o sexo possuía em suas vidas.

A arte erótica presente em Pompeia muitas vezes obrigou historiadores a reverem seus conceitos sobre a presença feminina. A mulher nua não era apenas retratada como uma divindade mitológica, mas também como um indivíduo praticante de sexo livremente. Há também teorias que afirmam que as relações sexuais eram desprovidas de afetividade, sendo muitas vezes comercias - com profissionais tanto do sexo feminino quanto masculino - ou com os próprios escravos. Homens e mulheres faziam uso de todos esses serviços.

08_Ato_sexual_Afresco_na_Casa_do_Amor_Punido_1St_CE_Pompeia_08.jpg
Ato sexual, Afresco na Casa do Amor Punido, 1St CE- Pompéia.

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Cena de ato sexual presente em pequeno quarto na Villa dei Vettii.

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Um casal no fundo de um espelho de bronze (ca. 70-90 AD).

"Falam de ti os fofoqueiros, Quíone, que não tens fodido nunca, e não há boceta mais casta do que a tua. Só que, quando tomas banho, não cobres a parte do corpo que deverias cobrir. Se tens pudor, põe a calcinha no rosto." Marcial (40 d.C a 104 d. C. poeta epigramático).

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Bacante tocada por um Sátiro, Afresco na Casa de L. Caecilius Jurundus, s.d - Pompeia.

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Sátiro e Bacante encantados um pelo sexo do outro, 1st C - Pompeia.

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Oferendas votivas em Pompeia com representações de seios e pênis - Museu Nacional de Arqueologia de Nápoles.

O sexo era entendido como algo mágico e divino. Tanto que o falo - assim como os seios - era símbolo de sorte e da fertilidade, e ficavam nas casas e nos furos da entrada da cidade. Príapo - o deus da fertilidade com o falo gigante - era representado ao lado de cestas de frutas e plantações. Os deuses em geral eram seres muito sexuais. A maioria das imagens traz deuses e divindades ligados à sexualidade: Vênus, Marte, Mercúrio, Eros, Príapo, sátiros e bacantes.

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 Falo em templo de Pompeia.

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 O divino falo, 1st C - Pompeia.

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 Príapo medindo seu falo, 1st C - Pompeia, Villa dei Vetti.

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 Sátiro e Ninfa, símbolos mitológicos da sexualidade em mosaico de um quarto em Pompeia.

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 Marte e Vênus.

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Cena erótica presente em banho no subúrbio de Pompeia.

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Descrição de 'Coitus a tergo' (penetração vaginal por trás), Afresco, 1st CE - Pompeia.

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 Escultura com cena erótica.

Já nos murais dos prostíbulos, as imagens serviam de estímulo e de "cardápio" dos serviços oferecidos aos clientes. Em quartos simples com uma cama de pedra e um colchão em cima, os frequentadores encontravam à frente de suas cortinas as lobas - como eram chamadas as profissionais do sexo - com roupas diminutas e oferecendo, a quem pudesse pagar seu preço, uma noite repleta dos mais diversos prazeres.

Cenas de sexo anal são encontradas apenas nos prostíbulos e termas, ao contrário do sexo oral, que era mais aceito socialmente - pela alta estima que os romanos concediam à boca. Mas isso não implicava que o sexo anal fosse praticado naturalmente.

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 Cena erótica de sexo oral.

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 Falo na entrada de bordel com inscrição 'Hic habitat felicitas' (Felicidade Aqui ao vivo ou Aqui mora a boa sorte).

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Cena em vaso com dois jovens durante sexo anal.

A homossexualidade era vista com naturalidade e exposta em diversos murais pelos prostíbulos. Relações entre homens mais velhos e jovens eram toleradas desde que os jovens não fossem romanos livres. Há testemunhos de relações sexuais entre mulheres, mesmo que ainda pouco estudadas - principalmente na literatura - que demonstram que sexo entre mulheres também era aceite.

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 Detalhe do cálice de Warren (Museu Britânico) de um jovem sendo penetrado por um homem.

"Entramos então e, levados por entre placas, avistamos um grande número de pessoas de ambos os sexos, tão animados a se divertir nos quartos, que todos, por todos os lados, me pareciam ter tomado satirião. Ao nos perceberam, tentaram nos aliciar com sua petulância de andróginos; um deles, de pau duro até a cintura, partiu para Ascilto, e, derrubando-se sobre um leito, tentou moer o trigo em cima dele." Satyricon - Petrônio (? - 66d.C, Roma).

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 Cena erótica - cerca de 50 a 79 AD.

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 Cena erótica - cerca de 50 a 79 AD.

Além dos murais, também foram encontradas diversas inscrições - grafites - nas paredes das ruas e prostíbulos. De declarações de amor, a afirmações de ciúmes, chegando à descrição de atos e preferências sexuais, ao alcance dos olhos de qualquer habitante que passasse em frente. Alguns exemplos presentes em Pompeia podem ser lidos abaixo:

"Por que, Taís, me acusas sempre de ser velho? Ninguém é velho, Taís pra uma chupada." Marcial (40 d.C a 104 d. C. poeta epigramático).

"A noite toda fiz amor com uma moça lasciva cujas habilidades sexuais nenhuma outra pode superar. Cansado, depois de mil posições, pedi-lhe que me deixasse fodê-la como a um moço. Nem bem terminava meu pedido, e ela já me concedia seus favores. Rindo e vermelho de vergonha, pedi-lhe algo mais indecente ainda. Ela, cheia de luxúria, disse que sim sem qualquer hesitação." Marcial (40 d.C a 104 d. C. poeta epigramático).

"Eu, Lidê, posso satisfazer três homens ao mesmo tempo. Um com a minha boca, outro com meu cu. Recebo o pederasta, o amante e o fantasioso. Ainda que tenhas pressa e venhas com dois amigos, não deixes de entrar."

"Festo fodeu aqui com seus camaradas" ou "Aqui fui comida" (escrito na parede de um prostíbulo).

É interessante perceber as similaridades e rupturas entre romanos antigos - ou egípcios e indianos antigos - e as sociedades atuais. Pertinente porque rompemos preconceitos em relação a outros povos e suas práticas sexuais, e percebemos "gostos" em comum. Mas também, olhar o passado nos leva a uma melancolia: o sexo hoje está muito mais ligado aos conceitos de pecado, enquanto no passado era um caminho para o divino. E no final esvaziamos o significado de algo que, ainda que muito carnal, possuía sua parcela celestial e poética.

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 Cena erótica, cerca de 1 a 50 A.D.

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Cena de amor entre Sátiro e Bacante.

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 Polymphemus e Galatea.

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Sátiro e Bacante.


Escrito por CAROLINA CARMINI e publicado na OBVIUS MAGAZINE

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SCHUBERT OFUSCADO PELO SEU MESTRE BEETHOVEN - PUBLICADO EM MÚSICA POR LARISSA PAES

Contemporâneo de Beethoven, Schubert ficou à sombra da genialidade reverberada e reverenciada pelos vianeses dos séculos XVIII/XIX e efusivamente pelo próprio Franz Schubert.



Schubert (1797 – 1828) era 27 anos mais novo que Beethoven. Morreu aos 31 anos por complicações da sífilis, um ano e alguns meses depois da morte de Beethoven. A última música que Franz ouviu foi o Quarteto em dó sustenido menor, do Ludwig Van. Evidenciando até o fim da vida a admiração quase patológica de Schubert por Beethoven. Com a modéstia que beirava a depreciação, Franz indagava: ‘’Mas o que posso fazer depois do que fez Beethoven?’’.


Diferente de Mozart, Beethoven... Schubert não interpretava suas composições, assim não era conhecido do público, já que não era virtuosíssimo no piano. Sendo miserável durante toda a vida, sobrevivendo da solidariedade de amigos que o hospedava, não tinha piano e compunha a seu modo; de cabeça, por vezes.


De todos os gêneros que englobam a música erudita, os Lieder – canção – e as músicas de câmara expressam de forma genuína toda a intensidade introspectiva das composições schubertianas. Por nutrir uma obsessão pelos poemas de forte dramaticidade de Goethe, Franz compôs as mais profundas e reflexivas lieder baseadas na poética do célebre escritor alemão, como a melancólica Gretchen am Spinnrade (‘’Margarida na roca’’). Schubert conseguia metamorfosear magistralmente os densos poemas goetheanos em potências metafísicas apenas com voz e piano, já que naquele período era mais comum transformar essas obras em óperas.

A obra camarística schubertiana é permeada de nuances que é necessário imergir livremente para adentrar verdadeiramente na sua poética musical. O Quinteto para piano em lá maior, op 114, ‘’A Truta’’, é a mais difundida e a mais complexa obra desse gênero. O Quarteto de cordas, n 14, em ré menor, ''A Morte e a Donzela'' é uma obra que mistura a obscuridade e a leveza etérea, sendo o segundo movimento a funesta beleza. Pode-se dizer veementemente que Schubert apresentava dificuldade com sinfonias, sonatas e óperas, tendo uma relação ambígua de aconchego e rejeição, mas que encontrava sua espontaneidade artística nos inúmeros lieder compostos e nas elegantes, dançantes e trágicas músicas de câmara, despejando nesses gêneros toda a sua solidão, miséria, melancolia e angustia.

Beethoven não só ofuscou a expressão schubertiana, mas todos que aparecessem, pois Ludwig Van era a devoção da época. O quase misantropo Beethoven influenciou tão violentamente Schubert que se pode considerar Franz o pupilo que Beethoven nunca teve.

Texto de Larissa Paes em OBVIUS MAGAZINE  - © obvious: http://lounge.obviousmag.org/promiscuidade_artistica/2013/07/schubert-ofuscado-pelo-seu-mestre-beethoven.html#ixzz4U9TBe43m
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

MPQ - Música Popular de Qualidade - Tema para Juliana - Flavia Wenceslau - Música de Rolando Boldrin

Dedico essa linda música para a Juju, Ju, Juliana ,minha querida filha guerreira.




Vídeo: YouTube - Programa Sr. Brasil com Rolando Boldrin

MPQ - Música Popular de Qualidade - Te desejo vida - Flavia Wenceslau




TE DESEJO VIDA

Eu te desejo vida, longa vida
Te desejo a sorte de tudo que é bom
De toda alegria ter a companhia
Colorindo a estrada em seu mais belo tom

Eu te desejo a chuva na varanda
Molhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

Eu te desejo a paz de uma andorinha
No vôo perfeito contemplando o mar
E que a fé movedora de qualquer montanha
Te renove sempre, te faça sonhar

Mas se vier as horas de melancolia
Que a lua tão meiga venha te afagar
E a mais doce estrela seja tua guia
Como mãe singela a te orientar

Eu te desejo mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô

Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô

Eu te desejo vida, longa vida
Te desejo a sorte de tudo que é bom
De toda alegria ter a companhia
Colorindo a estrada em seu mais belo tom

Eu te desejo a chuva na varanda
Molhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

Eu te desejo a paz de uma andorinha
No vôo perfeito contemplando o mar
E que a fé movedora de qualquer montanha
Te renove sempre, te faça sonhar

Mas se vier as horas de melancolia
Que a lua tão meiga venha te afagar
E que a mais doce estrela seja tua guia
Como mãe singela a te orientar

Eu te desejo mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô

Eu te desejo a chuva na varanda
Molhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar...

Español

Yo te deseo larga vida

Yo te deseo vida, larga vida
Te deseo la suerte de todo lo que es bueno
De tener toda la alegria como compañía
Coloreando la calle en sus mas lindos tonos

Yo te deseo la lluvia en la baranda
Mojando las rosas (o los rosales) 
para que florescan

Y días de sol para planear
las cosas mas simples que puedas imaginar

Yo te deseo la paz de una golondrina
en su vuelo perfecto contemplando el mar
Y que la fe que mueve las montañas
Te renueve siempre y te haga sonar

Pero si vinieran las horas de melancolía
Que la luna te proteja con su claridad
Y mas de doce estrellas sean tus guias
Como madres puras te puedan orientar

Yo te deseo mas de mil amigos
La poesia que todo poeta esperó
Corazón de niño, lleno de esperanza
Voz de padre amigo y mirada de abuelo


Dica da amiga Silvana Faião, diretamente de seu coração e do coração do Brasil

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O professor que explica por que doar seu corpo para ser dissecado - Por Alessandra Dantas, BBC

À frente de programa da UFMG que estimula doações, Humberto Alves conversa com possíveis doadores e procura humanizar ensino da anatomia.


Professor Humberto Alves, da Faculdade de Medicina da UFMG, coordena programa que estimula doação de corpos para atividades de ensino. (Foto G1 - Bruno Figueiredo/Área de Serviço)

Se doar meu corpo, não haverá velório? Aceitando a doação, corro risco de acelerarem minha morte?

Perguntas como essas surgem em uma roda de conversa entre um professor de anatomia e quatro mulheres. O assunto: a doação do corpo após a morte.

Todos estão sentados em poltronas confortáveis em um ambiente espaçoso: a sala de reuniões especiais da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte.
Na parede, quadros em homenagem aos professores eméritos da instituição. O cenário é considerado um dos mais nobres do prédio e não foi escolhido por acaso.

O tema fúnebre não deixa o clima pesado. O que se vê é um bate-papo descontraído, em meio a risos e muita curiosidade das mulheres decididas a doar seus corpos à Medicina.

Quem está ali para escutá-las é o professor de anatomia da UFMG Humberto Alves. Há 16 anos, ele se dedica a obter corpos para o ensino da anatomia, dando esclarecimentos a quem opta por um fim diferente do cemitério ou do crematório.

Se hoje as entrevistas são leves, no início eram fechadas e metódicas. Com a prática, o anatomista ficou mais seguro para prolongar a conversa, passando a se aprofundar nas razões para a doação e nas histórias das pessoas.
"A aproximação com o doador é fundamental. O simples preenchimento de um formulário online, como acontece nos Estados Unidos, não é suficiente", defende o professor.

Formação
Nascido na cidade histórica de Ouro Preto (MG) e com formação católica, Alves foi para a capital mineira estudar medicina nos anos 1970. Durante a graduação, interessou-se pelo estudo do corpo humano - fez treinamento em cirurgia e foi monitor de anatomia.
O contato com outros estudantes, detalhando a eles as estruturas do corpo, contribuiu para que o jovem optasse pela carreira acadêmica.

Também pesou na escolha a convivência com um professor que valorizava a anatomia nas artes plásticas e o trabalho de nomes como Leonardo Da Vinci e Michelangelo. "Isso fez com que eu admirasse a forma de uma maneira geral, não apenas a anatomia humana", conta.
Aos 28 anos, Alves tornou-se professor de anatomia da UFMG. Hoje, aos 62, já são 34 anos de docência. Desde 2000, faz parte do Vida Após a Vida, programa de doação de corpos da Faculdade de Medicina da UFMG.

Em 1999, uma senhora procurou a universidade para doar o corpo, com registro em cartório desse último desejo. O diretor da faculdade à época, Geraldo Brasileiro, concluiu que outras pessoas poderiam ter o mesmo interesse e criou o projeto, pioneiro no Brasil.

No início, eram oito professores, dos quais só restou Alves. Atualmente, o anatomista é coordenador do projeto e o único a conduzir as entrevistas com potenciais doadores.

Em busca de doadores
Na sala de espera para a conversa com o professor, as quatro mulheres já estão com a carteirinha de doador e o termo de doação preenchido e assinado em mãos. Uma delas comenta sobre a melhor maneira de conservar o documento.

Durante a entrevista, Maria do Carmo Couto, 56, continua com o termo em mãos, virado para a frente, exibindo com orgulho a materialização de uma decisão tomada há cinco anos.
Enquanto o professor esclarece as principais dúvidas e destaca que a doação ajuda indiretamente centenas de estudantes, Couto expressa satisfação. "Imagina meu corpo sendo estudado do dedinho do pé até a cabeça. Isso é maravilhoso", exclama.

O professor Humberto Alves já entrevistou 580 pessoas, entre as cerca de 780 cadastradas no programa de doação.

Hoje, são 68 corpos disponíveis para estudo na faculdade, sendo que 30 ainda não foram dissecados. Ao todo, 320 estudantes de Medicina trabalham com os corpos por semestre - uma média de 20 alunos por cadáver.

Antes do Vida Após a Vida, os poucos cadáveres que a faculdade recebia vinham de duas fontes.
Uma eram instituições públicas de ensino de São Paulo e do Rio de Janeiro que cediam corpos excedentes ainda nos anos 1980. A parceria, contudo, enfraqueceu com o surgimento de novas faculdades de Medicina nesses Estados.
Outra opção era o Instituto Médico Legal, que fornecia corpos não reclamados. Mas, devido às condições precárias do IML, muitos chegavam já em estado de decomposição. A questão policial também era um empecilho, pois não há cessão quando a morte é suspeita.

Importância
Ainda que existam recursos tecnológicos e modelos em 3D do corpo humano, nada substitui o cadáver, afirma Alves. Tanto pela forma de aprendizado diferenciada que proporciona como pela humanização dos estudantes que, muitas vezes, tocam pela primeira vez em um corpo sem vida.

"Os jovens, geralmente, entram na faculdade pensando que são imortais e aqui veem que não são", afirma o professor.
É o caso de um aluno que notou um anel no dedo do cadáver durante uma aula. "Ele disse que ali 'caiu a ficha', pois percebeu que aquela pessoa vivera como ele, mas teve um fim e se doou para ajudar outras pessoas", avalia Alves.

Há três anos, o professor decidiu que as entrevistas deixariam de ser individuais e seriam feitas preferencialmente em grupo. A mudança, afirma ele, trouxe mais leveza ao processo, bem como identificação entre os participantes.

"A pessoa percebe que não está sozinha em sua decisão e se sente parte de um grupo especial. Quanto maior o grupo, mais vontade as pessoas têm de doar", diz.

No início, o projeto atendia sobretudo idosos, mas o número de jovens aumentou e hoje o perfil dos doadores é diverso.

Há quem se comprometa a entregar o corpo por gratidão ao atendimento médico recebido em vida. Outros não gostam de enterro ou cremação. Medo de ser enterrado vivo e até repulsa à ideia de ter o corpo deteriorado por vermes também aparecem nas conversas.

Quando essas razões são compartilhadas, surgem risos e brincadeiras, já que uns entendem os outros. A maioria chega decidida pela doação, tendo superado entraves culturais.
Mesmo com a decisão tomada, uma desconfiança peculiar costuma aparecer nas conversas: a possibilidade de a morte ser acelerada de forma proposital por meio de algo como um "chá da meia noite".
Diz a lenda que, caso um doador precise de atendimento no hospital da faculdade, um funcionário poderia ministrar o tal chá para que o corpo ficasse disponível para doação mais rapidamente.
Entre risos gerais, o professor garante que a história é falsa e deseja vida longa aos doadores.

Percurso da doação
Candidatos à doação procuram a Faculdade de Medicina da UFMG e deixam contatos para agendamento da entrevista. Após esse processo, assinam um termo de doação baseado na lei 8.501, de 1992, que garante que o corpo será utilizado apenas para fins de estudo.
O cadastrado recebe a carteirinha de doador, com os telefones para familiares ligarem quando a morte acontecer.

"Parentes reconhecerem e estarem de acordo é fundamental", explica o professor, pois somente a assinatura do termo não garante que o cadáver seja levado para a unidade.
Da mesma forma, uma pessoa que não assinou o termo de doação, mas deixou algum familiar ciente de que gostaria de doar o corpo, não terá dificuldade em ter o corpo cedido para ensino, desde que a família procure a instituição.

Após a comunicação do óbito, um funcionário fica responsável pelo traslado e documentação.
No entanto, mesmo com tudo acordado entre doador, familiares e faculdade, situações inesperadas podem acontecer.

Houve um caso de um familiar que pediu o corpo de volta. A doadora havia realizado os procedimentos em vida para a doação. No dia da morte, os parentes assinaram o termo de cessão e o cadáver foi levado para a faculdade.

Entretanto, um irmão que não estava no momento da assinatura reclamou o corpo dias depois. O pedido foi atendido sem objeção. "Quando os familiares decidem, não interferimos", diz Alves. Foi o único pedido de devolução na faculdade até o momento.

Velório simbólico
A orientação nos casos de doação é que ocorra um velório apenas simbólico, mais curto do que as cerimônias tradicionais, já que o corpo precisa de preparo quase imediato para emprego adequado em laboratório. O local mais comum é o necrotério do hospital. Não há um tempo máximo para a despedida, mas geralmente ela dura de duas a quatro horas.

É raro, mas há parentes que optam pelo velório com caixão, flores e serviço funerário. Nesse caso, a despedida também é mais curta e a funerária não faz cortes ou alterações significativas no cadáver, apenas injeta uma substância conservante para impedir a decomposição.

Grande parte dos doadores prefere o velório simbólico para amenizar o desgaste emocional e financeiro dos familiares. Além disso, o professor deixa claro que, uma vez doado, é como se o corpo estivesse enterrado - o que significa que não pode ser visitado.
A religião não chega a ser determinante na decisão, diz Alves. O professor explica que pessoas que seguem a mesma religião podem ter pensamentos diferentes sobre a doação.

"Alguns católicos acham que é um gesto nobre, outros pensam que o corpo deve ser mantido íntegro. Já para os espíritas, em geral, o corpo é apenas uma matéria e o que importa é o espírito", exemplifica Alves.

Um ponto que motiva questionamentos dos próprios doadores é o fato de não haver um túmulo que sirva como referência do morto para a família.
Nesse sentido há um projeto antigo de criar um mausoléu em homenagem àqueles que cederam o corpo voluntariamente, mas a ideia nunca saiu do papel por falta de recursos.
Enquanto isso, fragmentos retirados durante a dissecação dos cadáveres são enterrados no jazigo da Faculdade de Medicina em um cemitério da cidade. Ossos e órgãos permanecem no acervo do departamento.

Conservação e conhecimento
Ao chegar à faculdade, o corpo segue para o setor de necropsia, onde fica em uma câmara fria, com temperaturas de 4ºC a 6ºC. O sangue é substituído por uma substância conservante.
Após a preparação, o cadáver é mantido submerso em um tanque de formol, o que impede seu ressecamento, até o momento de ser utilizado.

Os corpos usados nos laboratórios são retirados dos tanques na segunda-feira e recolhidos de volta na sexta-feira. O procedimento é feito com o corpo inteiro e partes isoladas.

O professor já dissecou corpos de doares que entrevistou. A última vez que isso ocorreu foi há dois anos. Como corpos que chegam não são usados imediatamente, há um intervalo entre a entrevista e a dissecação. Essa conversa foi, portanto, há uma década.
"Fico muito mais tranquilo em trabalhar com um corpo que conhecia porque sei que ele fez a escolha de vir para cá", explica o docente.
"Senti uma certa tristeza", reconhece ele, "mas lembrei da conversa em que ele disse não querer dar trabalho aos familiares e que morava sozinho e isso me tranquilizou."

O professor não costuma mencionar isso aos doadores - apenas quando questionado -, mas também é um candidato à doação.
E enfrenta um desafio parecido com o de seus entrevistados: convencer os familiares - no caso dele, uma em especial.
"(A decisão) foi facilmente aceita pelo meu filho, mas não pela minha mulher. Ela ainda fica reticente."
A mulher costuma evitar o assunto, enquanto Alves procura retomá-lo em situações triviais do dia a dia, como um café da manhã. "Não é que queira morrer logo, só quero que minha vontade seja respeitada quando chegar o momento."

Na entrevista com as doadoras, Maria do Carmo Generoso, de 50 anos, diz que não revelou para toda a família a decisão que acabou de formalizar. "É uma decisão muito pessoal. Só meu filho e meu marido sabem", diz.


"Achei divino", afirma uma das participantes, que não quis ser identificada. Ela afirma que nunca gostou dos rituais de enterro e cremação, e que viu na doação uma alternativa.  "Eu resolvi doar, mas tenho medo da morte. A vida é muito boa. A gente ama viver."