terça-feira, 24 de abril de 2018

Um Bolero Qualquer - Irineu de Palmira (Irineu de Palmira/Lula Barbosa/Doroti Massola/Alvaro Gomes)



Um Bolero Qualquer

Eu não sei porque o amor 
Quando chega pra mim 
Chega pra machucar 
Chega pra confundir 
Chega pra devolver

Chega pra desvendar 
Uma parte de mim 

Pode ser que o amor 
Poesia se faz 
Com estrelas do céu 
Um pedaço de luz 
Esse brilho sem fim 
Que eu não sei bem porque 
Se afasta de mim 

Quisera entender o amor 
Quantas vezes tentei 
Procurar por você 
E me perdi na ilusão de achar 
A outra parte de mim 

Quem me vê nesse bar 
Numa mesa tão só 
Não entende a razão 
Esse lugar comum 
Lembra aquela mulher 
Que um desejo arrastou 
Pra um bolero qualquer 

Vídeo: YouTube  

Dica da amiga Silvana Barbara

How Deep is Your Love - Bee Gees - legendado



Vídeo: YouTube

Just The Way You Are - Barry White - com legendas



Vídeo: YouTube

Fellings - Vigon Bamy Jay



Vídeo: You Tube

Elvis Presley - My Way



Vídeo : You Tube

My Way - Frank Sinatra - com leganda em português





Vídeo - YouTube

quinta-feira, 1 de março de 2018

Tenho rugas - autor desconhecido


Tenho rugas...
Olhei para o espelho e descobri que tinha muitas rugas, em volta dos olhos, na boca, na testa.
Eu tenho rugas porque eu tive amigos... e nós rimos, mas tanto, até às lágrimas.
Eu tenho rugas porque conheci o amor que me fez espremer os olhos de alegria.
Eu tenho rugas porque tive filhos e fiquei preocupada com eles desde a concepção, mas também porque sorri para todas as suas novas descobertas e porque passei muitas noites em claro....
Tenho rugas porque eu também chorei...
Chorei pelas pessoas que amei e que foram embora, por pouco tempo ou para sempre, sabendo ou sem saber o porquê.
Tenho rugas porque passei horas sem dormir para observar os projetos que correram bem... mas também para cuidar a febre das crianças, para ler um livro ou fazer amor.
Vi lugares lindos, novos, que me fizeram abrir a boca espantada e ver os lugares antigos, antigos, que me fizeram chorar.
Dentro de cada sulco no meu rosto e no meu corpo, se esconde a minha história... se escondem as emoções que vivi... a minha beleza mais íntima.
E se apagar isso, apago a mim mesma.
Cada ruga é uma anedota da minha vida, uma batida do meu coração, o álbum de fotos das minhas memórias mais importantes!!!




Autor desconhecido 
Publicado no FB PROJETO 60 ANOS.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Como comprar, conservar e consumir o queijo minas - Elmer Almeida



Sabia que o queijo minas artesanal deve ser guardado em local fresco, arejado, longe do Sol e não pode sofrer mudanças drásticas de temperatura? 
saiba mais

Puro ou em receitas, ele tem sido cada vez mais valorizado no cenário gastronômico e conquistado mais espaço na mesa dos consumidores. Mas você sabe quais são os cuidados necessários na hora de comprar o famoso "Queijo Minas Artesanal de Leite Cru" e como conservá-lo adequadamente para manter suas propriedades?



O especialista em queijo Elmer Almeida, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), explica que o esse tipo de queijo mineiro tem a massa prensada não cozida e a casca natural. "Mesmo que cada tipo tenha suas peculiaridades, adquiridas no processo de produção e de acordo com cada região de fabricação, algumas dicas comuns são fundamentais na hora de comprar, conservar e degustar a iguaria, preservando toda a sua riqueza sensorial", comenta o especialista.

O técnico da Emater-MG dás dicas para quem é apaixonado pelos premiados queijos mineiros:

Como comprar

Por ser um alimento feito com leite cru, você deve conhecer bem a origem e o ambiente de produção. Escolha queijos das regiões caracterizadas como produtoras tradicionais e que sejam, preferencialmente, produzidos nas propriedades cadastradas junto aos órgãos de vigilância sanitária. Prefira queijos com maturação acima de 10 dias e que estejam com acabamento e cor uniformes. Evite queijos artesanais com excesso de olhaduras (buracos) internos. O bom queijo tem sua massa bem compacta e lisa. "Por ser um alimento vivo, evite comprar queijos que estejam embalados em plástico por muito tempo, pois isso altera o sabor. Sempre que puder, procure saber a história do queijo que está adquirindo", afirma Elmer Almeida.



Como consumir

Ao comprar seu queijo artesanal, retire da embalagem imediatamente e lave em água corrente. Se possível, passe nele uma escova. Seque com papel toalha e o coloque sobre uma tábua de madeira para que ele "respire" e continue seu processo enzimático de amadurecimento. O ideal é que o queijo fique pelo menos uma hora na temperatura ambiente antes de ser consumido. "Ficando em temperatura ambiente, com o tempo, ele vai adquirindo uma cor dourada e acentuando o sabor", diz o especialista. Para degustar, faça cortes finos, longitudinais, de casca a casca, de modo que a fatia tenha a representação do sabor total do queijo. "Queijos maturados acompanham bem uma cachaça, uma cerveja gelada ou um bom vinho tinto. Doces em compotas harmonizam bem com estes queijos maturados", sugere o técnico da Emater-MG.



Como conservar

A melhor maneira de conservar o queijo artesanal, segundo o especialista, é mantê-lo em local fresco, protegido da luz direta e que seja arejado. Evite local que tenha variação de temperatura. "Cuide para que a umidade não seja excessiva e nem muito baixa. Deste modo, evitará que apareçam mofos ou que o queijo resseque em demasia. O ideal é que se tenha uma tábua de madeira como suporte", afirma Elmer. A tampa deve ser telada de modo a favorecer a "respiração" do queijo e impedir o acesso de moscas ou outros insetos. Evite colocar seu queijo sobre pratos ou vidros. A cada dois dias o queijo deve ser virado para que a casca fique com a coloração homogênea. "Com o tempo, vai acontecendo a mudança de sabor e textura, mas, isto é natural e até desejável. Se quiser diminuir o processo de maturação, você pode levar o queijo artesanal para a geladeira, embalado em filme plástico ou mesmo em papel manteiga. Coloque-o no compartimento de legumes e verduras. Nunca congele queijo artesanal", esclarece. Ele Lembra que antes de consumir o produto que está frio, ele deve ser lavado e deixado num local fresco para voltar à temperatura ambiente.

(com Agência Sebrae)

Marinalva Soares/Emater-MG/Divulgação

FOTOS: RODRIGO DA LOJA DO ITAMAR - MERCADO CENTRAL DE BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS  - BRASIL.

DICA: QUER COMPRAR OS LEGÍTIMOS E MELHORES QUEIJOS MINAS, VÁ A LOJA DO ITAMAR NO MERCADO CENTRAL DE BH.

sábado, 30 de dezembro de 2017

O essencial - Mário de Andrade


 DESFOTOGRAFANDO - UNIVERSO ARTEIRO - ARTE DIGITAL 


“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo
que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"
*Mário de Andrade*

2018 vem aí !!!


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Desfotografando

Todos os direitos protegidos - UNIVERSO
Bairro Buritis - Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
Clique na foto para ampliar

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Acordar - Ana Carolina

Foto: Internet - SUCKMYPIXXXEL


Acordar de manhã
Com a cama fria, vazia
O corpo quente de desejo
A alma lavada para enfrentar um novo dia
Acordar de manhã
Arrastar-se até o chuveiro
E só então despertar, com a água morna pelo corpo
Arrumar-se, da melhor forma possível,
Tomar o café às pressas para não perder a hora
E sair deixando no ar o perfume fresco...
Esse não é o acordar que eu desejo......
Essa é minha rotina.
O perfeito acordar seria
Aninhada em teus braços, nua
Quente, protegia, saciada
Ser convidada a despertar com afagos e beijos discretos
E uma ducha gostosa sem pressa
Como se fosse a primeira vez
E Fazer amor gostoso ali mesmo, no chuveiro
Para começar bem o dia
E gastar todas as energias 
Para, enfim, dormir novamente ao anoitecer
E novamente acordar de manhã... ao seu lado.
PESQUISA: INTERNET - POEMA E PINTURA

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Martín Chambi Jiménez ou simplesmente Martín Chambi - Gênio da fotografia em preto e branco

"Eu li que no Chile acredita-se que os índios não têm cultura, que eles são incivilizados, que eles são intelectualmente e artisticamente inferior quando comparado com os brancos e europeus. Mais eloquente do que a minha opinião, no entanto, são testemunhos gráficos. A minha esperança é que as testemunhas imparciais e objetivas examinará esta evidência. Eu sinto que eu sou um representante da minha raça; meu povo fala através das minhas fotografias."
Martín Chambi Jiménez - 1936

Martín Chambi Jiménez - nasceu em Puno, Perú, em 5 de novembro de 1891 e morreu em 13 de setembro de 1973, aos 81 anos de idade, na cidade de Cuzco, Perú. Foi um fotógrafo e pintor indígena nascido em Coaza, província de Carabaya, no norte do Lago Titicaca.

É considerado pioneiro da fotografia de retrato, reconhecido como poeta da luz e um mestre da luz em fotografia em preto e branco.
Foi um dos primeiros a fotografar Machu Pichu, retratou o cotidiano do povo peruano, sua etnia, tanto o povo mais simples, sobretudo os povos indígenas, como as personalidades, viajou e registrou belíssimas imagens das paisagens andinas e as ruínas históricas Incas. 

Seu pai mudou-se com a família para a província de Carabaya, onde foi trabalhar numa mina de ouro. Perto dali, na mina de Santo Domingo, Chambi deu os primeiros passos na arte da fotografia, decidindo assumi-la como profissão. Em 1908, foi para Arequipa, onde a fotografia era mais avançada.

Durante 9 anos Chambi trabalhou como aprendiz de Max T. Vargas.

Em 1917 montou seu primeiro estúdio em Sicuani. 

Publicou seus primeiros trabalhos em cartões postais em 1917.

Em 1923, abriu em Cuzco um novo estúdio, fotografando tanto os compatriotas indígenas quanto as figuras importantes da sociedade.

Auto retrato de Martín Chambi no alto de Carabaya

 Festa de carnaval em Cuzco -  Martín Chambi - 1930

Branco e preto na fotografia étnica - Martín Chambi

Cuzco - Poeta da Luz em Preto e Branco - Martín Chambi

Tive o primeiro contato com a obra de Martín Chambi, quando morava em São Paulo e o administrador do Flat, Sr. Walter, me deu duas folhas de um calendário com reprodução de fotos de Martín Chambi, estão abaixo.

Tenho guardado por cerca de 20 anos essas reproduções e serão emolduradas para decorar meu escritório multimídia, biblioteca, que ficará pronto em mais alguns dias.

Janelas de Machu Pichu - Martín Chambi 

Organista na Capela de Tinta, Sicuani, 1935 (Foto: Martín Chambi/Instituto)

Anos depois, vi algumas reproduções em um restaurante peruano, em Santiago do Chile. Fiquei fascinado e procurei saber mais sobre o talento desse artista.

Registrou em imagens a história e a cultura de seu povo, deixou um legado e um trabalho de grande técnica, sensibilidade, beleza e arte fotográfica.
Seu trabalho é sempre comparado com os de outros grandes mestres da fotografia.

Sem dúvidas, um dos maiores fotógrafos de todos os tempos.

 “A magia de Chambi pulsa em suas fotografias”, escreveu Mario Vargas Llosa. “A magia que o distingue de todos os fotógrafos com quem os críticos o tentam comparar, desde August Sander a Nadar, passando por Edward Weston, Ansel Adams, Irving Penn ou ainda Abraham Guillen”.

Resultado de imagem para Imagens de Martín Chambi

Recomendo conhecer mais sobre a obra desse gênio da fotografia: 

https://www.facebook.com/MartinChambi/
Wikipédia - Martín Chambi
http://martinchambi.org/es/blog/
http://martinchambi.org/es/

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Queijo minas artesanal - Como comprar, consumir e conservar


Sabia que o queijo minas artesanal deve ser guardado em local fresco, arejado, longe do Sol e não pode sofrer mudanças drásticas de temperatura?
saiba mais

Puro ou em receitas, ele tem sido cada vez mais valorizado no cenário gastronômico e conquistado mais espaço na mesa dos consumidores. Mas você sabe quais são os cuidados necessários na hora de comprar o famoso "Queijo Minas Artesanal de Leite Cru" e como conservá-lo adequadamente para manter suas propriedades?

O especialista em queijo Elmer Almeida, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), explica que o esse tipo de queijo mineiro tem a massa prensada não cozida e a casca natural. "Mesmo que cada tipo tenha suas peculiaridades, adquiridas no processo de produção e de acordo com cada região de fabricação, algumas dicas comuns são fundamentais na hora de comprar, conservar e degustar a iguaria, preservando toda a sua riqueza sensorial", comenta o especialista.

O técnico da Emater-MG dás dicas para quem é apaixonado pelos premiados queijos mineiros:

Como comprar

Por ser um alimento feito com leite cru, você deve conhecer bem a origem e o ambiente de produção. Escolha queijos das regiões caracterizadas como produtoras tradicionais e que sejam, preferencialmente, produzidos nas propriedades cadastradas junto aos órgãos de vigilância sanitária. Prefira queijos com maturação acima de 10 dias e que estejam com acabamento e cor uniformes. Evite queijos artesanais com excesso de olhaduras (buracos) internos. O bom queijo tem sua massa bem compacta e lisa. "Por ser um alimento vivo, evite comprar queijos que estejam embalados em plástico por muito tempo, pois isso altera o sabor. Sempre que puder, procure saber a história do queijo que está adquirindo", afirma Elmer Almeida.

Como consumir

Ao comprar seu queijo artesanal, retire da embalagem imediatamente e lave em água corrente. Se possível, passe nele uma escova. Seque com papel toalha e o coloque sobre uma tábua de madeira para que ele "respire" e continue seu processo enzimático de amadurecimento. O ideal é que o queijo fique pelo menos uma hora na temperatura ambiente antes de ser consumido. "Ficando em temperatura ambiente, com o tempo, ele vai adquirindo uma cor dourada e acentuando o sabor", diz o especialista. Para degustar, faça cortes finos, longitudinais, de casca a casca, de modo que a fatia tenha a representação do sabor total do queijo. "Queijos maturados acompanham bem uma cachaça, uma cerveja gelada ou um bom vinho tinto. Doces em compotas harmonizam bem com estes queijos maturados", sugere o técnico da Emater-MG.

Como conservar

A melhor maneira de conservar o queijo artesanal, segundo o especialista, é mantê-lo em local fresco, protegido da luz direta e que seja arejado. Evite local que tenha variação de temperatura. "Cuide para que a umidade não seja excessiva e nem muito baixa. Deste modo, evitará que apareçam mofos ou que o queijo resseque em demasia. O ideal é que se tenha uma tábua de madeira como suporte", afirma Elmer. A tampa deve ser telada de modo a favorecer a "respiração" do queijo e impedir o acesso de moscas ou outros insetos. Evite colocar seu queijo sobre pratos ou vidros. A cada dois dias o queijo deve ser virado para que a casca fique com a coloração homogênea. "Com o tempo, vai acontecendo a mudança de sabor e textura, mas, isto é natural e até desejável. Se quiser diminuir o processo de maturação, você pode levar o queijo artesanal para a geladeira, embalado em filme plástico ou mesmo em papel manteiga. Coloque-o no compartimento de legumes e verduras. Nunca congele queijo artesanal", esclarece. Ele Lembra que antes de consumir o produto que está frio, ele deve ser lavado e deixado num local fresco para voltar à temperatura ambiente.

Marinalva Soares/Emater/Divulgação - com Agência Sebrae



Hoje, os queijos minas artesanais estão recebendo prêmios em feiras e concursos na Europa devido as inovações nas técnicas de produção e principalmente de maturação.


No Mercado central de Belo Horizonte e especialmente na Loja do Itamar,
de grande tradição no Mercado Central, você encontra queijos com 60 dias ou mais de maturação em ambientes especialmente criados e mantidos sob controles, para que o queijo adquira características que o igualam aos melhores queijos do mundo.


Na Loja do Itamar, onde compro há mais de 20 anos meus queijos, doces de leite ou goiabada cascão, procure o Rodrigo. Ele te dará todas as sugestões e dicas sobre os melhores queijos minas artesanais. Uma degustaçãozinha sempre é possível.

DICA APRENDIDA NA ROÇA: Para que o queijo minas artesanal fique "meia cura", embrulhe-o em um pano de prato e deixe na geladeira na parte de baixo. Ficará com uma casca dourada e o interior macio e com um sabor especial.

Pesquisa: Internet - FOTOS: Rodrigo

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Vesperal - Cruz e Souza

Entardecer Digital - Chicureo - Chile - UNIVERSO

Tardes de ouro para harpas dedilhadas
Por sacras solenidades
De catedrais em pompa, iluminadas
Com rituais magestades.

Tardes para quebrantos e surdinas
E salmos virgens e cantos
De vozes celestiais, de vozes finas
De surdinas e quebrantos...

Quando através de altas vidraçarias
De estilos góticos, graves,
O sol, no poente, abre tapeçarias,
Resplandecendo nas naves...

Tardes augustas, bíblicas, serenas,
Com silêncio de ascetérios
E aromas leves, castos, de açucenas
Nos claros ares sidéreos...

Tardes de campos repousados, quietos.
Nos longes emocionantes...
De rebanhos saudosos, de secretos
Desejos vagos, errantes...

Ó tardes de Beethoven, de sonatas,
de sentimento aério e velho...
Tardes da antiga limpidez das pratas,
De epístolas do Evangelho!

Pesquisa: Internet - FOTO: UNIVERSO

terça-feira, 25 de julho de 2017

MPBQ - Música Popular Brasileira de Qualidade - Costura da Vida - Trenzinho Caipira - Bola de Meia, Bola de Gude - A Quatro Vozes

Doralice Otaviano
Jurema V Otaviano 
Jussara Otaviano

Conjunto vocal natural de Guaxupé - Minas Gerais.

O quarteto A Quatro vozes agora é um trio, com um repertório especializado em música popular brasileira.

Trabalho lindo de muita musicalidade, bom gosto na escolha do repertório e um vocal afinadíssimo.

Para ouvir e ver outros vídeos ou saber mais sobre o conjunto e contatos acesse os  links abaixo:

@aquatrovozes  










Pesquisa: Internet, vídeos YouTube, Facebook do grupo.

Sedução - Bruna Lombardi

Foto - Internet - Suckmypixxel

Sedução

Dentro de mim mora o animal
indômito e selvagem
que talvez te faça mal

talvez uma faísca
relâmpago no olhar
depressa como um susto
me desmascare o rosto
e de repente deixe exposto
o meu pior

em mim germina
uma força perigosa
que contamina
uma paixão vulgar
que corta o ar e que
nenhum poder domina

explode em mim
uma liberdade que te fascina
sopro de vida
brilho que se descortina
luz que cintila, lantejoula
purpurina
fugaz como um desejo
talvez te mate
talvez te salve
o veneno do meu beijo.

(BRUNA LOMBARDI)Pesquisas - poema e foto - internet

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Poema desconhecido de Hilda Hilst sobre o fracasso

Hilda Hilst - Menina

Hilda - estudante

Hilda - Foto Paulo Lemos



 Hilda Hilst - 1930 - 2004


O poema desconhecido de Hilda Hilst foi encontrado por Milena Wanderley.  


Fracassamos. Seremos os eterno fracassados.
Mas daqui a sete mil anos
abriremos as portas de todos
os claustros e lá nos encerraremos.

Seremos então os primeiros enclausurados
puros,
brancos,
mãos brancas, rosto branco
BRANCO - Ausência de amor.

Não haverá sinos em nossos campanários
(nem sinos, NEM AMOR)
qualquer luz em nossas celas
iluminará somente os livros
de quotidiana meditação.

Fomos improdutivos. Fomos estéreis.
Naufragamos no mar da compreensão.
Prostituímos ternamente as cousas
que só nós entenderíamos.

E nos tornamos eternos fracassados...

Não haverá sinos em nosso campanários
(nem sinos, NEM AMOR)

Poema foi escrito quando Hilda tinha 19 anos e foi publicado na revista TENTATIVA, em 1949.

Milena Wanderley é pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. E pesquisa uma tese sobre Hilda Hilst.

Pesquisa, imagens e poema - Internet

sábado, 29 de abril de 2017

Fernando Pessoa explica a origem dos heterônimos - Trecho da carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro

Pesquisa no Blog Alguma Poesia - Outras Palavras - Poesia Net



Alberto Caieiro - Ricardo reis - Álvaro de Campos
Desenho de Almada Negreiros, pintor e escritor modernista português, amigo de Fernando Pessoa. Os desenhos se basearam nas descrições feitas por Pessoa.



[A ORIGEM DOS HETERÔNIMOS]

Passo agora a responder à sua pergunta sobre a génese dos meus heterónimos. Vou ver se consigo responder-lhe completamente.

Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriarmente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos — felizmente para mim e para os outros — mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contacto com outros; fazem explosão para dentro e vivo — os eu a sós comigo. Se eu fosse mulher — na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas — cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem — e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia...

Isto explica, tant bien que mal, a origem orgânica do meu heteronimismo. Vou agora fazer-lhe a história directa dos meus heterónimos. Começo por aqueles que morreram, e de alguns dos quais já me não lembro — os que jazem perdidos no passado remoto da minha infância quase esquecida.

Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos). Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.

Lembro, assim, o que me parece ter sido o meu primeiro heterónimo, ou, antes, o meu primeiro conhecido inexistente — um certo Chevalier de Pas dos meus seis anos, por quem escrevia cartas dele a mim mesmo, e cuja figura, não inteiramente vaga, ainda conquista aquela parte da minha afeição que confina com a saudade. Lembro-me, com menos nitidez, de uma outra figura, cujo nome já me não ocorre mas que o tinha estrangeiro também, que era, não sei em quê, um rival do Chevalier de Pas... Coisas que acontecem a todas as crianças? Sem dúvida — ou talvez. Mas a tal ponto as vivi que as vivo ainda, pois que as relembro de tal modo que é mister um esforço para me fazer saber que não foram realidades.

Esta tendência para criar em torno de mim um outro mundo, igual a este mas com outra gente, nunca me saiu da imaginação. Teve várias fases, entre as quais esta, sucedida já em maioridade. Ocorria-me um dito de espírito, absolutamente alheio, por um motivo ou outro, a quem eu sou, ou a quem suponho que sou. Dizia-o, imediatamente, espontaneamente, como sendo de certo amigo meu, cujo nome inventava, cuja história acrescentava, e cuja figura — cara, estatura, traje e gesto — imediatamente eu via diante de mim. E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto vejo... E tenho saudades deles.

(Em eu começando a falar — e escrever à máquina é para mim falar —, custa-me a encontrar o travão. Basta de maçada para si, Casais Monteiro! Vou entrar na génese dos meus heterónimos literários, que é, afinal, o que V. quer saber. Em todo o caso, o que vai dito acima dá-lhe a história da mãe que os deu à luz).

Aí por 1912, salvo erro (que nunca pode ser grande), veio-me à ideia escrever uns poemas de índole pagã. Esbocei umas coisas em verso irregular (não no estilo Álvaro de Campos, mas num estilo de meia regularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo. (Tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis).

Ano e meio, ou dois anos depois, lembrei-me um dia de fazer uma partida ao Sá-Carneiro — de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira — foi em 8 de Março de 1914 — acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive. E tanto assim que, escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio, também, os seis poemas que constituem a Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente... Foi o regresso de Fernando Pessoa Alberto Caeiro a Fernando Pessoa ele só. Ou, melhor, foi a reacção de Fernando Pessoa contra a sua inexistência como Alberto Caeiro.

Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir — instintiva e subconscientemente — uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura já o via. E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro de Campos — a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.

Criei, então, uma coterie inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influências, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discussões e as divergências de critérios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve. Parece que tudo se passou independentemente de mim. E parece que assim ainda se passa. Se algum dia eu puder publicar a discussão estética entre Ricardo Reis e Álvaro de Campos, verá como eles são diferentes, e como eu não sou nada na matéria.

Quando foi da publicação de «Orpheu», foi preciso, à última hora, arranjar qualquer coisa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema «antigo» do Álvaro de Campos — um poema de como o Álvaro de Campos seria antes de ter conhecido Caeiro e ter caído sob a sua influência. E assim fiz o Opiário, em que tentei dar todas as tendências latentes do Álvaro de Campos, conforme haviam de ser depois reveladas, mas sem haver ainda qualquer traço de contacto com o seu mestre Caeiro. Foi dos poemas que tenho escrito, o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de despersonalização que tive que desenvolver. Mas, enfim, creio que não saiu mau, e que dá o Álvaro em botão...

Creio que lhe expliquei a origem dos meus heterónimos. Se há porém qualquer ponto em que precisa de um esclarecimento mais lúcido — estou escrevendo depressa, e quando escrevo depressa não sou muito lúcido — , diga, que de bom grado lho darei. E, é verdade, um complemento verdadeiro e histérico: ao escrever certos passos das Notas para recordação do meu Mestre Caeiro, do Álvaro de Campos, tenho chorado lágrimas verdadeiras. É para que saiba com quem está lidando, meu caro Casais Monteiro!

Mais uns apontamentos nesta matéria... Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Alvaro de Campos. Construi-lhes as idades e as vidas. Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1.30 da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe, é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inactividade. Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil como era. Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mas seco. Álvaro de Campos é alto (1,75 m de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara rapada todos — o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; Reis de um vago moreno mate; Campos entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo. Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma — só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico; vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria. Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre.

Como escrevo em nome desses três?... Caeiro por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular que iria escrever. Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstracta, que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. (O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas coisas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de ténue à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual; ao passo que Caeiro escrevia mal o português, Campos razoavelmente mas com lapsos como dizer «eu próprio» em vez de «eu mesmo», etc., Reis melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado. O difícil para mim é escrever a prosa de Reis — ainda inédita — ou de Campos. A simulação é mais fácil, até porque é mais espontânea, em verso).

Nesta altura estará o Casais Monteiro pensando que má sorte o fez cair, por leitura, em meio de um manicómio. Em todo o caso, o pior de tudo isto é a incoerência com que o tenho escrito. Repito, porém: escrevo como se estivesse falando consigo, para que possa escrever imediatamente. Não sendo assim, passariam meses sem eu conseguir escrever

•  Outras Palavras
    Carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro
    In Fernando Pessoa, Obra Poética e em Prosa
    
Edição de  António Quadros
    Lello & Irmão, Porto, 1986

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