domingo, 23 de março de 2014

WILLIAM SHAKESPEARE..

Lua cheia: UNIVERSO

Aprendi que Amores eternos podem acabar em uma noite.
Que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos.
Que o amor sozinho não tem a força que imaginei.
Que ouvir os outros é o melhor remédio e o pior veneno. 
Que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal, gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos. 
Que os poucos amigos que te apóiam na queda, são muito mais fortes do que os muitos que te empurram.
Que o "nunca mais" nunca se cumpre, que o "para sempre" sempre acaba.
Que minha família com suas mil diferenças, está sempre aqui quando eu preciso.
Que ainda não inventaram nada melhor do que colo de Mãe desde que o mundo é mundo.
Que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo.
Que vou cair e levantar milhões de vezes, e ainda não vou ter aprendido TUDO." 
Estamos aqui de passagem.. 

William Shakespeare

TEXTO: INTERNET  -  FOTO: UNIVERSO

quinta-feira, 20 de março de 2014

Lua Transbordante em Belo Horizonte - Para a mineirada matar a saudade da terra

Surgiu nas montanhas atrás das antenas de transmissão de rádios, tv e telefonia, na Serra do Curral em Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil

Veio até minha janela, e pediu para ser fotografada. As antenas estão defronte da lua

     Fez pose, estava iluminada, inspirada, romântica e disse-me que estava cheia de vida e paz.

Agradeceu as fotos e deu um até breve

Fotos: Universo - da janela de minha casa.

domingo, 16 de março de 2014

Recebendo o Pepê para um momento gastrô

Recebemos o amigo Paulo Roberto - PEPÊ - nosso guru para assuntos imobiliários e pesquisa sobre assuntos do desconhecido.

Almoço tranquilo de horas de papo bom, sem pressa, momentos de alegria e descontração. 


Eu - Wal e Pepê

 

 Entrada - Bruschetta de pão ciabatta, queijo minas meia cura, filé de anchova, azeitona preta, tomatino salteado com ervas e orégano. Na foto estão antes de voltar ao forno para derreter o queijo.


 Flores Capuchinha para o Purê de Peras

 

 Camarões para o Risoto de camarão e queijo gorgonzola

 
 Risoto de camarão com queijo roquefort e Purê de pera com Capuchinha e camarão grelhado e ervas de Provence.

A sobremesa - filés de manga grelhados, temperados com pitadas de curry e canela em pó, flambados no licor de laranja. Servidos com sorvete de creme.
A gula foi tanta que a foto fica para a próxima.

Fotos: Universo e "SOIZA"
Preparo do pratos: UNIVERSO
Preparo da Ciabatta: WALCIRA
A brusquetta foi adaptada de receita do Chefe Ton Vasconcelos do restaurante From The Galley na cidade de São Paulo

Flora Maria - Juliana Soares



Flora Maria

Obrigada por ter entrado literalmente em meu caminho, Flora Maria. Obrigada por ser esse anjo, essa companheira de tantos anos. Flora Cinderela. Minha pequena preta que agora é grisalha, que me seguiu meio mundo, viajou de mochila, sempre pronta para comer uma guloseima, saborear a vida e até entrar em museu. 
Temos uma longa história de vida juntas.
Minha gratidão e' infinita pela sua imensa luz e bondade.
Espero retribuir a cada dia o amor e dedicação incondicional que me dedica. Sua paciência em esperar, sua companhia nos momentos difíceis quando perdi um amor, um amigo, de uma saudade sem fim, das vezes que fiquei doente e você esteve sentadinha ao meu lado e me fez sair de momentos tão difíceis, das nossas mudanças, do m
eu repouso a espera de Matteo, da sua presença sem invadir os momentos de cuidado com ele. Você, minha fiel amiga, nunca me deixou. 
Aceitou um "pai" que te escolhi e também o dedica atenção e carinho. Recebeu o Matteo sem ciúmes e aceitou dividir espaço com ele.
Nesses 14 anos passei a contar sua idade sempre um ano a menos na esperança de ter eternamente ao meu lado.
Mas a idade chega para você também. Estamos envelhecendo juntas. Só que o tempo corre mais rápido para você. E daria tudo para poder parar esse relógio...no meu infinito egoísmo não quero ver que já não consegue correr como antes, seu cansaço...não quero admitir que você pode ir embora antes de mim.
Quero continuar te dando boa noite por muito tempo e brincar no seu ritmo. Mas, acima de tudo, quero que não sofra.
Minha lady Flora, minha amada filha de quatro patas, preciso aprender e aceitar seu tempo. Mas a vida será muito ruim sem a sua doçura e seu olhar.
Te quero com todo o amor do meu coração. E estarei ao seu lado todos os dias para tudo que for necessário para que se lembre de mim como penso em você.
Com certeza minha vida se divide antes e depois de Flora, essa flor das nossas vidas.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Chá da tarde com Florbela Espanca - Uma homenagem ao dia do poeta

No dia do poeta, presto uma homenagem a todas as amigas, amigos, leitores e seguidores do BLOG DO UNIVERSO, que apreciam a poesia. 


FLORBELA ESPANCA

Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


Nunca fui como todos

Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...

Aos olhos dele

Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa;
Pelo azul do ar. E assim fugiram
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda a gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!


Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem 

Quem sou? um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo...um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou?Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro...
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...

Sem remédio 

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

Alma perdida

Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou!

Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...

Amiga

Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor
A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha magoa e dor
O que me importa a mim? O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beijá-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascessemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!

Teus olhos 

Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesouros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.
Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!
Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas...
Enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha... catedrais eternas...
Berço vindo do Céu à minha porta...
Ó meu leito de núpcias irreais!...
Meu sumptuoso túmulo de morta!...

Saudades

Saudades! Sim... Talvez... e porque não?... Se o nosso sonho foi tão alto e forte. Que bem pensara vê-lo até à morte. Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte. Deve-nos ser sagrado como o pão! Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar. Mais a saudade andasse presa a mim!


Eu ...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Lágrimas Ocultas 

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que rí e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi outras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

A Vida 

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo" Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!

Fotos: Internet - Poemas: Revista Bula

quinta-feira, 13 de março de 2014

Chá da tarde com Vinicius de Moraes


Vinicius de Moraes

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Pátria Minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu…

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda…
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão…
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
“Pátria minha, saudades de quem te ama…
 Vinicius de Moraes.”

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Soneto de Contrição

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.

Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.

Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma…

E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.

Não Comerei da Alface a Verde Pétala

Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem maior aprouver fazer dieta.

Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro: deem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.

A Rosa de Hiroxima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida.
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Soneto de Devoção

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.

Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez… — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Receita de Mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

Fotos: INTERNET - POEMAS: REVISTA BULA

Carta do marido

Foto:  Strikingmom.blogspot.com - Reprodução


Querida, está tudo em ordem durante sua ausência. Aquela senhora que você contratou para cuidar da casa durante a sua viajem ficou doente e não pode vir, mas estou me virando bem. Estou preparando meu próprio jantar. Só não estou limpando a casa nem lavando a roupa suja. Está dando tudo certo. Ontem fiz batata frita. Ficou bom. Era preciso descascar a batata? A panela de pressão ficou bem suja, aí a deixei de molho no sabão em pó com um pouco de WD. Quanto tempo precisa pra cozinhar ovos? Já deixei eles fervendo por duas horas, mas ficaram duros que nem pedra.. Da próxima vez, vou deixar menos tempo.

Ontem tive um contratempo cozinhando as ervilhas. Coloquei a lata no microondas e ele explodiu. Acho que tinha que abrir a lata, né? Mas hoje vou fazer um macarrão, que é bem mais fácil. Até já deixei ele de molho na água fria, pra cozinhar mais rápido, já que o micro-ondas quebrou. Já aconteceu contigo de a louça suja criar mofo? Como é possível isso acontecer em tão pouco tempo? Aliás, atrás da pia tem de tudo que é bicho, daqui a pouco vai dar pra fazer um documentário e vender pro Nacional Geografic. hehehehe, brincadeirinha!!!

No domingo eu emporcalhei o tapete persa com molho de tomate e mostarda do cachorro quente. Você sempre me dizia que mancha de molho de tomate não sai. Passei um pouco de gasolina que tirei do carro, e a mancha saiu. Ficou meio branco no lugar, mas arrastei o sofá em cima da mancha e nem dá pra perceber. Até você voltar, o cheiro deverá desaparecer.A geladeira estava criando muito gelo, então tive que fazer um defrost nela. O gelo sai fácil se você raspar ele com uma espátula de pedreiro! Ficou ótimo, foi fácil e rápido, agora a geladeira está gelando bem pouco, acho que vai demorar bastante pra juntar gelo de novo.

No mais, na última quinta-feira quando sai para o trabalho acho que me esqueci de trancar a porta. Alguém deve ter entrado no nosso apartamento porque estão faltando alguns objetos, inclusive aquele vaso de marfim que seu bisavô trouxe da África. Mas como você sempre diz o dinheiro não traz felicidade, e tudo que é material é efêmero. O seu guarda-roupa também está meio vazio, mas acho que não devem ter levado muita coisa, afinal você sempre diz que nunca tem nada pra vestir.

Ah, também não achei seus sapatos. Sei que está pensando nas suas plantas, mas eu estou molhando elas direitinho. Até fervi a água ontem, pois estava muito frio e achei que não ia fazer bem molhar elas com água fria.Beijos mil, com muito carinho, do seu querido Afonso.

PS: Sua mãe deu uma passada aqui pra ver como estavam as coisas. Ela entrou e começou a gritar, e daí sofreu um infarto. O velório foi ontem à tarde, mas preferi não te contar pra não te aborrecer à toa. Volte logo, estou com saudades....

DICA da amiga Glaucia Cintra, de Belo Horizonte

" Revolução da Alma“ - Aristóteles - 360 AC

Foto: INTERNET

Aristóteles, filósofo grego, escreveu este texto " Revolução da Alma“ no ano 360 A.C. e é eterno.

Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.
A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida, quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você.
Não coloque objetivo longe demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo(a), e seja seu melhor amigo(a) sempre.
Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor.
Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo, que está "pronto" para ser feliz.
Trabalhe, trabalhe muito a seu favor.
Pare de esperar a felicidade sem esforços.
Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.
Critique menos, trabalhe mais.
E, não se esqueça nunca de agradecer.
Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor.
Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida.
"A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las."

Dica de Eric Cohen - Professor na empresa FCA - UNICAMP

Invocação Wicca para a Lua - José Antônio Abreu de Oliveira


Foto:UNIVERSO 
  Lua cheia espiando a minha janela - Belo Horizonte - Minas Gerais- Brasil.

Ontem, quando reparei nas montanhas dela.

Eu bebia um suco de pêssego, numa taça, e me imaginei um bruxo, invocando os eflúvios lunares para dentro do recipiente. E recitei :

Ó pregnante, orvalhada Lua a navegar pelos céus, 
Que brilha para todos, 
Que fui através de todos,
Luz do mundo.
Donzela, Mãe, Anciã, 
Ser criativo, Ser refrescante
Isis, Astartéia, Cibele
kore, Ceridwen, Levanah 
Luna, Maria, Ana 
Riannon, Selene, Deméter, Mab 
Olhe com nossos olhos, ouça com nossos ouvidos, 
Toque com nossas mãos, respire com nossas narinas, 
Beije com nossos lábios, abra nossos corações, 
Toque-nos, Transforme-nos, Faça-nos um todo.

É uma invocação Wicca. Mas depois me lembrei que não tinha um chapéu, daí não adiantou nada! E eu nem acredito em nada disso, mas que é interessante, é!

Minas Enigma - Fernando Sabino

Foto: UNIVERSO - BIRIBIRI - DIAMANTINA - MINAS GERAIS - BRASIL

Se sou mineiro? Bem, é conforme, dona. (Sei lá por que ela está
perguntando?) Sou de Belzonte, uai.

Tudo é conforme. Basta nascer em Minas para ser mineiro? Que diabo é
ser mineiro, afinal? Inglês misturado com oriental? É fumar cigarro de
palha, como o poeta Emílio, de Dores do Indaiá? Autran fuma cachimbo.
Tem até quem fume cigarro americano. (No bairro do Calafate havia uma
fábrica de "Camel".) Em suma: ser mineiro é esperar pela cor da
fumaça. É dormir no chão para não cair da cama. É plantar verde pra
colher maduro. É não meter a mão em cumbuca. Não dar passo maior que
as pernas. Não amarrar cachorro com lingüiça.

Porque mineiro não prega prego sem estopa. Mineiro não dá ponto sem
nó. Mineiro não perde trem.
Mas compra bonde.
Compra. E vende pra paulista.

Evém mineiro. Ele não olha: espia. Não presta atenção: vigia só. Não
conversa: confabula. Não combina: conspira. Não se vinga: espera. Faz
parte do decálogo, que alguém já elaborou. E não enlouquece: piora. Ou
declara, conforme manda a delicadeza. No mais, é confiar desconfiando.
Dois é bom, três é comício. Devagar que eu tenho pressa.

Apólogo mineiro: o boi velho e o boi jovem, no alto do morro — lá
embaixo uma porção de vacas pastando. O boizinho, incontido:
— Vamos descer correndo, correndo e pegar umas dez?
E o boizão, tranqüilamente:
— Não: vamos descer devagar, e pegar todas.
Mais vale um pássaro na mão. A Academia Mineira, há tempos, pagava um
jeton ridículo: duzentos cruzeiros — antigos, é lógico. Um dos
imortais, indignado, discursava o seu protesto:
— Precisamos dar um jeito nisso! Duzentos cruzeiros é uma vergonha! Ou
quinhentos cruzeiros, ou nada!
Ao que um colega prudentemente aparteou:
— Pera lá: ou quinhentos cruzeiros, ou duzentos mesmo.

Quem nasce em Três Corações é tricordiano — haja vista Pelé. Quem
nasce em Barbacena tem de escolher a Maternidade: ou é do Zezinho ou
do Bias. E a Manchester Mineira, terra do Murilo Mendes? O poeta Nava
foi-se embora: "parabéns a Pedro Nava, parabéns a Juiz de Fora".
Itabira, calçada de ferro: não aceitou chamar-se Presidente Vargas,
continuou digna do itabirano Carlos. E Ouro Preto continua digna de
ser vista: ali é a casa do Rodrigo; Renato de Lima, ex-delegado e
pianista amador, pintando junto à Casa dos Contos. Afonso é de
Paracatu. Em Sabará nasceram Lúcia e Aníbal, além de outros ilustres
Machados. Alphonsus, o solitário de Mariana. Os profetas de Congonhas.
A cidade de Tiradentes — o que não tinha barbas. O Aleijadinho não
tinha mãos. São João del Rei, onde nasceu Otto, o que morrerá batendo
papo. Solidário só no câncer? Absolutamente, dona: nas virtudes
também, uai. Haja vista a Tradicional Família Mineira, que Deus a
tenha. As estações de águas: lembrança de São Lourenço, escrito num
copinho. E Lambari, terra de Henriqueta! Monte Santo tem a rua mais
iluminada do mundo. E uma ambulância com sirene, que seu filho
Castejon arranjou. Itaúna fica num quarto andar do Leblon, no
apartamento de Marco Aurélio, o bom. Jeremias, outro bom, mineiro como
Ziraldo. Os bonecos de Borjalo só ganharam boca depois que começaram a
falar. Mineiro por todo lado! O poeta Pellegrino, como psiquiatra, tem
garantida uma numerosa clientela. Amílcar modela Minas em arame. Paulo
encontrou Minas depois que saiu de lá. João Leite levou-a para São
Paulo, Alphonsus para Brasília, Guilhermino para o Sul. João Camilo
ficou. Etiene voltou. Paulo Lima voltou. Iglezias voltou. Jaques
voltou.Figueiró continua, Rubião recomeçou.

Um Estado de nariz imenso, um estado de espírito: um jeito de ser.
Manhoso, ladino, cauteloso, desconfiado — prudência e capitalização.
O guarda-chuva da proteção financeira, não como lema do Banco do
Magalhães mais o Zé Luís, e sim como regra de conduta:
— Meu filho, ouça bem o seu pai: se sair à rua, leve o guarda-chuva,
mas não leve dinheiro. Se levar, não entre em lugar nenhum. Se entrar,
não faça despesas. Se fizer, não puxe a carteira. Se puxar, não pague.
Se pagar, pague somente a sua.

Mas todos os princípios se desmoronam diante de um lombo de porco com
rodelas de limão, tutu de feijão com torresmos, lingüiça frita com
farofa. De sobremesa, goiabada cascão com queijo palmira. Depois,
cafezinho requentado com requeijão. Aceita um pão de queijo? biscoito
polvilho? brevidade? ou quem sabe uma broinha de fubá? Não, dona,
obrigado. As quitandas me apertencem, mas prefiro bolinho de januária,
e pronto: estou sastifeito.

É a hora e a vez de Guimarães Rosa sorrir e dizer pra cumpadre meu
Quelemén: perigoso nada, mira e veja, nas Gerais, essas coisas...
Falar de Minas, trem danado, sô. É falar no mundo misterioso de Lúcio
Cardoso, Cornélio Pena ou Rosário Fusco, no mundo irônico, esquivo ou
pitoresco de Cyro dos Anjos, Oswaldo Alves, Mário Palmério, seus
romancistas. E num mundo de gente, seus personagens, que vão de
Antônio Carlos a Milton Campos, de Bernardes a Juscelino — vasto
mundo! ah, se eu me chamasse Raimundo. Dentro de mim uma corrente de
nomes e evocações antigas, fluindo como o Rio das Velhas no seu leito
de pedras, entre cidades imemoriais. Leopoldina, doce de manga, terra
de meus pais... Prefiro estancá-las no tempo, a exaurir-me em
impressões arrancadas aos pedaços, e que aos poucos descobririam o que
resta de precioso em mim — o mistério da minha terra, desafiando-me
como a esfinge com o seu enigma: decifra-me , ou devoro-te.

Prefiro ser devorado.

Dica da prima Luz e Mar, de Juiz de Fora

Ao cair da tarde dourada - Belo Horizonte - Minas Gerais

Vendo um por do sol que se cria diferente a cada dia. Anexo, irá um apartamento, com janelas voltadas para se assistir a esse espetáculo, de camarote e taça ou copo de qualquer acompanhamento de sua preferência.

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Foto: UNIVERSO

quarta-feira, 12 de março de 2014

O curral de boi pintadinhos - José Antônio Abreu de Oliveira

Foto: UNIVERSO - Boi do Fuxico - Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte
Minas Gerais - Brasil

Ao lado da casa paterna havia um cômodo isolado onde meus pais guardavam livros antigos. E revistas, e caixas vazias, e, vez ou outra, os bois pintadinhos e as mulinhas dos folguedos populares. Chamava-se sub-prefeitura, uma vez que ali fora alugado para ser o prédio daquela administração pública, em uma determinada época, já recuada no tempo. Não existia mais, como tal. Mas o nome ficou, e a placa. A sub-prefeitura foi a minha primeira universidade, que me atraía e fascinava, como depositária de segredos ocultos e tesouros. E onde eu entrava, escondido, surrupiando a chave guardada numa gaveta do escritório de meu pai.

Ali, eu podia ajuntar meus bois imaginários. Os despojos do boi pintadinho e das mulinhas de trapo ganhavam vida. Era meu curral dourado. Onde dava as ordens: -Passa, Mourisco! Avança, Queimado! Tchou, tchou, tchou! Era a hora de levar os animais para as campinas. Ou de pregar a ferradura nas mulas. Cortar as crinas, tirar carrapatos, cuidar das bicheiras. Misturar o sal grosso à ração. Formar a silagem. E fazê-los pular: e como pulavam alto! Mesma coisa com as mulinhas. Essas, sempre com os olhos arregalados, assustadas com meus caprichos, temerosas com os mata-burros inventados, as noites de chuvas e trovões em que fugíamos de perseguidores, a longa caminhada de minha tropa para atravessar os vaus dos rios tenebrosos. Em geral, vau de orelha, que os animais refugavam mesmo sob açoites.

Mas, cansado da vida de tropeiro e de candeeiro, eu subia na velha estante de livros e revistas. Procurava as revistas tipo Fazendeiro Moderno, que traziam fotos de bois. E que me proporcionavam aumentar o gado: nelores, zebus, gir, indo Brasil. Apreciava os bois com corcovas, pareciam mais ferozes, permitiam alucinadas aventuras.

Descia da estante com as revistas, deitava-me sobre os corpos inertes de pano do rebanho, onde encontrava algum conforto, e por ali quase sempre cochilava, entre corcovas e chifres reais e imaginados. Aqueles bonecos, a carcaça preta do touro, os focinhos das mulas recheadas de capim de colchão de alguma maneira me acalentavam, me compreendiam, se ajuntavam ao meu corpo e me abrigavam. E eu saía daquele esconderijo fortalecido. De tal forma, que um dia pude abandoná-lo e procurá-lo no real. As porteiras abertas do mundo, onde guardo as pistas e veredas. Pessoas que amei, que amo e amarei. Bem mais interessante que aqueles tempos de bonecos e panos, mas eles foram essenciais. A fantasia é a oportunidade de simulação. É o rascunho para o que vem depois. Toda realidade é um projeto, que começa na fantasmagoria. Salve a imaginação. Tchou, tchou, tchou, vem cá meu boi.

Dica da Professora, fotógrafa -  Leda Maria Lucas, mineira da gema, radicada em São Paulo 

Publicação autorizada pelo autor do texto - José Antônio Abreu de Oliveira - Cirurgião dentista na cidade de Varre-Sai - RJ.

Enciclopédia do Rádio esportivo Mineiro - Biografia de 382 radialistas

Meu pai, José Céu Azul Soares, fez parte dessa história e está biografado na Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro

 Nair Prata


Maria Cláudia Santos


Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro biografa 382 radialistas
Lançamento será dia 24 de março, 19h, no Mineirão

A história do rádio esportivo de Minas Gerais acaba de ganhar um registro de peso: a Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro, que biografa 382 radialistas de todos os tempos. O livro é fruto de um projeto de pesquisa das jornalistas Nair Prata (UFOP) e Maria Cláudia Santos (Rádio Itatiaia) e contou com a participação de 101 autores, entre professores, pesquisadores, profissionais de mercado e estudantes de graduação e pós-graduação. A obra, publicada pela Editora Insular, tem capa do jornalista e chargista Son Salvador e prefácios do presidente da Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE), Luiz Carlos Gomes e do vice-presidente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão e diretor-presidente da Rede Itatiaia de Rádio, Emanuel Carneiro. O lançamento do livro, aberto ao público, será no dia 24 de março, das 19h às 22h, no Mineirão.

A professora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a jornalista Nair Prata, explica que o trabalho de pesquisa durou três anos e teve o objetivo de realizar um inventário biográfico dos principais profissionais com atuação na editoria de esportes do rádio do Estado. Segundo ela, “o propósito da pesquisa foi contar a história do rádio esportivo mineiro – ou pelo menos parte dela – por meio da trajetória dos profissionais que a construíram”.


A coordenadora de Jornalismo da Rádio Itatiaia, a jornalista Maria Cláudia Santos, lembra que, para ser viabilizado, o projeto buscou parcerias com o mercado, como a AMCE, o Sindicato das Emissoras de Rádio e Televisão de Minas Gerais (SERT-MG), a Multimarcas Consórcios, Minas Arena e Museu Brasileiro do Futebol. Ela explica que, “em momento algum, os patrocinadores fizeram qualquer ingerência no conteúdo da obra ou na escolha dos biografados, mantendo, assim, o produto tal qual foi concebido inicialmente. Cabe ressaltar a importância desta parceria entre academia e mercado, que se mostra profícua quando ambas as partes têm em comum o desejo de produzir e disseminar as pesquisas e o conhecimento”.


As jornalistas organizaram também, em 2012, a Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro, publicada pela Editora Insular, com biografias de 231 radialistas de todos os Estados, trabalho que contou com a participação de 121 autores. A Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro foi um projeto de investigação coletiva do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

A pesquisa para a Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro foi dividida em quatro fases: levantamento dos nomes dos profissionais que já atuaram ou ainda atuam no rádio esportivo mineiro, de setembro/2010 a janeiro/2011; levantamento dos pesquisadores interessados em participar da pesquisa, de fevereiro/2011 a março/2013; coleta de dados e produção dos textos, de março/2011 a dezembro/2013; produção e publicação do livro: a partir de novembro/2013.

Na primeira fase do trabalho, de levantamento dos profissionais que já atuaram ou ainda atuam no rádio esportivo mineiro foram desenvolvidas algumas ações: as autoras entraram em contato com todas as emissoras de rádio de Belo Horizonte que já tiveram ou ainda têm algum tipo de noticiário esportivo e pediram que lhes fosse enviada a relação dos nomes, com possíveis contatos, dos radialistas com passagem pela emissora; entraram em contato com os profissionais mais tradicionais do esporte, do rádio e da comunicação de Minas Gerais e fizeram a eles a seguinte pergunta: quem já trabalhou com rádio esportivo em Minas?;enviaram aos blogs, sites e redes sociais ligados ao rádio e ao esporte um pedido para que as pessoas fizessem listas com nomes de radialistas esportivos; consultaram livros, revistas e sites sobre rádio e esporte em busca de nomes de radialistas; realizaram várias visitas e consultas à AMCE em busca de nomes de radialistas esportivos; com a grande divulgação alcançada pela pesquisa, na mídia, até o encerramento do trabalho ainda chegavam nomes de radialistas para serem incluídos na lista dos biografados; alguns radialistas, ao ficarem sabendo da pesquisa, encontraram em contato com as autoras, se oferecendo para serem biografados.

Essa coleta resultou numa grande profusão de nomes de radialistas enviados por emissoras, torcedores, sites, jornalistas, etc. Algumas rádios, como a Inconfidência e a Itatiaia, por exemplo, enviaram nomes de profissionais que trabalharam na emissora desde a década de 1950. Nenhuma emissora consultada deixou de enviar a relação dos seus radialistas esportivos.Aos poucos, os nomes começaram a se repetir e as organizadoras fecharam a lista inicial em 267 radialistas esportivos para serem biografados. Assim, o planejamento, no começo da pesquisa, foi encerrado a partir da hipótese de que seriam biografados em torno de 250 radialistas esportivos de Minas Gerais.

A professora Nair lembra que, com o passar do tempo e a grande repercussão da pesquisa, no entanto, muitos novos nomes foram sendo agregados a cada dia e, mesmo no fechamento do livro, elas ainda recebiam sugestões para a inclusão de biografias, até mesmo dos próprios radialistas, como um que lhe telefonou e disse: “Eu sou um dos radialistas esportivos mais importantes que Minas Gerais já teve. Fiquei sabendo do livro da senhora e fiquei sabendo também que eu não estou neste livro. Estou à disposição!”.

A jornalista Maria Cláudia conta que até lobby aconteceu para a inclusão de nomes de radialistas na pesquisa. Elas receberam, certa vez, um telefonema de um conhecido, que disse assim: “Fiquei sabendo do seu livro e eu queria ver com você se o meu tio está incluído. Porque se ele não estiver, não vai ser um livro sério. Ele foi o homem mais importante do esporte no rádio de Minas Gerais”. Elas informaram que o tio, já falecido, estava devidamente biografado e até a foto havia sido enviada pela família.

Ao final do trabalho, o número de biografados foi fechado em 382, abrangendo radialistas vivos e falecidos, aposentados e na ativa, jovens e idosos, homens e mulheres, profissionais de microfone e dos bastidores, mas todos eles com uma característica em comum, que foi o norteador da pesquisa: todos com atuação no rádio esportivo de Minas Gerais.

Na segunda fase da pesquisa, de levantamento dos pesquisadores interessados em participar do projeto, as autoras convidaram os professores dos cursos de Comunicação de Belo Horizonte, profissionais de mercado e também estudantes de graduação. Além da Capital, a pesquisa foi realizada também na região dos Inconfidentes e nas cidades de Araxá, Juiz de Fora, Uberaba, Uberlândia e Viçosa, feita por professores e estudantes dessas localidades.

A terceira fase da pesquisa, de coleta de dados e produção de textos, se constituiu na parte mais delicada, trabalhosa e demorada do projeto, segundo a professora Nair. Ela explica que, “apesar de muitos radialistas ainda estarem em atuação no rádio esportivo, o que facilitou os contatos, muitos e muitos outros se encontravam em condições que dificultavam o levantamento de dados, como radialistas falecidos há bastante tempo, radialistas conhecidos apenas pelo apelido ou radialistas que se mudaram de cidade/Estado, sem deixar qualquer referência, entre outras situações”.

A jornalista Maria Cláudia lembra que a localização de alguns radialistas não foi tarefa fácil, pois muitos deles não têm facilidade com a internet e, em alguns casos, nem com o telefone. Assim, certa vez, obtiveram a seguinte informação: “Para se encontrar com este radialista, é só deixar um recado no Café Pérola, pois ele vai lá com frequência”.

Para a coleta dos dados, os pesquisadores usaram vários caminhos, desde os mais tradicionais como a entrevista presencial, entrevista por telefone, e-mail, Facebook, e também a busca por pessoas que, por meio da memória, puderam relatar fatos e passagens acerca da trajetória do biografado.

As pesquisadoras destacam que se trata de uma obra aberta e que o livro é, ainda, uma lista incompleta. Para a professora Nair, “este é o primeiro marco no resgate desses registros”. A jornalista Maria Cláudia completa: “Nossa expectativa é que a lista com os 382 nomes e as próprias biografias sejam reforçadas com a divulgação da pesquisa que publicamos no livro”. Elas lançam um desafio aos pesquisadores de todo o país, para que realizem em seus Estados investigações como esta, de modo que se possa ter, um dia, um registro mais fiel da história do rádio esportivo brasileiro.

O lançamento
Nada melhor do que o Mineirão, maior palco dos esportes do Estado, para lançar a Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro. Os convidados serão recepcionados no Museu Brasileiro do Futebol, que ficará com as portas abertas para visitação. O Museu tem 14 salas interativas que retratam a história do Mineirão e do futebol mineiro, contada por meio de objetos, imagens, paineis e relíquias, como uma catraca original do estádio. “O Mineirão é a segunda casa de muitos radialistas esportivos. Eles passam mais tempo no estádio do que com as famílias, por isso ficamos orgulhosos de receber o lançamento desta importante obra no Museu Brasileiro do Futebol”, afirma o gerente de operações da Minas Arena, Severiano Braga.

Os convidados também poderão fazer uma visita guiada ao Mineirão. De meia em meia hora, serão formados grupos que, acompanhados de monitores bilíngues, irão conhecer os vestiários, camarotes, gramado e sala de aquecimento dos jogadores.

Lista dos 382 radialistas biografados
Abgar Santiago, Adalberto Rigueira, Adamar Gomes, AdelchiZiller, Ademir Cunha, Adilson Bombassaro, Afonso Alberto, Ailton Fonseca, Alair Rodrigues, Alberto Decat, Alberto Rodrigues, Alberto Viana, Aldair Pinto, Alencar da Silveira Júnior, Alfredo Sales, Alisson Ferreira, Almir Roberto, Almir RodriguesAloísio Martins, Altino Alves, Álvaro Celso da Trindade (Babaró),Álvaro Damião, Amarante Ribeiro, Antônio Alves de Faria, Antônio Carlos, Antônio Guilherme da Cunha, Antônio Paulino, Aristóteles Atheniense, Armando Alberto, Artur Moraes, Assad de Almeida, Ataliba Guaritá Neto, Aulus Safar, Ayrton Moreira, Aziz Farid, Bob Faria, Bruno Azevedo, Bruno Marun, CaduDoné, Cardoso Neto, Carlos Alberto (Baiano), Carlos Augusto de Albuquerque, Carlos César Pinguim, Carlos Roberto Ribeiro, Carlos Roberto Sodré, Carlos Sevidanes, Carlos Valadares, Carlyle Guimarães, Celso Martinelli, Celso Squarcio, Cezar Rizzo, Chico Antônio, Chico Maia, Cid Penna, Cláudio Carneiro, Cláudio Luiz Nunes, Cláudio Renault, Cláudio Rezende, Cleto Filho, Cleto Gomes, Cosme Silva, Danielle Rodrigues, Danilo Bahia, David Cabernite, David Ferreira (Duque), Dênio Moreira, Diego Carvalho, Dimara Oliveira, Dirceu Costa Ferreira, Dirceu de Carvalho Buzinare, Dirceu Pereira, DomênicoBhering, Domingos Sávio Baião, Donizete Antônio da Silva, Douglas Xavier, Edison Neptuno, Édson Aquino, Édson Batista, Edson Bruschi, Edson França, Edson Pinheiro, Edson Rocha, Edson Rodrigues, Eduardo Madeira, Eduardo Vilaça, Élio Miranda do Nascimento, Ely Murilo Cláudio, Ely Zico de Freitas, Emanuel Carneiro, Emerson Rodrigues, Emerson Romano, Emir Cordeiro, Enio Lima, Erasmo Ângelo, Esmeraldo Botelho, Euclides dos Santos, Eurico Gade, Eustáquio Néli, Everaldo Melo (Caxinguelê), Fábio Pinel, Fábio Rodrigues, Fábio Vieira, Fabrício Calazans, Fausto Bahia, Felipão, Fernando Alves, Fernando Barroca Marinho, Fernando Luiz Baldioti, Fernando Rocha, Fernando Sasso, Fernando Vannucci, Flávio Anselmo, Flávio Barão, Flávio Carvalho, Flávio Júnior, Fortunato Pinto, Francisco Cícero Ragazzi, Francisco Rezende, GalbaEmílio Lima, Gama, Garcia Júnior, Geraldo Alves Padrão, Geraldo Braga, Geraldo Eustáquio, Geraldo Magela Tavares, Geraldo Maquiné, Geraldo Martins, Gerson Café (Freitas), Gerson Mendes, Gerson Sabino, Getúlio  Neuremberg, Gil Costa, Gilbert de Campos, Gilberto dos Santos, Gilberto Pinheiro (Gil), Gilberto Santana, Gino Beltrão, Giovanni Goulart, Gleno Rocha, Guilherme Gonser, Guilherme Melo, Guilherme Mendes, Guilherme Soares, Guto Rabelo, Hamilton Macedo, Haroldo de Souza, Hélio Aroeira, Hélio Fraga, Hércules Santos, Héverton Guimarães, Hilton Renault, Hugo Aroeira, Hugo Cardoso, Igor Assunção, Ilídio Costa, Inácio Novaes, Ito Abraão, Ivan Costa, Ivanildo Santos, J. Luiz, JacynthoSalviano, Jader de Oliveira, Jaime Júnior, Jaime Martins Filho, Jair Bozza Júnior, Jairo Anatólio Lima, Jairo Augusto, Jairo Estrela, Jairo Taborda, Januário Carneiro, Januário Silvestre, Jayme Rigueira, João Baptista Ardizoni Reis, João Baptista Villalba, João Batista de Oliveira, João Bosco Torres, João Carlos Oliveira, João da Conceição, João Fernando, João Natal, João Siqueira de Souza, João Vitor Xavier, Jonas Conti, Jorge Curi, Jorge Eustáquio Sérvulo, Jorge Kajuru, Jorge Luiz, José Antônio Luiz Filho, José Antonio Valentim, José Augusto Toscano, José Bonifácio da Costa Filho, José CalazansJosé Céu Azul, José Cunha, José de Mattos Coelho, José Geraldo de Moura, José Gonçalves Moreira (Jotinha ), José Herbert, José Jonusan, José Jorge, José Lino Souza Barros, José Luiz Gontijo, José Luiz Lima de Oliveira, José Maria Campos, José Maurício Veiga Lima, José Nardel, José Pedro da Silva (Monkey), José Silvério, Josué da Silveira, Jota Baranda, Jota Cassiano, Jota Junior, Jota Missias, Jota Moreira, Jota Sales, Jovelino Nunes Pinto, Juarez Salles, Juarez Távora Pinto, Jugurta Anatólio Lima, Júlio Batista, Júlio César de Oliveira, Júnior Brasil, Kafunga, Kleber Aleixo, Kleyton Borges, Lázaro Alvisi, Lélio Gustavo, Léo Coutinho, Leonardo Figueiredo, Leonardo Silvestre, Leopoldo Siqueira, Lísio Juscelino Gonzaga (Biju), Lucas Figueiredo, Lucélio Gomes, Luciano Duarte, Lúcio dos Santos, Luís Humberto Lara, Luiz Alberto Coelho Teixeira, Luiz Alberto Tomé, Luiz Antônio Costa, Luiz Augusto Mendonça, Luiz Carlos Alves, Luiz Carlos Gomes, Luiz Chaves, Luiz Cláudio Costa, Luiz Evandro Correa, Luiz Gonzaga Gomes Moreira, Luiz Gonzaga de Oliveira, Luiz Linhares, Luiz Otávio Pena, Marcão (Rodney Marcos Vitor), Marcelo Afonso, Marcelo Bechler Machado, Marcelo Couto, Marcelo Gomes, Marcelo José, Marcelo Machado Silva, Márcio de Freitas, Marcio Doti, Márcio Elias, Márcio Guerra, Marco Antônio Bruck, Marcos Baiano, Marcos Guiotti, Marcos Russo, Marcus Vinicius Papa Lobo, Margarida Magalhães, Mário Alaska, Mário Brito, Mário Helênio, Mário Henrique, Mário Luiz (Sebastião Luiz), Mário Marra, Mário Pataro, Mário Savaget, Marrocos Filho, Mateus Cabral, Maurílio Costa, Maurílio Grillo, Maurílio Cunha, Mauro Batista (Matista), Mauro Neto, Max Chinaiti, Messias José, Michel Ângelo, Milton Colen, Milton Gama, Milton Naves, Moreno Netto, Moura Miranda, Múcio Teixeira, Nair Prata, Nardyello Rocha, Natália de Sá, Nelson Eddy, Ney Lopes, Nilton Gonzaga, Normandes José Moreira, Odilon Araújo, Olímpio Campos (Pinduca), Orlando Augusto, Orlando José, Orlando Moreira, Osmar Xavier, Osvaldo Faria, Osvaldo Reis, Paulo Azeredo, Paulo Celso Rodrigues Ramos, Paulo César Magella, Paulo Marques, Paulo Nunes Vieira, Paulo Roberto Fidélis, Paulo Roberto Pinto Coelho, Paulo Rodrigues, Paulo Santana, Pedro Elias, Pedro Henrique Vieira, Rachid Woner, Rafael Araújo, Ramon Salgado, Régis Souto, Reinaldo, Renato Ribeiro, Ricardo Wagner, Roberto Abras, Roberto Amaral, Roberto Marques, Roberto Rocha, Rodrigo Mineiro, Rodrigo Rocha, Roger Luiz, Rogério Bertho, Rogério Corrêa, Rogério Freitas Muniz, Rogério Silva, Romeu Araújo, Romeu Varzano, Ronan Ramos, Sabino Filho, Samuel Venâncio, Sebastião Remígio, Sérgio Ferrara, Silas Ferreira, Silva Netto, Son Salvador, Sônia Caldas Pessoa, Tancredo Naves, Tânia Mara, Tarcísio Boaventura, Teixeira Neto, Thiago Reis, Tião das Rendas, Toinzé, Tony Copas, Tony José, Tostão, Ulpiano Chaves, Úrsula Nogueira, Valdir Barbosa, Vera Lima, Vicente Gomes, Victor Couri, Vilibaldo Alves, Vitor Nascimento, Wagner Alexandre, Waldir de Castro, Waldir Rodrigues, Walmir Gonçalves de Almeida, Walter Elyzio, Walter Luiz, Wander Santos (Dilson Francisco), Wander Tomaz, Wellington Campos, Wenceslau Resende, William José de Assis, Willian Jorge, Willy Gonser, Wilson José da Silva, Wilson Pedro, XicoSimonini, Zé do Monte, Zezito.

Lista dos 101 autores das biografias
Adriana Bravin, Alessandra Faustino, Aline Aguiar, Allan Almeida, Allãn Passos, Amanda Pereira, Ana Flávia Miranda, Ana Pessoa Santos, André Luís Mapa, André Luiz Silva, André Peixoto, Andreza Gischewski, Ângela de Moura, Bárbara Zdanowsky, Briza Martins, Bruno Torres, Caio Nunes, Camila Freitas, Camila Pravato, Cândida Borges Lemos, Carolina Fernandes, Cíntia Neves, Cíntia Sousa, Cleiton Augusto Soares, Daniel Seabra, Débora Oliveira, Eduardo Almada, Eugene Francklin, Eustáquio Ramos, Fernanda de Paula da Silva, Fernanda Matias,  Fernanda Prata, Flávia Rodrigues, Flaviano da Silva, Guilherme Abreu Guimarães, Gustavo Abreu, Hila Rodrigues, Iromar Pereira Lima (Billy Lima), Jacqueline Apolinário, Jacqueline Moura, Jaqueline Morelo, Jessica Meireles Santana, João Felipe Lolli, Júlia Neves, Juliana Ferreira Melo, Juliana Siqueira Pio, Kátia Pereira, Kelle Lopes, Kíria Ribeiro, Larissa Kümpel, Laura Lana, Leandro Couri, Leo Cunha, Leopoldo Siqueira, Letícia Bessa, Liliane Mendes, Lorena Franco, Luana Aparecida Silva, Luana Viana e Silva, Lucas Ferreira Martin, Luciana Praxedes, Luciano Andrade Ribeiro, Luiz Martini, Luiz Otávio Correa, Maíra Duarte, Marcela dos Santos, Marconi Turci de Lima, Marcos Aurélio Júnior, Marcos Guiotti, Maria Beatriz de Castro, Maria Cláudia Santos, Mariana Goulart Hueb, Maristela Rocha, Maysa Teixeira Souza, Mirna Tônus, Nair Prata, Núbia Maria Silva de Azevedo, Patrícia Alves, Paula Arantes Martins, Paula Miranda, Paula Vieira, Paulo Víctor Gonçalves, Rafael Câmara, Renato Henriques de Faria, Roger Luiz, Samuel Perpétuo, Samuel Santos, Sandra Garcia, Selma Sueli Silva, Sônia Caldas Pessoa, Suzana Rosarantes, Tácito Chimato, Thalita Neves, Thassiana Macedo, Thiago Guimarães Araújo, Vinícius Silveira de Souza, Waldiane de Ávila Fialho, Wanir Campelo, Washington Santana, Yasmim Martins, Yuri Lira.
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SERVIÇO
Lançamento do livro: Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro
Organização do livro: Nair Prata e Maria Cláudia Santos
Capa: Son Salvador
Editora: Insular
Data: 24 de março de 2014 (segunda-feira)
Horário: 19h às 22h
Local: Mineirão
Apoio: Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE), Sindicato das Emissoras de Rádio e Televisão de MG (SERT-MG), Multimarcas Consórcios, Minas Arena e Museu Brasileiro do Futebol
Contatos:
Maria Cláudia Santos: mariaclaudiasantos@yahoo.com.br / (31)9757-8756