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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Motel Paradise - Gisela Rao

Charge Roberto Mangosi
 BLOG MATÉRIA INCÓGNITA


- Oi, eu sou o Adão...
- Adão?
- É, Adão, o Peladão...
- Ah, sei, já ouvi falar...
Eu sou a Eva...
- Minha costela tá doendo...
- Heim?
- Nada não, deixa para lá...
- Bom: vamos começar, né?
- Claro...
O que que eu faço?
- Ele não te ensinou?
- Nem...
- Ah, sei lá...
Eu acho que você põe a mão nesses dois
montinhos bicudos aqui em cima...
- Assim?
- É... Mas pode largar a maçã, se quiser...
- Ah, é, desculpe... Tô um pouco nervoso... E agora?
- Não tenho certeza, mas acho que você gruda o lugar
com que você fala no meu e mete esse negócio
vermelho molão lá dentro...
- Achim?
- Credo! Que bafo de onça...
- Desculpe... Peraí que eu vou mastigar umas pétalas de flor...
Nham, nham, nham... Melhorou?
- Melhorou...
- E agora?
- Sei lá... Tem certeza que Ele
não te disse?
- Disse... Disse que era para
você fazer carinho nesse treco
pendurado aqui que ele cresce...
- Nem morta! Eu tenho nojo...
Além do mais, eu também tenho medo. Sei lá de que
tamanho fica esse bicho...
- Precisa ficar com medo, não... Aposto que é menor
que certas coisinhas que você já viu por aí...
- Tá insinuando o que, heim, moleque?!?
- Tô falando dessa cobra asquerosa que não larga do
teu pé...
- Vai catar coquinho, cabeça de melão...
- Escuta aqui, ô, Maria Costela... Vamos começar
logo o serviço porque eu não tô a fim de agüentar
piripaque de mina fresca.
- Maria Costela é esse buraquinho que você tem aí atrás...
- Vai, abre logo essas pernas...
- Vê lá como fala, heim, Zé Parreira...
- Peraí... Peraí... Ó, o bicho cresceu, viu?
- Olha só... quem diria... E ficou duro pacas...
Ai... E se doer?
- Não dói, não...
- Tá bom, então manda pau...
- Taí, gostei... Vamos chamar o treco pendurado de pau!
- Legal... E ela?
- O buracão?
O buracão a gente chama de caverna peluda...

- Muito romântico...
- Arghhh!!!!
- Que foi?
- Tá tudo melado aí dentro!!!
Não vou meter meu "pau" aí nem que a
vaca tussa...
- Saco!
Vou reclamar com Ele..
Aliás, sabe o que eu acho? Acho que você é um
tremendo gayzão!!!
- Gayzão? Que que é isso?
- É homem que gosta de homem...
- Cadê o outro homem, burra?
- É mesmo, fica difícil ser gay por aqui...
- Nossa! Olha aquilo!!!
- O que?

Clunca!

- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!! Cafajeste!
Doeu viu...
- Relaxa, benzinho...
O pior já passou...
Olha, faz assim: quando eu for para cá,
você vai para lá... Quando eu for pra lá, você vem pra cá...
Tá bom?
- Tá...
- Então, vamos! Um, dois e...

Balança, balança, balança...

- Ai, Adão... Assim tá gostoso...
- Yes! Yes! Yes!
Hei! Para que serve esse negocinho aí em cima do
cavernão peludo?
- Não sei, mexe para ver...

Clica! Clica! Clica!

- Ai, mexe mais...
Não para! Não para! Não para!!!!!!!!!
- Não vo...vo... vo... vou... pa.. pa... pa...rar...
- Aaa...
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
- Ooo...
Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Pausa

- Ai, meu Deus do Céu... O que foi isso?
- Não sei, mas para mim foi bom demais...
Foi bom para você?
- Se foi...
Senti uma coisa estranha...
- Como o que?
Como se estivesse... no PARAÍSO...
- Pode crê!

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A gente se acostuma - Marina Colasanti por Antonio Abujamra





"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma."

MARINA COLASANTI

sábado, 30 de dezembro de 2017

O essencial - Mário de Andrade


 DESFOTOGRAFANDO - UNIVERSO ARTEIRO - ARTE DIGITAL 


“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo
que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"
*Mário de Andrade*

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

GÊMEOS - Uma homenagem a todos os amigos do UNIVERSO e a nós GEMINIANOS



Ah!Geminianos
Tem almas ciganas
De sorriso fácil...
Mas são contraditórios
Num dia amam a vida
Noutro não sabem ao certo
Mas quando amam uma pessoa
Se entregam de jeito único
Querem o bem de todos
Que estão por perto...
Adoram falar, adoram sorrir
Se pudessem conheceriam
Todos os dias um novo lugar
Mas uma coisa é certa
Esses geminianos sabem conquistar

Texto e imagem captado no FB

domingo, 16 de outubro de 2016

LER POESIA É MAIS ÚTIL PARA O CÉREBRO QUE LIVROS DE AUTOAJUDA, DIZEM CIENTISTAS - publicado em literatura por Marcelo Vinicius - OBVIUS MAGAZINE

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William Shakespeare

Você já podia imaginar, mas agora está evidenciado cientificamente: ler poesia pode ser mais eficaz em tratamentos psicológicos do que livros de autoajuda. E mais: textos de escritores clássicos como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, mesmo quando de difícil compreensão, estimulam a atividade cerebral de modo muito mais profundo e duradouro do que textos mais simples e coloquiais.

Um texto já publicado pela agência EFE, mas que poderia ser revisto, afinal estamos comentando sobre a velha história da análise crítica sobre Literatura tida como de qualidade e a Literatura tida como de entretenimento, e mais, auto-ajuda: a leitura de obras clássicas estimula a atividade cerebral e ainda pode ajudar pessoas com problemas emocionais, diz estudo. Ler autores clássicos, como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool.

Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que leram primeiro trechos de textos clássicos e depois essas mesmas passagens traduzidas para a "linguagem coloquial". Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico "Daily Telegraph", mostram que a atividade do cérebro "dispara" quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.

Esses estímulos se mantêm durante um tempo, potencializando a atenção do indivíduo, segundo o estudo, que utilizou textos de autores ingleses como Henry Vaughan, John Donne, Elizabeth Barrett Browning e Philip Larkin.

Os especialistas descobriram que a poesia "é mais útil que os livros de autoajuda", já que afeta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e entendê-los desde outra perspectiva. "A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças", explica o professor David, encarregado de apresentar o estudo.

Após o descobrimento, os especialistas buscam agora compreender como afetaram a atividade cerebral as contínuas revisões de alguns clássicos da literatura para adaptá-los à linguagem atual, caso das obras de Charles Dickens. 

 * Com agência EFE

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Pensamentos de vó. - Denise Almeida e Iasmin Silva.





Foto: UNIVERSO - CHILE - 2016


"Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:
- Querida, venha cá.
Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado.
Tenho umas coisas pra te contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto: - O nome disso não é conselho, isso se chama colaboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões.
E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
Siga sempre seu coração.
Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
Satisfaça seus desejos.
Esse é seu direito e obrigação.
Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim.
Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália.
Cuide bem dos seus dentes.
Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.
Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito...”
"Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível.
Tenha uma vida rica de vida! Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.
Mas tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável.
Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor.
Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!
Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você.
Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão.
É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação.
Leia, pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais.
Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era só isso minha querida.
Agora é a sua vez.
Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?
Isso vale para todos nós, pais, filhos, netos e amigos..."
Dica: Rosemary Campagnuci, uma fraternal amiga de Juiz de Fora

Declaração de Amor - Manoel Bandeira

Na década de 50, eu ia e voltava todos os dias,  nesse bonde para a escola Jardim de Infância Mariano Procópio, em Juiz de Fora. Viagem segura e gratuita.

Talvez, Juiz de Fora, seja a única cidade no mundo que tenha usado os bondes para transporte escolar.

Na época da Ditadura no Brasil, a escola foi demolida e construíram no seu lugar um pesado monumento homenageando os militares.

Mais uma prova de como a educação no Brasil decaiu sob vários aspectos.




Fotos: Mauricioresgatandoopassado.blogspot.com.br

Juiz de Fora! Juiz de Fora!
Guardo entre as minhas recordações
Mais amoráveis, mais repousantes
Tuas manhãs!

Um fundo de chácara na Rua Direita
Coberto de trapuerabas ...
Uma velha jabuticabeira cansa de 
doçura.
Tuas três horas da tarde ...
Tuas noites de cineminha
namoriqueiro ...
Teu lindo parque senhorial mais
Segundo Reinado do que a 
própria Quinta da Boa Vista ...
Teus bondes sem pressa dando voltas
vadias ...

Juiz de Fora! Juiz de Fora!
Tu tão de dentro deste Brasil!
Tão docemente provinciana ...

Primeiro sorriso de Minas Gerais

domingo, 24 de abril de 2016

Ponte que não me leva. Ponte que não me atravessa - Rita Alves

Foto: Internet - desconheço o autor - quem conhecer favor informar para que eu possa dar os merecidos créditos

Ponte que não me leva. Ponte que me atravessa.
Ali, onde os castelos são feitos de sonhos, brumas e beijos. Onde a torre guarda jasmins e girassóis. Onde encontramos a linha do infinito cada vez que nos olhamos.
Reparto o pouco que tenho, multiplico o muito que sinto.
Sou o meu próprio avesso, em que me reconheço. Nele me aprofundo, no espelho que atravessa meu contorno.
Ouço o som das águas que inundam minha alma de navegante.
Divida comigo a dúvida do abrigo.
Aguardo deste lado da margem a embarcação, nela está a outra margem.
Multiplico as searas nas múltiplas colheitas.
Distraída passo pela vida sem ser subtraída. Sou meu próprio tempo.
Sei do imensurável fio que conduz a brevidade do tempo.E no infinito deste momento renasço e morro de contentamento
Trago em mim navios e oceanos. Aguardo o silencio. Com ele o desfolhar das horas.
Meu vazio tem imensidão para acolher o novo e tudo o que colecionei ao longo da vida.Os pássaros que me habitam só voltam pela manhã.
Todos os domingos são parques de diversões. Coro de crianças, sorvetes e pipocas, mesmo quando há silêncio em mim. Sim, passam despercebidos aos nossos olhos os momentos mais importantes da nossa vida. Condenso e fortifico minha transparência. Transpareço minha consistência densa. Vou com o vento, volto miragem.
Penso enquanto vivo, vivo enquanto sonho. Retiro véus e me descubro nuvem.
Vou espalhando pelo caminho um pouco do que procuro. Sei que tenho asas mesmo quando não voo. Exclamo, interrogo, reticente...
Faço dos meus olhos bussola e leme. Trago em mim um pouco de cada coisa que não fui.
Dormi com as estrelas florindo a pele, acordei manhã. Meu deserto instaura em meus olhos alguns oásis. E as sílabas soltas flutuam no tempo, escrevendo um livro de sentenças.
Sentir, olhar, observar. Valem mais do que mil páginas lidas ou mais de mil teses escritas.
No verão, percebo os invernos que há em mim. Enquanto navego pelos icebergs da vida, me inundo de calor e cor.
Carrego dentro de mim pincéis e fogueiras. O doce não retira o amargo da boca.
Viajo e vejo minha paisagem interior. Encontro-me nos menores espaços, onde eu possa voar na imensidão do céu.
Aprecio as nuvens. Chuva? Trago o sol dentro de mim. Um pouco de sol, para que clareie a mente e doure o corpo.
Mesmo se caírem as pétalas, as flores espalharão perfume pelo caminho.
Os pés. São meus pés que me conduzem ao meu próprio UNIVERSO criativo.
Pinto um quadro com as tintas liquefeitas da alma. No mais negro dos céus, brilham as estrelas. Meu verso é o vento que espalha o alfabeto.
Não vou a lugar nenhum que me leve para longe de mim.

Dica do amigo: Eric Cohen - Via FB 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Manoel de Barros - O menino poeta que virou passarinho e voou fora da asa


Manoel Wenceslau Leite de Barros, nasceu em Cuiabá, dia 19 de dezembro de 1916 e faleceu e, Campo Grande, dia 13 de novembro de 2014. Aos 97 anos de idade. Foi um poeta. Deixou uma obra de  33 livros e recebeu 13 muitas premiações.
Escreveu, também, livros de poesias infantis. Dentre suas obras destaco "Livro sobre Nada" (1996) e  "Poesia Completa" (2010).
Carlos Drummond de Andrade o considerou o maior poeta vivo do Brasil.  

Hoje, sua neta em uma rápida entrevista, falou que o "legado da obra de seu avô, era o que ele deixava de mais importante e que com certeza, ele tinha virado um passarinho".

Veja no blog outra postagem que fiz com os 10 melhores poemas de Manoel de Barros.

Acesse: http://juniverso.blogspot.com.br/2014/09/cha-da-tarde-com-manoel-de-barros.html


O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!


Pensamentos e poemas de Manoel de Barros

Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas. E me encantei.

Sou livre para o silêncio das formas e das cores.


Foto: UNIVERSO

Por viver muitos anos dentro do mato

Moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro -
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas
Por igual
como os pássaros enxergam.


No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do quintal : 
Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra dentro.


A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.


Sou hoje um caçador de achadouros da infância. 
Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos.




                                             " A voz de uma passarinho me recita."


Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho
1 abridor de amanhecer 
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios -e 
1 esticador de horizontes




Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas
mais que a dos mísseis.
Tenho em mim
esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância
de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo.




                                                 
                                                     "Poesia é voar fora da asa.

Fotos: UNIVERSO
Pesquisa: Wikipédia - Internet - Jornal Opção - Revista Bula

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Poeta nasce Poeta - Elô Araújo - BLOG SALTO 15 VERMELHO



Certo dia entre um verso e outro
alguém me perguntou:
Como surge um poeta?
E eu, com um sorriso débil respondi:
Poeta nasce poeta!
Se assim não o fosse,
não seria poeta!
Poeta não se fabrica,
Sua faculdade é a vida
seus companheiros são os pássaros,
a brisa, o  vento, as nuvens que chegam a ser de algodão...
O amor, a solidão, o beijo roubado ainda na adolescência,
A face ruborizada, o brilho febril do olhar enamorado.
Poeta simplesmente nasce poeta!
O poeta sorri à toa
Não é necessário um fato extraordinário
para inspirá-lo.
Não, o poeta é inspirado do nascer ao pôr do sol
Por vezes, nem precisa ter sol
Basta ameaçar chuva, que lá está ele divagando,
divagando, divagando...
Entre gotas d´água, arco-íris, relâmpagos e trovões
Ele visualiza potes de ouro e lugares encantado
Ah, o poeta!
O poeta não tem sexo, nem ideologia,,,
Têm inúmeras ideologias e ergue bandeias com paixão
Ser mortal que se imortaliza em versos
Não precisa de rimas, apenas de sonhos
Poeta,  louco e doidivano
Chora e faz chorar, sus-pi-rar...
Vibra emocionado ao concluir um soneto
Orgulha-se ao exibir um cordel
Extasia-se ao tocar as almas com sua poesia
que sem pretensão transborda do mais profundo
do seu ser...
Embriaga-se com as palavras que escorrem pela boca
e encharcam a pele e a mente
Sim, o poeta  não apenas surge,
Poeta nasce sonhando
Poeta nasce poeta!!!

Elô Araújo

domingo, 23 de março de 2014

WILLIAM SHAKESPEARE..

Lua cheia: UNIVERSO

Aprendi que Amores eternos podem acabar em uma noite.
Que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos.
Que o amor sozinho não tem a força que imaginei.
Que ouvir os outros é o melhor remédio e o pior veneno. 
Que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal, gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos. 
Que os poucos amigos que te apóiam na queda, são muito mais fortes do que os muitos que te empurram.
Que o "nunca mais" nunca se cumpre, que o "para sempre" sempre acaba.
Que minha família com suas mil diferenças, está sempre aqui quando eu preciso.
Que ainda não inventaram nada melhor do que colo de Mãe desde que o mundo é mundo.
Que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo.
Que vou cair e levantar milhões de vezes, e ainda não vou ter aprendido TUDO." 
Estamos aqui de passagem.. 

William Shakespeare

TEXTO: INTERNET  -  FOTO: UNIVERSO

quinta-feira, 13 de março de 2014

" Revolução da Alma“ - Aristóteles - 360 AC

Foto: INTERNET

Aristóteles, filósofo grego, escreveu este texto " Revolução da Alma“ no ano 360 A.C. e é eterno.

Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.
A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida, quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você.
Não coloque objetivo longe demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo(a), e seja seu melhor amigo(a) sempre.
Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor.
Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo, que está "pronto" para ser feliz.
Trabalhe, trabalhe muito a seu favor.
Pare de esperar a felicidade sem esforços.
Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.
Critique menos, trabalhe mais.
E, não se esqueça nunca de agradecer.
Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor.
Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida.
"A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las."

Dica de Eric Cohen - Professor na empresa FCA - UNICAMP

Invocação Wicca para a Lua - José Antônio Abreu de Oliveira


Foto:UNIVERSO 
  Lua cheia espiando a minha janela - Belo Horizonte - Minas Gerais- Brasil.

Ontem, quando reparei nas montanhas dela.

Eu bebia um suco de pêssego, numa taça, e me imaginei um bruxo, invocando os eflúvios lunares para dentro do recipiente. E recitei :

Ó pregnante, orvalhada Lua a navegar pelos céus, 
Que brilha para todos, 
Que fui através de todos,
Luz do mundo.
Donzela, Mãe, Anciã, 
Ser criativo, Ser refrescante
Isis, Astartéia, Cibele
kore, Ceridwen, Levanah 
Luna, Maria, Ana 
Riannon, Selene, Deméter, Mab 
Olhe com nossos olhos, ouça com nossos ouvidos, 
Toque com nossas mãos, respire com nossas narinas, 
Beije com nossos lábios, abra nossos corações, 
Toque-nos, Transforme-nos, Faça-nos um todo.

É uma invocação Wicca. Mas depois me lembrei que não tinha um chapéu, daí não adiantou nada! E eu nem acredito em nada disso, mas que é interessante, é!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A Máquina do Mundo - Carlos Drummond de Andrade

Estátua de Carlos Drummond de Andrade - Praia de Copacabana - Rio de Janeiro - Brasil

Foto:Internet - Desconheço o autor. quem souber, favor informar, para os merecidos créditos


E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.


Este poema foi escolhido como o melhor poema brasileiro de todos os tempos por um grupo significativo de escritores e críticos, a pedido do caderno “
MAIS” (edição de 02-01-2000), publicado aos domingos pelo jornal “Folha de São Paulo”. Publicado originalmente no livro “Claro Enigma”, o texto acima foi extraído do livro “Nova Reunião”, José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1985, pág. 300.


Conheça o autor e sua obra visitando "
Biografias". - 
http://www.releituras.com/

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Terra Estrangeira - Dilson Marques - Blog Puro e Sem Gelo

Foto:UNIVERSO - Fernando de Noronha - Brasil


 
Aqui, da Terra Estrangeira, vejo que
Por mais longe que se vá.
  Pouco se anda.
 
Mudam-se os ares
Mas estamos sob o mesmo sol,
Respirando da mesma atmosfera.
 
  Do meio da taba se nota
  Que são os silvícolas
  Outros.
  Mas ainda existem caciques (muitos) e pajés,
  E findaram-se os amenos verdores.

Há amplidão,
Desolação não falta.
Só não há para onde ir.

  E DAÍ? E DAÍ?

Se são tantos e tão longos os caminhos,
Por que sempre levam a lugar nenhum?
Se tão distantes são os pontos,
Por que essa absurda semelhança entre os pólos?

Áspera e árida Terra Estrangeira,
Onde amantes estranhos se tornam,
E famílias (des) fazem sob o cálido manto da hipocrisia,
Enquanto cunhãs se vendem na noite fria
E curumins se corrompem com cola, chás e pastas...

Os caciques porém, se refestelam com finos licores,
O malte d’além mar, substitui o cuçumã
Da aldeia.
  E DAÍ? E DAÍ?

Se para isso se criaram os silvícolas,
Macho e fêmea, homem e mulher,
Para baticuns e a luxúria de tuxauas e pajés,
Para que cedam as costas às cargas e aos prazeres
De pequenos e obscenos deuses,
De imerecidos totens,
De imorredouros tabus.
  E DAÍ? E DAÍ?

Se ainda existe aurora e ocaso,
Se a matéria de que fomos feitos
Sempre se amolda e jamais
Acaba.
Se cada golpe é respondido com
A sabedoria do silencio, que a tudo acata
Que a todos repudia e denuncia.
 


  Não importa para onde vão,
  Não importa quando chegarão,
  Não importa quão selvagens e opressivos
  Tenham sido pajés, caciques ou guerreiros.
 
Ainda assim nos moveremos  em torno do sol.
E, nas noites frias, cunhãs corromperão seus
Corpos.

  Mas a alma guerreira permanece...



Dilson Marques - 53 anos - Publicitário, redator, escritor, coordenador de campanhas políticas, gerente comercial de tv e chato de carterinha - Autor do Blog Puro e Sem Gelo - Carioca que reside em Manaus - Amazonas - Brasil