terça-feira, 13 de maio de 2014

Prato do dia - Gaspacho de Melão, queijo de cabra recheado com presunto cru


Receita do chef Bruno Cabral, do restaurante DONOSTIA, de São Paulo

Fácil preparo, tempo de preparo: até 30 minutos, serve 4 pessoas

INGREDIENTES

1/2 unidade de melão amarelo (Redinha)
1 unidade de queijo de cabra tipo Boursin
1 fatia de presunto cru (Jamón Serrano)
1 unidade de limão
1 colher (café) de açúcar
1 unidade de ovo
1 colher (sopa) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de farinha de rosca

PREPARO

Tire as sementes e a casca do melão
Corte em pedaços grandes e bata no liquidificador com o açúcar, a raspa da casca de limão
Reserve na geladeira
Corte a fatia do presunto cru em tiras finas e misture com o queijo de cabra
Faça bolinhas com essa mistura e empane - farinha trigo - ovo - farinha de rosca
Espete as bolinhas em um palito, simulando um pirulito
Frite o "pirulito" de queijo de cabra e presunto cru
Sirva o gaspacho numa taça ou prato e ponha pirulito frito enfeitando.

DICAS: 

Preparei a receita para 2 pessoas com meia metade de melão, 1 queijo e 2 fatias de presunto cru.

Ralei a casca de metade de 1 limão

Acrescentei 5 folhas de hortelã picadinhas

Fiz duas bolas maiores de queijo com o presunto e espetei em um pauzinho para churrasquinho.

Como não tinha farinha de rosca, empanei a bola de queijo na farinha de trigo - ovo - farinha de trigo e fritei no azeite. 

O resultado pode ser visto na foto acima

Os ingredientes são encontrados em supermercados.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Almoço para a mãe Walcira

Levar a mãe e a família para comer fora, uma pizza ou um churrascão, no dias das mães, é o maior castigo que se pode dar a uma mãe.

Pior do que isso, é dar a ela um fogão de presente e deixar ela ralar na cozinha para fazer um almoço para o familião todo reunido, logo no "DIA DAS MÃES".

Prefiro fazer um almoço em casa, é mais tranquilo, você não precisa deixar de beber, não há preocupação com táxi, trânsito, estacionamento, manobrista, fila de espera e muitas vezes, receber um péssimo atendimento, uma comida "corrida" e pagar muito caro

Assim sendo, preparei uma almoço para a Wal, em comemoração ao dias das mães, já que nossos filhos vivem em outras longínquas paragens.

Firmamos ponto e iniciamos os trabalhos com um espumante nacional brut. Há ótimos espumantes e com um custo benefício excelente. Hoje, os espumantes nacionais substituem e muito bem, champanhes , proseccos e cavas.

Para forrar o estômago, fiz um Creme de Shitake com azeitona preta portuguesa e uma pasta bem cremosa de Ricota. Todos esses ingredientes são encontrados em supermercados. 




Pasta de shitake a caminho de uma degustação



Pãozinho para canapés, para a pasta de Shitake, comprado em padaria, e reavivado ao forno.

Para que ele fique crocante e mais moreninho, dei uma borrifada com água e levei ao forno quente, deixei até que ficasse no ponto.

Essa dica serve também para qualquer tipo de pão que não esteja muito fresco.



Entrada: Gaspacho de Melão com queijo de cabra recheado com presunto cru e empanado.

Prato de sabor incrível e que deve ser degustado lentamente, sentindo todas as nuances dos sabores entre o gaspacho de melão, com hortelã e raspas de limão, o queijo de cabra empanado e recheado com o presunto cru.

Fácil de fazer, rápido e saboroso.



Prato principal: Filé e Risoto ao champanhe com pera ao curry e canela 



Sobremesa: Iogurte sabor de nata, batido e geléia Dalfour de Fraise (morango)

Preparo dos pratos e fotos: UNIVERSO 

Prato do dia: Receita de Gaspacho de Abacate com vinagrete de tomatinhos picantes

 
Preparo do prato e foto: UNIVERSO

Ingredientes

1 unidade de abacate
1 unidade de pepino japonês
1 talo de salsão
1/2 pitada de pimenta jalapeño ou outra, fresca (opcional)
200 ml de iogurte natural
3 colheres (sopa) de azeite
Suco de 1/2 unidade de limão 
12 unidade de tomate sweet grape ou tomate orgânico picado
1/2 xícara folhas de hortelã
Coentro a gosto
Sal a gosto

Preparo

Bater o abacate com o iogurte, o azeite, o sal, a hortelã e o suco de limão até formar um creme
Reservar na geladeira
Picar os legumes e fazer um vinagrete com o pepino, o salsão, a pimenta, o tomate, o azeite e o sal
Sirva o creme gelado com o vinagrete em cima e regue com um fio de azeite
Finalize com o coentro

Receita de fácil preparo, gasta-se cerca de 30 minutos para preparar, serve 4 pessoas 

Receita da chef Flávia Mariotto, da Mercearia do Conde em São Paulo

domingo, 11 de maio de 2014

Mãe, o melhor emprego do mundo

Para você que valoriza sua mãe. 
Para você que não valoriza sua mãe.
Para você que ainda não entendeu a importância de uma mãe.
Para você que vai ser mãe.
Para você que já é mãe.
Para você que tem sua mãe viva.
Para você que não tem mais sua mãe viva.

Assista ao vídeo e reflita.

Mãe, é como gritou o garoto ao ver que só tinha uma Coca-Cola na geladeira :

"MÃE, SÓ TEM UMA" !!!

Então, meu amigo. ENJOY !!!!


Vídeo enviado pela amigo João Rodrigues Costa Filho, do Rio de Janeiro

sábado, 10 de maio de 2014

One art - Elizabeth Bishop - Uma certa arte - tradução de Nelson Ascher



Elizabeth Bishop - Foto: Internet
One art – Elizabeth Bishop
The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother’s watch. And look! my last,
or next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.
Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Uma certa arte – Elizabeth Bishop (tradução de Nelson Ascher)

A arte da perda é fácil de estudar:
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.
Perde algo a cada dia. Deixa estar:
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.
Perde-se mais e melhor. Nome ou lugar,
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.
Perdi o relógio de mamãe. E um lar
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.
Duas cidades lindas. Mais: um par
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.
Mesmo perder-te (a voz jocosa, um ar
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.

(Elizabeth Bishop)

(Do livro ASCHER, Nelson. Poesia alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998.)

Dica do "brimo" Luiz Edmundo Germano de Alvarenga, do Rio de Janeiro

A Primavera está no ar... é tempo para mudar - Don Percy

Para mim, esse vídeo, é um dos melhores que já vi. 

Recomendo. 

Veja e reflita


Dica da "brima" e amiga Luciane, de Curitiba

Vídeo: YouTube

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Mãe (Desnecessária) - Márcia Neder

Foto: Blog As Palavras

A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha. 
Até agora. Agora, quando minha filha de quase 18 anos começa a dar vôos-solo.
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária. 
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. 
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

"Dê a quem você Ama : 
- Asas para voar... 
- Raízes para voltar... - Motivos para ficar... " - Dalai Lama

Texto captado no FB de Fran Xavier

A morte é um dia que vale a pena viver - Ana Claudia Quintana Arantes

Assista ao vídeo em que Ana Quintana Arantes, demonstra de forma clara, tranquila toda a sua capacidade de amar e de se dedicar ao próximo que está doente e desenganado. Ela faz o resgate da vida e ajuda seus pacientes de uma maneira digna, a se prepararem para os acertos necessários em suas vidas.
Isso é ser MÉDICA, ser HUMANA, ser CONSCIENTE. 

Por um lado, aliviar a dor e o sofrimento de doentes e familiares. Por outro, resgatar a biografia de pacientes. 

Esse é o exercício diário de Ana Claudia Quintana Arantes, médica formada pela FMUSP e especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford, além de pós graduada em Intervenções em Luto.

Foi a responsável pela implantação das políticas assistenciais de Avaliação da Dor e de Cuidados Paliativos do Hospital Israelita Albert Einstein e é sócia fundadora da Associação Casa do Cuidar.

Atualmente trabalha em consultório e como médica assistente do Hospice do Hospital da Clinicas da FMUSP, na Unidade Jaçanã.



Vídeo e texto em azul: YouTube

Dica da prima IVANIR VIEIRA MENDES, de Juiz de Fora

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Trivial para receber os amigos Serretti

Aproveitando a visita do Sérgio a Belo Horizonte, recebemos os amigos da família Serretti, Lucia, Claudia, Sérgio, Max e Brenninho para um momento super agradável de comes e bebes. Preparamos um cardápio trivialzinho para o regabofe.
Obrigado amigos, pela visita, e pelo privilégio de poder ter a amizade de vocês.

 Brusquetta de queijo brie, com presunto cru e figo ao mel

 Umedecemos a conversa com um Prosecco para limpar a serpentina, e depois secamos um Bordeaux DOC e encerramos o assunto com  um Cabernet Sauvignon Gran Reserva chileno

 Entrada - Gaspacho de abacate com salsão, tomatinho e pepino

 Primeiro prato - Purê de pera com Capuchinha e costelinha de porco desfiada e Flor de Coentro


 Segundo prato - Risoto de Mascarpone com Ossobuco desfiado ao vinho tinto

No entremeio do primeiro e segundo prato, preparei e servi um Sorbet de Limão Siciliano, para preparar as papilas.

Sobremesa - Profiteroles com cobertura de chocolate meio amargo 70% de cacau e sorvete de creme, preparados pela Walcira.

As fotos foram tiradas pelo Sérgio Serretti.

Seio de Virgem - Álvares de Azevedo

 
Foto -  Internet - 

O que eu sonho noite e dia,
O que me dá poesia
E me torna a vida bela,
O que num brando roçar
Faz meu peito se agitar,
E' o teu seio, donzela!
Oh! quem pintara, o cetim
Desses limões de marfim,
Os leves cerúleos veios,
Na brancura deslumbrante
E o tremido de teus seios!
Quando os vejo, de paixão
Sinto pruridos na mão
De os apalpar e conter...
Sorriste do meu desejo?
Loucura! bastava um beijo
Para neles se morrer!
Minhas ternuras, donzela,
Votei-as à forma bela
Daqueles frutos de neve...
Aí duas cândidas flores
Que o pressentir dos amores
Faz palpitarem de leve.
Mimosos seios, mimosos,
Que dizem voluptuosos:
"Amai-nos, poetas, amai!
"Que misteriosas venturas
"Dormem nessas rosas puras
E se acordarão num ai!"
Que lírio, que nívea rosa,
Ou camélia cetinosa
Tem uma brancura assim?
Que flor da terra ou do céu,
Que valha do seio teu
Esse morango ou rubim?
Quantos encantos sonhados
Sinto estremecer velados
Por teu cândido vestido!
Sem ver teu seio, donzela,
Suas delícias revela
O poeta embevecido!
Donzela, feliz do amante
Que teu seio palpitante
Seio d'esposa fizer!
Que dessa forma tão pura
Fizer com mais formosura
Seio de bela mulher!
Feliz de mim... porém não!... 
Repouse teu coração
Da pureza no rosal!
Tenho eu no peito uma aroma
Que valha a rosa que assoma
No teu seio virginal?...

Manuel Antônio Álvares de Azevedo (São Paulo, 12 de setembro de 1831- Rio de Janeiro, 25 de abril de 1852) - Além de poeta, foi contista, ensaísta e dramaturgo. Ligado à segunda geração do romantismo, é patrono da cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras. 

BLOG DE RICARDO NOBLAT - http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Uma lição de vida - pessoas que vivem nas ruas, são humanos, você sabia disso?

Assista ao vídeo abaixo e aprenda bem uma boa lição de vida.

Pessoas que vivem nas ruas, trabalhadores que executam tarefas mais simples, pessoas mais simples do que você, não são seres invisíveis e merecem atenção, carinho e respeito.

Respeite as diversidades e trate a todos como você gosta de ser tratatado.

São pessoas com sentimentos, sonhos e não podem ser esquecidas.



DICA do Maurilo Andreas, de Belo Horizonte, amigo da família.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Não te apaixones - Martha Rivera Garrido

 
NAMORADEIRA


Foto:UNIVERSO - Mercado Central de Belo Horizonte - Minas Gerais


Não te apaixones por uma mulher que lê, por uma mulher que tem sentimentos, por uma mulher que escreve...
Não te apaixones por uma mulher culta, maga, delirante, louca. Não te apaixones por uma mulher que pensa, que sabe o que sabe e também sabe voar, uma mulher que confia em si mesma.
Não te apaixones por uma mulher que ri ou chora, que sabe transformar a carne em espírito; e muito menos te apaixones por uma mulher que ama poesia (estas são as mais perigosas), ou que fica meia hora contemplando uma pintura e não é capaz de viver sem música .
Não te apaixones por uma mulher que está interessada em política, que é rebelde e sente um enorme horror pelas injustiças. Não te apaixones por uma mulher que não gosta de assistir televisão. Nem de uma mulher que é bonita, mas, que não se importa com as características de seu rosto e de seu corpo.
Não te apaixones por uma mulher intensa, brincalhona, lúcida e irreverente. Não queiras te apaixonar por uma mulher assim. Porque quando te apaixonares por uma mulher como esta, se ela vai ficar contigo ou não, se ela te ama ou não, de uma mulher assim, jamais conseguirás ficar livre...
Dica da amiga Sonia Nigri, do Rio de janeiro.

Velho é uma conquista. Idoso é uma rendição.- Eliane Brum

Já publiquei outro textos de Elaine Brum aqui no BLOG. Gosto de suas escolhas e de suas palavras.
Vale a pena ler esse texto até o final. Boa leitura.
Eliane Brum - Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada.

Na semana passada, sugeri a uma pessoa próxima que trocasse a palavra “idosas” por “velhas” em um texto. E fui informada de que era impossível, porque as pessoas sobre as quais ela escrevia se recusavam a ser chamadas de “velhas”: só aceitavam ser “idosas”.  Pensei: “roubaram a velhice”.  As palavras escolhidas – e mais ainda as que escapam – dizem muito, como Freud já nos alertou há mais de um século. Se testemunhamos uma epidemia de cirurgias plásticas na tentativa da juventude para sempre (até a morte), é óbvio esperar que a língua seja atingida pela mesma ânsia. Acho que “idoso” é uma palavra “fotoshopada” – ou talvez um lifting completo na palavra “velho”. E saio aqui em defesa do “velho” – a palavra e o ser/estar de um tempo que, se tivermos sorte, chegará para todos.
Desde que a juventude virou não mais uma fase da vida, mas uma vida inteira, temos convivido com essas tentativas de tungar a velhice também no idioma. Vale tudo. Asilo virou casa de repouso, como se isso mudasse o significado do que é estar apartado do mundo. Velhice virou terceira idade e, a pior de todas, “melhor idade”. Tenho anunciado a amigos e familiares que, se alguém me disser, em um futuro não tão distante, que estou na “melhor idade”, vou romper meu pacto pessoal de não violência. O mesmo vale para o primeiro que ousar falar comigo no diminutivo, como se eu tivesse voltado a ser criança. Insuportável.
A velhice é o que é. É o que é para cada um, mas é o que é para todos, também. Ser velho é estar perto da morte. E essa é uma experiência dura, duríssima até, mas também profunda. Negá-la é não só inútil como uma escolha que nos rouba alguma coisa de vital. Semanas atrás, em um programa de TV, o entrevistador me perguntou sobre a morte. E eu disse que queria viver a minha morte. Ele talvez não tenha entendido, porque afirmou: “Você não quer morrer”. E eu insisti na resposta: “Eu quero viver a minha morte”.
Na adolescência, eu acalentava a sincera esperança de que algum vampiro achasse o meu pescoço interessante o suficiente para me garantir a imortalidade. Mas acabei aceitando que vampiros não existem, embora circulem muitos chupadores de sangue por aí. Isso só para dizer que é claro que, se pudesse escolher, eu não morreria. Mas essa é uma obviedade que não nos leva a lugar algum.  Que ninguém quer morrer, todo mundo sabe. Mas negar o inevitável serve apenas para engordar o nosso medo sem que aprendamos nada que valha a pena.
Há uma bela expressão que precisamos resgatar, cujo autor não consegui localizar: “A morte não é o contrário da vida. A morte é o contrário do nascimento. A vida não tem contrários”. A vida, portanto, inclui a morte. Por que falo da morte aqui nesse texto? Porque a mesma lógica que nos roubou a morte sequestrou a velhice. A velhice nos lembra da proximidade do fim, portanto acharam por bem eliminá-la. Numa sociedade em que a juventude é não uma fase da vida, mas um valor, envelhecer é perder valor.  Os eufemismos são a expressão dessa desvalorização na linguagem.A morte tem sido roubada de nós. E tenho tomado providências para que a minha não seja apartada de mim. A vida é incontrolável e posso morrer de repente. Mas há uma chance razoável de que eu morra numa cama e, nesse caso, tudo o que eu espero da medicina é que amenize a minha dor. Cada um sabe do tamanho de sua tragédia, então esse é apenas o meu querer, sem a pretensão de que a minha escolha seja melhor que a dos outros. Mas eu gostaria de estar consciente, sem dor e sem tubos, porque o morrer será minha última experiência vivida. Acharia frustrante perder esse derradeiro conhecimento sobre a existência humana. Minha última chance de ser curiosa.
Não, eu não sou velho. Sou idoso. Não, eu não moro num asilo. Mas numa casa de repouso. Não, eu não estou na velhice. Faço parte da melhor idade. Tenho muito medo dos eufemismos, porque eles soam bem intencionados. São os bonitinhos mas ordinários da língua.  O que fazem é arrancar o conteúdo das letras que expressam a nossa vida. Justo quando as pessoas têm mais experiências e mais o que dizer, a sociedade tenta confiná-las e esvaziá-las também no idioma.
Chamar de idoso aquele que viveu mais é arrancar seus dentes na linguagem. Velho é uma palavra com caninos afiados – idoso é uma palavra banguela. Velho é letra forte. Idoso é fisicamente débil, palavra que diz de um corpo, não de um espírito. Idoso fala de uma condição efêmera, velho reivindica memória acumulada. Idoso pode ser apenas “ido”, aquele que já foi. Velho é – e está.  Alguém vê um Boris Schnaiderman, uma Fernanda Montenegro e até um Fernando Henrique Cardoso como idosos? Ou um Clint Eastwood? Não. Eles são velhos.
Idoso e palavras afins representam a domesticação da velhice pela língua, a domesticação que já se dá no lugar destinado a eles numa sociedade em que, como disse alguém, “nasce-se adolescente e morre-se adolescente”, mesmo que com 90 anos. Idosos são incômodos porque usam fraldas ou precisam de ajuda para andar. Velhos incomodam com suas ideias, mesmo que usem fraldas e precisem de ajuda para andar. Acredita-se que idosos necessitam de recreacionistas. Acredito que velhos desejam as recreacionistas. Idosos morrem de desistência, velhos morrem porque não desistiram de viver.
Basta evocar a literatura para perceber a diferença. Alguém leria um livro chamado “O idoso e o mar”?  Não. Como idoso o pescador não lutaria com aquele peixe. Imagine então essa obra-prima de Guimarães Rosa, do conto “Fita Verde no Cabelo”, submetida ao termo “idoso”: “Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam...”.
Como em 2012 passei a estar mais perto dos 50 do que dos 40, já começo a ouvir sobre mim mesma um outro tipo de bobagem.  O tal do “espírito jovem”. Envelhecer não é fácil. Longe disso. Ainda estou me acostumando a ser chamada de senhora sem olhar para os lados para descobrir com quem estão falando.  Mas se existe algo bom em envelhecer, como já disse em uma coluna anterior, é o “espírito velho”. Esse é grande.
Vem com toda a trajetória e é cumulativo. Sei muito mais do que sabia antes, o que significa que sei muito menos do que achava que sabia aos 20 e aos 30. Sou consciente de que tudo – fama ou fracasso – é efêmero. Me apavoro bem menos. Não embarco em qualquer papinho mole. Me estatelei de cara no chão um número de vezes suficiente para saber que acabo me levantando. Tento conviver bem com as minhas marcas. Conheço cada vez mais os meus limites e tenho me batido para aceitá-los. Continua doendo bastante, mas consigo lidar melhor com as minhas perdas. Troco com mais frequência o drama pelo humor nos comezinhos do cotidiano. Mantenho as memórias que me importam e jogo os entulhos fora. Torço para que as pessoas que amo envelheçam porque elas ficam menos vaidosas e mais divertidas. E espero que tenha tempo para envelhecer muito mais o meu espírito, porque ainda sofro à toa e tenho umas cracas grudadas à minha alma das quais preciso me livrar porque não me pertencem. Espero chegar aos 80 mais interessante, intensa e engraçada do que sou hoje.
Envelhecer o espírito é engrandecê-lo. Alargá-lo com experiências. Apalpar o tamanho cada vez maior do que não sabemos. Só somos sábios na juventude. Como disse Oscar Wilde, “não sou jovem o suficiente para saber tudo”. Na velhice havemos de ser ignorantes, fascinados pelas dimensões cada vez mais superlativas do que desconhecemos e queremos buscar.  É essa a conquista. Espírito jovem? Nem tentem.
Acho que devíamos nos rebelar. E não permitir que nos roubem nem a velhice nem a morte, não deixar que nos reduzam a palavras bobas, à cosmética da linguagem. Nem consentir que calem o que temos a dizer e a viver nessa fase da vida que, se não chegou, ainda chegará. Pode parecer uma besteira, mas eu cometo minha pequena subversão jamais escrevendo a palavra “idoso”, “terceira idade” e afins. Exceto, claro, se for para arrancar seus laços de fita e revelar sua indigência.
Quando chegar a minha hora, por favor, me chamem de velha. Me sentirei honrada com o reconhecimento da minha força. Sei que estou envelhecendo, testemunho essa passagem no meu corpo e, para o futuro, espero contar com um espírito cada vez mais velho para ter a coragem de encerrar minha travessia com a graça de um espanto
Dica da prima Áurea Maranduba, de Juiz de Fora
Eliane Brum, escreve às segundas -  feiras na Revista Época

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Incompetência do IPEA sobre pesquisa - São 26% e não 65% brasileiros que concordam que as mulheres devam ser estupradas por mostrarem o corpo.

MESMO COM O ERRO DO IPEA, 26% DOS BRASILEIROS SÃO A FAVOR DE SE ESTUPRAR MULHERES POR EXIBIREM O CORPO.

ISSO É UMA CRETINICE ABSURDA. NÃO HÁ NADA QUE JUSTIFIQUE ESSE PENSAMENTO E ATITUDE.


Ipea reconhece erro em pesquisa de estupro - 65% era 26%

Instituto reconhece erro na pesquisa que dizia que 65% dos brasileiros concordam que mulheres que mostram corpo merecem ser atacadas. Na verdade, são 26%

Wikicommons
mulher chorando
Sãoi Paulo - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou nota hoje em que reconhece erro na pesquisa “Tolerância social à violência contra as mulheres”, que causou polêmica na semana passada. O número de maior repercussão mostrava que 65% dos brasileiros concordavam com a afirmação "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". Na verdade, o número é de 26%.
Compare a forma como os brasileiros de fato responderam à questão e, em seguida, como ela foi publicada na semana passada:
Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas (em %)
Correto
Discorda totalmenteDiscorda parcialmenteNeutroConcorda parcialmenteConcorda totalmente
58,4%11,6%3,4%12,8%13,2%
Errado
Discorda totalmenteDiscorda parcialmenteNeutroConcorda parcialmenteConcorda totalmente
24%8,4%1,9%22,4%42,7%
O diretor da área de Estudos e Políticas Sociais do instituto, Rafael Osório, pediu exoneração do cargo após o erro ter sido percebido.
Veja a nota do Ipea na íntegra:
"Vimos a público pedir desculpas e corrigir dois erros nos resultados de nossa pesquisa Tolerância social à violência contra as mulheres, divulgada em 27/03/2014. O erro relevante foi causado pela troca dos gráficos relativos aos percentuais das respostas às frases Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar e Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. Entre os 3.810 entrevistados, os percentuais corretos destas duas questões são os seguintes:
Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar (Em %)
Discorda totalmenteDiscorda parcialmenteNeutroConcorda parcialmenteConcorda totalmente
248,41,922,442,7
Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas (Em %)
Discorda totalmenteDiscorda parcialmenteNeutroConcorda parcialmenteConcorda totalmente
58,411,63,412,813,2
Corrigida a troca, constata-se que a concordância parcial ou total foi bem maior com a primeira frase (65%) e bem menor com a segunda (26%). Com a inversão de resultados entre as duas questões, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias.
O outro par de questões cujos resultados foram invertidos refere-se a frases de sentido mais próximo, com percentuais de concordância mais semelhantes e que não geraram tanta surpresa, nem tiveram a mesma repercussão. Desfeita a troca, os resultados corretos são os que seguem. Apresentados à frase O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros, 13,1% dos entrevistados discordaram totalmente, 5,9% discordaram parcialmente, 1,9% ficou neutro (não concordou nem discordou), 31,5% concordaram parcialmente e 47,2% concordaram totalmente. Diante da sentença Em briga de marido e mulher, não se mete a colher, 11,1% discordaram totalmente, 5,3% discordaram parcialmente, 1,4% ficaram neutros, 23,5% concordaram parcialmente e 58,4% concordaram totalmente.
A correção da inversão dos números entre duas das 41 questões da pesquisa enfatizadas acima reduz a dimensão do problema anteriormente diagnosticado no item que mais despertou a atenção da opinião pública. Contudo, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. As conclusões gerais da pesquisa continuam válidas, ensejando o aprofundamento das reflexões e debates da sociedade sobre seus preconceitos. Pedimos desculpas novamente pelos transtornos causados e registramos nossa solidariedade a todos os que se sensibilizaram contra a violência e o preconceito e em defesa da liberdade e da segurança das mulheres.
Rafael Guerreiro Osorio* e Natália Fontoura
Pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc/Ipea) e autores do estudo
* O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea pediu sua exoneração assim que o erro foi detectado."
Já foi no novo site móvel de EXAME.com? Basta digitar exame.com num iPhone, iPad ou Android.

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