segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Carta a Gustavo Teixeira - Pedro Luis de Aguiar

Poesia do amigo Pedro Luis de Aguiar que conquistou  honroso segundo lugar no concurso de poesias criadas, como parte das comemorações da Semana Gustavo Teixeira.


  


Gustavo de Paula Teixeira (São Pedro, 4 de Março de 1881 — São Pedro, 22 de Setembro de 1937) foi um poeta brasileiro, de tendências literárias entre o Parnasianismo e Simbolismo, peculiares as primeiras décadas do Século XX.




PEDRO LUÍS DE AGUIAR


Carta a Gustavo Teixeira

Caro Gustavo, inda que não me conheça, tomei a liberdade
 de a você escrever, para satisfazer uma grande curiosidade,
 que hoje, mais do que nunca, me deixa bastante intrigado.

Como você, em época tão distante, quase uma eternidade,
 uma obra tão densa e profunda, de gerar teve capacidade?
 Você deixa, na arte da poesia, um admirador extasiado.

Como se inspirar? Pesquisar? A muitos temas dar propriedade?
 Ritmos, métricas, rimas, sonoridade, tonicidade, musicalidade?
 Lugares e pessoas, flores e amores, um vocabulário rebuscado?

A luz que o inspirou, só pode ter vindo do amor, celestialidade.
 Para na terra se materializar, em forma de poesia, em verdade.
 Do Velho ao Novo testamento, do fato presente ao passado.

Ah! Mulheres, rosas, casa paterna. Sentimentos de saudade.
 A embalar corações, a estimular mentes. Poesia e realidade.
 Versos e emoções. Frases e razões. Um inestimável legado.

Causa espanto e admiração, a sua grande versatilidade
 Entre o Parnasianismo e o Simbolismo, transitou com facilidade
 No primeiro, da mitologia grega, do Apolo consagrado.

E, no segundo, na “arte pela arte”, fatos históricos com criatividade.
 Fiel à forma, às rimas raras, à preciosidade.
 Rítmico e vocabular, cada verso estruturado.

Eu me surpreendo, como se filmado fosse, o visual de veracidade
 da enigmática Cleópatra, descrita com incomum autoridade.
 “E a Náiade do Egito, ao ver a frota ingente de Marco Antônio, ri, levando unicamente contra as lanças de Roma a graça de um sorriso.”

Objetos e paisagens, detalhados com rara capacidade.
 Flui a narrativa, em meio à emoção, do forte apelo à saudade.
 Como em Casa Paterna: “Da velha casa em que a manhã da vida passei, conservo uma lembrança exata: Antes de eu vir ao mundo foi erguida perto da serra, quase ao pé da mata”.
 E a perfeita descrição se encerra em tom emocionado...
 “O ribeirão, o cafezal, a horta...Ah! Que saudade o coração me corta do lar querido que deixei chorando!”

Ah, você foi um ícone do Simbolismo, valorizou a subjetividade,
 o seu eu, o particular e o individual, sem a visão com generalidade.
 e do Romantismo também se enamorou, um romance privilegiado.

Aos seus versos trouxe o imaginário, a fantasia, musicalidade.
 Sem lógica ou sem razão, com intuição interpretou a realidade,
 Se necessário foi vago, indefinido, impreciso... um verso inacabado.

Uma obra genuína, marcante, sempre plena de atualidade,
 que, a despeito do momento, a tudo tratou com fidelidade.
 Fatos e imagens, no presente e no passado.

Conta a história, a sua retraída e tímida personalidade.
 Em São Paulo não se adaptou à já vibrante realidade.
 Na volta a São Pedro, mantém-se aconchegado.

Conta a história, a sua reconhecida humildade.
 Em tudo e com todos, evidenciava a simplicidade
 Própria dos soberanos, do espírito elevado.

A sua história, também contava meu pai, com grande saudade.
 E que seus manuscritos organizou, há quase uma eternidade,
 E que por você, no caminho das letras foi influenciado.

Ah, doces lembranças de meu pai, emocionante saudade.
 Bem que eu tento, de vocês dois, ter a mínima capacidade
 de escrever algumas linhas, mas não me faço de rogado.

 Reconheço a dupla sabedoria, aprecio a dupla humildade,
 e ouso, nas rimas pobres, pobres versos, mostrar autenticidade.
 Feliz aquele que desfrutou mínima parte de seu legado.
 A você, Gustavo, e pela sua eterna obra, o meu muito obrigado

Fotos: Gustavo Teixeira - Pedro Luis de Aguiar - Texto e poema: Facebook e Internet 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Teach me tonight - Ensina-me esta noite

Hoje, ouvi no rádio do carro Teach me Tonight com Aretha Franklin, me lembrei de tê-la ouvido com Dinah Washington, Frank Sinatra, Nat King Cole, Kiri te Kanawa, Etta James, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald.
Resolvi ouvir novamente em casa, pesquisei, descobri muitas outras gravações com muitos outros artistas.
Talvez, seja uma das canções mais gravadas, com instrumental, em ritmo de Chá-Chá-Chá e com as mais variadas e belas interpretações.
Selecionei a letra em inglês e português e os vídeos abaixo para sua audição, com calma, para apreciar as variadas interpretações, arranjos e orquestrações, e assim, você escolher as que mais lhe agradaram.
Boa audição.
A música é de Gene de Paul e a letra de Sammy Cahn, e foi lançada em 1953.


Gene de Paul - 1919 - 1988 - Músico e compositor americano. Teach Me Tonight, You Don't Now Waht Love is, Star Eyes, I'll Remember April, He's My Guy, são algumas de suas mais conhecidas canções. 




Sammy Cahn  - 1913 - 1992 - compositor americano muito conhecido pelas letras românticas para os musicais da Broadway e trilhas sonoras de filmes.
Foi premiado por quatro vezes com o Oscar de melhor canção original.
1954 – "Three Coins in the Fountain" (music by Jule Styne) introduced by Frank Sinatra in the film Three Coins in the Fountain.
1957 – "All the Way" (music by Jimmy Van Heusen) introduced by Frank Sinatra in the film The Joker Is Wild.
1959 – "High Hopes" (music by Jimmy Van Heusen) introduced by Frank Sinatra and Eddie Hodges in the film A Hole in the Head.
1963 – "Call Me Irresponsible" (music by Jimmy Van Heusen) introduced by Jackie Gleason in the film Papa's Delicate Condition.


Teach Me Tonight

Did you say I've got a lot to learn?
Well, don't think I'm trying not to learn
Since this is the perfect spot to learn
Teach me tonight

Starting with the abc of it
Right down to the xyz of it
Help me solve the mystery of it
Teach me tonight

The sky's a blackboard high above you
If a shooting star goes by
I'll use that star to write "I love you"
1000 Times across the sky

One thing isn't very clear, my love
Should the teacher stand so near, my love?
Graduation's almost here, my love
Teach me tonight


ENSINA-ME ESTA NOITE

Você disse que eu tenho muito a aprender? 
Pois bem querido, não pense que estou tentando não 
aprender 
Uma vez que aqui é ótimo para aprender 
Vá em frente, me ensine esta noite 

Começando com o ABC disso 
Direto para a XYZ do mesmo 
Ajude-me a resolver o mistério disso 
Vá em frente, me ensine esta noite 

O céu é um quadro negro, acima de nós 
Se uma estrela cadente passa por aqui 
Vou usa-la para escrever "Eu te amo" 
Mil vezes pelo céu 

Uma coisa não é muito claro, meu amor 
Deveria o professor permanecer tão perto, meu amor? 
Formatura está quase ai, meu amor 
Me ensina esta noite 

Vou usar a estrela para escrever "Eu te amo" 
Mil vezes pelo céu 

Uma coisa não é muito claro, meu amor 
Deveria o professor permanecer tão perto, meu amor? 
Formatura está quase aqui, meu amor 
Me ensina ... 
Oh oh 
Ensina-me esta noite





























No YouTube você encontrará muitas outras gravações de artistas de renome:

Erin Boheme - Liza Minelli - Nicole Henry - Phoebe Snow - Oscar Peterson - Nat King Cole - Brenda Lee - Al Jarreau - Neil Diamond - Natalie Cole - Jo Stafford - Nancy Wilson - The De Castro Sisters - Marvin Gaye e Kim Weston. 
Dezenas de outros artistas gravaram essa canção, a lista é extensa.

Fotos - Letras da música - Vídeos - Internet - YouTube

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Full Moon And Empty Arms - Piano Concerto nº 2, em C menor, Opus 18 Sergei Rachmaninoff

Ouvi Full Moon And Empty Arms na voz de Frank Sinatra, quando estava com 14 anos de idade, fui pego pela bela interpretação de Sinatra. Depois aprendi que era uma composição de 1945, de Buddy Kaye e Ted Mossman, criada sobre o Concerto para piano nº 2 , em C menor, Opus 18, de Sergei Rachmaninoff.

Foi aí, que a barcarole que aprendi a cantar no segundo ano do curso primário, veio novamente e forte a memória.

Já tinha uma semente plantada, tempos atrás, que me despertou o interesse de ouvir essa peça de Rachmaninoff. Daí em diante fui querendo saber mais sobre música clássica, o próximo compositor que me chamou a atenção foi Chopin com a sua Polonaise, seguida de Tristesse Éternelle.

Aprendi a gostar de músicas de qualidade, clássicas, óperas e as populares.

Selecionei os vídeos abaixo para sua escolha e audição.

O primeiro com a gravação completa do Concerto nº 2.

Depois um trecho interpretado ao piano pelo próprio Rachmaninoff.

Seguindo com Errol Garner  e seu piano numa tocada jazzística.

O próximo vídeo é a gravação feita por Frank Sinatra.

 Seguindo com interpretações de Sarah Vaughan, Carmen Cavallaro com Bob Everly, Carmel Jones com seu trompete, Freddie Hubbart e seu quinteto de jazz.

Boa audição.



Ted Mossman - Theodore Mossman, nasceu em 6 de abril de 1912 - Chicago, Illinois, USA - faleceu em 29 de janeiro de 1977, aos 64 anos, em Los Angeles, Califórnia, USA.

Imagens de Ted Mossman na internet são raríssimas. A imagem acima, foi a única que encontrei. Se você conseguir alguma foto, por favor, envie-me.


Buddy Kaye - Jules Leonard "Buddy" Kaye, nasceu dia 3 de janeiro de 1918 - New York, USA - faleceu dia 21 de novembro de 2002, aos 84 anos, em Rancho Mirage, próximo a Palm Spring - USA.

FULL MOON AND EMPTY ARMS

Full moon and empty arms,

 
The moon is there for us to share,
But where are you?
A night like this could weave a memory,
And every kiss could start a dream for two.
Full moon and empty arms,
Tonight I'll use the magic moon to wish upon,
And next full moon,
If my one wish comes true,
My empty arms will be filled with you.
Full moon and empty arms,
Tonight I'll use the magic moon to wish upon,
And next full moon,
If my one wish comes true,
My empty arms will be filled with you.

LUA CHEIA E BRAÇOS VAZIOS.

Lua cheia e os braços vazios,
A lua está lá para compartilharmos,
Mas onde está você?
Uma noite como esta poderia tecer uma memória,
E cada beijo poderia começar um sonho para dois.
Lua cheia e os braços vazios,
Hoje à noite eu vou usar a magia da lua para fazer pedidos,
E na próxima lua cheia,
Se o meu desejo se tornar realidade,
Meus braços vazios serão preenchidos com você.
Lua cheia e os braços vazios,
Hoje à noite eu vou usar a magia da lua para fazer pedidos,
E na próxima lua cheia,
Se o meu desejo se tornar realidade,
Meus braços vazios serão preenchidos com você.





















Outras gravações de Full Moon And Empty Arms

Errol Garner Trio (Instrumental, 1946)
Eddia Fisher (1955)
Donna Brooks (1956)
Robert Goulet (1961)
Jerry Vale (1964)
Mina (1966)
Bob Dylan (2014)Jim Nabors
June Valli
Billy Vaughn e orquestra
Earl Bostic
Ray Noble e orquestra
Arthur Prysock
Werner Muller e orquestra
    Pesquisa, fotos, vídeos: Internet, Wikipédia, YouTube

domingo, 30 de novembro de 2014

Super Heróis se despedem do HERÓI maior - CHAPOLIN


   Homenagem do blog ao grande artista Roberto Gómez Bolanõs, criador dos personagens CHAVES E DO SUPER HERÓI CHAPOLIN

Imagem: Via Internet

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Heterofobia - Mundo ao contrário

Excelente vídeo que mostra um mundo onde ser hétero é ser "diferente", ser discriminado, agredido, perseguido. Mostra ainda como uma família "ausente" nos problemas de seus filhos, sem dar apoio, sem tentar compreender suas necessidades e opções, pode levar a um desenlace trágico.

Assista, compartilhe com seus amigos, discuta sobre o tema, reflita e imagine, você, sua família, seu filho ou filha numa situação similar ou numa situação ao contrário, que é a realidade de nossa cultura, contra  a opção sexual  das pessoas.

Porque, espancar, perseguir, maltratar, matar uma pessoa, só porque ela possue uma opção sexual diferente da sua?

Precisamos aprender e ensinar a nossos filhos a serem mais tolerantes, respeitando as diversidades e os valores das pessoas que se sentem "diferentes".

PS: Não perca seu tempo com comentários agressivos, pois não publicarei nada que seja ofensivo ao ser humano. Obrigado por visitar o blog.




Dica do amigo Alaor Matos - Psicólogo Terapeuta, de Juiz de Fora - Minas Gerais

sábado, 15 de novembro de 2014

Carlo Bergonzi - tenor italiano


Carlo Bergonzi, nasceu em 13 de julho de 1924 em Vidalenzo e morreu dia 25 de julho de 2014, aos 90 anos, em Milão, Itália.

Foi um barítono e tenor, considerado um dos melhores interpretes de Verdi e um dos mais importantes tenores do século XX.

Como tenor sempre cuidou de sua voz, evitando ultrapassar os limites, conseguindo assim fazer a durar por mais tempo, cantando até os 70 anos.

Cantou com as principais divas da ópera, Maria Callas, Renata Tebaldi, Monserrat Caballé.
Começou cantando com barítono de depois mudou para tenor.

Durante a sua carreira de 40 anos, atuou nos principais palcos do mundo, como Scala de Milão Metropolitan Opera de NY. 

Gravou 25 óperas e 31 árias de Giuseppe Verdi.


Iniciou seus estudos musicais, em Parma, aos 14 anos.  Estreou em 1948, como barítono, no papel de Fígaro, da ópera O Barbeiro de Sevilha de Rossini.
Em 1951, estreou como tenor, em Bari no Tatro Petruzzelli no papel de Andréa Chénier.

Carlo Bergonzi  em Barcelona - Espanha


Selecionei alguns vídeos, onde você poderá apreciar a belíssima voz de Carlo Bergonzi, sua técnica e a qualidade de suas interpretações.

Boa audição.
















Pesquisa, fotos e vídeos: Internet - Wikipédia - YouTube

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

MPQ - Música Popular de Qualidade - Dominguinhos, pegou sua sanfona e voltou para o seu aconchego



José Domingos de Morais - Dominguinhos, nasceu em Garanhuns, Pernambuco, dia 12 de fevereiro de 1941 - morreu em São Paulo, dia 23 de junho de 2013. Foi cantor, compositor e um dos grandes instrumentistas do Brasil, sanfoneiro, herdeiro musical de Luiz Gonzaga, o Lua, a quem teve como um dos seus mestres, além de seu pai mestre Chicão, que foi sanfoneiro e afinador de sanfona e de Orlando Silveira.


Recebeu de presente de seu pai uma sanfona de oito baixos que aprendeu a tocar ainda menino.
Com seus dois irmãos (Moraes e Valdomiro) formou o trio Os Três Pinguins e tocavam para ganhar uns trocados em feiras e portas de hotéis.
Tocou pandeiro, triângulo e depois a sanfona. Tocava muito bem e ficou conhecido como "Neném do Acordeon". 

 O nome artístico de Dominguinhos foi dado por Luiz Gonzaga.

Suas influências musicais foram o baião, choro, forró, xote, bossa nova e jazz.

Tocou e fez parcerias compondo com vários grandes artistas brasileiros.

Selecionei alguns vídeos para sua apreciação.

Boa audição





















Pesquisa - fotos e vídeos: Internet - Wikipédia - YouTube

Você não precisa entender de música para apreciar uma música

Hoje em dia há uma necessidade das pessoas em "entender" sobre muitas coisas, ser um especialista em vinhos, cervejas, cachaça, música, moda, carro, etc.
Criam-se confrarias para se estudar e entender de tudo, tornar-se um "grande" conhecedor, saber harmonizar tudo com alguma coisa.
Para mim, são uns chatos de galocha, uns exibicionistas, que querem mostrar superioridade sobre outras pessoas com as suas "expertises".
Já falei que qualquer dia vou ver um boboca desses lambendo rolha de vinho em alguma churrascaria ou pizzaria rodízio. Porque cheirando, já vi em restaurantes mais ou menos, mais para menos, do que para mais.
E a exibição é total.
Bebida é para se beber com prazer, e de preferência em boa companhia. Beber o que se gosta pelo prazer de beber. Não se preocupando em ler rótulos, que tal bebida "tem" que ser acompanhamento de tal comida e ainda usando uma taça especial para cada tipo de bebida.
Puro marketing , para se vender produtos e se cobrar mais caro, dos tolinhos de plantão.
O mesmo acontece para a comida, a dança, as roupas, o carro, a música.
Morro de rir quando vejo umas peruaças enfeitadas para viajar de avião. Para o exterior então é hilário. Usam casaco de peles alugado ou emprestado e botam aquela bota incrementada e cobrem o corpo de bijus, só por que vão pegar um finzinho de inverno ou início de primavera nas "OROPA".
Viajam desconfortavelmente, mas no maior figurino.
Quanto a música, uma vez um tio me perguntou se eu entendia a letra e a história da ópera que tocava. Respondi-lhe, não entendo nada disso, mas ela me toca a alma e as minhas emoções.
Então seja você mesmo, sinta a vida como quiser, viva como desejar, curta o que gostar como achar melhor e deixe os chatos para lá.
Assista o vídeo abaixo, tire as suas conclusões.
Viva, divirta-se, seja feliz e aprecie a vida como você achar que deva ser.
Afinal, é a sua vida.


Understand Music from finally. on Vimeo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Manoel de Barros - O menino poeta que virou passarinho e voou fora da asa


Manoel Wenceslau Leite de Barros, nasceu em Cuiabá, dia 19 de dezembro de 1916 e faleceu e, Campo Grande, dia 13 de novembro de 2014. Aos 97 anos de idade. Foi um poeta. Deixou uma obra de  33 livros e recebeu 13 muitas premiações.
Escreveu, também, livros de poesias infantis. Dentre suas obras destaco "Livro sobre Nada" (1996) e  "Poesia Completa" (2010).
Carlos Drummond de Andrade o considerou o maior poeta vivo do Brasil.  

Hoje, sua neta em uma rápida entrevista, falou que o "legado da obra de seu avô, era o que ele deixava de mais importante e que com certeza, ele tinha virado um passarinho".

Veja no blog outra postagem que fiz com os 10 melhores poemas de Manoel de Barros.

Acesse: http://juniverso.blogspot.com.br/2014/09/cha-da-tarde-com-manoel-de-barros.html


O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!


Pensamentos e poemas de Manoel de Barros

Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas. E me encantei.

Sou livre para o silêncio das formas e das cores.


Foto: UNIVERSO

Por viver muitos anos dentro do mato

Moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro -
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas
Por igual
como os pássaros enxergam.


No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do quintal : 
Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra dentro.


A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.


Sou hoje um caçador de achadouros da infância. 
Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos.




                                             " A voz de uma passarinho me recita."


Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho
1 abridor de amanhecer 
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios -e 
1 esticador de horizontes




Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas
mais que a dos mísseis.
Tenho em mim
esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância
de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo.




                                                 
                                                     "Poesia é voar fora da asa.

Fotos: UNIVERSO
Pesquisa: Wikipédia - Internet - Jornal Opção - Revista Bula