sábado, 8 de fevereiro de 2014

Feliz aniversário, Facebook! - Cora Rónai



Cora Tausz Rónai (Rio de Janeiro31 de julho de 1953) é uma jornalistaescritora e fotógrafa brasileira.

Meus netos são lindos. Não digo isso por corujice sem critério; digo por fato bem comprovado. Todas as minhas amigas de Facebook concordam que Fábio e Nina são as criancinhas mais fofas do mundo (logo depois dos seus próprios netos, mas isso é só um detalhe).

Minhas amigas são avós militantes que fazem programas com os netos e que viajam para os lugares mais improváveis do mundo para acompanhar o seu nascimento e conferir como estão crescendo. Por causa disso, minha timeline começa a ter mais fotos de criancinhas do que de gatos, o que confirma algo de que eu já desconfiava há tempos:

-- O Facebook é o canal das vovós -- escreveu a Andrea, que ainda outro dia foi dar as boas vindas à Mila em Nova York. -- Antes do FB, como é que elas trocavam notícias de suas belezuras?

Não trocavam, ou trocavam de forma muito mais restrita e ocasional: uma gracinha compartilhada durante um telefonema ou um almoço, uma ou outra foto exibida numa festa. Se não fosse pelo Facebook, eu jamais saberia que um dos bebês mais gostosinhos do mundo é o Logan, netinho da Ana Pinta que mora em Londres.

o O o

Segundo estatísticas amplamente divulgadas, 16% dos adolescentes deixaram de frequentar o Facebook no ano passado. É compreensível. Uma rede que faz o encanto das avós não é o lugar onde a garotada quer passar os seus momentos de lazer -- e não faltou quem, por conta disso, decretasse o fim da rede social para daqui a dois ou três anos. Essa espécie de profecia maia pós-apocalíptica me pareceu um pouco exagerada, até porque os adolescentes podem ser o público alvo preferencial de onze entre dez empresas, mas estão longe de ser a única faixa etária do mundo. Sem falar que o FB continua crescendo, ainda que não à velocidade vertiginosa dos últimos anos.

A ideia por trás dessas previsões sombrias é que o Facebook -- que fez dez anos anteontem -- estaria perto de cumprir o ciclo que rege os movimentos sociais. Tendo passado pelo nascimento, pela consolidação e pela inclusão no sistema, estaria chegando à dissolução, que é quando as pessoas se cansam da brincadeira. Isso já aconteceu com diversas redes sociais, do Second Life ao My Space, passando pelo Multiply e pelo Fotolog; não duvido de que, um dia, venha a acontecer também com o Facebook. Mas daqui até lá muita informação ainda vai correr por baixo da ponte.

Ainda que tenha sido abandonado por um percentual significativo de adolescentes, ele tem um público praticamente cativo nos adultos que aprenderam a usá-lo e sentem-se confortáveis com ele. Nenhuma rede social teve, até hoje, o alcance do Facebook, que tem mais de 1,2 bilhões de usuários, ou seja, cerca de metade do total de pessoas com acesso à internet. E olha que ele é proibido na China! Quando, na manhã de ontem, li a mensagem de aniversário postada por Mark Zuckerberg, ela já tinha sido curtida por 1.542.872 pessoas e compartilhada 102.405 vezes.

o O o

O que é que tanto nos atrai no Facebook? A resposta é simples: gente. Somos animais gregários, gostamos de viver em comunidade e de contar histórias uns para os outros, de preferência em rodinhas. Ora, desde que deixamos de viver em aldeias onde todos se viam constantemente, ainda não foi inventada forma mais simples de fazer isso do que usando o Facebook, onde tanto cabe um grave manifesto contra a violência quanto uma piada boba -- exatamente como acontecia com a praça, no tempo em que as cidades eram calmas, as ruas seguras e a vizinhança toda se encontrava durante o footing.

Na praça virtual do Facebook podemos ter notícias dos que estão viajando, dos que moram longe e dos que vivem perto (mas mal têm tempo para respirar, quem dirá tomar um chope na esquina). Podemos reencontrar amigos de infância dos quais nunca mais tínhamos ouvido falar, assim como podemos descobrir, em vagos conhecidos do dia a dia, afinidades de pensamento surpreendentes.

As teias que tecemos se ampliam e se consolidam também através dos amigos dos amigos, e nos dão um sentimento que é a base de qualquer comunidade humana: o do pertencimento. Não só encontramos a nossa tribo, como a informamos aos que nos cercam através de curtidas, comentários e compartilhamentos de postagens. Em suma: para além das relações que mantemos uns com os outros, há a percepção dessas relações num contexto mais amplo. Unir -- e expor -- tecidos sociais tão intrincados de forma tão simples talvez seja o grande segredo do sucesso do Facebook.

o O o

Antes de começar a escrever este último parágrafo, fui até o Orkut para ver se ainda acontece alguma coisa por lá (sim, surpreendentemente, acontece); encontrei uma foto antiga em que estou com o meu filho de um ano no colo, e a levei para o Facebook. No minuto seguinte, o bebê da foto, que vai fazer 42 anos na semana que vem, e que mora longe do Brasil, fez um comentário:

-- Hoje nem os meus bebês são tão novinhos. E você gatíssima na foto, mamãe.

Quase nada, um alô, um fiapinho de conversa na madrugada; mas foi um carinho, um aceno que nos fizemos, mãe e filho, marcando presença na vida um do outro. Há dez anos, isso não teria acontecido.

Valeu, Facebook.

(O Globo, Segundo Caderno, 6.2.2014)

Dica da minha filha Juliana. - Foto: Internet

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Queijo Serra da Canastra - Minas Gerais - PRODUTO DO ANO de 2013

Queijos Canastra em maturação na Fazenda do Zé Mário

Por Redação Paladar e Blog SerTãoBras

O queijo da Serra da Canastra foi escolhido o produto do ano pelo Prêmio Paladar, promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, que envolveu um time de 13 jurados, um mês de visitas a restaurantes e gastos de R$ 70 mil, para eleger os melhores pratos da temporada de 2013/2014 de São Paulo. Em cerimônia para 400 convidados, em que estiveram presentes os principais nomes da gastronomia paulistana, foram anunciados os ganhadores da oitava edição do prêmio, entre eles o de produto do ano.

A escolha reconhece a luta pelo produto artesanal da Canastra, que também está presente em outras regiões de Minas Gerais, como o Serro, e áreas menos conhecidas no resto do País. Segundo Ana Massochi, entusiasta do queijo da canastra e proprietária dos restaurantes Martín Fierro, La Frontera e Jacarandá na capital paulista, o prêmio é importantíssimo para o queijo da Serra da Canastra e todos os outros produzidos em regiões próximas. “Estavam na cerimônia a elite da gastronomia de São Paulo, entre cozinheiros, jornalistas e gourmets. Esse prêmio é importante para o queijo e para os produtores”, disse.
Apesar de não esperar a escolha, Ana lembrou que o Paladar também pode ser considerado um entusiasta e apoiador do queijo da Canastra, tendo já produzido boas reportagens sobre o tema e incluído o produto no evento Cozinhas do Brasil. Ana serve em seus restaurantes pratos que incluem o produto, e no Jacarandá também é possível comprar queijo de leite cru.

No evento do Paladar, o prêmio foi recebido pelo presidente da Associação de Produtores de Queijo da Serra da Canastra, João Leite. Exultante, ele agradeceu em nome de todos os produtores.
Estima-se que 10 mil produtores produzem queijos distintos em Minas Gerais e cerca de 20 mil queijos são feitos por dia, de acordo com relatos de produtores e queijeiros (profissionais que que pegam o queijo nas queijarias e estabelecimentos dos produtores e vendem em outros lugares).

Leia a íntegra da reportagem sobre o prêmio publicada no blog do Paladar:
Não é só de pratos que se faz o Prêmio Paladar. Todo ano, também são eleitos a personalidade e o produto do ano. Em 2013, o queijo da Serra da Canastra virou símbolo da luta para que o produtor e o produto de qualidade sejam reconhecidos, legalizados e distribuídos livremente pelo País. Por isso, foi escolhido o Produto do Ano do Prêmio Paladar.


O uso pelos chefs e a venda em São Paulo (já nem está mais tão difícil encontrá-los na cidade) acabaram legitimando os queijos produzidos na Canastra, em Minas, por aqui. Mas foram necessários anos de campanhas, mobilização dos produtores e até um documentário sobre a proibição da venda de queijos mineiros tradicionais para as coisas começarem a mudar.
No meio deste ano, os mineiros conseguiram a aprovação de uma nova norma que reconhece a inspeção estadual do queijo como equivalente à federal (feita pelo conhecido SIF, o Serviço de Inspeção Federal). Na prática, isso significa que os produtores que tiverem o selo do Instituto Mineiro Agropecuário poderão vender seus queijos frescos e curados no Brasil inteiro.

A inauguração de um centro de maturação em Medeiros, na Serra da Canastra, em agosto, foi outro marco no processo de legalização do passaporte da produção. Construído com investimento do Ministério do Desenvolvimento Agrário e órgãos do Estado de Minas, o centro – embora ainda tenha capacidade limitada – vai permitir aos pequenos produtores cumprir as regras determinadas pela legislação e submeter o produto ao prazo de maturação exigido por lei.
Os queijos da Serra da Canastra são elaborados conforme a tradição local, em geral por pequenos produtores que perpetuam uma cultura centenária. São mineiros autênticos. Essa é a nossa contribuição para reforçar a importância deste produto brasileiro artesanal e ajudar a abrir o caminho para uma cultura gastronômica mais amadurecida, quer dizer, curada.

DICA: Rodrigo da Loja do Itamar - Mercado Central de Belo Horizonte - Minas Gerais

Conheça a história por trás do queijo Canastra - Igor Olszowski


O queijo Canastra, sabor rústico das Gerais, têm história para se manter como um patrimônio brasileiro original. Saiba mais sobre essa delícia

Centro de maturação do queijo Canastra, em Medeiros - Minas Gerais, capacidade para 8 toneladas de queijo. 







O queijo Canastra está na lista do patrimônio cultural brasileiro

A serra da Canastra, em Minas Gerais, preserva uma preciosidade: o queijo Canastra. A produção artesanal dessa iguaria de leite cru foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2008, como patrimônio cultural e imaterial brasileiro. Cerca de 1800 famílias vivem dessa atividade na região, mas apenas pouco mais de 20 produtores ainda conservam o paladar e as características do genuíno Canastra: maturado e de casca amarela.
Estilo original

Porém, desde 1952, a legislação federal sobre vigilância sanitária impede a comercialização de produtos não pasteurizados. E assim, o queijo artesanal feito de leite cru caiu na ilegalidade. Para agravar a situação, a figura do queijeiro entra em cena a partir dos anos 1970. Ele passa pelas propriedades familiares, enche as caminhonetes e paga o preço que lhe convém para abastecer os grandes centros consumidores. Anteriormente, os queijos esperavam um tempo de maturação adequado (entre 20 a 30 dias) e seguiam com tropeiros em lombo de burro. Na ânsia de atender esses atravessadores, quase a totalidade da produção passou a ser vendida como um vulgar queijo frescal. Assim, o verdadeiro Canastra perde um traço importante de sua identidade. Torna-se uma tarefa difícil, mesmo na região, encontrar um queijo com o sabor mais apurado e singular do Canastra curado.

Herança cultural

O fazendeiro Baltazar Silva, conhecido como Zé Mário, de São Roque de Minas, lembra bem o tempo anterior às ânsias mercantis. Herdou a fazenda e os saberes de seu pai. Fez seu primeiro queijo com 7 anos de idade e há mais de 50 se dedica à atividade diariamente. "No tempo do meu pai, os produtores vendiam queijo apenas uma vez por mês. Queijo com oito dias de idade não ia para o transporte, ficava para o mês seguinte. Aí já começa a grande diferença. Você só via queijo, no mercado, amarelinho. Hoje se vende de duas a três vezes por semana", conta.


 Zé Mário - Campeão 



 Itamar - Loja do Itamar



Identidade lucrativa

Um programa dedicado aos produtores de queijo foi criado pelo governo de Minas em 2002, depois de alguns intercâmbios com associações produtoras na França, a meca do queijo no mundo. Para João Carlos, da fazenda Agroserra, a troca de experiências com a turma do roquefort e do camembert foi decisiva. "Eles nos mostraram que é possível manter nossa identidade, transformar isso numa atividade econômica rentável e perpetuar a cultura local. Produzir queijo artesanal de qualidade e com segurança alimentar. Eles passaram por esse mesmo processo há 30 anos", afirma.

Em 2009, Zé Mário foi convidado a participar da Feira Nacional de Agricultura Familiar, no Rio de Janeiro: "Você não acredita no sucesso que esse queijo fez. Em seis dias, nossa mercadoria havia zerado. Nos dois últimos dias, os mais fortes da feira, já não tínhamos mais queijo". Prova de que há um vasto mercado de consumidores mais exigentes nos grandes centros urbanos que valorizam produtos típicos de qualidade.

Chácara Esperança

 Itamar - Loja do Itamar



Luciano - Chacára Esperança e Rodrigo - Loja do Itamar

Os proprietários da Chácara Esperança, o casal Luciano e Helena Carvalho, de Medeiros, só vendem o queijo maturado, inclusive para garantir a segurança alimentar. "Se houver qualquer problema com o queijo, ele vai apodrecer, não vai curar. Uma coisa casa com a outra: você só consegue ver sabor quando ele é maturado", afirma.

O casal fabrica o Canastra Real, com uma cura de no mínimo 60 dias. Luciano participou de um intercâmbio em 2009 promovida pela ONG francesa Agrifert e foi conhecer as cadeias de produções artesanais francesas. Essa experiência reforçou o orgulho pelo paladar do Canastra e serviu para aprimorar a mercadoria.

"Quando fui à Europa e conheci os queijos de lá, me animei muito com os nossos. Eles apresentam bolor, casca rachada, não há um acabamento fino, lixado e bonito como os da indústria. Nós começamos fazer a mesma coisa aqui. Percebi um aprimoramento do sabor, porque ele cria sua própria casca, seu próprio meio. A casca é como se fosse a embalagem. Quando você faz o acabamento, você tira a proteção. Hoje, meus clientes já preferem esse produto mais rústico de paladar mais acentuado", afirma Luciano.

Outros produtores de qualidade do famoso Queijo Minas Canastra

Fazenda do Nereu



 Nereu - produtor



Fazenda do Valtinho




 Valtinho - produtor




LIVROS
Viagem às Nascentes do Rio São Francisco, Saint-Hilaire, Itatiaia

DICA: Rodrigo Gomes de Oliveira da Loja do Itamar - Mercado Central de Belo Horizonte - Minas Gerais - A melhor loja de queijos e doces mineiros. Meu fornecedor e guru para assuntos gastronômicos.
Fotos: Rodrigo Gomes de Oliveira

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Champagne - Peppino Di Capri

Peppino Di Capri, o tempo passa, sua música Champagne contínua embalando boas lembranças

Peppino Di Capri, nome artístico de Giuseppe Faiella, (Capri27 de julho de 1939) é um cantor italiano.
Iniciou sua carreira no começo dos anos 60, sendo o primeiro artista nacional a fazer sucesso com um twist na Itália (Saint Tropez Twist, de 1962). Venceu os festivais de San Remo em 1973 e 1976. Venceu também o Festival de Napoli em 1970.
O cantor também desfruta de sucesso internacional, inclusive no Brasil com as canções "Roberta" (1963) , "Champagne" (1973), "Mai" (1975), "Un Grande Amore e Niente Più (1973).
Este cantor interpretou o tema "Comme è ddoce 'o mare" no Festival Eurovisão da Canção 1991, cantando em napolitano, onde alcançou um sétimo lugar.


Dica do especial amigo goiano Ciro Lisita Sampaio 
Vídeo: YouTube - Texto: WIKIPÉDIA

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Moça da Janela - Márcia Christina Lio Magalhães

                         Foto: UNIVERSO - SABARÁ - MINAS GERAIS

Se te entrego todas as minhas palavras embrulhadas em tão fina seda, por que, então, desconfias das letras e exclamações?
Acaso avalias os fatos num tribunal de júri, onde o réu é condenado sem provas? Ora, não julgues aquilo que não entendes de fato, sabotando minhas convicções!
Se tu tens o coração fechado – por ter em algum momento da vida sido enganado, golpeado, traído, iludido – não aches que sempre será pego no encalço por tão traiçoeiro destino...
Soube que, há muito tempo, foi acometido a uma moça, se apaixonar por um belo cavalheiro. O mais intrigante é que ela só o conhecia por vê-lo passar frente a sua janela a cavalo, em direção à cidade, pois ambos moravam no campo.
Certo dia, a moça, enfrentando seus receios, colocou no meio do caminho uma cesta cheia de iguarias, esperando que o moço, quando visse a cesta, parasse para saber o que dentro havia.
Então, algo inesperado aconteceu...
Naquela manhã, estava a moça, como sempre, escondida pela cortina atrás da janela, esperando o misterioso cavalheiro, quando, de repente, o mesmo apareceu, montado em seu cavalo negro, de brilho azulado, galopando em direção à cidade. Vendo a cesta no meio do caminho – num impulso – puxou as rédeas com uma freada tão forte, que as patas da frente do cavalo ergueram-se assustadoramente. E diante daquele objeto, o que fez o cavalheiro?
Desconfiado, achando tudo muito intrigante – pois sempre por ali passava e nada parecido lhe acontecera – julgou o cavalheiro se tratar duma emboscada. Sequer olhou à direita de seus ombros, onde ficava a casa da moça da janela, e num golpe forte e temeroso apertou as esporas nas costelas de seu cavalo que, involuntariamente, arrancou em açoite dali.
A moça, entristecida diante do que acontecera, desceu e retirou a cesta do meio do caminho. O que ela não pressentia, que no outro dia, na hora marcada pelo poente, que sempre o cavalheiro por ali passava, nada aconteceu. Desconsolada, e sem entender o destino, foi lamentar-se à beira de um velho ipê florido, que fazia sombra à sua casa, em direção ao norte da estrada...
Nesse momento, um beija-flor descuidado estava voando abaixo da fronte da triste donzela. Ficou todo encharcado com as lágrimas e lhe confidenciou:
- Senhorita, sua intenção não foi compreendida pelo cavalheiro solitário que, diante da cesta em seu caminho, achou se tratar duma emboscada... Hoje mesmo o encontrei na estrada, mudou seu caminho e, em direção à cidade, agora segue pelos trilhos do trem, que mesmo sendo um trajeto mais distante, em seu íntimo acredita ele, tratar-se mais seguro, pois conhece muitíssimo a região e nunca soube de encontrarem por lá, cestas nos trilhos!
E sendo assim, a moça, desconsolada, deixou de ficar à janela a suspirar pelo seu bem. Nunca mais se ouviu falar daquele cavalheiro por aquelas bandas, pois jamais fora visto na estrada, onde hoje só mora a saudade e os pássaros nunca cantam...
Entretanto, dizem os velhos daquele lugar distante, que em noites de lua cheia, após a meia-noite, é possível ver na estrada um beija-flor pairando sob uma cesta repleta de singelas margaridas...

(Márcia Christina Lio Magalhães)
Conto do Livro Poetar é Preciso - Re-editado

"Todo filho é pai da morte de seu pai" Fabrício Carpinejar



"Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia."

Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai. É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso. É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar. É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe. É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios. E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz. Todo filho é pai da morte de seu pai. Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta. E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais. Uma das primeiras transformações acontece no banheiro. Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro. A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas. Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes. A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões. Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus. Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente? Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete. E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia. Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos. No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira: — Deixa que eu ajudo. Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo. Colocou o rosto de seu pai contra seu peito. Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo. Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável. Embalou o pai de um lado para o outro. Aninhou o pai. Acalmou o pai. E apenas dizia, sussurrado: — Estou aqui, estou aqui, pai! O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

Dica do amigo e especial provedor de queijo minas e doces mineiros -  Rodrigo Gomes e Oliveira - Banca do Itamar no Mercado Central de Belo Horizonte, onde você encontra os melhores queijos de Minas Gerais, doces de leite, goiabadas e outros especiais doces mineiros.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Politicamente incorreta - Bruna Lombardi

                                              Foto:  Internet

Fecha teus olhos
Para frases soltas em falsas verdades
Esquece todas as regras da boa educação
Rasga a minha carne com lâmina afiada
Me faz lamber, rastejar no chão
Quero expressar o que sinto
Quero morrer enforcada em teu cinto
Se assim desejar………..
E pouco me importa as regras e a opinião
Desses que vivem na fogueira da vaidade
Intitulando-se advogados da razão
E na sutil demagogia
Tentam mostrar o que não são
Para eles sou politicamente incorreta
Para mim, eles não estão corretos
Sendo assim responda-me: O que é ser são???
Como falou Marques de Sade e não foi em vão
“Se a minha maneira de pensar não for aprovada.
O que me importa?????” …. Danem-se então!!!
Quebra-me agora em mil pedaços
Faz meu corpo um vidro em estilhaços
Introduz minh’alma no inferno se preciso
Mas deleta da memória as regras e os laços
Da sociedade hipócrita da razão.

(in "Brunissíma", Léo Christiano Editores)

Dica: Brimo - Luiz Edmundo Germano Alvarenga - BLOG DO ALVARENGA

Prato do dia - Gaspacho Andaluz - Receita tradicional da Dõna Rosário de Sevilla - Espanha

Excelente prato para o verão. Refrescante, saboroso, leve e colorido
Pode ser servido como entrada ou prato único

Gazpacho Andaluz - Receita tradicional de Dõna Rosário de Sevilla - Espanha 

Preparo: 30 minutos Rendimento: 6 porções (Sirva como entrada de verão)

Ingredientes: ½ Kg de tomates maduros. Miolo de 4 pãezinhos adormecidos Sal 4 colheres (sopa) de azeite de oliva 2 colheres (sopa) de vinagre

Acompanhamento: Pepino; Pimentão verde; Cebolinhas novas; Pão frito no azeite; Ovo cozido moído.

Modo de Preparo: Tire a pele e as sementes dos tomates. Deixe o pão de molho na água fria por 15 minutos. Retire, esprema o excesso de água e bata no liquidificador, juntamente com os tomates, até obter um creme fino. Junte o sal, o azeite, o vinagre e ¾ litro de água.
Sirva com cubos de gelo, acompanhado de pepino picado, pimentão e cebolinhas, pedacinhos de pão frito no azeite de oliva e/ou ovo cozido moído.



Fotos: UNIVERSO 

Preparo do prato: ULISSES SOARES - Meu filho

Conheça o blog do Ulisses - Acesse:   http://ulisses-ithaca.blogspot.com  (viagens, receitas, dicas de lugares, hotéis, restaurantes).

Momentos mágicos ao entardecer.

Clique nas fotos para ampliar 

Fotos tiradas da janela de meu apartamento em Belo Horizonte




Fotos tiradas em Chicureo - Chile










                                     Fotos: UNIVERSO

Para não dizerem que não falei de flores


Clique nas fotos para ampliar e ver mais detalhes







Fotos: UNIVERSO

O que é ser civilizado? O que é desenvolvimento? O que é o mundo moderno?



Dica do amigo Adenir Balmant - Torcedor do Rei do tapetão - Mineiroca

Como fazer, em casa, tinta segura para suas crianças

Gostei dessa ideia, não fiz ainda para meus netos. Vou fazer. Fica a sugestão.


Dica da amiga - Teresa Curátola, de Lagoa Santa

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Você é fiel a receita? - Pati - Blog Dedo de Moça

10 Jan 2014 05:00 AM PST - BLOG DEDO DE MOÇA

Pati - Blog Dedo de Moça

Quando você vai pra cozinha com uma receita na mão, qual é a chance de não respeitar muito o que o texto diz e se aventurar seguindo seus próprios instintos? Tirando as receitas de confeitaria, eu sou do time da infidelidade, rsrsrs! Isso não significa que não goste de receitas, muito pelo contrário, sou apaixonada por livros de culinária e vivo navegando em sites. Mas gosto da liberdade de poder usar a receita apenas como um ponto de partida e me deixar levar pelos aromas. Acho uma delícia descobrir novas possibilidades para aquele prato, incluir um tempero, acrescentar um ingrediente, substituir outro que está em falta… Ligar o som, abrir uma garrafa de vinho e ir provando até acertar a mão.

 O toque que eu vou dar ao prato depende – absolutamente – de quem vai experimentá-lo, porque o que mais me dá prazer é cozinhar para as pessoas! E quando falo isso significa que minha receita pode mudar completamente se estiver fazendo um prato para minha mãe, meu marido, minha avó, um desconhecido e por aí vai… Toda a inspiração que me leva até o fogão é agradar (ok, já discuti muito isso na terapia), é passar tudo que eu tenho de melhor através da comida, acho que dá pra definir como um gesto de amor, concordam?

Agora, vocês podem imaginar o quanto eu deixo minhas alunas loucas com esse “desprendimento” quando estou dando aula. Vira e mexe estou ensinando uma receita e sou interrompida por um: “Pati, mas isso não tá na receita”. É nesse momento que eu percebo que ensinar não é só passar conhecimento, mas é também – e principalmente – inspirar pessoas!

O BLOG DEDO DE MOÇA É UM DOS QUE EU SIGO, E RECEBO QUASE QUE DIARIAMENTE, ATUALIZAÇÕES SOBRE ASSUNTOS LIGADOS A CULINÁRIA. RECOMENDO DAR UMA OLHADA E SEGUIR: HTTP://WWW.DEDODEMOCA.NET