quarta-feira, 27 de julho de 2011

Arquitetura de Santiago do Chile

Fotos: UNIVERSO


Fotos tiradas no Centro e em Las Condes. Muitas das torres situadas em Las Condes encobriram a vista que se tinha das Cordilheiras dos Andes desde o Parque Araucano. No pôr-do-sol, via-se a cordilheira coberta de neve com tons de rosa, salmão e avermelhados.
Hoje, essa visão está bloqueada pelos prédios bonitos e frios.


Prefiro ver a natureza

 Clique nas fotos para ampliar
 

 

Frase do dia

Dica da amiga Luciane de Curitiba, que sempre envia-me belas mensagens - Autor da foto:  desconheço, caso alguém saiba, favor enviar-me o nome para o merecido crédito.

Oração de um Cão pedindo por adoção - Cora Maria

Flora

Ajuda-nos Senhor
Fazemos parte da ...vossa Divina Criação
Neste nosso mundo cão, não basta apenas ter piedade
Precisamos de solidariedade
Precisamos de ação.
Além de um pedaço de um chão,
Um alojamento nos corações

Ajuda-nos Senhor...
É tão difícil a madrugada gelada
A chuva, a enxurrada
O sol escaldante
E a fome humilhante...

Ajuda-nos Senhor....
É tão difícil ser enxotado a todo instante
Nesta terra, como todos,
Também somos viajantes
É tão pouco o que te pedimos...
Um cobertor que mesmo em trapinhos,
Possa aquecer nosso corpinho.
Uma família,
Um carinho
Uma água bem fresquinha,
Uma panelinha com um pouco de comidinha
Um afago nem que seja de vez em quando
O pouco que vier, vale tanto...

Proteja-nos Senhor.
Das surras que não merecemos,
As vezes tão pouco entendemos...
Proteja-nos da violência
Da impaciência...
E ajuda-nos a entender quando nossos atos for de desobediência

Ajuda-nos Senhor
Nos só podemos retribuir esta graça, doando nosso amor
Lambendo o rosto do nosso protetor

Ajuda-nos Senhor
Tocando os corações, incentivando-os para adoções
Somos muitos, somos milhares.
Somos pretos, somos brancos, malhados, idosos,
cansados, desiludidos e traumatizados
Somos abandonados das ruas
Aglomerados nas instituições
Suplicando por uma adoção....

Ajuda-nos Senhor
Não basta ter piedade
Precisamos de ação
Precisamos de solidariedade

Ajuda-nos Senhor a restituir a nossa dignidade.
E no término desta minha oração
Eu deixo um uivo sentido
Que espalhando no universo se faça ouvido
Ecoando na alma do homem bom
Possamos ter um espaço em seu coração

Ajuda-nos Senhor!
Au..Au...

AUMÉM

Dica do Adenir Balmant, amigo do Rio de Janeiro, torcedor do Flu, coitado...

domingo, 24 de julho de 2011

José Saramago - Definição de filhos


Flor de Cactus - UNIVERSO

"Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como
amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos
para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto
mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter,
porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de
estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder?
Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo".                                                                        

Enviado pelo Alaor Mattos, de Juiz de Fora, um de meus fornecedores de textos e assuntos inteligentes. Guru para assuntos terapêuticos e genéricos.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

93 anos de Céu Azul

Comemoramos em petit-comité, o aniversário de 93 anos de meu pai, José Céu Azul Soares. Horas de bom papo, que memória, bebidinhas e sabores. Chegar aos 93 com o físico suportando o tempo e a cabeça funcionando bem é privilégio para poucos, ainda hoje.

José Céu Azul Soares nos tempos do Rádio

 Dia 16 de julho de 2011, comemorando 93 anos, Dorinha (minhã irmã), Céu Azul e Universo

 Universo, Céu Azul e Walcira brindando com uma Champanhe para firmar ponto e iniciar os trabalhos etílicos gastronômicos do dia

 A entrada foi Taça de Iogurte Temperado ( faltou a foto). Prato principal: Creme de Mandioquinha com cobertura de Champinhon ao Champanhe e Contra-Coxa de frango refogado, super macia e desmanchando na boca, tudo devidamente acompanhado de um tinto espanhol  Etim - Negre de Montsant DOC, safra 2006.
Sobremesa: Compota de Kinkan com Figo Grelhado e Requeijão Cremoso.

Abaixo, crônicas do jornalista Plínio Barreto, publicadas no Jornal Estado de Minas, falando de José Céu Azul Soares.
Plínio é um amigo de longa data de meu pai. Aliás, muito mais do que um grande e querido amigo. É um irmão de fé, camarada, guardado no lado esquerdo do peito, no lado direito. Plínio é aquele amigo do peito, quem o tem como amigo sabe como é.
 Clique sobre as crônicas para ampliar e facilitar a leitura


Fotos: UNIVERSO - Frango: WALCIRA - Creme com Champinhon e sobremesa: UNIVERSO
Crônicas de Plínio Barreto (Jornal Estado de Minas) - enviadas pela Dorinha, minha irmã, único defeito: É CRUZEIRENSE.
Clique nas fotos para ampliar.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Último Verão - Claudia Serretti, Guga Schultze e Max Godoy

Clip do Guga Schultze para a música "Último Verão", interpretação da Claudia Serretti do cd "Todos os Sinais". O desenho da estrada com o Sol no final do clip é do Max, 7 anos,  filho do Guga e Claudia. A arte da família tá no sangue.


Dica da amiga Claudia Serretti - Vídeo YouTube

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Meu filho, você não merece nada - Eliane Brum

ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

Texto publicado na revista Época - Dica enviada pela minha filha Juliana, de Santiago do Chile
Esse é um texto que assino em baixo, em cima e dos lados.

Como a classe média alta brasileira é escrava do “alto padrão” dos supérfluos - Adriana Setti

Para ler e refletir

Imagem : formacaocivicagondifelos.blogspot.com

No ano passado, meus pais (profissionais ultra-bem-sucedidos que decidiram reduzir o ritmo em tempo de aproveitar a vida com alegria e saúde) tomaram uma decisão surpreendente para um casal – muito enxuto, diga-se – de mais de 60 anos: alugaram o apartamento em um bairro nobre de São Paulo a um parente, enfiaram algumas peças de roupa na mala e embarcaram para Barcelona, onde meu irmão e eu moramos, para uma espécie de ano sabático.
Aqui na capital catalã, os dois alugaram um apartamento agradabilíssimo no bairro modernista do Eixample (mas com um terço do tamanho e um vigésimo do conforto do de São Paulo), com direito a limpeza de apenas algumas horas, uma vez por semana. Como nunca cozinharam para si mesmos, saíam todos os dias para almoçar e/ou jantar. Com tempo de sobra, devoraram o calendário cultural da cidade: shows, peças de teatro, cinema e ópera quase diariamente. Também viajaram um pouco pela Espanha e a Europa. E tudo isso, muitas vezes, na companhia de filhos, genro, nora e amigos, a quem proporcionaram incontáveis jantares regados a vinhos.
Com o passar de alguns meses, meus pais fizeram uma constatação que beirava o inacreditável: estavam gastando muito menos mensalmente para viver aqui do que gastavam no Brasil. Sendo que em São Paulo saíam para comer fora ou para algum programa cultural só de vez em quando (por causa do trânsito, dos problemas de segurança, etc), moravam em apartamento próprio e quase nunca viajavam.
Milagre? Não. O que acontece é que, ao contrário do que fazem a maioria dos pais, eles resolveram experimentar o modelo de vida dos filhos em benefício próprio. “Quero uma vida mais simples como a sua”, me disse um dia a minha mãe. Isso, nesse caso, significou deixar de lado o altíssimo padrão de vida de classe média alta paulistana para adotar, como “estagiários”, o padrão de vida – mais austero e justo – da classe média europeia, da qual eu e meu irmão fazemos parte hoje em dia (eu há dez anos e ele, quatro). O dinheiro que “sobrou” aplicaram em coisas prazerosas e gratificantes.
Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. É o preço que se paga por conviver com algo totalmente desconhecido no nosso país: a ausência do absurdo abismo social e, portanto, da mão de obra barata e disponível para qualquer necessidade do dia a dia.
Traduzindo essa teoria na experiência vivida por meus pais, eles reaprenderam (uma vez que nenhum deles vem de família rica, muito pelo contrário) a dar uma limpada na casa nos intervalos do dia da faxina, a usar o transporte público e as próprias pernas, a lavar a própria roupa, a não ter carro (e manobrista, e garagem, e seguro), enfim, a levar uma vida mais “sustentável”. Não doeu nada.
Uma vez de volta ao Brasil, eles simplificaram a estrutura que os cercava, cortaram uma lista enorme de itens supérfluos, reduziram assim os custos fixos e, mais leves, tornaram-se mais portáteis (este ano, por exemplo, passaram mais três meses por aqui, num apê ainda mais simples).
Por que estou contando isso a vocês? Porque o resultado desse experimento quase científico feito pelos pais é a prova concreta de uma teoria que defendo em muitas conversas com amigos brasileiros: o nababesco padrão de vida almejado por parte da classe média alta brasileira (que um europeu relutaria em adotar até por uma questão de princípios) acaba gerando stress, amarras e muita complicação como efeitos colaterais. E isso sem falar na questão moral e social da coisa.
Babás, empregadas, carro extra em São Paulo para o dia do rodízio (essa é de lascar!), casa na praia, móveis caríssimos e roupas de marca podem ser o sonho de qualquer um, claro (não é o meu, mas quem sou eu para discutir?). Só que, mesmo em quem se delicia com essas coisas, a obrigação auto-imposta de manter tudo isso – e administrar essa estrutura que acaba se tornando cada vez maior e complexa – acaba fazendo com que o conforto se transforme em escravidão sem que a “vítima” se dê conta disso. E tem muita gente que aceita qualquer contingência num emprego malfadado, apenas para não perder as mordomias da vida.
Alguns amigos paulistanos não se conformam com a quantidade de viagens que faço por ano (no último ano foram quatro meses – graças também, é claro, à minha vida de freelancer). “Você está milionária?”, me perguntam eles, que têm sofás (em L, óbvio) comprados na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, TV LED último modelo e o carro do ano (enquanto mal têm tempo de usufruir tudo isso, de tanto que ralam para manter o padrão).
É muito mais simples do que parece. Limpo o meu próprio banheiro, não estou nem aí para roupas de marca e tenho algumas manchas no meu sofá baratex. Antes isso do que a escravidão de um padrão de vida que não traz felicidade. Ou, pelo menos, não a minha. Essa foi a maior lição que aprendi com os europeus — que viajam mais do que ninguém, são mestres na arte do savoir vivre e sabem muito bem como pilotar um fogão e uma vassoura.

PS: Não estou pregando a morte das empregadas domésticas – que precisam do emprego no Brasil –, a queima dos sofás em L e nem achando que o “modelo frugal europeu” funciona para todo mundo como receita de felicidade. Antes que alguém me acuse de tomar o comportamento de uma parcela da classe média alta paulistana como uma generalização sobre a sociedade brasileira, digo logo que, sim, esse texto se aplica ao pé da letra para um público bem específico. Também entendo perfeitamente que a vida não é tão “boa” para todos no Brasil, e que o “problema” que levanto aqui pode até soar ridículo para alguns – por ser menor. Minha intenção, com esse texto, é apenas tentar mostrar que a vida sempre pode ser menos complicada e mais racional do que imaginam as elites mal-acostumadas no Brasil

Assino em baixo e em cima - Dica da Lucia Pellegrino de Brasilia e da Luciane de Curitiba

terça-feira, 12 de julho de 2011

"As pessoas não morrem ficam encantadas" - Aracy de Carvalho um anjo brasileiro

Uma homenagem tardia e simples a essa BRASILEIRA corajosa, humanista e idealista.
 Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, nasceu em Rio Negro, Paraná, 1908 e faleceu em São Paulo dia 3 de março de 2011, poliglota brasileira que prestou serviços ao Itamaraty, tornando-se a segunda esposa do escritor João Guimarães Rosa.

"Aracy também é conhecida por ter seu nome escrito no Jardim dos Justos entre as Nações, no Museu do Holocausto (Yad Vashem), em Israel, por ter ajudado muitos judeus a entrarem ilegalmente no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas. A homenagem foi prestada em 8 de julho de 1982, ocasião em que também foi homenageado o embaixador Luiz Martins de Souza Dantas. Ela é uma das pessoas homenageadas também no Museu do Holocausto de Washington (EUA)."

"No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil, a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Aracy ignorou a circular e continuou preparando vistos para judeus, permitindo sua entrada no Brasil. Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas. Para obter a aprovação dos vistos, Aracy simplesmente deixava de pôr neles a letra J, que identificava quem era judeu."
Aracy e Guimarães Rosa
"Nessa época, João Guimarães Rosa era cônsul adjunto (ainda não eram casados). Ele soube do que ela fazia e apoiou sua atitude, com o que Aracy intensificou aquele trabalho, livrando muitos judeus da prisão e da morte."

"Aracy permaneceu na Alemanha até 1942, quando o governo brasileiro rompeu relações diplomáticas com aquele país e passou a apoiar os Aliados. Seu retorno ao Brasil, porém, não foi tranquilo. Ela e Guimarães Rosa ficaram quatro meses sob custódia do governo alemão, até serem trocados por diplomatas alemães. Aracy e Guimarães Rosa casaram, então, no México, por não haver ainda, no Brasil, o divórcio."


"Sua biografia inclui também ajuda a compositores e intelectuais durante o regime militar implantado no Brasil em 1964, entre eles Geraldo Vandré, de cuja tia Aracy era amiga."

Aracy enviuvou no ano de 1967 e não se casou novamente. Sofria de Mal de Alzheimer e morreu no dia 3 de março de 2011 em São Paulo, de causas naturais, aos 102 anos."

"As pessoas não morrem ficam encantadas" (Guimarães Rosa)

Pesquisas e fotos: Internet, Wikipédia

Frase do dia - William Shakespeare

Em resposta aos que se desculpam pela sua incompetência ao afirmar: " Quem emite a mensagem é o responsável...", um dito que ficou em voga, um bom tempo, no mundo corporativo e usado como desculpa por aqueles que não tinham capacidade de entender a mensagem e realizar seu trabalho com competência. 

"EU SÓ SOU RESPONSÁVEL PELO QUE EU FALO, NÃO PELO O QUE VOCÊ ENTENDE” - William Shakespeare.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

MPQ - Música Popular de Qualidade - Billy Blanco, tiraram do músico a Lira, interromperam a canção...

William Blanco Abrunhosa Trindade, mais conhecido como Billy Blanco, nasceu em Belém do Pará dia 8 de maio de 1924 , faleceu no Rio de Janeiro dia 8 de julho de 2011, arquiteto, músico, compositor e escritor.



Billy Blanco morreu às 8h10 desta sexta-feira, aos 87 anos. Ele estava internado desde 2 de outubro de 2010, quando sofreu um AVC (acidente vascular cerebral), e hoje sofreu uma parada cardíaca.

"Nascido em Belém (PA), o compositor decidiu estudar arquitetura em São Paulo, em 1946. Onde iniciou sua carreira de compositor. Depois se mudou para o Rio, onde a carreira ganhou novo impulso. Blanco foi precursor da bossa nova e parceiro de Tom Jobim, Baden Powell e João Gilberto."

"Tem um estilo próprio, descrevendo os acontecimentos a sua volta, com humor ou no gênero de exaltação, falando de amor e das desilusões; onde seu samba sincopado, que fugia da cadência vigente do estilo, passou a chamar a atenção dos cantores da época. Sua primeira composição foi "Pra Variar", em 1951. Nos anos 1950 e 1960 seus sucessos foram gravados por Dick Farney, Lúcio Alves, João Gilberto, Dolores Duran, Sílvio Caldas, Nora Ney, Jamelão, Elizeth Cardoso, Dóris Monteiro, Os Cariocas, Pery Ribeiro, Miltinho, Elis Regina e Hebe Camargo. Seu primeiro sucesso foi "Estatutos da Gafieira", na voz de Inesita Barroso, em gravação da RCA Victor de 1954."

"Fez parcerias com Baden Powell, em "Samba Triste", Tom Jobim, em "Sinfonia do Rio de Janeiro" (suíte popular em ritmo de samba, de 1960) e João Gilberto, em "Descendo o Morro" e "A Montanha/O Morro", onde os dois doutores do asfalto homenageiam o samba de gente simples e de favela. Foram 56 parcerias com o violonista Sebastião Tapajós e com outros compositores, num total de quinhentas músicas, sendo que trezentas já gravadas."
Billy Blanco, Aracy de Almeida, Sérgio Porto e ao fundo Roberto Menescal


"Entre seus sucessos destacam-se "Sinfonia Paulistana", "Tereza da Praia", "O Morro", "Estatuto da Gafieira", "Mocinho Bonito", "Samba Triste", "Viva meu Samba", "Samba de Morro", "Pra Variar", "Sinfonia do Rio de Janeiro" e "Canto Livre". "Sinfonia do Rio de Janeiro" é composta por dez canções, escritas em parceria com Tom Jobim, em 1960. As canções que formam a suíte são "Hino ao Sol", "Coisas do Dia", "Matei-me no Trabalho", "Zona Sul", "Arpoador", "Noites do Rio", "A Montanha", "O Morro", "Descendo o Morro" e "Samba do Amanhã".
Depois de passar uma temporada no Forte de Copacabana durante a ditadura brasileira, Billy Blanco compôs "Canto Livre"."

Billy é avô de Lua Blanco atriz e cantora que atualmente está no ar com a novela Rebelde na TV Record,
Ana Terra Blanco Atriz e Cantora,atualmente em Malhação na TV Globo, Pedro Sol Ator e Cantor e Estrela Blanco Atriz e Cantora

Adoniran Barbosa, Billy Blanco, Cartola e Nelson Cavaquinho







Pesquisas: Wikipédia, FolhaOnline, História da Música Popular Brasileira, YouTube, Internet

quinta-feira, 7 de julho de 2011

MPQ - Música Popular de Qualidade - Assis Valente

Brasil Pandeiro com os Novos Baianos - Vídeo restaurado, música de Assis Valente. Você sabe quem foi esse grande compositor da música brasileira? Assista ao vídeo e leia alguns detalhes da vida de Assis Valente em seguida.


Assis Valente compôs belas músicas que foram sucesso durante sua carreira. Camisa Listada, Alegria, Uva de Caminhão, Fez Bobagem, ...E o Mundo não se acabou, Boas Festas e outras mais.
Sua interprete favorita foi Carmen Miranda, que tempos depois de longa parceria o esnobou, criando uma grande mágoa e ao rompimento entre eles, o que levou a Assis Valente a uma grande depressão.
A música que gerou a separação foi Brasil Pandeiro. Carmen Miranda era sucesso nos Estados Unidos, alegou que a música era ruim e que Assis Valente tinha ficado "borocoxô" , possivelmente Carmen não quis gravar Brasil Pandeiro com receio de criar um clima negativo para ela. A música foi gravada pelo conjunto Anjos do Inferno e tornou-se um imenso sucesso, depois regravado pelos Novos Baianos. 

José de Assis Valente, auxiliar de laboratório, desenhista, escultor, poeta, compositor, escritor de teatro de revista, protético, nasceu em Santo Amaro, Bahia, em 19 de março de 1911 e morreu no Rio de Janeiro em 6 de março de 1958. Sua morte deveu-se a dívidas e a uma grande depressão que o levou a tentar por três vezes o suicídio.

Aos 10 anos já tinha sido raptado dos pais, escravizado e banido, admirava grandes poetas (Castro Alves, Guerra Junqueira) e os declamava com desenvoltura. Trabalhou no Circo Brasil um um circo mambebe e rodou pelo interior da Bahia. Estudou no Liceu de Artes e Ofício e aprendeu o ofício de confeccionar dentaduras (Protético).
Casou-se e teve uma filha, Nara, cujo nome trazia tatuado no braço.

Chega ao Rio em 1927, fez alguns desenhos para as revistas "Fon-Fon" e "Shimmy"e conseguiu algum dinheiro publicando outros desenhos.Trabalhou como protético, era tão bom,que dizia-se no Rio que suas dentaduras "só faltavam falar".

Dorival Caymmi, Carmen Miranda e Assis Valente

Na década de 30 fazia poemas e conhece Heitor dos Prazeres que foi um grande incentivador para que compusesse sambas. Seu primeiro samba "Tem francesa no morro" foi gravado por Araci Cortes. Fez um samba para ser gravado por Carmen Miranda, surgindo a partir daí uma grande amizade e parceria que resultaram em vários sucessos, até a recusa de Carmen em gravar "Brasil Pandeiro".
Suas músicas foram gravadas pelos principais cantores e conjuntos da época, Araci Cortes, Anjos do Inferno, Orlando Silva, Altamiro Carrilho, Carlos Galhardo, Diabos do Céu (conjunto de Pixinguinha), Moreira da Silva, Chico Alves, Aurora Miranda (irmã de Carmen Miranda), Bando da Lua, Mário Reis, Almirante, Aracy de Almeida, Sônia Carvalho, Irmãs Pagãs (Elvira e Rosina), Sílvio Caldas, Gilberto Alves. Foi esquecido por todos. Mais recentemente suas músicas receberam interpretações de Marlene, Clara Nunes, João Gilberto, Nara Leão, Marilia Medalha, Maria Bethânia, Adriana Calcanhoto, Novos Baianos.


Foram tantos sucessos entre sambas, músicas natalinas (Boas festas), músicas para festas juninas ( Cai cai, balão, Acorda, São João), carnavalescas (Camisa listada)  e tantas outras.
Admirado por Noel Rosa, Ary Barroso, Ataulfo Alves com quem compôs Batuca no chão, gravada pelo conjunto Quatro Ases e um Coringa.
Assis Valente e Carmen Miranda
Morreu amargurado e endividado. Deixou um bilhete para a polícia, nele pedia ao amigo Ary Barros pagar-lhe dois meses de aluguel atrasado e um último verso:

"Vou parar de escrever, pois estou chorando de saudade de todos, e de tudo."

Felicidade afogada morreu
a esperança foi fundo e voltou
foi ao fundo e voltou
foi ao fundo e ficou
(Lamento, samba de 1958)
No dia 10 de março de 1958, 18:00h, Praia do Russel, sentado num banco,  perto de um parque infantil, Assis Valente partiu para nova dimensão.

Pesquisas: Wikipédia, YouTube, História da Música Popular Brasileira e Revista Vox Objetiva