terça-feira, 31 de julho de 2012

Carta Ao Poeta - Márcia C. Lio Magalhães


Mulher Escrevendo Carta e sua empregada - JanVermeer

Acredito sensivelmente que nós mortais precisamos beber deste néctar precioso que é a escrita. Infelizmente, nem sempre somos compreendidos.
A escrita é lâmina afiada que pode cortar, desamarrar e salvar-nos, como também pode ferir e matar-nos.
Fazer-se conhecer através da escrita não é fácil. O autor que se desnuda através dela, tem de ter nervos de aço, mas coração de pescador......
Todavia, enfrenta marés violentas, n'outras mar taciturno...
Nem sempre pode-se colher redes abundantes, pois que o mar muitas vezes nos nega seu fruto.
O verdadeiro autor não cabe só dentro de si, ele não cabe só num quarto à luz de um abajur, tendo apenas como companheira uma velha, mas fiel escrivaninha, uma cadeira gasta e uma página em branco... Não! O autor é do mundo!
O mundo espera por ele, quer ouvi-lo, lê-lo, vê-lo, senti-lo...
Não mate as palavras dentro de seu coração, pois que o verso é santo, forte e livre.
Não se abandona o barco antes do naufrágio.
Ainda sim, no fundo do mar, inquieto e silencioso, o barco dorme o sono dos anjos...
Quem nasce poeta, vive e morre pela escrita!
Pois que o poeta é um barco, que com o tempo aprendeu a navegar ora em rotas serenas ora turbulentas.
Dê tempo ao mar, deixe-o apaziguar, pois que o sol ainda há de brilhar sobre as velas...

(Márcia Christina Lio Magalhães)

Trechos do meu próximo Livro.
Texto originalmente escrito em meados de 2010 e publicado no Blog Poetar é Preciso.

http://marciacristinaliomagalhaes.blogspot.com/