terça-feira, 31 de julho de 2012

Britânicos recusam-se a perder a majestade - De Londres, Aylê-Salassié

O amor é lindo - Internet

London Bridge UCB News

“Ser ou não ser” (To be or not to be), esta foi uma das questões litúrgicas mais complicadas colocadas pelo cerimonial na abertura das Olimpíadas para 54 países soberanos colonizados pelos ingleses, dezesseis dos quais ainda súditos da Rainha Elizabeth II da Inglaterra. Cada delegação deveria abaixar cerimoniosamente a bandeira ao passar em frente ao palanque oficial, onde estava a chefe do Estado Britânico. Embora parte desse grupo, a representação olímpica dos Estados Unidos recusava-se a fazê-lo e outros a ignoraram. Isso não pode ser computado como um indelicadeza, mas nela está inclusa a recusa do reconhecimento, já em desuso, desta submissão colonial histórica, que faz parte do imaginário dos britânicos – quem foi rei não perde a majestade - e pode causar ainda problemas diplomáticos. Nesse sentido, os ingleses ficam a dever à comunidade olímpica, ao trocar, por exemplo, a bandeira da Coréia do Norte pela a da Coréia do Sul, o que atrasou por uma hora o início do jogo das seleções femininas de futebol norte-coreana e colombiana, em Camdem Park , o que esteve perto de gerar um incidente diplomático. O episódio torna-se mais desagradável, porque Pyongyang preparava-se para celebrar, com desfiles militares, 59 anos do acordo que encerrou a feroz guerra fratricida na península coreana, e que fixou, no paralelo 38, os limites territoriais do norte e do sul, sob a égide dos Estados Unidos e da Inglaterra, que terminou por estigmatizar as duas partes como o lado comunista e o democrático liberal. Os comunistas nunca concordaram totalmente com essa divisão, e por isso aceitaram com ressalvas as desculpas dos ingleses, que já haviam tentado impedir o hasteamento da bandeira do norte na Copa do Mundo de 1966. Na abertura dos XXX Jogos Olímpicos e até em conversas informais, mesmo discretamente ou em tom de brincadeira, o inglês não esquece de que o sol não se poe no Império Britânico. A expansão colonial inglesa até o século XIX foi tão extensa que os ingleses se faziam presentes nos territórios mais distantes do globo, chegando a dominar 20% das terras do planeta e 25% de sua população. O Império estendia-se do Caribe (Honduras Britânicas e Guiana Inglesa) até a Austrália e ilhas remotas do Pacífico, passando por um terço da África (envolvendo a África do Sul, Nigéria, Egito, Quênia e Uganda), Índia, Birmânia e China. O sol estava sempre brilhando em pelo menos um deles. Na medida em que as colônias foram tornando-se independentes, surgiu a Comunidadade de Naçoes da Língua Inglesa ( Commonwealth), uma associação voluntária de 54 estados soberanos, embora dezesseis dos Estados-Membros tenham ainda como chefe de Estado, a rainha Elizabeth, da Inglaterra . Os membros dessa extensa Comunidade sao ex-colônias britânicas, que reúnem três países na Europa, doze na América do Norte, um na América do Sul, dezenove na África, oito na Ásia, e onze na Oceania. Somados as populaçoes tem-se ainda hoje sob a influência cultural inglesa 2,1 bilhões de pessoas, quase um terço da população mundial. Entre as excentricidades está Moçambique , membro, ao mesmo tempo, da Commonwealth e da Comunidade de Língua Portuguesa, liderada pelo Brasil e Portugal.
Cordialmente
Aylê-Salassié
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