terça-feira, 31 de julho de 2012

A morada dos deuses - De Londres, Aylê-Salassié

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London Bridge UCB News

Para uma jovem predestinada desde os quatro anos de idade à prática de uma modalidade esportiva específica , chegar às Olimpíadas é não apenas transformar em realidade sonhos, mas, sobretudo, ser recebida no Olimpo . Isso a levou a atravessar enormes obstáculos, superar desafios , e a sacrificar a vida pessoal para expandir e aprimorar os próprios limites. O monte Olimpo existe como um acidente geográfico na Grécia, mas a sua visibilidade vem do politeísmo mitológico helênico, forjando a idéia de que ali era a morada dos deuses. Embora estejam em Londres, é lá que os atletas querem chegar. Assim, para uma menina com menos de 18 anos ser banida dessa convivência celestial, 24 horas antes do início dos Jogos, é devastadoramente frustrante.
Difícil, portanto, aos pobres mortais imaginar o estado de espírito de Adrian Gomes, ainda na adolescência, ser cortada não da delegação , nem do time brasileiro. Não, não é isso... Cortada dos Jogos Olímpicos. É muito mais que um drama. Pior, tem a força destruidora da ironia. As condições atingidas pela tecnologia do esporte, não dão margem sequer para o choro, o riso incontido ou para maldizer-se. A ressonância magnética acusou uma lesão na vértebra 13. Ela está fora. Por motivo similar foi excluída também a Laís Souza, que teve fratura na mão direita, quando treinava nas barras paralelas, e, antes, Jade Barbosa, que tanto tem representado o Brasil, vítima dos patrocínios que a fabricaram. Ainda bem que nenhum brasileiro foi acusado de dopping, considerado nos Jogos o cúmulo da indignidade.
Um atleta ser excluído das Olimpíadas é quase desastre pessoa. Para os torcedores não chega a ser traumático, como a derrota num jogo entre Flamengo e Fluminense, ou São Paulo e Corínthias . As Olimpíadas transcendem. Há uma imanente admiração pelo vitorioso e um certo afeto pelo perdedor. Simples mortais, os torcedores olímpicos contentam-se em acompanhar de longe tudo isso. Cabem aplaudir os atletas olímpicos - não existem vaias – sem distinção. É um reconhecimento a todos os competidores, sejam de quais forem os países, próximos ou distantes
Isso não significa que os brasileiros não devam torcer para o Cesar Cielo (50 mts natação), Álvaro Miranda ( hipismo ) Mayra Aguiar (judô), Tiago Camilo (judô), César Castro ( mergulho), Reinaldo Colucci (triatlo), pela seleção brasileira de vôley, de futebol, pelas duplas da areia, e até pela Adriana Araújo que participa da primeira competição olímpica de boxe feminino. Ao contrário, tem havido aqui até desfile de escola de samba da torcida brasileira. Os países querem também aumentar o número de medalhas. Os Estados Unidos pretendem retomar o primeiro lugar da China (2008), os ingleses querem manter, no mínimo, o seu quarto lugar, e o Brasil se esforça para ficar entre os quinze melhores. E todos os atletas desejam subir ao pódio, que funciona, , imaginariamente, como o Olimpo.
O que se pretende dizer é que as Olimpíadas são uma celebração , um encontro de sonhos e sonhadores que sonham, primeiramente, por si, e depois pelo país de origem. É muito difícil ganhar uma medalha, seja de ouro, prata ou bronze. São milhares de atletas no mundo inteiro treinando durante anos para estender os limites do homem: pela perfeição a beleza e a capacidade de resistência do ser humano, por mais um centímetro, por mais um décimo de segundo.
Cordialmente
Aylê-Salassié
http://spaces.msn.com/ayleq