sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Conheça a história por trás do queijo Canastra - Igor Olszowski


O queijo Canastra, sabor rústico das Gerais, têm história para se manter como um patrimônio brasileiro original. Saiba mais sobre essa delícia

Centro de maturação do queijo Canastra, em Medeiros - Minas Gerais, capacidade para 8 toneladas de queijo. 







O queijo Canastra está na lista do patrimônio cultural brasileiro

A serra da Canastra, em Minas Gerais, preserva uma preciosidade: o queijo Canastra. A produção artesanal dessa iguaria de leite cru foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2008, como patrimônio cultural e imaterial brasileiro. Cerca de 1800 famílias vivem dessa atividade na região, mas apenas pouco mais de 20 produtores ainda conservam o paladar e as características do genuíno Canastra: maturado e de casca amarela.
Estilo original

Porém, desde 1952, a legislação federal sobre vigilância sanitária impede a comercialização de produtos não pasteurizados. E assim, o queijo artesanal feito de leite cru caiu na ilegalidade. Para agravar a situação, a figura do queijeiro entra em cena a partir dos anos 1970. Ele passa pelas propriedades familiares, enche as caminhonetes e paga o preço que lhe convém para abastecer os grandes centros consumidores. Anteriormente, os queijos esperavam um tempo de maturação adequado (entre 20 a 30 dias) e seguiam com tropeiros em lombo de burro. Na ânsia de atender esses atravessadores, quase a totalidade da produção passou a ser vendida como um vulgar queijo frescal. Assim, o verdadeiro Canastra perde um traço importante de sua identidade. Torna-se uma tarefa difícil, mesmo na região, encontrar um queijo com o sabor mais apurado e singular do Canastra curado.

Herança cultural

O fazendeiro Baltazar Silva, conhecido como Zé Mário, de São Roque de Minas, lembra bem o tempo anterior às ânsias mercantis. Herdou a fazenda e os saberes de seu pai. Fez seu primeiro queijo com 7 anos de idade e há mais de 50 se dedica à atividade diariamente. "No tempo do meu pai, os produtores vendiam queijo apenas uma vez por mês. Queijo com oito dias de idade não ia para o transporte, ficava para o mês seguinte. Aí já começa a grande diferença. Você só via queijo, no mercado, amarelinho. Hoje se vende de duas a três vezes por semana", conta.


 Zé Mário - Campeão 



 Itamar - Loja do Itamar



Identidade lucrativa

Um programa dedicado aos produtores de queijo foi criado pelo governo de Minas em 2002, depois de alguns intercâmbios com associações produtoras na França, a meca do queijo no mundo. Para João Carlos, da fazenda Agroserra, a troca de experiências com a turma do roquefort e do camembert foi decisiva. "Eles nos mostraram que é possível manter nossa identidade, transformar isso numa atividade econômica rentável e perpetuar a cultura local. Produzir queijo artesanal de qualidade e com segurança alimentar. Eles passaram por esse mesmo processo há 30 anos", afirma.

Em 2009, Zé Mário foi convidado a participar da Feira Nacional de Agricultura Familiar, no Rio de Janeiro: "Você não acredita no sucesso que esse queijo fez. Em seis dias, nossa mercadoria havia zerado. Nos dois últimos dias, os mais fortes da feira, já não tínhamos mais queijo". Prova de que há um vasto mercado de consumidores mais exigentes nos grandes centros urbanos que valorizam produtos típicos de qualidade.

Chácara Esperança

 Itamar - Loja do Itamar



Luciano - Chacára Esperança e Rodrigo - Loja do Itamar

Os proprietários da Chácara Esperança, o casal Luciano e Helena Carvalho, de Medeiros, só vendem o queijo maturado, inclusive para garantir a segurança alimentar. "Se houver qualquer problema com o queijo, ele vai apodrecer, não vai curar. Uma coisa casa com a outra: você só consegue ver sabor quando ele é maturado", afirma.

O casal fabrica o Canastra Real, com uma cura de no mínimo 60 dias. Luciano participou de um intercâmbio em 2009 promovida pela ONG francesa Agrifert e foi conhecer as cadeias de produções artesanais francesas. Essa experiência reforçou o orgulho pelo paladar do Canastra e serviu para aprimorar a mercadoria.

"Quando fui à Europa e conheci os queijos de lá, me animei muito com os nossos. Eles apresentam bolor, casca rachada, não há um acabamento fino, lixado e bonito como os da indústria. Nós começamos fazer a mesma coisa aqui. Percebi um aprimoramento do sabor, porque ele cria sua própria casca, seu próprio meio. A casca é como se fosse a embalagem. Quando você faz o acabamento, você tira a proteção. Hoje, meus clientes já preferem esse produto mais rústico de paladar mais acentuado", afirma Luciano.

Outros produtores de qualidade do famoso Queijo Minas Canastra

Fazenda do Nereu



 Nereu - produtor



Fazenda do Valtinho




 Valtinho - produtor




LIVROS
Viagem às Nascentes do Rio São Francisco, Saint-Hilaire, Itatiaia

DICA: Rodrigo Gomes de Oliveira da Loja do Itamar - Mercado Central de Belo Horizonte - Minas Gerais - A melhor loja de queijos e doces mineiros. Meu fornecedor e guru para assuntos gastronômicos.
Fotos: Rodrigo Gomes de Oliveira

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Champagne - Peppino Di Capri

Peppino Di Capri, o tempo passa, sua música Champagne contínua embalando boas lembranças

Peppino Di Capri, nome artístico de Giuseppe Faiella, (Capri27 de julho de 1939) é um cantor italiano.
Iniciou sua carreira no começo dos anos 60, sendo o primeiro artista nacional a fazer sucesso com um twist na Itália (Saint Tropez Twist, de 1962). Venceu os festivais de San Remo em 1973 e 1976. Venceu também o Festival de Napoli em 1970.
O cantor também desfruta de sucesso internacional, inclusive no Brasil com as canções "Roberta" (1963) , "Champagne" (1973), "Mai" (1975), "Un Grande Amore e Niente Più (1973).
Este cantor interpretou o tema "Comme è ddoce 'o mare" no Festival Eurovisão da Canção 1991, cantando em napolitano, onde alcançou um sétimo lugar.


Dica do especial amigo goiano Ciro Lisita Sampaio 
Vídeo: YouTube - Texto: WIKIPÉDIA

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Moça da Janela - Márcia Christina Lio Magalhães

                         Foto: UNIVERSO - SABARÁ - MINAS GERAIS

Se te entrego todas as minhas palavras embrulhadas em tão fina seda, por que, então, desconfias das letras e exclamações?
Acaso avalias os fatos num tribunal de júri, onde o réu é condenado sem provas? Ora, não julgues aquilo que não entendes de fato, sabotando minhas convicções!
Se tu tens o coração fechado – por ter em algum momento da vida sido enganado, golpeado, traído, iludido – não aches que sempre será pego no encalço por tão traiçoeiro destino...
Soube que, há muito tempo, foi acometido a uma moça, se apaixonar por um belo cavalheiro. O mais intrigante é que ela só o conhecia por vê-lo passar frente a sua janela a cavalo, em direção à cidade, pois ambos moravam no campo.
Certo dia, a moça, enfrentando seus receios, colocou no meio do caminho uma cesta cheia de iguarias, esperando que o moço, quando visse a cesta, parasse para saber o que dentro havia.
Então, algo inesperado aconteceu...
Naquela manhã, estava a moça, como sempre, escondida pela cortina atrás da janela, esperando o misterioso cavalheiro, quando, de repente, o mesmo apareceu, montado em seu cavalo negro, de brilho azulado, galopando em direção à cidade. Vendo a cesta no meio do caminho – num impulso – puxou as rédeas com uma freada tão forte, que as patas da frente do cavalo ergueram-se assustadoramente. E diante daquele objeto, o que fez o cavalheiro?
Desconfiado, achando tudo muito intrigante – pois sempre por ali passava e nada parecido lhe acontecera – julgou o cavalheiro se tratar duma emboscada. Sequer olhou à direita de seus ombros, onde ficava a casa da moça da janela, e num golpe forte e temeroso apertou as esporas nas costelas de seu cavalo que, involuntariamente, arrancou em açoite dali.
A moça, entristecida diante do que acontecera, desceu e retirou a cesta do meio do caminho. O que ela não pressentia, que no outro dia, na hora marcada pelo poente, que sempre o cavalheiro por ali passava, nada aconteceu. Desconsolada, e sem entender o destino, foi lamentar-se à beira de um velho ipê florido, que fazia sombra à sua casa, em direção ao norte da estrada...
Nesse momento, um beija-flor descuidado estava voando abaixo da fronte da triste donzela. Ficou todo encharcado com as lágrimas e lhe confidenciou:
- Senhorita, sua intenção não foi compreendida pelo cavalheiro solitário que, diante da cesta em seu caminho, achou se tratar duma emboscada... Hoje mesmo o encontrei na estrada, mudou seu caminho e, em direção à cidade, agora segue pelos trilhos do trem, que mesmo sendo um trajeto mais distante, em seu íntimo acredita ele, tratar-se mais seguro, pois conhece muitíssimo a região e nunca soube de encontrarem por lá, cestas nos trilhos!
E sendo assim, a moça, desconsolada, deixou de ficar à janela a suspirar pelo seu bem. Nunca mais se ouviu falar daquele cavalheiro por aquelas bandas, pois jamais fora visto na estrada, onde hoje só mora a saudade e os pássaros nunca cantam...
Entretanto, dizem os velhos daquele lugar distante, que em noites de lua cheia, após a meia-noite, é possível ver na estrada um beija-flor pairando sob uma cesta repleta de singelas margaridas...

(Márcia Christina Lio Magalhães)
Conto do Livro Poetar é Preciso - Re-editado

"Todo filho é pai da morte de seu pai" Fabrício Carpinejar



"Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia."

Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai. É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso. É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar. É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe. É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios. E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz. Todo filho é pai da morte de seu pai. Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta. E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais. Uma das primeiras transformações acontece no banheiro. Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro. A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas. Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes. A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões. Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus. Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente? Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete. E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia. Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos. No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira: — Deixa que eu ajudo. Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo. Colocou o rosto de seu pai contra seu peito. Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo. Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável. Embalou o pai de um lado para o outro. Aninhou o pai. Acalmou o pai. E apenas dizia, sussurrado: — Estou aqui, estou aqui, pai! O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

Dica do amigo e especial provedor de queijo minas e doces mineiros -  Rodrigo Gomes e Oliveira - Banca do Itamar no Mercado Central de Belo Horizonte, onde você encontra os melhores queijos de Minas Gerais, doces de leite, goiabadas e outros especiais doces mineiros.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Politicamente incorreta - Bruna Lombardi

                                              Foto:  Internet

Fecha teus olhos
Para frases soltas em falsas verdades
Esquece todas as regras da boa educação
Rasga a minha carne com lâmina afiada
Me faz lamber, rastejar no chão
Quero expressar o que sinto
Quero morrer enforcada em teu cinto
Se assim desejar………..
E pouco me importa as regras e a opinião
Desses que vivem na fogueira da vaidade
Intitulando-se advogados da razão
E na sutil demagogia
Tentam mostrar o que não são
Para eles sou politicamente incorreta
Para mim, eles não estão corretos
Sendo assim responda-me: O que é ser são???
Como falou Marques de Sade e não foi em vão
“Se a minha maneira de pensar não for aprovada.
O que me importa?????” …. Danem-se então!!!
Quebra-me agora em mil pedaços
Faz meu corpo um vidro em estilhaços
Introduz minh’alma no inferno se preciso
Mas deleta da memória as regras e os laços
Da sociedade hipócrita da razão.

(in "Brunissíma", Léo Christiano Editores)

Dica: Brimo - Luiz Edmundo Germano Alvarenga - BLOG DO ALVARENGA

Prato do dia - Gaspacho Andaluz - Receita tradicional da Dõna Rosário de Sevilla - Espanha

Excelente prato para o verão. Refrescante, saboroso, leve e colorido
Pode ser servido como entrada ou prato único

Gazpacho Andaluz - Receita tradicional de Dõna Rosário de Sevilla - Espanha 

Preparo: 30 minutos Rendimento: 6 porções (Sirva como entrada de verão)

Ingredientes: ½ Kg de tomates maduros. Miolo de 4 pãezinhos adormecidos Sal 4 colheres (sopa) de azeite de oliva 2 colheres (sopa) de vinagre

Acompanhamento: Pepino; Pimentão verde; Cebolinhas novas; Pão frito no azeite; Ovo cozido moído.

Modo de Preparo: Tire a pele e as sementes dos tomates. Deixe o pão de molho na água fria por 15 minutos. Retire, esprema o excesso de água e bata no liquidificador, juntamente com os tomates, até obter um creme fino. Junte o sal, o azeite, o vinagre e ¾ litro de água.
Sirva com cubos de gelo, acompanhado de pepino picado, pimentão e cebolinhas, pedacinhos de pão frito no azeite de oliva e/ou ovo cozido moído.



Fotos: UNIVERSO 

Preparo do prato: ULISSES SOARES - Meu filho

Conheça o blog do Ulisses - Acesse:   http://ulisses-ithaca.blogspot.com  (viagens, receitas, dicas de lugares, hotéis, restaurantes).

Momentos mágicos ao entardecer.

Clique nas fotos para ampliar 

Fotos tiradas da janela de meu apartamento em Belo Horizonte




Fotos tiradas em Chicureo - Chile










                                     Fotos: UNIVERSO

Para não dizerem que não falei de flores


Clique nas fotos para ampliar e ver mais detalhes







Fotos: UNIVERSO

O que é ser civilizado? O que é desenvolvimento? O que é o mundo moderno?



Dica do amigo Adenir Balmant - Torcedor do Rei do tapetão - Mineiroca

Como fazer, em casa, tinta segura para suas crianças

Gostei dessa ideia, não fiz ainda para meus netos. Vou fazer. Fica a sugestão.


Dica da amiga - Teresa Curátola, de Lagoa Santa

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Você é fiel a receita? - Pati - Blog Dedo de Moça

10 Jan 2014 05:00 AM PST - BLOG DEDO DE MOÇA

Pati - Blog Dedo de Moça

Quando você vai pra cozinha com uma receita na mão, qual é a chance de não respeitar muito o que o texto diz e se aventurar seguindo seus próprios instintos? Tirando as receitas de confeitaria, eu sou do time da infidelidade, rsrsrs! Isso não significa que não goste de receitas, muito pelo contrário, sou apaixonada por livros de culinária e vivo navegando em sites. Mas gosto da liberdade de poder usar a receita apenas como um ponto de partida e me deixar levar pelos aromas. Acho uma delícia descobrir novas possibilidades para aquele prato, incluir um tempero, acrescentar um ingrediente, substituir outro que está em falta… Ligar o som, abrir uma garrafa de vinho e ir provando até acertar a mão.

 O toque que eu vou dar ao prato depende – absolutamente – de quem vai experimentá-lo, porque o que mais me dá prazer é cozinhar para as pessoas! E quando falo isso significa que minha receita pode mudar completamente se estiver fazendo um prato para minha mãe, meu marido, minha avó, um desconhecido e por aí vai… Toda a inspiração que me leva até o fogão é agradar (ok, já discuti muito isso na terapia), é passar tudo que eu tenho de melhor através da comida, acho que dá pra definir como um gesto de amor, concordam?

Agora, vocês podem imaginar o quanto eu deixo minhas alunas loucas com esse “desprendimento” quando estou dando aula. Vira e mexe estou ensinando uma receita e sou interrompida por um: “Pati, mas isso não tá na receita”. É nesse momento que eu percebo que ensinar não é só passar conhecimento, mas é também – e principalmente – inspirar pessoas!

O BLOG DEDO DE MOÇA É UM DOS QUE EU SIGO, E RECEBO QUASE QUE DIARIAMENTE, ATUALIZAÇÕES SOBRE ASSUNTOS LIGADOS A CULINÁRIA. RECOMENDO DAR UMA OLHADA E SEGUIR: HTTP://WWW.DEDODEMOCA.NET

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Fragmento do Homem - Eugénio de Andrade


Que tempo é o nosso? Há quem diga que é um tempo a que falta amor. Convenhamos que é, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido em mercadoria. A obsessão do lucro foi transformando o homem num objecto com preço marcado. Estrangeiro a si próprio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem à tona é o mais abominável dos simulacros. Toda a arte moderna nos dá conta dessa catástrofe: o desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa denúncia; a sua dignidade, em não pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar máscaras e máscaras.

E poderia ser de outro modo? Num tempo em que todo o pensamento dogmático é mais do que suspeito, em que todas as morais se esbarrondam por alheias à "sabedoria" do corpo, em que o privilégio de uns poucos é utilizado implacavelmente para transformar o indivíduo em "cadáver adiado que procria", como poderia a arte deixar de reflectir uma tal situação, se cada palavra, cada ritmo, cada cor, onde espírito e sangue ardem no mesmo fogo, estão arraigados no próprio cerne da vida?

Desamparado até à medula, afogado nas águas difíceis da sua contradição, morrendo à míngua de autenticidade - eis o homem! Eis a triste, mutilada face humana, mais nostálgica de qualquer doutrina teológica que preocupada com uma problemática moral, que não sabe como fundar e instituir, pois nenhuma fará autoridade se não tiver em conta a totalidade do ser; nenhuma, em que espírito e vida sejam concebidos como irreconciliáveis; nenhuma, enquanto reduzir o homem a um fragmento do homem. Nós aprendemos com Pascal que o erro vem da exclusão.

Eugénio de Andrade in Os Afluentes do Silêncio

Dica: Luciane de Curitiba 

Foto: Internet - Desconheço o autor, quem souber, favor informar, para os devidos créditos.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Beba de mim - Letícia Thompson

 
 Foto: Internet 
 Desconheço o autor. Caso, alguém conheça, favor enviar-me o nome para os créditos merecidos.

Quero que você
Sacie sua sede de mim.
Que me beba e me tome,
Que se embriague
Do meu amor
Como do mais puro vinho,
Que me envolva e te envolva
Em lençóis de linho,
Beijos, carícias e carinhos...
Que você caminhe
Por meus caminhos,
Que me descubra,
Para que eu te renda
No auge desse instante,
Toda essa magia
Que vem de você
E me envolve
Em sonhos
Dos quais não quero acordar. 

 Dica: Blog do Alvarenga, do "brimo" Luiz Edmundo G. Alvarenga
http://blogspot.legalvarenga.com