sábado, 7 de março de 2009

Olavo Bilac - Por estas noites

Enviado por Pedro Lago, do Corujão da Poesia -
6.3.2009 23h30m
Poema da noite (Semana Olavo Bilac)

Por estas noites - Olavo Bilac

Por estas noites frias e brumosas
É que melhor se pode amar, querida!
Nem uma estrela pálida, perdida
Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas
Mas um perfume cálido de rosas
Corre a face da terra adormecida ...
E a névoa cresce, e, em grupos repartida,
Enche os ares de sombras vaporosas:
Sombras errantes, corpos nus, ardentes
Carnes lascivas ... um rumor vibrante
De atritos longos e de beijos quentes ...
E os céus se estendem, palpitando, cheios
Da tépida brancura fulgurante
De um turbilhão de braços e de seios.

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 1865 — Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 1918) foi jornalista e poeta brasileiro e membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. Fez faculdade de Medicina até o quinto ano e apesar do grande talento, largou o curso e foi estudar Direito em São Paulo, mas foi no Rio de Janeiro que ingressou com muito êxito na imprensa literária. Considerado o maior poeta parnasiano brasileiro e também autor do Hino à Bandeira Nacional. Leia mais sobre Olavo Bilac.

Poema postado no BLOG DO NOBLAT
Foto BLOG DO PORTOCROFT