sábado, 13 de abril de 2013

História de terror para Sophia dormir - Maurilo Andreas

Essa foto do tio Frank, é a que identifica o Maurilo no Facebook.

Maurilo Andreas, estudou e formou, juntamente com meu filho Ulisses, comunicação na Universidade Federal de Minas Gerais. É amigo, e mais do que isso, é amigo da família. Gente de casa, da cozinha.

  • Diretor de criação na empresa Casablanca Comunicação e Marketing , escritor, já lançou cerca de 5 livros infantis, o último chama-se João Ganhão .

  • Possui uma linda família e uma musa chamada Sophia. Transcrevo, abaixo a última história criada pelo Maurilo, para fazer a Sophia dormir.

    Escreveu Maurilo:
     
    Ontem Sophia queria uma história de terror pra dormir. Inventei na hora e contei pra ela a história do gato morto. Depois disso, claro que ela não dormiu. Hoje ela acordou querendo contar a história no Balão (Escola em que ela estuda) e pediu pra que eu escrevesse pra ela guardar. Pois bem, tá aí.

    O GATO MORTOEra uma vez um menino muito malvado chamado Getúlio. Ele batia nas outras crianças, quebrava as coisas dos outros e desrespeitava os mais velhos. Ninguém gostava dele.

    Um dia, Getúlio fez uma coisa ainda mais horrível. Pegou um gatinho que ficava ali na rua, colocou em um saco e depois jogou no rio. O pobre do gatinho foi miando e sumindo na correnteza.

    Getúlio foi embora rindo, voltou pra casa, jantou, tomou banho e foi dormir tranquilo, sem nem lembrar da maldade que tinha feito.

    Só que no meio da noite, Getúlio ouviu um miado. Era um som distante, mas bem claro de um miado triste e longo. Ele abriu os olhos, ficou sentado na cama e ouviu de novo:

    - Miaaaaaaaaauuuuuuuuuuu.

    Getúlio olhou do lado de fora da janela, procurou nos telhados e nos muros e não viu nada.

    Depois disso, era só Getúlio começar a cochilar que lá vinha o miado sofrido. O menino não pregou o olhou a noite inteira e, assim que a mãe acordou foi falar com ela.

    - Mãe, você ouviu esse gato chato miando a noite inteira?

    - Gato? Não, menino, não ouvi nada.

    A mãe saiu para trabalhar e Getúlio ficou em casa. De repente o telefone tocou, ele atendeu e, assim que ele disse alô, ouviu de novo aquele miado longo, triste e assustador.

    Desligou o aparelho correndo e ouviu tocar a manhã inteira sem atender.

    Getúlio foi para a aula morrendo de medo, mas aos poucos foi brincando, implicando com os outros, arrumando confusão e acabou esquecendo daquilo.

    Só que na volta pra casa, com a noitinha chegando, os miados voltaram e começaram a cercar Getúlio. Em cada esquina, na frente de cada lote vago, em todas as casas vazias os miados iam se juntando e crescendo até quase ensurdecer Getúlio.

    Ele correu pra casa apavorado e ao abrir a porta viu sua mãe falar com ele, mas só escutava o miado horroroso.

    O garoto ficou desesperado. Como ele ia se livrar daquilo? Como ele ia ficar livre do fantasma?

    Ele então teve uma ideia e foi cambaleando até chegar à beira do rio. Procurou, procurou e viu, agarrado em alguns galhos, o saco onde tinha colocado o gatinho.

    Ele pegou o saco todo molhado e levou com ele. Chegou no cemitério, abriu o saco e viu lá dentro o gato morto. Os miados continuavam e ele estava quase enlouquecendo.

    Pegou o gato, cavou um buraco, colocou o corpo lá dentro e depois cobriu de terra. Ele então rezou como nunca havia rezado antes e assim que terminou a oração os miados pararam.

    Getúlio então se levantou quase chorando, virou de costas e quando estava quase indo embora, ainda ouviu sair, de dentro do tumulozinho, o último miado, o mais longo, triste e assustador de todos.

    Um miado terrível que ele nunca esqueceu.

    Depois de contar essa história, ele ainda queria que a Sophia dormisse.