quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O ponto C - Roberta Jansen

The Golden Age - Tela de Cornelis Van Haarlem

Esqueça o polêmico G. A principal zona erógena do corpo é o cérebro, afirmam especialistas.

Nenhum especialista é capaz de cravar, com toda segurança, se o polêmico Ponto G existe ou não — um último estudo, divulgado no início do ano por cientistas britânicos, sustenta que a zona erógena responsável por orgasmos intensos não passaria de um mito das mulheres. Mas todos são unânimes em afirmar que o principal ponto de prazer sexual do corpo fica bem distante dos órgãos genitais: é o cérebro.

— Nosso principal órgão sexual é o cérebro — afirma Eloísio Alexsandro da Silva, especialista em sexualidade médica e cirurgia reconstrutora genital da Uerj. — É o que chamamos, entre nós, de brincadeira, de Ponto C.

O termo não foi cunhado oficialmente — é uma referência ao Ponto G —, mas está longe de ser incorreto, como atesta a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ.

— A sensação de prazer que a gente tem parte do cérebro. Conseguimos, inclusive, ter orgasmos sem nenhuma estimulação direta, como ocorre em sonhos, por exemplo — explica Suzana. — É claro que o estímulo sensorial, o toque, é muito potente, mas só funciona porque é capaz de desencadear algo no cérebro.

Num encontro sensual, os estímulos trocados — visuais, olfativos, auditivos e, claro, táteis — são enviados diretamente para o cérebro. De acordo com experiências prévias, memórias, cultura, moral, emoções, ligação com o parceiro, contexto, enfim, de uma infinidade de fatores, esses estímulos são processados individualmente para gerar uma resposta do cérebro. Dependendo da resposta, positiva ou negativa, o corpo se prepara para o sexo ou o rejeita.

— É por isso que, por exemplo, uma pessoa que teve cinco parceiros sexuais, provavelmente terá cinco experiências muito diferentes — explica o ginecologista Alexandre Pupo Nogueira, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. — E com o mesmo parceiro as experiências podem ser distintas.

Quando a resposta é positiva, o sistema de recompensa do cérebro, aquele que diz “se é bom, eu quero mais”, é ativado, gerando reações físicas, como a lubrificação, por exemplo. Ao que tudo indica, quem faz a mágica do orgasmo é um pequenino ponto localizado mais ou menos no centro do cérebro, do tamanho de uma amêndoa, e, por isso mesmo, chamado de amígdala — “uma forte candidata ao papel de estrutura que dispara o orgasmo”, nas palavras da neurocientista.

Venus e Cupido - Tela de Alessandro Allori

Mas há um outro ponto, ainda pouco estudado, chamado de claustro, que também estaria relacionado ao prazer sexual. Curiosamente, durante o orgasmo, uma parte importante do cérebro, o córtex préfrontal, que cuida do controle, da supervisão, é momentaneamente suprimido. A biologia confirma o clichê romântico: orgasmo é entrega.


— O prazer é uma combinação de várias coisas, da ativação e desativação de regiões diferentes do cérebro — constata Suzana. — Mas no centro disso tudo, está o sistema de recompensa, se essas estruturas não forem ativadas, não há sensação de prazer.

E qual seria a melhor maneira de ativá-las? — Não tem nada a ver com pontos — adianta Nogueira. — Com uma estimulação direta do clitóris, uma mulher pode ter o melhor orgasmo da sua vida ou achar muito chato, tudo vai depender do contexto.

Eloísio Alexsandro da Silva concorda com o colega.

— Esqueçam os pontos. A sexualidade não é apertar pontos. Se fosse assim, os melhores parceiros seriam as bonecas infláveis — afirma o especialista em sexualidade médica. — Sexo é holístico, e esta não é uma frase romântica, mas sim, biológica.

O estímulo das áreas genitais é apenas uma das maneiras de ativar o sistema de recompensa do cérebro, sobretudo o da mulher, que, segundo os especialistas funciona de uma forma menos direta que o homem.

— O homem é visual por excelência, basta a se sentir atraído pelo que vê que começa a se excitar.

— afirma a coordenadora do Projeto de Estudos em Sexualidade do Hospital das Clínicas da USP, Carmita Abdo. — A mulher tem essa competência, mas a intensifica com estímulo tátil e auditivo. Ela precisa da proximidade física, do contato com o parceiro e todo tipo de toque, na pele, no pescoço, no ventre, nas mamas, nas costas, na língua e na região genital. Essas são as áreas que as mulheres mais relacionam com prazer.

São regiões com muitas terminações nervosas e, por isso, sensíveis.

Orelha, axila, joelho: zonas erógenas

A psicóloga Carla Cecarello, coordenadora do Projeto Ambsex, da Associação Brasileira de Sexualidade, afirma que, antes de tudo, a mulher tem que se sentir bem consigo mesma, livre de concepções errôneas sobre o sexo e num relacionamento em que se sinta bem.

— Dito isso, o corpo da mulher é recheado de zonas erógenas que, quando estimuladas a levam a um grau de excitação maior — diz Carla.

— O corpo feminino é totalmente explorável: atrás da orelha, na axila, no joelho, nas costas, não é um ponto aqui e outro ali.

Por fim, aponta Eloísio, é importante não se preocupar com o tal do Ponto G — a área interna da vagina que seria responsável por um prazer mais intenso.

— O Ponto G é mais problema do que solução. Ninguém sabe se existe ou não. A maior evidência que existe na literatura é que é controverso — afirma o especialista. — Ninguém deve se sentir pressionado para achá-lo, nem mulheres nem homens.

Tela de Cornelis Van Haarlem

Para acender o cérebro

Toda a chave do prazer sexual, garantem os especialistas, está no cérebro. Alguns pontos do corpo, além dos genitais, quando devidamente estimulados, podem mandar a mensagem certa para o órgão, gerando uma resposta positiva.

São as áreas que concentram o maior número de terminações nervosas e respondem intensamente a estímulos:

Região atrás da orelha
Seios
Toda a extensão da coluna vertebral
Pescoço
A parte interna da virilha
Os joelhos
Os pés

Texto enviado pelo João Rodrigues, amigo carica e menguista diretamente da Tijuca na Cidade Maravilha.