quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Indo contra a "curtura" corporativa do "Mate um Leão por dia"

Sabe aquelas frases e "curturas" corporativas, algumas bem idiotas, que são trazidas pelo "Presidente" de empresa multinacional que participou da última reunião de "STAFF" em Nova York e, na primeira reunião com a sua equipe, cita todas, que imediatamente passam a ser "incorporadas" pelos seus VPs, diretores, gerentes e aí vai escada abaixo da pirâmide hierárquica.?
Passam a ser implementadas e citadas a todo momento, mesmo quando o momento não exige, ficando a coisa toda fora de um contexto, sem ninguém parar para avaliar, se o que está sendo dito e propagado faz algum sentido, com a cultura do país, das pessoas, se será entendido e assimilado por todos de maneira correta. Ninguém contesta, apenas dá uma de "papagaio" e se acha o cara. 
Cansei de ouvir essas bobagens, que são logo esquecidas e tornam-se sem sentido.
Exemplos: "Mate um Leão por dia", "Formamos um mesmo time", "Estamos todos no mesmo barco", "Tem que vestir a camisa", "Tem que suar a camisa", "Tem que ter estômago de aço", "Qualidade Total", "Politicamente correto", "O emissor é responsável pela mensagem", "Tem que correr atrás", "Não adianta dar o peixe, tem que ensinar a pescar", e por aí vai.
Frases feitas e ditas por gente vazia que se acham donos do poder corporativo, seguidas por pessoas acomodadas, que não pensam e não discutem seus pontos de vista e não defendem seus valores pessoais.
Pessoas pasteurizadas, fáceis de manobrar, obedientes, só dizem sim.

Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado e,
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado e,
Povo feliz

(Zé Ramalho)
Foto: UNIVERSO - Santiago do Chile

Outro dia, tive o privilégio de fazer
algo que adoro: fui almoçar com um
amigo, hoje chegando perto dos seus
70 anos.

Gosto disso. São raras as chances que
temos de escutar suas histórias e absorver
um pouco de sabedoria das pessoas que
já passaram por grandes experiências
nesta vida.

Depois de um almoço longo, no qual
falamos bem pouco de negócios mas
muito sobre meus negócios.

Contei um pouco do que estava fazendo
e, meio sem querer, disse a ele: - Pois é.
Empresário, hoje, tem que matar seu leão.
Você deveria mesmo era cuidar dele.

Fiquei surpreso com a resposta e ele
provavelmente deve ter notado minha
surpresa, pois me disse:
- Deixe-me contar uma história que
quero compartilhar com você.

- Existe um ditado popular antigo que diz
que temos que "matar um leão por dia".
Por muitos anos eu acreditei nisso, e
acordava todos os dias querendo encontrar
o tal leão.

A vida foi passando e muitas vezes me vi
repetindo essa frase.
Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios
já tinham crescido e precisava trabalhar um
pouco menos, mas sempre me lembrava do
tal leão. Afinal, quem não se preocupa quando,
tem que matar um deles por dia?

Pois bem. Cheguei aos meus 60 anos e decidi
que era hora de meus filhos começarem a
tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa
ao ver que nenhum dos três estava preparado!

A cada desafio que enfrentavam, parecia que
iam desmoronar emocionalmente. Para minha
tristeza tive de voltar à frente dos negócios, até
conseguir encontrar alguém, que hoje é nosso
diretor-geral.

Este "fracasso" me fez pensar muito.
O que fiz de errado no meu plano de sucessão?
Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho
uma suspeita: a culpa foi do leão.

Novamente, eu fiz cara de surpreso.
O que o leão tinha a ver com a história?

Ele, olhando para o horizonte, como que
tentando buscar um passado distante,
me disse: - É. Pode ser que a culpa não
seja cem por cento do leão, mas fica mais
fácil justificar dessa forma. Porque, desde
quando meus filhos eram pequenos, dei
tudo para eles.

Uma educação excelente, oportunidades
de morar no exterior, estágio em empresas
de amigos.

Mas, ao dar tudo a eles, esqueci de dar um
leão para cada, que era o mais importante.

Meu jovem, aprendi que somos o resultado
de nossos desafios.
Com grandes desafios, nos tornamos grandes.
Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos.

Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais
gratos temos que ser.
Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas
a admirá-lo e a gostar dele.

A metáfora é importante, mas errônea: não
devemos matar um leão por dia, mas sim
cuidar do nosso.
Porque o dia em que o leão, em nossas vidas
morre, começamos a morrer junto com ele.

Depois daquele dia, decidi aprender a amar
o meu leão.
E o que eram desafios se tornaram oportunidades
para crescer, ser mais forte, e "me virar" nesta
selva em que vivemos.

Portanto, não matem um leão por dia,
mas sim aprenda a amar o seu.
A capacidade de luta que há em você, precisa
de adversidades para revelar-se.

(Pierre Schermann)
DICA:LUCIANE, amiga e colaboradora de Curitiba