quarta-feira, 9 de junho de 2010

Bar Beira Estrada - Márcia Cristina Lio Magalhães

Foto: Universo - Atacama - Chile

Num quero muita coisa não seu moço, só uma branquinha, porção de torresmos, fósforo pro cigarro, é o último que trago, do lado esquerdo do peito; Tá meio amassado confesso, mas o que é um rasgado, pra um velho assim como eu? Largado, descalço, perdido no mundo, feito um vagabundo, mais morto que vivo...

Do lado a morena, flertando comigo, num sabe, penso aflito, num tenho dinheiro... Quem dera há dez anos, no auge da vida, pudesse com ela, perder-me nos braços, partir rio arriba...

E chega o porquinho, já frito no óleo, pele estalando, cheiro de alho no ar...

Nem vitrola há, no bar beira estrada, mas tem madrugada, seresta e luar...

Tá boa essa cana, murmuro ao bigode, barriga redonda, nem cabe no bar!

O véio disperso, num falou comigo, espeta o palito, de costas a andar...

Mió cumê logo, mo-de-num esfriar, que porco frio num arrisco...

Cabei meu jantar, contei meus trocados, sobrou uns bugalhos pra mo-de-armoçar...

E assim passa a vida, entre bar e estrada, varo a madrugada, perdido no mundo;
Sem prumo, sem rumo, porque duvidar?

E se a morte chega, certeira me leva, e é com São Pedro, que vou prosear...

Márcia Cristina Lio Magalhães - BLOG POETAR É PRECISO - Em 27-04-2010

Mais uma vez recomendo o blog da Márcia, poesias e sensibilidade.
Foto:UNIVERSO - Atacama - Chile