sexta-feira, 19 de junho de 2009

Viagem com os Makú

Povo Makú
Foto: Marcos Santilli - Editora Abril - 1976

Os índios Makú vivem no Brasil (Amazônia) e Colômbia, falam a língua MAKÚ. População de cerca de 2600 índios. São também conhecidos como MACU

Preparando o CHÁ DO IPADU
Foto: Jorge Pozzobon - 1997
1955-2001
Museu Paraense Emílio Goeldi - Belém do Pará - Brasil

No meio da aldeia o pagé apaga o lampião,
o espaço mergulha-se no silêncio e na escuridão .
Da fogueira, ao lado, a fumaça se espalha
confusa, invadindo as narinas da pequena multidão .
Vagarosamente os Makú iniciam a dança ritual ,
monótona, monocórdia, cadenciada, de início cordial.
Em seguida, olhar fixo na imensidão,
o pagé deita, rola e ri,
viajando na imaginação.
Bate forte no peito, provoca os espíritos da floresta:
- Venham todos em minha direção!
Logo depois de inalar raízes do paricá e ingerir o chá do epadu.
um furor insano apodera-se da sua mao ,
seu corpo treme , seu rosto se transforma.
Gritos lascinantes ecoam pela mata, assustando os adormecidos habitantes.
Uma borduna coberta de ossos e penas coloridas,
decorada com motivos e deuses da selva fechada,
roda furiosamente pelos ares ,
tocando, vez por outra, o chão,
Assisto o torpor espasmódico do pagé,
olhar esbugalhado, centrado em sua fé.
na luta inglória
à procura do horripilante encantamento,
Aos sopros do tabaco, viajando pelos ícaros e mariris,
durante quatro ou cinco horas o xamã se agita.
Em transe, caminha sobre as brasas ,
suga, com a boca, enfermidades, feridas come,
cobrindo-as a seguir a com as ervas alucinógenas que consome.
Enquanto isso, os índios dançam, cantam, riem e se abraçam,
como se num cio.
Na minha mente já desordenada, insana,
tenho vontade de conclamar os morcegos do rio,
no Içana, que divide países e homens da região,
para, aproveitarem-se da escuridão ,
virem a mim,
chupar o sangue e cuspí-lo sobre a imensa solidão .
Lembro-me de ti, com teu paganismo,
já não mais uma feiticeira,
com poder de Drácula, Lestat ou Nosferatu,
mas como Flídias, a panthera onca ou mesmo Purussaurus,
ao mastigar o “ayahuasca”, o cipó da morte,
através do qual pode se experimentar uma outra dimensão:
fisicamente desaparecer,
corpo e alma transmudar,
viajar pelo espaço, e até curar…
E, assim, quase transfigurado, desafio-me assustado:
a enfrentar dos males o maior - não vale a pena sofrer pelo menor- .
se é isso o que basta para ser curado,então,
leva meu sangue, devora-me o coração.
Tempera-os com pimenta baniwa e maniva brava
mistura-os na maniçoba, coloca-os sobre a palma,
mas, filha da floresta, panthera ou Purussaurus, deixa intacta minha alma
Texto Viagem com os Makú: Gentileza do amigo
Aylê-Salassié
17/5/2099

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