domingo, 9 de março de 2014

Chá da tarde com Fernando Pessoa

Fernando Pessoa - 10 anos

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado
[sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

O guardador de rebanhos

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

Ode marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão no porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh’alma está com o que vejo menos.
Com o paquete que entra,
Porque ele está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente.

Os paquetes que entram de manhã na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.
Trazem memórias de cais afastados e doutros momentos
Doutro modo da mesma humanidade noutros pontos.
Todo o atracar, todo o largar de navio,
É – sinto-o em mim como o meu sangue -
Inconscientemente simbólico, terrivelmente
Ameaçador de significações metafísicas
Que perturbam em mim quem eu fui…

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve com uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Presságio

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.

Todas as cartas de amor…

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

O cego e a guitarra

O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.

Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.

Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.

Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.

Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.

Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.

Foto: Internet 

Poemas compilados no BLOG BULA REVISTA

quarta-feira, 5 de março de 2014

Prato do dia - Salada de rúcula baby, salsinha, mussarela de búfala, tomate cereja, amêndoas tostadas


Essa salada simples e prática pode ser acrescentada de outras folhas verdes, a seu gosto, hortelã, alface americana, agrião.

As amêndoas devem ser tostadas em uma frigideira sobre fogo médio e mexer sempre para que não passe do ponto e queime.

Prepare um molho a base de azeite extra virgem, suco de limão siciliano ou comum, sal a gosto.

Ingredientes: serve 4 pessoas

Dependendo do número de convidados aumente a quantidade dos ingredientes

1  rúcula baby hidropônica
1  salsinha - depende do tamanho do molhe
1  mussarela de búfala - bolinha ou média
1 embalagem de tomate cereja
3 colheres (sopa) de amêndoas em lâminas
Sal quanto baste
Azeite extra virgem - 4 a 5 colheres (sopa)
Suco de 1/2 limão

Preparo:

Lave as folhas e tomates, deixe de molho com água sanitária ou desinfetante de verduras, em uma vasilha com água que cubra todas as folhas, por cerca de 20 minutos.
Escorra, lave bem e deixe escorrer e seque bem as folhas
Corte os tomates e mussarelas ao meio.

Na travessa em que for servir a salada, arranje as folhas e os demais ingredientes.

Numa molheira coloque o azeite, o suco de limão, mexa bem para incorporar e apure o sal. Se o molho estiver ácido acrescente um pouco mais de azeite e misture.

Sirva a salada e deixe que cada convidado tempere com o molho, a seu gosto.

Preparo da salada e foto: UNIVERSO

segunda-feira, 3 de março de 2014

Ó Capitão! Meu Capitão! - Walt Whitman

Walt Whitman

Ó Capitão! meu Capitão! Finda é a temível jornada, Vencida cada tormenta, a busca foi laureada. O porto é ali, os sinos ouvi, exulta o povo inteiro, Com o olhar na quilha estanque do vaso ousado e austero. Mas ó coração, coração! O sangue mancha o navio, No convés, meu Capitão Vai caído, morto e frio.
Ó Capitão! meu Capitão! Ergue-te ao dobre dos sinos; Por ti se agita o pendão e os clarins tocam teus hinos. Por ti buquês, guirlandas... Multidões as praias lotam, Teu nome é o que elas clamam; para ti os olhos voltam, Capitão, querido pai, Dormes no braço macio... É meu sonho que ao convés Vais caído, morto e frio.
Ah! meu Capitão não fala, foi do lábio o sopro expulso, Meu calor meu pai não sente, já não tem vontade ou pulso. Da nau ancorada e ilesa, a jornada é concluída. E lá vem ela em triunfo da viagem antes temida. Povo, exulta! Sino, dobra! Mas meu passo é tão sombrio... No convés meu Capitão Vai caído, morto e frio.

Para não dizerem que não falei de flores

 
 Breve teremos as pitangas de volta.



Fotos: UNIVERSO - Praça da Lagoa Seca - Belvedere - Belo Horizonte - Minas - Brasil

Chá da tarde com Carlos Drummond de Andrade

Foto:UNIVERSO - Praça da Lagoa Seca - Belvedere - Belo Horizonte - Minas Gerais  Brasil

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas

Poema da purificação

Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.
As água ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.
Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.

Poema de Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Tarde de Maio

Como esses primitivos que carregam por toda parte o
maxilar inferior de seus mortos,
assim te levo comigo, tarde de maio,
quando, ao rubor dos incêndios que consumiam a terra,
outra chama, não perceptível, tão mais devastadora,
surdamente lavrava sob meus traços cômicos,
e uma a uma, disjecta membra, deixava ainda palpitantes
e condenadas, no solo ardente, porções de minh’alma
nunca antes nem nunca mais aferidas em sua nobreza
sem fruto.
Mas os primitivos imploram à relíquia saúde e chuva,
colheita, fim do inimigo, não sei que portentos.
Eu nada te peço a ti, tarde de maio,
senão que continues, no tempo e fora dele, irreversível,
sinal de derrota que se vai consumindo a ponto de
converter-se em sinal de beleza no rosto de alguém
que, precisamente, volve o rosto e passa…
Outono é a estação em que ocorrem tais crises,
e em maio, tantas vezes, morremos.
Para renascer, eu sei, numa fictícia primavera,
já então espectrais sob o aveludado da casca,
trazendo na sombra a aderência das resinas fúnebres
com que nos ungiram, e nas vestes a poeira do carro
fúnebre, tarde de maio, em que desaparecemos,
sem que ninguém, o amor inclusive, pusesse reparo.
E os que o vissem não saberiam dizer: se era um préstito
lutuoso, arrastado, poeirento, ou um desfile carnavalesco.
Nem houve testemunha.
Nunca há testemunhas. Há desatentos. Curiosos, muitos.
Quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara?
Se morro de amor, todos o ignoram
e negam. O próprio amor se desconhece e maltrata.
O próprio amor se esconde, ao jeito dos bichos caçados;
não está certo de ser amor, há tanto lavou a memória
das impurezas de barro e folha em que repousava. E resta,
perdida no ar, por que melhor se conserve,
uma particular tristeza, a imprimir seu selo nas nuvens.

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Canção Final

Oh! se te amei, e quanto!
Mas não foi tanto assim.
Até os deuses claudicam
em nugas de aritmética.
Meço o passado com régua
de exagerar as distâncias.
Tudo tão triste, e o mais triste
é não ter tristeza alguma.
É não venerar os códigos
de acasalar e sofrer.
É viver tempo de sobra
sem que me sobre miragem.
Agora vou-me. Ou me vão?
Ou é vão ir ou não ir?
Oh! se te amei, e quanto,
quer dizer, nem tanto assim.

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Poemas: Internet - BLOG BULA REVISTA

domingo, 2 de março de 2014

Pôr do Sol - Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil

E assim, mais um dia se despediu em minha janela

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Fotos:UNIVERSO - BELO HORIZONTE - MARÇO DE 2014

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Prato do dia - Pernil na cerveja preta,assado, com purê de banana da terra

Foto: UNIVERSO

Receita simples e saborosa. (Serve 6 pessoas)

Ingredientes:

1 pernil sem osso (bola do pernil) - 2 a 3 Kg
1 cebola média ralada
1 folha de louro
Tempero de sal e alho quanto baste
Alecrim quanto baste
1 cerveja preta
Suco de 1 limão

Para o purê:

6 bananas da terra bem maduras
1 pitada de curry
1 pitada de canela em pó
1 pitada de sal, não é para salgar , somente dar sabor agridoce
2 a 3 colheres (sopa) de creme de leite fresco

Para acompanhar arroz branco

Preparo:

Pernil

Coloque o pernil em um bowl com água e o suco de limão, por cerca de 30 minutos
escorra a água com o limão, passe o pernil por água acorrente para tirar o resto da salmoura de limão. O pernil ficará de cor rosada
Fure o pernil com uma faca em todos os lados
Tempere com a cebola ralada, sal e alho, o louro, alecrim. esfregue bem em todo a superfície e introduza nos furos o tempero
Coloque a cerveja e deixe tampado, de preferência, de um dia para o outro, na geladeira
Vire de vez em quando o pernil para que fique bem temperado.

No dia seguinte, coloque o pernil, com metade do tempero, enrolado em papel alumínio e ponha numa travessa
Reserve a outra metade do tempero
Leve para assar em forno alto, por cerca de 30 minutos
Retire o papel alumínio, vire o pernil na travessa
Coloque o restante do tempero e deixe assar até dourar.
Vire o pernil e deixe dourar do outro lado.
Espete o pernil com uma faca, ou garfo longo, deverá sair um líquido claro. Estará pronto.
Se sair um líquido com sangue (avermelhado), deixe assar por mais tempo.

Enquanto o pernil assa, faça o purê de banana da terra

Purê

Descasque as bananas e corte em rodelas ou em cubos
Coloque para cozinhar numa panela, com um pouco de água, suficiente para que a banana não agarre. Não precisa cobrir a banana.
Se durante o cozimento a água começar a secar, coloque um pouco mais.
Quando estiver bem macia, amasse com um garfo ou socador, e ponha para bater num liquidificador.
Coloque o creme de leite e bata, até formar um creme bem grosso.
Volte com a banana para a panela, adicione o curry, a acanela em pó, o sal. Misture bem.
Deixe ficar bem quente.

Sirva com o pernil e o arroz branco .

PREPARO DO PRATO E FOTO: UNIVERSO

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Novos objetivos e agradecimentos

Clique na foto para ampliar

Foto: UNIVERSO 
Anoitecer pela janela de meu apartamento, ao fundo a Serra do Curral
 Belo Horizonte - Minas Gerais

Desde 2009 quando comecei o BLOG DO UNIVERSO, já tivemos 198.309 visitas, e postamos 917 assuntos variados, de acordo com a enunciado e a linha de publicação de variedades.
Já são 144 pessoas e amigos que acompanham de perto o blog. Gostaria de chegar a pelo menos 200 seguidores.

Por diversas vezes dei uma esfriada e deixei de postar com a intensidade desejada, devido a ausências e por não ter um computador disponível nos lugares em que estava.

Em 2013, fiquei quase 8 meses sem nada publicar, o número de visitas que tinha chegado até 500 por dia, caiu para 60 a 70 por dia. 

Motivo? Visitando, filhos, netos, nora e genro. Justo, justíssimo as ausências, concordam?

Mais uma vez retomo com força as publicações. tenho como objetivo atingir 1.000 publicações e chegar a 200.000 visitas, até Junho de 2014.
Faltam 1961 visitas e 83 publicações para alcançar os objetivos acima.

Conto com a sua ajuda e colaboração acompanhando de perto, divulgando e compartilhando os assuntos aqui publicados com seus amigos e pessoas de seu relacionamento.

Reitero que não tenho nenhum interesse comercial, é por pura diversão, e poder compartilhar com as pessoas, o que gosto, que recebo de amigos e amigos dos amigos, dos leitores, e do que garimpo em outros blogs e mídias. De vez em quando faço alguns rabiscos de própria lavra.

Publiquei coisas novas nos últimos dias. Vejam do que gostam , leiam e ajudem a compartilhar e a divulgar o blog. Participem, comentem e enviem matérias para serem avaliadas e publicadas.

Muito obrigado pelo carinho de vocês. Espero poder comunicar em breve o atingimento dos objetivos acima citados.

Grande abraço do tamanho do UNIVERSO.

Um conselho - Rubem Alves

Foto: UNIVERSO - ITÁLIA

“Um conselho: se você amou muito um lugar, não faça a besteira de ir visita-lo. Porque você vai visitar pensando que vai encontrar o tempo, mas o tempo não está mais lá. É melhor você ficar com a imagem na sua cabeça.”

Rubem Alves

Dica da amiga : Silvana Bárbara, diretamente do Tocantins para o Universo

Franz Liszt - Kyrie - Missa Choralis


Franz Liszt -  (LISZT FERENC) , foi pianista, compositor, maestro e professor. nasceu na cidade de Doborján, Hungria, em 22 de outubro de 1811, morreu em 31 de julho de 1886, em Bayreuth, no estado da Bavária.



A missa Choralis foi apresentada na comemoração dos 200 anos de seu nascimento, na igreja Schlosskirche de Bayreuth.  A igreja octogonal foi construída em 1626.

A Missa Choralis foi executada pela primeira vez em 1865, na cidade de Roma - Itália.

Liszt, Mozart, Haydn e Beethoven estavam numa lista negra dos músicos da época e a usa música era proibida nas igrejas.

Ele foi o primeiro pop star da música. Ganhou fama na Europa, no início do século XIX como pianista virtuoso.
Ao final de suas apresentações ao piano, costumava oferecer as moças da cidade, pulseiras feitas com as cordas do piano em que se apresentava.

Foi um dos mais importantes pianistas de sua época, e considerado, em 1840, como o maior pianista de todos os tempos.

Foi tido como um grande amante, segundo as más, ou boas línguas, ele não deixava de namorar nem as freiras do convento onde foi dar aulas.

São famosas, também as suas Rapsódias Húngaras. Criou o poema sinfônico e influenciou compositores como Richard Wagner, Hector Berlioz, Edvard Grieg, Alexander Borodin e Camille Saint-Saëns.

Abaixo, vídeos com a Missa Choralis de Franz Liszt. Boa audição.

Executado pelo Choral Society Dodge - Acompanhado por Michelle Havlik - Jergens - Dirigido por Bruce Perry



Pesquisas, foto e vídeo: Internet - YouTube - Wikipédia 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

6 dicas de George Orwell para você escrever bem

George Orwell - Eric Arthur Blair, foi escritor e jornalista inglês. Sua obra criticava o totalitarismo e injustiças sociais.
Eric Arthur Blair (GEORGE ORWELL) , nasceu em Motihari - Bihar - Índia Britânica, em 25 de Junho de 1903. Faleceu em Londres, dia 21 de Janeiro de 1950).
Tinha uma paixão pela clareza da escrita.
Suas obras mais conhecidas, polêmicas e satíricas, foram 1984 e A Revolução dos Bichos.
Foi considerado, pelo The Times. o segundo maior escritor, numa lista de 50 maiores escritores britânicos.

As dicas de Orwell, abaixo,  constam na abertura do Manual de Estilo da Economist, considera, Por muitos, como a revista mais bem escrita do mundo.

1 – Em circunstância alguma utilize um vocábulo extenso onde um reduzido soluciona. Ou seja, não use uma palavra longa se uma curta resolve o problema.
2 – Se, por algum acaso, for possível cortar, eliminar, extirpar uma palavra, não se dê de rogado: elimine-a de uma vez por todas. Em outras palavras, desapareça com o desnecessário.
3 – A voz passiva não deve ser utilizada quando a voz ativa puder ser escrita. Nada de “aquela xícara será comprada por ele.” Usando a voz ativa, fica bem mais clara a sentença: “Ele comprará aquela xícara.”
4 – Nunca use uma metáfora ou outra figura de linguagem que você está acostumado a ver cotidianamente. Afinal, elas já perderam a força e possivelmente a graça.
5 – Não empregue um calão tecnicista quando tiver o arbítrio de elocubrar uma elocução de uso anfêmero. Ou seja, não use um jargão quando você puder imaginar uma palavra do cotidiano. E por último:
6 – Quebre qualquer uma dessas regras antes de escrever besteira.

Pesquisa e foto: INTERNET - WIKIPÉDIA

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Lição de Vida

Lição de Vida

Uma senhora idosa, elegante, bem vestida e penteada, estava de mudança para uma casa de repouso pois o marido com quem vivera 70 anos, havia morrido e ela ficara só... 

Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando uma atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. 

A caminho de sua nova morada, a atendente ia descrevendo o minúsculo quartinho, inclusive as cortinas de chintz florido que enfeitavam a janela. 

- Ah, eu adoro essas cortinas - disse ela com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho. 

- Mas a senhora ainda nem viu seu quarto... 

- Nem preciso ver - respondeu ela. - Felicidade é algo que você decide por princípio. 

- E eu já decidi que vou adorar! 

É uma decisão que tomo todo dia quando acordo. 

Sabe, eu tenho duas escolhas: 

Posso passar o dia inteiro na cama contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem... 

ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem. 

Cada dia é um presente. 

E enquanto meus olhos abrirem, vou focaliza-los no novo dia e também nas boas lembranças que eu guardei para esta época da vida. 

A velhice é como uma conta bancária: 
Você só retira daquilo que você guardou.
Portanto, lhe conselho depositar um monte de alegria e felicidade na sua Conta de Lembranças.

E como você vê, eu ainda continuo depositando.

Agora, se me permite, gostaria de lhe dar uma receita.

1- Jogue fora todos os números não essenciais para sua sobrevivência. 
2- Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixe seu cérebro desocupado. 
3- Curta coisas simples. 
4- Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego. 
5- Lágrimas acontecem. Aguente, sofra e siga em frente. A única pessoa que acompanha você a vida toda é VOCÊ mesmo. Esteja VIVO, enquanto você viver. 
6- Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: pode ser família, animais , lembranças, música, plantas, um hobby, o que for. Seu lar é o seu refúgio.
7- Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a. Se está instável, melhore-a. Se está abaixo desse nível, peça ajuda. 
8- Diga a quem você ama, que você realmente o ama, em todas as oportunidades. 

E LEMBRE-SE SEMPRE QUE: 

A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego ... 

de tanto rir ... 

de surpresa ... 

de êxtase ... 

de felicidade!


Uma senhora idosa, elegante, bem vestida e penteada, estava de mudança para uma casa de repouso pois o marido com quem vivera 70 anos, havia morrido e ela ficara só...

Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando uma atendente veio dizer que seu quarto estava pronto.

A caminho de sua nova morada, a atendente ia descrevendo o minúsculo quartinho, inclusive as cortinas de chintz florido que enfeitavam a janela.

- Ah, eu adoro essas cortinas - disse ela com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho.

- Mas a senhora ainda nem viu seu quarto...

- Nem preciso ver - respondeu ela. - Felicidade é algo que você decide por princípio.

- E eu já decidi que vou adorar!

É uma decisão que tomo todo dia quando acordo.

Sabe, eu tenho duas escolhas:

Posso passar o dia inteiro na cama contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem...

ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.

Cada dia é um presente.

E enquanto meus olhos abrirem, vou focaliza-los no novo dia e também nas boas lembranças que eu guardei para esta época da vida.

A velhice é como uma conta bancária:
Você só retira daquilo que você guardou.
Portanto, lhe conselho depositar um monte de alegria e felicidade na sua Conta de Lembranças.

E como você vê, eu ainda continuo depositando.

Agora, se me permite, gostaria de lhe dar uma receita.

1- Jogue fora todos os números não essenciais para sua sobrevivência.
2- Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixe seu cérebro desocupado.
3- Curta coisas simples.
4- Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego.
5- Lágrimas acontecem. Aguente, sofra e siga em frente. A única pessoa que acompanha você a vida toda é VOCÊ mesmo. Esteja VIVO, enquanto você viver.
6- Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: pode ser família, animais , lembranças, música, plantas, um hobby, o que for. Seu lar é o seu refúgio.
7- Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a. Se está instável, melhore-a. Se está abaixo desse nível, peça ajuda.
8- Diga a quem você ama, que você realmente o ama, em todas as oportunidades.

E LEMBRE-SE SEMPRE QUE:

A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego ...

de tanto rir ...

de surpresa ...

de êxtase ...

de felicidade!

DICA DA PRIMA ÁUREA MARANDUBA - VIA FACEBOOK

Carnaval de Recife e Olinda em Pernambuco - Brasil - O melhor carnaval do Brasil

Para mim, o carnaval de Recife e Olinda, é o MELHOR CARNAVAL DO BRASIL.

Mantém suas tradições dos blocos, maracatus, ranchos, bonecos gigantes, povo fantasiado e brincando nas ruas, um colorido sem igual.

Festa realmente popular, feita pelo povo, para o povo.

Nada de escolas de samba luxuosas e pesadas, um negócio milionário, onde o povo não participa. Paga caro para ficar nas arquibancadas. Como no Rio e São Paulo.

Nada de trios elétricos, barulhentos e chatos como os de Salvador, que a cada ano inventam uma dança e músicas chatas.

Carnaval de Pernambuco, carnaval de rua, carnaval do povo, verdadeiro carnaval brasileiro.

Povo alegre, gentil, hospitaleiro que ama sua terra e tradições.
Música alegre "frevente" e vibrante, letras belíssimas de seus famosos poetas e compositores.

Uma culinária diferenciada e saborosíssima.

Um povo "madeira de lei que cupim não rói".

Conheça uma região e seu povo que fizeram e fazem parte da história do Brasil

Vá a Recife e Olinda, conheça o melhor do carnaval do Brasil. Recomendo.




Dica da amiga Recifense, Pernambucana da gota, Iracema Persivo. Tem em seu sangue notas musicais de frevo e maracatu e um amor maior do que o universo por sua terra.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Prato do dia - Jantar para a Juju, Lúcia e Walcira

Jantar para despedida de minha filha Juliana, amiga Lúcia e a querida Walcira.
Uma mistura de cores, texturas, sabores

A noite entrou assim pela janela de nosso apartamento.

Para começar e acompanhar uma champanhe Pericó Brut, Tâmaras recheadas com ricota e sementes de papoula

Corte as tâmaras no sentido do comprimento até encontrar a semente. 
Retire as sementes
Coloque para marinar em vinho do Porto, por cerca de 30 minutos (opcional)
Misture a ricota com uma colher de creme de leite
Junte as sementes de papoula e misture.
Recheie as tâmaras
Sirva frio

DICA: se desejar, substitua as sementes de papoula , por semente de gergelim negro tostadas.


Como entrada: Aspargos grelhados, enrolados com presunto cru e creme azedo, com alcaparras tostadas.

Grelhe os aspargos numa frigideira ou chapa bem quente. Pode pingar um pouco de azeite. Reserve.
Frite as alcaparras em pouco azeite, até que fiquem tostadas e levemente crocantes.
Mistura as alcaparras ao creme azedo. Reserve
Separe as lâminas de presunto cru, na travessa em que for servir. Passe uma fina camada de creme azedo com as alcaparras tostadas em cada lâmina (fatia).
Coloque um aspargo em cada lâmina e enrole.
Se desejar , coloque por poucos minutos em forno quente, apenas para amornar ou sirva frio.

Como primeiro prato - Queijo coalho grelhado com tomatinhos salteados no azeite e segurelha (erva), ao molho de laranja e flambado no licor de laranja e cachaça.

Retire o espetinho do queijo e corte-ao meio.
Numa frigideira anti aderente ou numa chapa coloque um pouco de manteiga de garrafa ou comum (fiz com azeite, fica mais leve), e grelhe os tabletes de queijo em todos os lados.
Quando estiverem no ponto, macios e dourados, junte o suco de uma laranja e deixe reduzir.
Nesse meio tempo, salteie os tomatinhos cortados ao meio, no azeite, salpique um pouco de sal e da segurelha.  Deixe começar a desmanchar (murchar). Apague o fogo e reserve.
Quando reduzir a metade o suco de laranja, junte uma porção da mistura da cachaça com o licor de laranja. (misture 2 colheres de cachaça e 5 de licor de laranja).
Com um fósforo ou maçarico culinário, ponha fogo nessa mistura e deixe flambar. (cuidado com essa operação)
O fogo ira apagar e queimar todo o álcool.
Sirva dois pedaços de queijo em cada prato, coloque os tomatinhos por cima, e ponha uma porção do suco de laranja (molho), por cima do queijo e decore com uma folha de manjericão.

DICA: Se desejar, prepare os pratos e deixe para colocar a mistura de cachaça e licor de laranja em cada um e acenda para deixar flambar. Isso terá um efeito de show no seu jantar.
Deve-se tomar muito cuidado para não colocar muito da mistura em cada prato, a chama poderá queimar os bigodes ou sobrancelhas de seus convidados. 

Como prato principal  - Lombo de bacalhau grelhado no azeite, com molho de creme de leite fresco, pimentão vermelho, tomatinho, cebola e azeitonas pretas portuguesas. Acompanhado de batatas assadas com creme azedo amaciado com creme de leite fresco e Alecrim.

Lave uma batata média, para cada comensal. Enxugue.
Coloque uma batata sobre um pedaço de papel alumínio.
Passe azeite e sal na batata, embrulhe.
Coloque para assar em uma travessa e leve ao forno bem quente , por cerca de 1 hora ou até que fique macia. espete com um garfo e sinta se o miolo está macio.
retire do forno e reserve embrulhada no papel alumínio, até a hora de servir

Ponha os lombos de bacalhau, já dessalgado, para ferventar por dois minutos em água bem quente, até começar a formar lascas, sem se desmanchar.
Retire da água, tire as espinhas e reserve.

Numa frigideira bem grossa, frite o bacalhau, sem retirar a pele, em azeite bem quente, até começar a dourar. Retire da frigideira e reserve.

Coloque mais azeite na frigideira e coloque a cebola ralada ou em cubinhos. Deixe começar a dourar levemente.
Junte os cubinhos do pimentão vermelho. Deixe saltear. Depois ponha os tomatinhos cortados ao meio. 
Depois de uns 5 minutos, coloque  3 colheres de sopa de Creme de Leite Fresco. Misture suavemente e deixe tomar gosto.
Apure, se necessário e levemente o sal.

Ponha os lombos de bacalhau no molho e deixe incorporar o sabor. Por último, junte o Alecrim.
Vire os lombos de bacalhau para que peguem o sabor do molho dos dois lados.
Apague o fogo.

Monte o prato -  Coloque uma batata assada cortada ao meio com uma boa camada de creme, decore com manjericão. Ao lado um pedaço de lombo de bacalhau. Regue com o molho por cima e sirva em seguida.

Vinho: Casa Silva - Merlot - 2009 - Gran Reserva


Para finalizar - Tiramisu como sobremesa. 

Receita original

Ingredientes:

500g de queijo Mascarpone
120 g de açúcar refinado
6 ovos
1 xícara (chá) de café bem forte
1 /12 xícara (chá) de vinho Marsala ou vinho do Porto
16 biscoitos champanhe
Cacau  amargo ou chocolate amargo em pó

Preparo:

Separar as claras das gemas
Em um bol bater as gemas com a metade do açúcar (60g), até que dobre de volume - Usar uma batedeira
Juntar o queijo Mascarpone e misturar
Bater as claras em neve com o restante do açúcar (60g)
Juntar as claras em neve a mistura das gemas com o Mascarpone. Misturar suavemente, até incorporar tudo. Reserve.
Numa travessa ou prato fundo, misturar o café (frio) com o vinho Marsala ou do Porto
Molhar os biscoitos nessa mistura, sem deixar molhar em demasia para que não quebre ou desmanche.

Monte o Tiramisu:

Numa travessa, coloque uma camada do creme . 
Por cima, forme uma camada de biscoito, já umedecido, e ponha mais uma camada de creme.
Polvilhe uma generosa de cacau ou chocolate amargo 
Repita a operação. Mais uma camada de biscoito, outra camada de creme e polvilhe mais uma camada generosa de cacau ou chocolate.
Cubra com um filme e leve para a geladeira.
Pode-se fazer a sobremesa com um dia de antecedência
Sirva frio.

Preparo dos pratos e Fotos: UNIVERSO

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Cachorrão Metaleiro

Eu e milhares de belo horizontinos, de todas as idades, somos fãs desses "cachorros" da EMIVE.

Já são uma tradição nas esquinas de Belo Horizonte, com as suas performances e alegria.

Tiramos fotos, damos TCHAU, há quem pare o carro e tira uma foto ao lado de um deles. A criançada se diverte. 

Muitas vezes estamos estressados ao volante e quando avistamos alguns deles, pronto, sorrimos, nos cumprimentamos, gritamos uma palavra de carinho e apoio, seguimos em frente mais leves.

Faça sol , chuva, frio, lá estão eles nos alegrando e divulgando a empresa.

Minhas homenagens e gratidão a essas mulheres e homens que todos os dias nos divertem.

Parei no sinal fechado e capturei esse METALEIRO , botando para quebrar.

Foto: UNIVERSO

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Donas Joaninhas





 Fotos:UNIVERSO

Cidade do Rio de Janeiro sem o progresso criado pelos bichos chamados humanos

Fotos publicadas no blog do Marcelo Rubens Paiva, mostram o que seria o Rio de Janeiro sem a intervenção humana.

Praia de Botafogo e o Pão de Açúcar

Praia de Botafogo - Hoje

Ipanema e Leblon, com a Lagoa Rodrigo de Freitas. Ao fundo o morro Dois Irmãos e a Pedra da Gávea

Ipanema e Leblon - Hoje

Fotos do Rio sem progresso: A Iluminata Produtora de Imagens  https://www.facebook.com/IluminataProdut…

Fotos do Rio com o "progresso"?: Internet

A Máquina do Mundo - Carlos Drummond de Andrade

Estátua de Carlos Drummond de Andrade - Praia de Copacabana - Rio de Janeiro - Brasil

Foto:Internet - Desconheço o autor. quem souber, favor informar, para os merecidos créditos


E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.


Este poema foi escolhido como o melhor poema brasileiro de todos os tempos por um grupo significativo de escritores e críticos, a pedido do caderno “
MAIS” (edição de 02-01-2000), publicado aos domingos pelo jornal “Folha de São Paulo”. Publicado originalmente no livro “Claro Enigma”, o texto acima foi extraído do livro “Nova Reunião”, José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1985, pág. 300.


Conheça o autor e sua obra visitando "
Biografias". - 
http://www.releituras.com/

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Prato do Dia - Receita - Rodelas da Dona Osta

 Muito rápido e simples de se fazer. Pode servir como entrada e ou salada, acompanhado um filé e arroz branco.



INGREDIENTES

  • 1 BERINJELA
  • 1 ABOBRINHA ITALIANA
  • 1 TOMATE MADURO LONGA VIDA
  • 1 PIMENTÃO VERMELHO OU AMARELO
  • 1 FATIA DE MUSSARELA OU DE QUEIJO MINAS MEIA CURA PARA CADA "MONTINHO"
  • 1 AZEITONA PRETA  PARA CADA "MONTINHO"
  • SALSA PARA DECORAR
  • AZEITE PARA GRELHAR
  • SAL O QUANTO BASTE
  • ORÉGANO



MODO DE PREPARO

  • LAVE E ENXUGUE TODOS OS LEGUMES
  • CORTE-OS EM RODELAS DE 0,5CM
  • RETIRE AS SEMENTES DO PIMENTÃO
  • NUMA FRIGIDEIRA, COLOQUE UM POUCO DE AZEITE E GRELHE TODAS AS RODELAS , POLVILHANDO COM PITADAS DE SAL. RESERVE.
  • QUANDO ESTIVER TUDO GRELHADO, MONTE NUMA TRAVESSA REFRATÁRIA OS "MONTINHOS"
  • COLOCANDO UMA RODELA DE BERINJELA, UMA DE TOMATE, UMA DE MUSSARELA, UMA DE PIMENTÃO, UMA DE ABOBRINHA. 
  • PONHA UMA AZEITONA POR CIMA E DECORE COM A SALSA.
  • POLVILHE COM ORÉGANO E PONHA UM FIO DE AZEITE POR CIMA 
  • LEVE AO FORNO AQUECIDO, ATÉ DERRETER A MUSSARELA.
  • SIRVA EM SEGUIDA.


Fotos e preparo do prato:UNIVERSO

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Terra Estrangeira - Dilson Marques - Blog Puro e Sem Gelo

Foto:UNIVERSO - Fernando de Noronha - Brasil


 
Aqui, da Terra Estrangeira, vejo que
Por mais longe que se vá.
  Pouco se anda.
 
Mudam-se os ares
Mas estamos sob o mesmo sol,
Respirando da mesma atmosfera.
 
  Do meio da taba se nota
  Que são os silvícolas
  Outros.
  Mas ainda existem caciques (muitos) e pajés,
  E findaram-se os amenos verdores.

Há amplidão,
Desolação não falta.
Só não há para onde ir.

  E DAÍ? E DAÍ?

Se são tantos e tão longos os caminhos,
Por que sempre levam a lugar nenhum?
Se tão distantes são os pontos,
Por que essa absurda semelhança entre os pólos?

Áspera e árida Terra Estrangeira,
Onde amantes estranhos se tornam,
E famílias (des) fazem sob o cálido manto da hipocrisia,
Enquanto cunhãs se vendem na noite fria
E curumins se corrompem com cola, chás e pastas...

Os caciques porém, se refestelam com finos licores,
O malte d’além mar, substitui o cuçumã
Da aldeia.
  E DAÍ? E DAÍ?

Se para isso se criaram os silvícolas,
Macho e fêmea, homem e mulher,
Para baticuns e a luxúria de tuxauas e pajés,
Para que cedam as costas às cargas e aos prazeres
De pequenos e obscenos deuses,
De imerecidos totens,
De imorredouros tabus.
  E DAÍ? E DAÍ?

Se ainda existe aurora e ocaso,
Se a matéria de que fomos feitos
Sempre se amolda e jamais
Acaba.
Se cada golpe é respondido com
A sabedoria do silencio, que a tudo acata
Que a todos repudia e denuncia.
 


  Não importa para onde vão,
  Não importa quando chegarão,
  Não importa quão selvagens e opressivos
  Tenham sido pajés, caciques ou guerreiros.
 
Ainda assim nos moveremos  em torno do sol.
E, nas noites frias, cunhãs corromperão seus
Corpos.

  Mas a alma guerreira permanece...



Dilson Marques - 53 anos - Publicitário, redator, escritor, coordenador de campanhas políticas, gerente comercial de tv e chato de carterinha - Autor do Blog Puro e Sem Gelo - Carioca que reside em Manaus - Amazonas - Brasil