sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Prato do Dia - Receita - Rodelas da Dona Osta

 Muito rápido e simples de se fazer. Pode servir como entrada e ou salada, acompanhado um filé e arroz branco.



INGREDIENTES

  • 1 BERINJELA
  • 1 ABOBRINHA ITALIANA
  • 1 TOMATE MADURO LONGA VIDA
  • 1 PIMENTÃO VERMELHO OU AMARELO
  • 1 FATIA DE MUSSARELA OU DE QUEIJO MINAS MEIA CURA PARA CADA "MONTINHO"
  • 1 AZEITONA PRETA  PARA CADA "MONTINHO"
  • SALSA PARA DECORAR
  • AZEITE PARA GRELHAR
  • SAL O QUANTO BASTE
  • ORÉGANO



MODO DE PREPARO

  • LAVE E ENXUGUE TODOS OS LEGUMES
  • CORTE-OS EM RODELAS DE 0,5CM
  • RETIRE AS SEMENTES DO PIMENTÃO
  • NUMA FRIGIDEIRA, COLOQUE UM POUCO DE AZEITE E GRELHE TODAS AS RODELAS , POLVILHANDO COM PITADAS DE SAL. RESERVE.
  • QUANDO ESTIVER TUDO GRELHADO, MONTE NUMA TRAVESSA REFRATÁRIA OS "MONTINHOS"
  • COLOCANDO UMA RODELA DE BERINJELA, UMA DE TOMATE, UMA DE MUSSARELA, UMA DE PIMENTÃO, UMA DE ABOBRINHA. 
  • PONHA UMA AZEITONA POR CIMA E DECORE COM A SALSA.
  • POLVILHE COM ORÉGANO E PONHA UM FIO DE AZEITE POR CIMA 
  • LEVE AO FORNO AQUECIDO, ATÉ DERRETER A MUSSARELA.
  • SIRVA EM SEGUIDA.


Fotos e preparo do prato:UNIVERSO

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Terra Estrangeira - Dilson Marques - Blog Puro e Sem Gelo

Foto:UNIVERSO - Fernando de Noronha - Brasil


 
Aqui, da Terra Estrangeira, vejo que
Por mais longe que se vá.
  Pouco se anda.
 
Mudam-se os ares
Mas estamos sob o mesmo sol,
Respirando da mesma atmosfera.
 
  Do meio da taba se nota
  Que são os silvícolas
  Outros.
  Mas ainda existem caciques (muitos) e pajés,
  E findaram-se os amenos verdores.

Há amplidão,
Desolação não falta.
Só não há para onde ir.

  E DAÍ? E DAÍ?

Se são tantos e tão longos os caminhos,
Por que sempre levam a lugar nenhum?
Se tão distantes são os pontos,
Por que essa absurda semelhança entre os pólos?

Áspera e árida Terra Estrangeira,
Onde amantes estranhos se tornam,
E famílias (des) fazem sob o cálido manto da hipocrisia,
Enquanto cunhãs se vendem na noite fria
E curumins se corrompem com cola, chás e pastas...

Os caciques porém, se refestelam com finos licores,
O malte d’além mar, substitui o cuçumã
Da aldeia.
  E DAÍ? E DAÍ?

Se para isso se criaram os silvícolas,
Macho e fêmea, homem e mulher,
Para baticuns e a luxúria de tuxauas e pajés,
Para que cedam as costas às cargas e aos prazeres
De pequenos e obscenos deuses,
De imerecidos totens,
De imorredouros tabus.
  E DAÍ? E DAÍ?

Se ainda existe aurora e ocaso,
Se a matéria de que fomos feitos
Sempre se amolda e jamais
Acaba.
Se cada golpe é respondido com
A sabedoria do silencio, que a tudo acata
Que a todos repudia e denuncia.
 


  Não importa para onde vão,
  Não importa quando chegarão,
  Não importa quão selvagens e opressivos
  Tenham sido pajés, caciques ou guerreiros.
 
Ainda assim nos moveremos  em torno do sol.
E, nas noites frias, cunhãs corromperão seus
Corpos.

  Mas a alma guerreira permanece...



Dilson Marques - 53 anos - Publicitário, redator, escritor, coordenador de campanhas políticas, gerente comercial de tv e chato de carterinha - Autor do Blog Puro e Sem Gelo - Carioca que reside em Manaus - Amazonas - Brasil

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

MPQ - Música Popular de Qualidade - Raul de Souza e seu Trombone Maravilhoso

João José Pereira de Souza (Raul de Souza) - nasceu em 23 de agosto de 1934, no Rio de Janeiro. É um dos melhores trombonistas do mundo. Compositor e inventor, criou o "SOUZABONE", trombone elétrico, afinado em Dó, com 3 válvulas e uma quarta válvula cromática, somente ele toca. 

Além do trombone e do Souzabone, ele toca sax alto e tenor e percussão. Aprendeu a tocar tuba e flauta.

Iniciou sua carreira aos 16 anos, aprendeu a tocar de ouvido e se aprimorou tocando na noite, nos bailes, gafieiras e orquestras. Ganhou concurso do programa de calouros de Ary Barroso, serviu a aeronáutica e somente depois é que seu primeiro disco foi gravado - À Vontade Mesmo.

Raul conta que tocou 30 minutos para um Búfalo, fazendo um solo que deixou o bicho tranquilo, terminou dizendo , "amanhã eu volto".

É considerado pela crítica especializada internacional - Rolling Stones, Don Beat Jazz Magazine, New York), como um dos maiores trombonistas do mundo.

Gravou e acompanhou grandes nomes da música internacional, dentre eles Milton Nascimento, Sonny Rollins, Airto Moreira, Flora Purim, Cal Tjader, Altamiro Carrilho, Elizeth Cardoso, Agostinho dos Santos, Hermeto Pascoal, Dane Powel, Sivuca, Eumir Deodato, Sergio Mendes, Toninho Horta, Lionel Hampton, Ron Carter, Sarah Vaughan, Stanley Clark, George Duke, Freddie Hubbart, Chick Korea e outros.

Tocou em vários festivais internacionais de Jazz. e ganhou vários prêmios nacionais e internacionais.

Morou durante muitos anos (70 a 86), nos Estados Unidos e na França, onde a música instrumental é mais respeitada e valorizada, do que no Brasil. Seguiu a trilha de outros instrumentistas e compositores brasileiros: Tom Jobim, Moacir Santos, Egberto Gismonti,  Airto Moreira, João Donato . Retornou ao Brasil e continua compondo e tocando.

Recebeu o título de cidadão honorário da cidade de Atlanta (Georgia), USA.
Membro da American Federation of Musicians, the Associated Musicians of Greater New York, Associated Musicians, e foi incluído na Also Encyclopedia of Jazz.

Tem uma vasta e excelente discografia.
  • À Vontade MESMO (RCA Brasil, 1965)
  • International Hot (Equipe, 1968)
  • Cores (Milestone, 1974)
  • Doce Lucy (Capitol, 1977)
  • Não Pergunte My Neighbors (Capitol, 1978)
  • Til Tomorrow Comes (Capitol, 1979)
  • Via Volta (Top Tape, 1986)
  • 20 Preferidas: Raul de Souza (RGE, 1996)
  • Rio (Mix Casa / Eldorado, 1998) com Conrad Herwig
  • No Palco! Raul de Souza (Inter CD Records, 2000)
  • Noite Splendid (Media 7/Next Música, 2003)
  • Elixir (Tratore, 2005)
  • Jazzmin (Biscoito Fino, 2006)
  • Soul & Criação (Fantasma Som & Imagem, 2008)
  • Bossa Eterna (Biscoito Fino, 2008)
  • DVD - O Universo Musical de Raul de Souza , Direção Artística: Flávio N. Rodrigues (Selo Sesc, 2012)
  • Hermeto Pascoal - Slaves Mass (1976)  Como Acompanhante)

     Rauzinho do trombone e seu cabelão "Black Power", nos anos 70.

 Raul e seu "SOUZABONE" sua invenção

Selecionei os vídeos abaixo para que você possa ouvir um pouco da genialidade do Raul de Souza, um som puro, swing rápido, som que o mínimo é o máximo. Ouça e curta. Boa audição















Vídeos: YouTube - Pesquisas e Fotos: Internet - Wikipédia

MPQ - Música Popular de Qualidade - Robertinho Silva - Baterista e Percussionista



Robertinho Silva (Rio de Janeiro1º de julho de 1941) é um baterista e percussionista brasileiro. Autodidata, aos aos 15 anos já tocava em bailes.

Iniciou a carreira no grupo SOM IMAGINÁRIO, tocava com Wagner Tiso, Tavito, Zé Rodrix e Luiz Alves. 

Conheceu Milton Nascimento e tocou com ele durante 26 anos.

Participou de vários festivais de música; Midem, Montreaux, Free Jazz Festival, New Port, JVC New York, Berlim.

Gravou com João Donato, Tom Jobim, Milton Nascimento, Egberto Gismonti, Paul Horn, Flora Purim, Chico Buarque, Airto Moreira, Sarah Vaughan, Raul de Souza, João Bosco, Gilberto Gil, Nana Caymmi, Gal Costa, Toninho Horta George Duke, Wayne Shorter, Mônica Salmaso, Wanda Sá, Lisa Ono, Geroge Benson, Bud  Shank

Ouçam essas belas músicas, com solo de Robertinho Silva, na sua espetacular bateria. Boa audição e curtam a genialidade de Robertinho Silva.

 





Discografia de Robertinho Silva

  • 1981 - “Música Popular Brasileira Contemporânea”, pela Philips;
  • 1984 - “Bateria”, pelo selo Carmo;
  • 1991 - “Bodas de Prata”, pela Sony Music (relançado no Japão em 91 e em 95 nos EUA com o título “Speak no Evil”, dedicado ao saxofonista Wayne Shorter);
  • 1995 - “Shot on goal” pelo selo Miles Stone (Fantasy);
  • 2000 - “Jaquedu” com Ney Conceição;
  • 2002 - “Mixtura Brasileira” com Alexandre Birkett
  • 2005 - lançou dois discos independentes: “Batucajé”, ao lado dos músicos, e também pesquisadores de ritmos brasileiros - Simone Soul, Alfredo Belo e Jadna Zimmermann - e “Laska Mão”: grupo percussivo de música instrumental brasileira.
  • 2009 - "Padedê de Sararás" com Zé Moreira. O disco do duo foi uma produção independente com o apoio da Lei Rubem Braga.

Dica: do primo João Timponi de Moura que sabe das coisas dos sons, da vida, do coração e da cabeça

Vídeos: YouTube - Sesc   - Pesquisa e Fotos: Internet e Wikipédia.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Cassino Brasil - Ganhe um MILHÃO

Jogue no Cassino Brasil e fique MILHONÁRIO !!!

FOTO: UNIVERSO
Tirada em uma loja da loteria da Caixa Federal em Belo Horizonte - Minas Gerais.

Prato do dia - Costelinha de porco assada com canjiquinha, jiló e quiabo grelhados - sobremesa de canudinho com doce de leite

Lave a costelinha e coloque numa vasilha, cubra com água e esprema o suco de 1 limão. Deixe descansar por cerca de 1/2 hora a 1 hora. Escorra a água e enxague. Enxugue. Tempere com tempero caseiro de alho e sal, 1 folha de louro. Deixe tomar gosto, por no mínimo 30 minutos. O ideal é temperar na véspera e deixar descansar na geladeira coberta com filme, papel alumínio ou numa vasilha com tampa.
Esquente o forno na temperatura máxima por 10 minutos e coloque a costelinha para assar. Quando estiver dourada como na foto, estrá pronta.

Enquanto a costelinha assa, lave e enxugue bem os quiabos e os jilós. Corte os quiabos ao meio no sentido do comprimento , reserve. Faça o mesmo com os jilós, não faça fatias muito finas, corte em espessura média.
Numa frigideira ou chapa que possa ir sobre as trempes do fogão, coloque um pouco de azeite, bem pouco, deixe esquentar e ponha os quiabos para grelhar. Repita a mesma operação com os jilós. Salpique pouco sal sobre os quiabos e jilós enquanto estiverem sendo grelhados. Isso é muito rápido de se fazer. Coordene para que fiquem prontos simultaneamente com a costelinha de porco. 

A canjiquinha pode ser preparada antes da costelinha e dos quiabos e jilós. É muito simples. Coloque água numa panela, adicione a quantidade de canjiquinha, conforme o número de gulosos. Deixe a água ferver e cozinhar a canjiquinha. Apure o sal durante o cozimento. Se desejar adicione lascas de linguiça de lombo ou de pernil de porco, já frita.
Deixe que ela fique com um pouco de água. ficando pronta, desligue o fogo e reserve.
Quando for servir com a costelinha e os grelhados, se necessitar, adicione um pouco de água e deixe dar uma esquentada.



Sirva em travessas, para que cada um se sirva, ou monte os pratos como acima. Uma pimentinha RH, é de bom tom para dar uma pegada no regaço.

                                   Como Gran Finale, canudinhos recheados com doce de leite. 

DICA: Os canudinhos devem ser frescos e de boa qualidade, para se evitar um sabor rançoso de fritura.
Podem ser recheados com goiabada cascão de colher (cremosa) e também mesclar a goiabada com porções de queijo Catupiry. Ao rechear, coloque uma camada de goiabada, intercale uma de Catupiry e finalize com goiabada.

Os canudinhos podem ser servidos como bilisquete salgados, recheados de uma boa maionese, manteiga de camarão (veja receita no blog), queijos cremosos temperados em casa ou qualquer outra ideia que tiver.

Para não deixar secar a garganta: Cerveja bem no ponto de gelo.

Fotos: UNIVERSO - PREPARO DOS PRATOS: WALCIRA E UNIVERSO

Prato do dia - burrata, mussarela de búfala, presunto cru, tomatinho cereja e azeitona preta portuguesa

Pode servir como entrada, belisquete, acompanhamento de salada verde.
Coloque os ingredientes numa travessa, tempere com azeite, orégano e salsinha.
Deixe para que cada comensal tempere com sal em seu prato.
Sirva acompanhado de pão ciabatta simples ou com nozes, ou bengala (bisnaga) francesa ou italiana feita com cerveja.
Para um contraste agridoce, gosto de servir uma geleia Dalfour, de laranja com lascas de casca ou de figo.
Para molhar a palavra e umedecer a conversa, sirva uma cerveja preta encorpada ou um tinto Merlot.





Fotos:UNIVERSO - Preparo do prato e comer quase todo: UNIVERSO

Pega no Céu - Air Vettel contra Air Massa

Adivinhe qual é o avião da Air Vettel e qual é o da Air Massa.


Foto: UNIVERSO

O que é ser piloto - Uma linda homenagem a todos os pilotos

Com esse belo vídeo, presto minha homenagem a todos os amigos pilotos, pilotos amigos e a todos os que não conheço, muitos que me levaram durante meus 35 anos de trabalho, pelos céus do Brasil e outras andanças por aí a fora, com segurança, em dias mais turbulentos, e em outros, com céu de brigadeiro.
São profissionais que levam , mesmo antes de decolar em suas carreiras, uma vida de estudo, treinamento, reavaliações, e de muita persistência para conseguir seu primeiro emprego e depois ralam, ralam muito , para manter o seu sonho de Ícaro no ar.
É uma grande responsabilidade de levar a porto seguro, ou melhor, aeroporto seguro, vidas, sonhos, saudades, encontros e desencontros, partidas e cheganças, pilotando uma máquina milionária que pesa toneladas, como se fosse uma ave, voando a favor e contra o vento, ano após ano, com o mesmo amor pela sua profissão.
Grande abraço a todos. Céu azul de anil, suave, em suas vidas.

Universo



DICA: do amigo aviador, recifense, Pedro Persivo, que lutou para fazer seu sonho de voar decolar, depois de muitas turbulências e persistencia.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Feliz aniversário, Facebook! - Cora Rónai



Cora Tausz Rónai (Rio de Janeiro31 de julho de 1953) é uma jornalistaescritora e fotógrafa brasileira.

Meus netos são lindos. Não digo isso por corujice sem critério; digo por fato bem comprovado. Todas as minhas amigas de Facebook concordam que Fábio e Nina são as criancinhas mais fofas do mundo (logo depois dos seus próprios netos, mas isso é só um detalhe).

Minhas amigas são avós militantes que fazem programas com os netos e que viajam para os lugares mais improváveis do mundo para acompanhar o seu nascimento e conferir como estão crescendo. Por causa disso, minha timeline começa a ter mais fotos de criancinhas do que de gatos, o que confirma algo de que eu já desconfiava há tempos:

-- O Facebook é o canal das vovós -- escreveu a Andrea, que ainda outro dia foi dar as boas vindas à Mila em Nova York. -- Antes do FB, como é que elas trocavam notícias de suas belezuras?

Não trocavam, ou trocavam de forma muito mais restrita e ocasional: uma gracinha compartilhada durante um telefonema ou um almoço, uma ou outra foto exibida numa festa. Se não fosse pelo Facebook, eu jamais saberia que um dos bebês mais gostosinhos do mundo é o Logan, netinho da Ana Pinta que mora em Londres.

o O o

Segundo estatísticas amplamente divulgadas, 16% dos adolescentes deixaram de frequentar o Facebook no ano passado. É compreensível. Uma rede que faz o encanto das avós não é o lugar onde a garotada quer passar os seus momentos de lazer -- e não faltou quem, por conta disso, decretasse o fim da rede social para daqui a dois ou três anos. Essa espécie de profecia maia pós-apocalíptica me pareceu um pouco exagerada, até porque os adolescentes podem ser o público alvo preferencial de onze entre dez empresas, mas estão longe de ser a única faixa etária do mundo. Sem falar que o FB continua crescendo, ainda que não à velocidade vertiginosa dos últimos anos.

A ideia por trás dessas previsões sombrias é que o Facebook -- que fez dez anos anteontem -- estaria perto de cumprir o ciclo que rege os movimentos sociais. Tendo passado pelo nascimento, pela consolidação e pela inclusão no sistema, estaria chegando à dissolução, que é quando as pessoas se cansam da brincadeira. Isso já aconteceu com diversas redes sociais, do Second Life ao My Space, passando pelo Multiply e pelo Fotolog; não duvido de que, um dia, venha a acontecer também com o Facebook. Mas daqui até lá muita informação ainda vai correr por baixo da ponte.

Ainda que tenha sido abandonado por um percentual significativo de adolescentes, ele tem um público praticamente cativo nos adultos que aprenderam a usá-lo e sentem-se confortáveis com ele. Nenhuma rede social teve, até hoje, o alcance do Facebook, que tem mais de 1,2 bilhões de usuários, ou seja, cerca de metade do total de pessoas com acesso à internet. E olha que ele é proibido na China! Quando, na manhã de ontem, li a mensagem de aniversário postada por Mark Zuckerberg, ela já tinha sido curtida por 1.542.872 pessoas e compartilhada 102.405 vezes.

o O o

O que é que tanto nos atrai no Facebook? A resposta é simples: gente. Somos animais gregários, gostamos de viver em comunidade e de contar histórias uns para os outros, de preferência em rodinhas. Ora, desde que deixamos de viver em aldeias onde todos se viam constantemente, ainda não foi inventada forma mais simples de fazer isso do que usando o Facebook, onde tanto cabe um grave manifesto contra a violência quanto uma piada boba -- exatamente como acontecia com a praça, no tempo em que as cidades eram calmas, as ruas seguras e a vizinhança toda se encontrava durante o footing.

Na praça virtual do Facebook podemos ter notícias dos que estão viajando, dos que moram longe e dos que vivem perto (mas mal têm tempo para respirar, quem dirá tomar um chope na esquina). Podemos reencontrar amigos de infância dos quais nunca mais tínhamos ouvido falar, assim como podemos descobrir, em vagos conhecidos do dia a dia, afinidades de pensamento surpreendentes.

As teias que tecemos se ampliam e se consolidam também através dos amigos dos amigos, e nos dão um sentimento que é a base de qualquer comunidade humana: o do pertencimento. Não só encontramos a nossa tribo, como a informamos aos que nos cercam através de curtidas, comentários e compartilhamentos de postagens. Em suma: para além das relações que mantemos uns com os outros, há a percepção dessas relações num contexto mais amplo. Unir -- e expor -- tecidos sociais tão intrincados de forma tão simples talvez seja o grande segredo do sucesso do Facebook.

o O o

Antes de começar a escrever este último parágrafo, fui até o Orkut para ver se ainda acontece alguma coisa por lá (sim, surpreendentemente, acontece); encontrei uma foto antiga em que estou com o meu filho de um ano no colo, e a levei para o Facebook. No minuto seguinte, o bebê da foto, que vai fazer 42 anos na semana que vem, e que mora longe do Brasil, fez um comentário:

-- Hoje nem os meus bebês são tão novinhos. E você gatíssima na foto, mamãe.

Quase nada, um alô, um fiapinho de conversa na madrugada; mas foi um carinho, um aceno que nos fizemos, mãe e filho, marcando presença na vida um do outro. Há dez anos, isso não teria acontecido.

Valeu, Facebook.

(O Globo, Segundo Caderno, 6.2.2014)

Dica da minha filha Juliana. - Foto: Internet

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Queijo Serra da Canastra - Minas Gerais - PRODUTO DO ANO de 2013

Queijos Canastra em maturação na Fazenda do Zé Mário

Por Redação Paladar e Blog SerTãoBras

O queijo da Serra da Canastra foi escolhido o produto do ano pelo Prêmio Paladar, promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, que envolveu um time de 13 jurados, um mês de visitas a restaurantes e gastos de R$ 70 mil, para eleger os melhores pratos da temporada de 2013/2014 de São Paulo. Em cerimônia para 400 convidados, em que estiveram presentes os principais nomes da gastronomia paulistana, foram anunciados os ganhadores da oitava edição do prêmio, entre eles o de produto do ano.

A escolha reconhece a luta pelo produto artesanal da Canastra, que também está presente em outras regiões de Minas Gerais, como o Serro, e áreas menos conhecidas no resto do País. Segundo Ana Massochi, entusiasta do queijo da canastra e proprietária dos restaurantes Martín Fierro, La Frontera e Jacarandá na capital paulista, o prêmio é importantíssimo para o queijo da Serra da Canastra e todos os outros produzidos em regiões próximas. “Estavam na cerimônia a elite da gastronomia de São Paulo, entre cozinheiros, jornalistas e gourmets. Esse prêmio é importante para o queijo e para os produtores”, disse.
Apesar de não esperar a escolha, Ana lembrou que o Paladar também pode ser considerado um entusiasta e apoiador do queijo da Canastra, tendo já produzido boas reportagens sobre o tema e incluído o produto no evento Cozinhas do Brasil. Ana serve em seus restaurantes pratos que incluem o produto, e no Jacarandá também é possível comprar queijo de leite cru.

No evento do Paladar, o prêmio foi recebido pelo presidente da Associação de Produtores de Queijo da Serra da Canastra, João Leite. Exultante, ele agradeceu em nome de todos os produtores.
Estima-se que 10 mil produtores produzem queijos distintos em Minas Gerais e cerca de 20 mil queijos são feitos por dia, de acordo com relatos de produtores e queijeiros (profissionais que que pegam o queijo nas queijarias e estabelecimentos dos produtores e vendem em outros lugares).

Leia a íntegra da reportagem sobre o prêmio publicada no blog do Paladar:
Não é só de pratos que se faz o Prêmio Paladar. Todo ano, também são eleitos a personalidade e o produto do ano. Em 2013, o queijo da Serra da Canastra virou símbolo da luta para que o produtor e o produto de qualidade sejam reconhecidos, legalizados e distribuídos livremente pelo País. Por isso, foi escolhido o Produto do Ano do Prêmio Paladar.


O uso pelos chefs e a venda em São Paulo (já nem está mais tão difícil encontrá-los na cidade) acabaram legitimando os queijos produzidos na Canastra, em Minas, por aqui. Mas foram necessários anos de campanhas, mobilização dos produtores e até um documentário sobre a proibição da venda de queijos mineiros tradicionais para as coisas começarem a mudar.
No meio deste ano, os mineiros conseguiram a aprovação de uma nova norma que reconhece a inspeção estadual do queijo como equivalente à federal (feita pelo conhecido SIF, o Serviço de Inspeção Federal). Na prática, isso significa que os produtores que tiverem o selo do Instituto Mineiro Agropecuário poderão vender seus queijos frescos e curados no Brasil inteiro.

A inauguração de um centro de maturação em Medeiros, na Serra da Canastra, em agosto, foi outro marco no processo de legalização do passaporte da produção. Construído com investimento do Ministério do Desenvolvimento Agrário e órgãos do Estado de Minas, o centro – embora ainda tenha capacidade limitada – vai permitir aos pequenos produtores cumprir as regras determinadas pela legislação e submeter o produto ao prazo de maturação exigido por lei.
Os queijos da Serra da Canastra são elaborados conforme a tradição local, em geral por pequenos produtores que perpetuam uma cultura centenária. São mineiros autênticos. Essa é a nossa contribuição para reforçar a importância deste produto brasileiro artesanal e ajudar a abrir o caminho para uma cultura gastronômica mais amadurecida, quer dizer, curada.

DICA: Rodrigo da Loja do Itamar - Mercado Central de Belo Horizonte - Minas Gerais

Conheça a história por trás do queijo Canastra - Igor Olszowski


O queijo Canastra, sabor rústico das Gerais, têm história para se manter como um patrimônio brasileiro original. Saiba mais sobre essa delícia

Centro de maturação do queijo Canastra, em Medeiros - Minas Gerais, capacidade para 8 toneladas de queijo. 







O queijo Canastra está na lista do patrimônio cultural brasileiro

A serra da Canastra, em Minas Gerais, preserva uma preciosidade: o queijo Canastra. A produção artesanal dessa iguaria de leite cru foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2008, como patrimônio cultural e imaterial brasileiro. Cerca de 1800 famílias vivem dessa atividade na região, mas apenas pouco mais de 20 produtores ainda conservam o paladar e as características do genuíno Canastra: maturado e de casca amarela.
Estilo original

Porém, desde 1952, a legislação federal sobre vigilância sanitária impede a comercialização de produtos não pasteurizados. E assim, o queijo artesanal feito de leite cru caiu na ilegalidade. Para agravar a situação, a figura do queijeiro entra em cena a partir dos anos 1970. Ele passa pelas propriedades familiares, enche as caminhonetes e paga o preço que lhe convém para abastecer os grandes centros consumidores. Anteriormente, os queijos esperavam um tempo de maturação adequado (entre 20 a 30 dias) e seguiam com tropeiros em lombo de burro. Na ânsia de atender esses atravessadores, quase a totalidade da produção passou a ser vendida como um vulgar queijo frescal. Assim, o verdadeiro Canastra perde um traço importante de sua identidade. Torna-se uma tarefa difícil, mesmo na região, encontrar um queijo com o sabor mais apurado e singular do Canastra curado.

Herança cultural

O fazendeiro Baltazar Silva, conhecido como Zé Mário, de São Roque de Minas, lembra bem o tempo anterior às ânsias mercantis. Herdou a fazenda e os saberes de seu pai. Fez seu primeiro queijo com 7 anos de idade e há mais de 50 se dedica à atividade diariamente. "No tempo do meu pai, os produtores vendiam queijo apenas uma vez por mês. Queijo com oito dias de idade não ia para o transporte, ficava para o mês seguinte. Aí já começa a grande diferença. Você só via queijo, no mercado, amarelinho. Hoje se vende de duas a três vezes por semana", conta.


 Zé Mário - Campeão 



 Itamar - Loja do Itamar



Identidade lucrativa

Um programa dedicado aos produtores de queijo foi criado pelo governo de Minas em 2002, depois de alguns intercâmbios com associações produtoras na França, a meca do queijo no mundo. Para João Carlos, da fazenda Agroserra, a troca de experiências com a turma do roquefort e do camembert foi decisiva. "Eles nos mostraram que é possível manter nossa identidade, transformar isso numa atividade econômica rentável e perpetuar a cultura local. Produzir queijo artesanal de qualidade e com segurança alimentar. Eles passaram por esse mesmo processo há 30 anos", afirma.

Em 2009, Zé Mário foi convidado a participar da Feira Nacional de Agricultura Familiar, no Rio de Janeiro: "Você não acredita no sucesso que esse queijo fez. Em seis dias, nossa mercadoria havia zerado. Nos dois últimos dias, os mais fortes da feira, já não tínhamos mais queijo". Prova de que há um vasto mercado de consumidores mais exigentes nos grandes centros urbanos que valorizam produtos típicos de qualidade.

Chácara Esperança

 Itamar - Loja do Itamar



Luciano - Chacára Esperança e Rodrigo - Loja do Itamar

Os proprietários da Chácara Esperança, o casal Luciano e Helena Carvalho, de Medeiros, só vendem o queijo maturado, inclusive para garantir a segurança alimentar. "Se houver qualquer problema com o queijo, ele vai apodrecer, não vai curar. Uma coisa casa com a outra: você só consegue ver sabor quando ele é maturado", afirma.

O casal fabrica o Canastra Real, com uma cura de no mínimo 60 dias. Luciano participou de um intercâmbio em 2009 promovida pela ONG francesa Agrifert e foi conhecer as cadeias de produções artesanais francesas. Essa experiência reforçou o orgulho pelo paladar do Canastra e serviu para aprimorar a mercadoria.

"Quando fui à Europa e conheci os queijos de lá, me animei muito com os nossos. Eles apresentam bolor, casca rachada, não há um acabamento fino, lixado e bonito como os da indústria. Nós começamos fazer a mesma coisa aqui. Percebi um aprimoramento do sabor, porque ele cria sua própria casca, seu próprio meio. A casca é como se fosse a embalagem. Quando você faz o acabamento, você tira a proteção. Hoje, meus clientes já preferem esse produto mais rústico de paladar mais acentuado", afirma Luciano.

Outros produtores de qualidade do famoso Queijo Minas Canastra

Fazenda do Nereu



 Nereu - produtor



Fazenda do Valtinho




 Valtinho - produtor




LIVROS
Viagem às Nascentes do Rio São Francisco, Saint-Hilaire, Itatiaia

DICA: Rodrigo Gomes de Oliveira da Loja do Itamar - Mercado Central de Belo Horizonte - Minas Gerais - A melhor loja de queijos e doces mineiros. Meu fornecedor e guru para assuntos gastronômicos.
Fotos: Rodrigo Gomes de Oliveira

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Champagne - Peppino Di Capri

Peppino Di Capri, o tempo passa, sua música Champagne contínua embalando boas lembranças

Peppino Di Capri, nome artístico de Giuseppe Faiella, (Capri27 de julho de 1939) é um cantor italiano.
Iniciou sua carreira no começo dos anos 60, sendo o primeiro artista nacional a fazer sucesso com um twist na Itália (Saint Tropez Twist, de 1962). Venceu os festivais de San Remo em 1973 e 1976. Venceu também o Festival de Napoli em 1970.
O cantor também desfruta de sucesso internacional, inclusive no Brasil com as canções "Roberta" (1963) , "Champagne" (1973), "Mai" (1975), "Un Grande Amore e Niente Più (1973).
Este cantor interpretou o tema "Comme è ddoce 'o mare" no Festival Eurovisão da Canção 1991, cantando em napolitano, onde alcançou um sétimo lugar.


Dica do especial amigo goiano Ciro Lisita Sampaio 
Vídeo: YouTube - Texto: WIKIPÉDIA

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Moça da Janela - Márcia Christina Lio Magalhães

                         Foto: UNIVERSO - SABARÁ - MINAS GERAIS

Se te entrego todas as minhas palavras embrulhadas em tão fina seda, por que, então, desconfias das letras e exclamações?
Acaso avalias os fatos num tribunal de júri, onde o réu é condenado sem provas? Ora, não julgues aquilo que não entendes de fato, sabotando minhas convicções!
Se tu tens o coração fechado – por ter em algum momento da vida sido enganado, golpeado, traído, iludido – não aches que sempre será pego no encalço por tão traiçoeiro destino...
Soube que, há muito tempo, foi acometido a uma moça, se apaixonar por um belo cavalheiro. O mais intrigante é que ela só o conhecia por vê-lo passar frente a sua janela a cavalo, em direção à cidade, pois ambos moravam no campo.
Certo dia, a moça, enfrentando seus receios, colocou no meio do caminho uma cesta cheia de iguarias, esperando que o moço, quando visse a cesta, parasse para saber o que dentro havia.
Então, algo inesperado aconteceu...
Naquela manhã, estava a moça, como sempre, escondida pela cortina atrás da janela, esperando o misterioso cavalheiro, quando, de repente, o mesmo apareceu, montado em seu cavalo negro, de brilho azulado, galopando em direção à cidade. Vendo a cesta no meio do caminho – num impulso – puxou as rédeas com uma freada tão forte, que as patas da frente do cavalo ergueram-se assustadoramente. E diante daquele objeto, o que fez o cavalheiro?
Desconfiado, achando tudo muito intrigante – pois sempre por ali passava e nada parecido lhe acontecera – julgou o cavalheiro se tratar duma emboscada. Sequer olhou à direita de seus ombros, onde ficava a casa da moça da janela, e num golpe forte e temeroso apertou as esporas nas costelas de seu cavalo que, involuntariamente, arrancou em açoite dali.
A moça, entristecida diante do que acontecera, desceu e retirou a cesta do meio do caminho. O que ela não pressentia, que no outro dia, na hora marcada pelo poente, que sempre o cavalheiro por ali passava, nada aconteceu. Desconsolada, e sem entender o destino, foi lamentar-se à beira de um velho ipê florido, que fazia sombra à sua casa, em direção ao norte da estrada...
Nesse momento, um beija-flor descuidado estava voando abaixo da fronte da triste donzela. Ficou todo encharcado com as lágrimas e lhe confidenciou:
- Senhorita, sua intenção não foi compreendida pelo cavalheiro solitário que, diante da cesta em seu caminho, achou se tratar duma emboscada... Hoje mesmo o encontrei na estrada, mudou seu caminho e, em direção à cidade, agora segue pelos trilhos do trem, que mesmo sendo um trajeto mais distante, em seu íntimo acredita ele, tratar-se mais seguro, pois conhece muitíssimo a região e nunca soube de encontrarem por lá, cestas nos trilhos!
E sendo assim, a moça, desconsolada, deixou de ficar à janela a suspirar pelo seu bem. Nunca mais se ouviu falar daquele cavalheiro por aquelas bandas, pois jamais fora visto na estrada, onde hoje só mora a saudade e os pássaros nunca cantam...
Entretanto, dizem os velhos daquele lugar distante, que em noites de lua cheia, após a meia-noite, é possível ver na estrada um beija-flor pairando sob uma cesta repleta de singelas margaridas...

(Márcia Christina Lio Magalhães)
Conto do Livro Poetar é Preciso - Re-editado

"Todo filho é pai da morte de seu pai" Fabrício Carpinejar



"Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia."

Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai. É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso. É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar. É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe. É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios. E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz. Todo filho é pai da morte de seu pai. Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta. E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais. Uma das primeiras transformações acontece no banheiro. Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro. A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas. Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes. A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões. Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus. Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente? Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete. E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia. Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos. No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira: — Deixa que eu ajudo. Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo. Colocou o rosto de seu pai contra seu peito. Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo. Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável. Embalou o pai de um lado para o outro. Aninhou o pai. Acalmou o pai. E apenas dizia, sussurrado: — Estou aqui, estou aqui, pai! O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

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