quinta-feira, 15 de maio de 2014

A Porta - Vinicius de Moraes

FOTO: INTERNET


Eu sou feita de madeira

Madeira, matéria morta

Mas não há coisa no mundo

Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!

Carpe Diem - Horácio - Colha o dia, aproveite o dia, curta esse momento, aqui e agora -

FOTO : INTERNET - Enviada por Eric Cohen ?

Colha o dia, confia o mínimo no amanhã.

Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses darão a mim ou a você,

Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia não brinque.

É melhor apenas lidar com o que cruza o seu caminho.

Se muitos invernos Júpiter te dará ou se este é o último, que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar.

Tirreno: seja sábio, beba seu vinho e para o curto prazo reescale suas esperanças.

Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento está fugindo de nós.

Colha o dia, confia o mínimo no amanhã.

Podemos sempre ser melhores. Basta pensarmos melhor.


LATIM

Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.

TRADUÇÃO

Tu não indagues (é ímpio saber) qual o fim que a mim e a ti os deuses
tenham dado, Leuconoé, nem recorras aos números babilônicos. Tão
melhor é suportar o que será! Quer Júpiter te haja concedido muitos
invernos, quer seja o último o que agora debilita o mar Tirreno nas
rochas contrapostas, que sejas sábia, coes os vinhos e, no espaço
breve, cortes a longa esperança. Enquanto estamos falando, terá
fugido o tempo invejoso; colhe o dia, quanto menos confia no de
amanhã.

(Trad: ACHCAR, Francisco. Lírica e lugar-comum: alguns temas de Horácio e sua presença em português. São Paulo: Edusp, 1994. p. 88)

Odes (I, 11.8) do poeta romano Horácio (65 - 8 AC)

Aquela - Darcy Ribeiro


Foto: Internet - Blog Bel Prazer

Minha amada é de carne, 
de pele e pelo.
Ora é negra, ora é loura, ora é vermelha.
Minha amada é três. É trinta e três.
Minha amada é lisa, é crespa, é salgada, é doce.
Ela é flor, é fruto, é folha, é tronco.
Também é pão, é sal e manga-rosa.
Minha amada é cidade de ruas e pontes.
É jardim de arrancar flores pelo talo.
Ela é boazuda e é bela como uma fera.
Minha amada é lúbrica, é casta, é catinguenta.
Minha amada tem bocas e bocas de sorver,
de sugar, de espremer, de comer.
Minha amada é funda, latifúndia.
Minha amada é ela, aquela que não vem.
Ainda não veio, nunca veio, ainda não.
Mas virá, ora se virá. A diaba me virá.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Dr. Bebel, defensor da moral e dos bons costumes

Foto: INTERNET

Esse causo é para o "condomínio" do Maurilo Andreas.

Primeiro morador, síndico dedicado, cuidadoso extremado do prédio, há 15 anos.

Dr. Belarmino, solteirão inveterado, funcionário público aposentado. Não se sabe ao certo, se era juiz de que, justiça federal, estadual ou de futebol. Nunca perguntaram, nunca ouviram, nunca se falou sobre.

Trazia o prédio um brinco, jardins impecáveis, limpo, pintado, ambiente familiar. Durão em manter a lei e a ordem, baseado na Convenção de Condomínio e no Regimento Interno. Para ele, valiam mais do que a Constituição do Brasil.

Sua última grande façanha, seu maior orgulho, instalar circuito interno de TV, com acesso no canal 3, visto em todas as tvs dos moradores. Assim, todos podiam acompanhar os ruídos e movimentos de todo o prédio. Quem entrava, quem saía.

Discreto, recebia visita semanal de um sobrinho, chegava, como saía, discreto, como um gato, sem ruídos. Entrava às 7 da noite e saía 4 horas depois. Dedicado ao tio.

Quinta-feira, mês de maio, 22 hs, muita ventania. Gritaria, berros pelo corredor, "SLAM", porta batendo por força do vento, só abria por dentro.

Dr. Belarmino, escorraçava o sobrinho, que saiu como um gato, correndo de cachorro bravo. 

Ingrato! Nunca mais volte. Persona non grata! Nunca mais, nunca mais...!!!

Tvs ligadas sofregamente no canal 3.

Cena fatal, Dr. Belarmino, de baby doll pink, meia arrastão vermelha e peruca loura, tentava desesperadamente abrir a porta do apartamento, e em esconder o rosto.

Nada se disse, nada se perguntou, nunca mais foi visitado.

Continuou a ser tratado com o máximo respeito por todos os moradores, adultos e crianças.

Bom dia Dr. Bebel, boa tarde Dr. Bebel, boa noite Dr. Bebel.

Rústica - Florbela Espanca

Foto: Colhida no FB do amigo Eric Cohen

Ser a moça mais linda do povoado,
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A benção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
— Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho. .

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à ‘terra da verdade’...

Meu Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.

Tênis em domicílio - Continuo a não entender o ser humano

Sempre, que vejo faixas dependuradas em postes, pelas ruas de minha cidade, onde existe uma lei que proíbe o uso de faixas para vender serviços ou produtos, tenho vontade de telefonar e desenvolver diálogos como o que segue abaixo.

Foto: INTERNET

Estou a procura de um esporte para praticar , sendo assim, telefonei para mais uma indicação que li numa faixa dependurada em Belzonte.

Dessa vez foi aula de tênis em domicílio.

Ligo e esclareço a coisas de praxe, aula individual, grupo, criança, adulto, preço e condições, quantas aulas por semana, enfim fui fundo nas pesquisas e perguntas.

Como detalhes finais, perguntei se teriam raquetes e bolas para emprestar, rede, se precisaria de tênis especiais, pois achava o máximo como os jogadores deslizavam para pegar as bolas nas pontas das quadras. Se podia ser qualquer uniforme ou se tinha que ser de grife.

Tudo explicado e resolvido, trariam tudo que fosse necessário, raquetes, rede, bolas e que bastava eu ter um par de tênis e qualquer calção e camiseta de malha.

Insisti em querer saber, se o fato de eu ter jogado ping pong quando criança e tênis de mesa na adolescência, se isso me daria alguma ajuda.

O cara que me atendeu, já começou a se mostrar irritado, mas me respondeu. Claro que não. Uma coisa é diferente da outra.

Perguntei: Como assim?

Resposta : Tênis é uma coisa e o resto é o resto.

Bem, fiz uma última pergunta, e depois de explicar que no meu prédio não tinha quadra.

Informei que meu apartamento tinha uma área exclusiva, e que media 3 x 3 m, e se ele poderia trazer uma rede pequena e um rolo de piso gramado sintético. 

Resposta: !@@##%#%¨&*%()*_+^>

Sujeitinho nervoso e indelicado. Tratar um possível cliente dessa maneira.


Eu, hein? Vai entender o ser humano !!!


Lá vai minha filha - Hilda Lucas (Escritora)

Tinha guardado, para publicar no blog, esse texto de Hilda Lucas, escritora e colunista no MdeMulher - Bem - Estar da Abril. Com.

Com a comemoração do dia das mães, encontrei o momento e a motivação para compartilhar esse lindo texto com vocês.


HILDA LUCAS - ESCRITORA (Foto: Site da Editora Riff, do Rio de Janeiro)

Lá vai minha filha quase voando no seu vestido etéreo.

La vai minha filha do olho grande, da pele morena e do cheiro de feijão. A menina que estreou a mãe em mim. A menina que chegou trazendo todo um universo de novidades: emoções, medos, encantamentos, aprendizados. Crescemos juntas: eu aprendendo a ser mãe e ela aprendendo a ser ela mesma. Descobrimos duas palavras mágicas: ela me chamou mãe e eu a chamei filha. Palavras novas e tão viscerais que pacientes esperavam para se cumprir. 

Éramos duas sendo uma em muitos sentidos. Carne da minha carne, fruto do meu amor, sonho dos meus sonhos. Ela me expandia e eu a protegia. Ela me dava a mão e eu todos os sumos. Ela me dava a eternidade e eu lhe dava asas. Ela me alargava o coração e eu lhe ensinava a caminhar sozinha. Ela me cobria de beijos e eu a cobria de bênçãos. Ela me pedia colo e eu lhe pedia sorrisos. Ela me traduzia e eu a decifrava. Ela me ensinava e eu lhe descortinava o mundo. Ela me apontava o novo e eu lhe ensinava lições aprendidas no passado. Ela me falava de fadas e princesas e eu lhe falava de avós e gentes. Ela me emprestava seus olhos encantados e eu rezava por um mundo melhor. Ela me tirava o sono e eu cantava para ela dormir. Ela me alegrava a vida e eu vivia para ela.

Quando um filho nasce começamos a nos despedir dele no mesmo instante. Nosso ele só é quando no ventre. Depois somos seus abrigos, seus condutores, seus provedores sem nunca esquecer que eles começam a ir embora no dia que nascem. No começo o tempo parece parar. A plenitude da maternidade e a dependência dos pequenos criam uma ilusão de que será assim para sempre. Mas não, eles crescem inexoravelmente em direção à independência. Cumpre-se o ciclo da vida e é melhor que seja assim, caso contrário, significa que algo de muito triste, inverso ou perverso aconteceu.

Lá vai minha filha. Assim seja. 

Olho seus olhos enormes e profundos e vejo os mesmos olhos que ainda na sala de parto me olharam intrigados, solenes, como que me reconhecendo, me convocando. Eu disse sim à minha filha, imediatamente, a segui desde aquele instante, entregue, eleita. O amor que eu senti foi tão avassalador e instantâneo que eu cheguei a ter medo. Sim, na hora que nasce o primeiro filho, a gente compreende a fragilidade da vida, a fugacidade das coisas e a passa a ter medo de morrer. O fato dela precisar de mim me tornava única, imprescindível. Eu não podia falhar, eu não podia morrer, afinal foi ela quem me escolheu. A partir dali, tudo mudou, meu espaço, meu papel, minha relação com o mundo adquiriu outra dimensão: eu era sua mãe!

Crescemos juntas. Somos amigas. Mãe e filha. Ao longo desses anos rimos, choramos, brigamos, resolvemos impasses, estreitamos laços, vencemos batalhas, enfrentamos noites escuras. Contamos uma com a outra, sempre. Às vezes era eu quem a socorria outras vezes era ela quem me amparava. Não foram poucas as vezes em que os papéis se inverteram e ela foi minha mãe. Às vezes me pergunto se eu dei a ela tanto quanto recebi. Sinceramente, acho que não. Desde o momento zero ela transformou minha vida e, num movimento contínuo, faz de mim uma pessoa melhor. 

Lá vai minha filha. Apaixonada e confiante. Ensaiando vôos, escolhendo caminhos, encerrando ciclos. 

Eu feliz, penso: cumpra-se!

Prato do dia - Gaspacho de Melão, queijo de cabra recheado com presunto cru


Receita do chef Bruno Cabral, do restaurante DONOSTIA, de São Paulo

Fácil preparo, tempo de preparo: até 30 minutos, serve 4 pessoas

INGREDIENTES

1/2 unidade de melão amarelo (Redinha)
1 unidade de queijo de cabra tipo Boursin
1 fatia de presunto cru (Jamón Serrano)
1 unidade de limão
1 colher (café) de açúcar
1 unidade de ovo
1 colher (sopa) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de farinha de rosca

PREPARO

Tire as sementes e a casca do melão
Corte em pedaços grandes e bata no liquidificador com o açúcar, a raspa da casca de limão
Reserve na geladeira
Corte a fatia do presunto cru em tiras finas e misture com o queijo de cabra
Faça bolinhas com essa mistura e empane - farinha trigo - ovo - farinha de rosca
Espete as bolinhas em um palito, simulando um pirulito
Frite o "pirulito" de queijo de cabra e presunto cru
Sirva o gaspacho numa taça ou prato e ponha pirulito frito enfeitando.

DICAS: 

Preparei a receita para 2 pessoas com meia metade de melão, 1 queijo e 2 fatias de presunto cru.

Ralei a casca de metade de 1 limão

Acrescentei 5 folhas de hortelã picadinhas

Fiz duas bolas maiores de queijo com o presunto e espetei em um pauzinho para churrasquinho.

Como não tinha farinha de rosca, empanei a bola de queijo na farinha de trigo - ovo - farinha de trigo e fritei no azeite. 

O resultado pode ser visto na foto acima

Os ingredientes são encontrados em supermercados.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Almoço para a mãe Walcira

Levar a mãe e a família para comer fora, uma pizza ou um churrascão, no dias das mães, é o maior castigo que se pode dar a uma mãe.

Pior do que isso, é dar a ela um fogão de presente e deixar ela ralar na cozinha para fazer um almoço para o familião todo reunido, logo no "DIA DAS MÃES".

Prefiro fazer um almoço em casa, é mais tranquilo, você não precisa deixar de beber, não há preocupação com táxi, trânsito, estacionamento, manobrista, fila de espera e muitas vezes, receber um péssimo atendimento, uma comida "corrida" e pagar muito caro

Assim sendo, preparei uma almoço para a Wal, em comemoração ao dias das mães, já que nossos filhos vivem em outras longínquas paragens.

Firmamos ponto e iniciamos os trabalhos com um espumante nacional brut. Há ótimos espumantes e com um custo benefício excelente. Hoje, os espumantes nacionais substituem e muito bem, champanhes , proseccos e cavas.

Para forrar o estômago, fiz um Creme de Shitake com azeitona preta portuguesa e uma pasta bem cremosa de Ricota. Todos esses ingredientes são encontrados em supermercados. 




Pasta de shitake a caminho de uma degustação



Pãozinho para canapés, para a pasta de Shitake, comprado em padaria, e reavivado ao forno.

Para que ele fique crocante e mais moreninho, dei uma borrifada com água e levei ao forno quente, deixei até que ficasse no ponto.

Essa dica serve também para qualquer tipo de pão que não esteja muito fresco.



Entrada: Gaspacho de Melão com queijo de cabra recheado com presunto cru e empanado.

Prato de sabor incrível e que deve ser degustado lentamente, sentindo todas as nuances dos sabores entre o gaspacho de melão, com hortelã e raspas de limão, o queijo de cabra empanado e recheado com o presunto cru.

Fácil de fazer, rápido e saboroso.



Prato principal: Filé e Risoto ao champanhe com pera ao curry e canela 



Sobremesa: Iogurte sabor de nata, batido e geléia Dalfour de Fraise (morango)

Preparo dos pratos e fotos: UNIVERSO 

Prato do dia: Receita de Gaspacho de Abacate com vinagrete de tomatinhos picantes

 
Preparo do prato e foto: UNIVERSO

Ingredientes

1 unidade de abacate
1 unidade de pepino japonês
1 talo de salsão
1/2 pitada de pimenta jalapeño ou outra, fresca (opcional)
200 ml de iogurte natural
3 colheres (sopa) de azeite
Suco de 1/2 unidade de limão 
12 unidade de tomate sweet grape ou tomate orgânico picado
1/2 xícara folhas de hortelã
Coentro a gosto
Sal a gosto

Preparo

Bater o abacate com o iogurte, o azeite, o sal, a hortelã e o suco de limão até formar um creme
Reservar na geladeira
Picar os legumes e fazer um vinagrete com o pepino, o salsão, a pimenta, o tomate, o azeite e o sal
Sirva o creme gelado com o vinagrete em cima e regue com um fio de azeite
Finalize com o coentro

Receita de fácil preparo, gasta-se cerca de 30 minutos para preparar, serve 4 pessoas 

Receita da chef Flávia Mariotto, da Mercearia do Conde em São Paulo

domingo, 11 de maio de 2014

Mãe, o melhor emprego do mundo

Para você que valoriza sua mãe. 
Para você que não valoriza sua mãe.
Para você que ainda não entendeu a importância de uma mãe.
Para você que vai ser mãe.
Para você que já é mãe.
Para você que tem sua mãe viva.
Para você que não tem mais sua mãe viva.

Assista ao vídeo e reflita.

Mãe, é como gritou o garoto ao ver que só tinha uma Coca-Cola na geladeira :

"MÃE, SÓ TEM UMA" !!!

Então, meu amigo. ENJOY !!!!


Vídeo enviado pela amigo João Rodrigues Costa Filho, do Rio de Janeiro

sábado, 10 de maio de 2014

One art - Elizabeth Bishop - Uma certa arte - tradução de Nelson Ascher



Elizabeth Bishop - Foto: Internet
One art – Elizabeth Bishop
The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother’s watch. And look! my last,
or next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.
Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Uma certa arte – Elizabeth Bishop (tradução de Nelson Ascher)

A arte da perda é fácil de estudar:
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.
Perde algo a cada dia. Deixa estar:
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.
Perde-se mais e melhor. Nome ou lugar,
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.
Perdi o relógio de mamãe. E um lar
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.
Duas cidades lindas. Mais: um par
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.
Mesmo perder-te (a voz jocosa, um ar
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.

(Elizabeth Bishop)

(Do livro ASCHER, Nelson. Poesia alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998.)

Dica do "brimo" Luiz Edmundo Germano de Alvarenga, do Rio de Janeiro

A Primavera está no ar... é tempo para mudar - Don Percy

Para mim, esse vídeo, é um dos melhores que já vi. 

Recomendo. 

Veja e reflita


Dica da "brima" e amiga Luciane, de Curitiba

Vídeo: YouTube

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Mãe (Desnecessária) - Márcia Neder

Foto: Blog As Palavras

A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha. 
Até agora. Agora, quando minha filha de quase 18 anos começa a dar vôos-solo.
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária. 
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. 
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

"Dê a quem você Ama : 
- Asas para voar... 
- Raízes para voltar... - Motivos para ficar... " - Dalai Lama

Texto captado no FB de Fran Xavier

A morte é um dia que vale a pena viver - Ana Claudia Quintana Arantes

Assista ao vídeo em que Ana Quintana Arantes, demonstra de forma clara, tranquila toda a sua capacidade de amar e de se dedicar ao próximo que está doente e desenganado. Ela faz o resgate da vida e ajuda seus pacientes de uma maneira digna, a se prepararem para os acertos necessários em suas vidas.
Isso é ser MÉDICA, ser HUMANA, ser CONSCIENTE. 

Por um lado, aliviar a dor e o sofrimento de doentes e familiares. Por outro, resgatar a biografia de pacientes. 

Esse é o exercício diário de Ana Claudia Quintana Arantes, médica formada pela FMUSP e especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford, além de pós graduada em Intervenções em Luto.

Foi a responsável pela implantação das políticas assistenciais de Avaliação da Dor e de Cuidados Paliativos do Hospital Israelita Albert Einstein e é sócia fundadora da Associação Casa do Cuidar.

Atualmente trabalha em consultório e como médica assistente do Hospice do Hospital da Clinicas da FMUSP, na Unidade Jaçanã.



Vídeo e texto em azul: YouTube

Dica da prima IVANIR VIEIRA MENDES, de Juiz de Fora

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Trivial para receber os amigos Serretti

Aproveitando a visita do Sérgio a Belo Horizonte, recebemos os amigos da família Serretti, Lucia, Claudia, Sérgio, Max e Brenninho para um momento super agradável de comes e bebes. Preparamos um cardápio trivialzinho para o regabofe.
Obrigado amigos, pela visita, e pelo privilégio de poder ter a amizade de vocês.

 Brusquetta de queijo brie, com presunto cru e figo ao mel

 Umedecemos a conversa com um Prosecco para limpar a serpentina, e depois secamos um Bordeaux DOC e encerramos o assunto com  um Cabernet Sauvignon Gran Reserva chileno

 Entrada - Gaspacho de abacate com salsão, tomatinho e pepino

 Primeiro prato - Purê de pera com Capuchinha e costelinha de porco desfiada e Flor de Coentro


 Segundo prato - Risoto de Mascarpone com Ossobuco desfiado ao vinho tinto

No entremeio do primeiro e segundo prato, preparei e servi um Sorbet de Limão Siciliano, para preparar as papilas.

Sobremesa - Profiteroles com cobertura de chocolate meio amargo 70% de cacau e sorvete de creme, preparados pela Walcira.

As fotos foram tiradas pelo Sérgio Serretti.

Seio de Virgem - Álvares de Azevedo

 
Foto -  Internet - 

O que eu sonho noite e dia,
O que me dá poesia
E me torna a vida bela,
O que num brando roçar
Faz meu peito se agitar,
E' o teu seio, donzela!
Oh! quem pintara, o cetim
Desses limões de marfim,
Os leves cerúleos veios,
Na brancura deslumbrante
E o tremido de teus seios!
Quando os vejo, de paixão
Sinto pruridos na mão
De os apalpar e conter...
Sorriste do meu desejo?
Loucura! bastava um beijo
Para neles se morrer!
Minhas ternuras, donzela,
Votei-as à forma bela
Daqueles frutos de neve...
Aí duas cândidas flores
Que o pressentir dos amores
Faz palpitarem de leve.
Mimosos seios, mimosos,
Que dizem voluptuosos:
"Amai-nos, poetas, amai!
"Que misteriosas venturas
"Dormem nessas rosas puras
E se acordarão num ai!"
Que lírio, que nívea rosa,
Ou camélia cetinosa
Tem uma brancura assim?
Que flor da terra ou do céu,
Que valha do seio teu
Esse morango ou rubim?
Quantos encantos sonhados
Sinto estremecer velados
Por teu cândido vestido!
Sem ver teu seio, donzela,
Suas delícias revela
O poeta embevecido!
Donzela, feliz do amante
Que teu seio palpitante
Seio d'esposa fizer!
Que dessa forma tão pura
Fizer com mais formosura
Seio de bela mulher!
Feliz de mim... porém não!... 
Repouse teu coração
Da pureza no rosal!
Tenho eu no peito uma aroma
Que valha a rosa que assoma
No teu seio virginal?...

Manuel Antônio Álvares de Azevedo (São Paulo, 12 de setembro de 1831- Rio de Janeiro, 25 de abril de 1852) - Além de poeta, foi contista, ensaísta e dramaturgo. Ligado à segunda geração do romantismo, é patrono da cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras. 

BLOG DE RICARDO NOBLAT - http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Uma lição de vida - pessoas que vivem nas ruas, são humanos, você sabia disso?

Assista ao vídeo abaixo e aprenda bem uma boa lição de vida.

Pessoas que vivem nas ruas, trabalhadores que executam tarefas mais simples, pessoas mais simples do que você, não são seres invisíveis e merecem atenção, carinho e respeito.

Respeite as diversidades e trate a todos como você gosta de ser tratatado.

São pessoas com sentimentos, sonhos e não podem ser esquecidas.



DICA do Maurilo Andreas, de Belo Horizonte, amigo da família.