Compartilhar casos e causos,assuntos gerais,curiosidades,fotos,músicas, livros, viagens, receitas. Dar palpites e fazer comentários, alguns sérios, outros nem tanto, sobre tudo que leio, ouço e vejo. Só falar do bom,do bem,do belo e do lúdico, mostrar aos meus amigos,aos amigos dos meus amigos, o que me faz feliz e compõe o meu UNIVERSO.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
terça-feira, 27 de outubro de 2015
70 e algumas coisas já vividas
Estive pensando e repensando coisas que vivenciei com os 70 anos de idade e 4 meses já vividos.
Balanço de vida? Não , acho ainda muito cedo para fechar a vida para balanço, vou esperar muito mais , assim terei mais coisas para avaliar, contar e saborear.
Algumas são coisas interessantes, outras nem tanto. Há as tristes, alegres, loucamente engraçadas, algumas de alto risco.
Quando se é jovem não prestamos a mínima atenção ao que se passou e pouco no que poderá vir.
Mas, depois de se viver, com certeza, mais da metade de minha provável existência, passei, depois dos 50 anos a lembrar e ou tentar lembrar fragmentos de algumas histórias e passagens da vida.
Tenho alguns causos registrados e que consigo ainda me lembrar. Outros, esqueço por conveniência e sobrevivência de minha integridade mental. Ficar lembrando de coisas ruins vale a pena?
Vamos lá:
Pai, mãe e irmão já desembarcados dessa esfera
Vários amigos queridos que morreram novos na infância, juventude e na fase adulta. Tenho deles boas lembranças e vivências. Algumas tragédias ouvidas, presenciadas e vividas. Prefiro não contar os casos, há coisas muito duras e tristes. Melhor deixar estar no fundo do baú das vivências. Não há nada a se fazer para mudar o que já foi. Falar de cordas, armas, afogamento, mortes, acidentes para que, não é mesmo? Que fiquem essas coisas no limbo do cérebro.
Muitas pessoas passaram pela minha vida e sumiram. Pessoas que "foram amigas" durante períodos e que se apagaram, se afastaram, me excluíram ou os excluí.
Penso aqui com os meus botões, velcros e zípers, será que eram realmente amigos verdadeiros? Correspondi a essas pessoas? Ou foram relacionamentos descartáveis de ambas as partes. Tenho a certeza de sentir a perda de contato e relacionamento com alguns deles. Enfim , isso é do jogo da vida. Se escolhe e se é escolhido.
Em contrapartida tenho retomado contato com amigos de longa data sem ver, glória ao Facebook.
E os que me querem bem e eu idem , mesmo à distância, quando nos encontramos ou nos falamos tecnologicamente, fica sempre um sabor de reminiscências, dos bons tempos. Fica um sabor de amizade para sempre, mesmo que demore mais 10 anos para se encontrar.
Tenho pessoas que estimo por vários estados do país, sabem que nos queremos bem. Tenho todos eles na memória afetiva e sempre penso em um e outro. De vez em quando sou surpreendido por uma retomada de contato que emociona.
Parentes que foram importantes em minha criação e formação, estão em um recanto de minhas boas e melhores lembranças e num canto do meu coração.
Cumpri e cumpro ainda meu papel de pai e marido, com acertos e erros, dos acertos tenho certeza, dos erros a mulher e os filhos sabem e dizem. O que posso remediar ou corrigir, tento às vezes, o que não consigo, deixa estar que a vida sabe cobrar. Se amadureço e aprendo, vou lá e refaço os laços.
Andei no fio da navalha, enfrentei a luz falsa que brilhava no fim ou início do túnel? Pisei em cacos de vidro, em taças de cristal, e em ovos sem quebrar ou me machucar. Enfrentei ondas e marés bravas. Surfei em mar de almirante.
Estive no entroncamento e soube optar pelo trilho certo. Levei pau, pedra e vi o fim do caminho, mas soube retornar e refazer minhas trilhas e minhas caminhadas. Não sujei os pés na lama.
Desagradei a gregos e troianos, agradei as pessoas que em mim acreditaram. Errei, me desculpei e consertei muitos vasos que quebrei, embora, o vaso, mesmo sendo chinês da Dinastia Ming não voltasse a ter o mesmo valor.
Muitas das pessoa que tentaram me ferir, vieram mais a frente "comer nas minhas mãos", a vida dá voltas, a terra roda, é dia, é noite, hoje na parte de cima, amanhã lá embaixo. As linhas retas e curvas ajudam a escrever, desenhar, a moldar e traçar uma vida pelo mundão de Padim Cícero, por sorte, ajuda e persistência meu modelo ficou até muito bom. Tive ajuda de meus protetores que são fortes e me protegeram. Mesmo tendo, muitas vezes, que passar a borracha no meu rascunho, em refazer as linhas e letras, jogar fora o molde, romper a linha do horizonte e seguir em frente tropeçando, caindo e levantando, continuo inteiro nas minhas andanças e vivências.
Vou e venho, penso e repenso, sorrio e choro, faço e desfaço, xingo, esperneio, para segundos depois tentar esquecer e fazer diferente, como bom geminiano que sou.
Mas, fato mais importante de todos, sem a minha mulher com quem constituí uma família aguerrida e unida não teria sido o que sou.
Bom e suave ter na minha mulher, uma baía de calmas águas para aportar meu barco e lançar âncoras, um cantinho para chamar de meu e refazer os motivos e desejos para continuar a vida com ela e com amor.
Fiz e refiz projetos nunca executados, realizei outros, sem planejar, por puro desejo e vontade própria. Sempre fui muito intuitivo.
Acho que o saldo positivo pende a meu favor, será? Quem vai botar na balança e pesar? No acerto de contas final saberei. Depois, um dia, volto para contar. Me aguardem com velas, marafo, farofa, frango preto, fitas amarelas e sambas bons. Ê monsefio, hum, hum !!!
Hoje, tenho tempo para olhar mais para a natureza, ver pássaros, flores, insetos, paisagens, nascer e por do sol, admirar luas cheias, azuis, novas. Me emociono com coisas simples que estão por aí e muitas vezes nem percebemos. É a conquista de uma paz simples e muito especial.
Amo sorriso de crianças e de meus lindos netos. Todos eles puxaram a beleza, o charme, a inteligência, a espontaneidade e a modéstia do "Vô Niverso".
Procuro ler de tudo um tanto, neste ano já li mais de 9.000 páginas. Ouço menos música do que gostaria, vou dar um jeito nisso.
Viagens caíram de intensidade este ano, já são 9 meses ancorado, com o casco cheio de zinabre e mariscos. Dezembro, me aguarde.
Diminuí o hobby de fotografar, cozinhando pouco também, retomando o blog, depois de meses sem motivação, aproveitei para ler mais. E tem o tal do Facebook, lugar bom para se divertir e saber dos amigos. Não deixo passar batido qualquer assunto, perco o amigo, mas não deixo passar a oportunidade de dar uma boa sacaneada, mesmo em assuntos mais sérios..
No mais, é cuidar para não enferrujar a máquina e manter a ferramenta em dia.
Se a velhice começa quando você passa a relembrar e contar as mesmas histórias, causos, vivências, ainda rir de uma boa velha piada, ser mais seletivo em tudo o que te agrada, eliminando e deixando de fazer o que não te agrada. Acho, que já estou ficando velhinho.
A paciência, vai acabando com a idade, uma das coisas que me cansa na vida é a falta de educação das pessoas que não respeitam nada e nem ninguém. As vezes tenho vontade de ter um dia de fúria para enquadrar esses tipos, aí caio na real e entendo que não tenho que consertar o mundo e nem tenho tampouco força física para tal, então só me resta me acalmar e pensar que felizmente meus filhos, netos, nora e genro, tocam as suas vidas há mais de 10 anos fora dessa anarquia que se transformou o Brasil, sem desejo nenhum de voltar um dia.
Mas, não perco a minha dignidade e tampouco a minha indignação contra tudo o que está aí. Vou a rua e participo pelas mudanças necessárias, falo, divulgo fatos que dizem respeito ao que desejo ver mudado. Quero um país mais "limpo" para viver. Não me omito.
Viajei muito pelo Brasil, conheço quase todos os estados e territórios, fui pelo menos a 15 países, rodei bastante, vi muitos lugares bonitos, históricos, deliciosas comidas e bebidas, gente de todo tipo, com as pessoas que mantive contato por qualquer motivo, sempre fui muito bem tratado e sempre recebi de volta o que pratiquei com todos - GENTILEZA, GERA GENTILEZA.
A fórmula é simples: desculpe-me, com licença, por favor, obrigado, bom dia, tarde, noite, preciso de sua ajuda, pode me ajudar? Pode me atender agora? Foi muito gentil de sua parte, desculpe se não falo a sua língua. Simples assim.
Tenho o prazer de não ter hora e nem compromisso, sair de casa e voltar antes da hora da onça beber água no trânsito. Ir e não ir onde desejo ou não.
Comer e beber o que desejar, quando for e sem qualquer restrição.
Vestir a velha calça folgada e desbotada, a camisa quase furando de tão rala a malha, tênis, crocs, bermuda. Barba? Quando me olho no espelho e vejo que os fios brancos não estão nada charmosos, faço a barba, remoço 3 anos. Cabelos brancos são poucos e dão certo charme, quando vou cortá-los mando fazer um corte de aposentado, bem curtinho, e tirar só os fios brancos, assim só volto daí a quatro meses.
Minha mulher diz que fico com cara de rato alegre no fubá e meus filhos que fiz o corte Playmobil, igual o dos bonecos. Se fico com o cabelo grande chamam de cabelo de argentino. Sinto que estou perdendo a moral.
Tô na vida, tô na luta, para o que não vier e o que aparecer. Me sinto feliz dia sim outro não, com sáude, inteiro, em paz comigo mesmo. Amo e sou correspondido. Tenho uma família pequena, longe, mas ligada e antenada pelo afeto, mais próximos afetivamente do que muita gente que vive perto.
O que espero da vida? Viver !
Espero fazer o que eu gosto e ter amor por muitos anos mais, se assim que tiver que ser.
Se não for assim é porque não teria que ser. Sem churumelas.
Com licença, tô indo em frente..., vamos?
Balanço de vida? Não , acho ainda muito cedo para fechar a vida para balanço, vou esperar muito mais , assim terei mais coisas para avaliar, contar e saborear.
Algumas são coisas interessantes, outras nem tanto. Há as tristes, alegres, loucamente engraçadas, algumas de alto risco.
Quando se é jovem não prestamos a mínima atenção ao que se passou e pouco no que poderá vir.
Mas, depois de se viver, com certeza, mais da metade de minha provável existência, passei, depois dos 50 anos a lembrar e ou tentar lembrar fragmentos de algumas histórias e passagens da vida.
Tenho alguns causos registrados e que consigo ainda me lembrar. Outros, esqueço por conveniência e sobrevivência de minha integridade mental. Ficar lembrando de coisas ruins vale a pena?
Vamos lá:
Pai, mãe e irmão já desembarcados dessa esfera
Vários amigos queridos que morreram novos na infância, juventude e na fase adulta. Tenho deles boas lembranças e vivências. Algumas tragédias ouvidas, presenciadas e vividas. Prefiro não contar os casos, há coisas muito duras e tristes. Melhor deixar estar no fundo do baú das vivências. Não há nada a se fazer para mudar o que já foi. Falar de cordas, armas, afogamento, mortes, acidentes para que, não é mesmo? Que fiquem essas coisas no limbo do cérebro.
Muitas pessoas passaram pela minha vida e sumiram. Pessoas que "foram amigas" durante períodos e que se apagaram, se afastaram, me excluíram ou os excluí.
Penso aqui com os meus botões, velcros e zípers, será que eram realmente amigos verdadeiros? Correspondi a essas pessoas? Ou foram relacionamentos descartáveis de ambas as partes. Tenho a certeza de sentir a perda de contato e relacionamento com alguns deles. Enfim , isso é do jogo da vida. Se escolhe e se é escolhido.
Em contrapartida tenho retomado contato com amigos de longa data sem ver, glória ao Facebook.
E os que me querem bem e eu idem , mesmo à distância, quando nos encontramos ou nos falamos tecnologicamente, fica sempre um sabor de reminiscências, dos bons tempos. Fica um sabor de amizade para sempre, mesmo que demore mais 10 anos para se encontrar.
Tenho pessoas que estimo por vários estados do país, sabem que nos queremos bem. Tenho todos eles na memória afetiva e sempre penso em um e outro. De vez em quando sou surpreendido por uma retomada de contato que emociona.
Parentes que foram importantes em minha criação e formação, estão em um recanto de minhas boas e melhores lembranças e num canto do meu coração.
Cumpri e cumpro ainda meu papel de pai e marido, com acertos e erros, dos acertos tenho certeza, dos erros a mulher e os filhos sabem e dizem. O que posso remediar ou corrigir, tento às vezes, o que não consigo, deixa estar que a vida sabe cobrar. Se amadureço e aprendo, vou lá e refaço os laços.
Andei no fio da navalha, enfrentei a luz falsa que brilhava no fim ou início do túnel? Pisei em cacos de vidro, em taças de cristal, e em ovos sem quebrar ou me machucar. Enfrentei ondas e marés bravas. Surfei em mar de almirante.
Estive no entroncamento e soube optar pelo trilho certo. Levei pau, pedra e vi o fim do caminho, mas soube retornar e refazer minhas trilhas e minhas caminhadas. Não sujei os pés na lama.
Desagradei a gregos e troianos, agradei as pessoas que em mim acreditaram. Errei, me desculpei e consertei muitos vasos que quebrei, embora, o vaso, mesmo sendo chinês da Dinastia Ming não voltasse a ter o mesmo valor.
Muitas das pessoa que tentaram me ferir, vieram mais a frente "comer nas minhas mãos", a vida dá voltas, a terra roda, é dia, é noite, hoje na parte de cima, amanhã lá embaixo. As linhas retas e curvas ajudam a escrever, desenhar, a moldar e traçar uma vida pelo mundão de Padim Cícero, por sorte, ajuda e persistência meu modelo ficou até muito bom. Tive ajuda de meus protetores que são fortes e me protegeram. Mesmo tendo, muitas vezes, que passar a borracha no meu rascunho, em refazer as linhas e letras, jogar fora o molde, romper a linha do horizonte e seguir em frente tropeçando, caindo e levantando, continuo inteiro nas minhas andanças e vivências.
Vou e venho, penso e repenso, sorrio e choro, faço e desfaço, xingo, esperneio, para segundos depois tentar esquecer e fazer diferente, como bom geminiano que sou.
Mas, fato mais importante de todos, sem a minha mulher com quem constituí uma família aguerrida e unida não teria sido o que sou.
Bom e suave ter na minha mulher, uma baía de calmas águas para aportar meu barco e lançar âncoras, um cantinho para chamar de meu e refazer os motivos e desejos para continuar a vida com ela e com amor.
Fiz e refiz projetos nunca executados, realizei outros, sem planejar, por puro desejo e vontade própria. Sempre fui muito intuitivo.
Acho que o saldo positivo pende a meu favor, será? Quem vai botar na balança e pesar? No acerto de contas final saberei. Depois, um dia, volto para contar. Me aguardem com velas, marafo, farofa, frango preto, fitas amarelas e sambas bons. Ê monsefio, hum, hum !!!
Hoje, tenho tempo para olhar mais para a natureza, ver pássaros, flores, insetos, paisagens, nascer e por do sol, admirar luas cheias, azuis, novas. Me emociono com coisas simples que estão por aí e muitas vezes nem percebemos. É a conquista de uma paz simples e muito especial.
Amo sorriso de crianças e de meus lindos netos. Todos eles puxaram a beleza, o charme, a inteligência, a espontaneidade e a modéstia do "Vô Niverso".
Esses filhotes de passarinho, eu os vi nascer, crescer, sair do ninho, ir para o chão, alçar primeiros voos, se desgarrarem da mãe, acostumaram comigo e vieram comer em minha mão - Vídeo: UNIVERSO
Procuro ler de tudo um tanto, neste ano já li mais de 9.000 páginas. Ouço menos música do que gostaria, vou dar um jeito nisso.
Viagens caíram de intensidade este ano, já são 9 meses ancorado, com o casco cheio de zinabre e mariscos. Dezembro, me aguarde.
Diminuí o hobby de fotografar, cozinhando pouco também, retomando o blog, depois de meses sem motivação, aproveitei para ler mais. E tem o tal do Facebook, lugar bom para se divertir e saber dos amigos. Não deixo passar batido qualquer assunto, perco o amigo, mas não deixo passar a oportunidade de dar uma boa sacaneada, mesmo em assuntos mais sérios..
No mais, é cuidar para não enferrujar a máquina e manter a ferramenta em dia.
Se a velhice começa quando você passa a relembrar e contar as mesmas histórias, causos, vivências, ainda rir de uma boa velha piada, ser mais seletivo em tudo o que te agrada, eliminando e deixando de fazer o que não te agrada. Acho, que já estou ficando velhinho.
A paciência, vai acabando com a idade, uma das coisas que me cansa na vida é a falta de educação das pessoas que não respeitam nada e nem ninguém. As vezes tenho vontade de ter um dia de fúria para enquadrar esses tipos, aí caio na real e entendo que não tenho que consertar o mundo e nem tenho tampouco força física para tal, então só me resta me acalmar e pensar que felizmente meus filhos, netos, nora e genro, tocam as suas vidas há mais de 10 anos fora dessa anarquia que se transformou o Brasil, sem desejo nenhum de voltar um dia.
Mas, não perco a minha dignidade e tampouco a minha indignação contra tudo o que está aí. Vou a rua e participo pelas mudanças necessárias, falo, divulgo fatos que dizem respeito ao que desejo ver mudado. Quero um país mais "limpo" para viver. Não me omito.
Viajei muito pelo Brasil, conheço quase todos os estados e territórios, fui pelo menos a 15 países, rodei bastante, vi muitos lugares bonitos, históricos, deliciosas comidas e bebidas, gente de todo tipo, com as pessoas que mantive contato por qualquer motivo, sempre fui muito bem tratado e sempre recebi de volta o que pratiquei com todos - GENTILEZA, GERA GENTILEZA.
A fórmula é simples: desculpe-me, com licença, por favor, obrigado, bom dia, tarde, noite, preciso de sua ajuda, pode me ajudar? Pode me atender agora? Foi muito gentil de sua parte, desculpe se não falo a sua língua. Simples assim.
Tenho o prazer de não ter hora e nem compromisso, sair de casa e voltar antes da hora da onça beber água no trânsito. Ir e não ir onde desejo ou não.
Comer e beber o que desejar, quando for e sem qualquer restrição.
Vestir a velha calça folgada e desbotada, a camisa quase furando de tão rala a malha, tênis, crocs, bermuda. Barba? Quando me olho no espelho e vejo que os fios brancos não estão nada charmosos, faço a barba, remoço 3 anos. Cabelos brancos são poucos e dão certo charme, quando vou cortá-los mando fazer um corte de aposentado, bem curtinho, e tirar só os fios brancos, assim só volto daí a quatro meses.
Minha mulher diz que fico com cara de rato alegre no fubá e meus filhos que fiz o corte Playmobil, igual o dos bonecos. Se fico com o cabelo grande chamam de cabelo de argentino. Sinto que estou perdendo a moral.
Tô na vida, tô na luta, para o que não vier e o que aparecer. Me sinto feliz dia sim outro não, com sáude, inteiro, em paz comigo mesmo. Amo e sou correspondido. Tenho uma família pequena, longe, mas ligada e antenada pelo afeto, mais próximos afetivamente do que muita gente que vive perto.
O que espero da vida? Viver !
Espero fazer o que eu gosto e ter amor por muitos anos mais, se assim que tiver que ser.
Se não for assim é porque não teria que ser. Sem churumelas.
Com licença, tô indo em frente..., vamos?
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
domingo, 25 de outubro de 2015
Os 10 maiores poemas dos últimos 200 anos - Revista Bula
Carlos William Leite
Em pesquisa realizada entre os seus leitores a Revista Bula, selecionou os 10 poemas abaixo como os maiores dos últimos 200 anos. Claro, que houveram discordâncias, e muitos outros poetas e poemas foram citados pelos leitores.
Os 10 poemas abaixo, foram os que receberam mais citações.
1 — A Terra Desolada
(T. S. Eliot)
Abril é o mais cruel dos meses, germinaLilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.
O inverno nos agasalhava, envolvendo
A terra em neve deslembrada, nutrindo
Com secos tubérculos o que ainda restava de vida.
O verão; nos surpreendeu, caindo do Starnbergersee
Com um aguaceiro. Paramos junto aos pórticos
E ao sol caminhamos pelas aleias de Hofgarten,
Tomamos café, e por uma hora conversamos.
Big gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
Quando éramos crianças, na casa do arquiduque,
Meu primo, ele convidou-me a passear de trenó.
E eu tive medo. Disse-me ele, Maria,
Maria, agarra-te firme. E encosta abaixo deslizamos.
Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.
Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o inverno.
Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham
Nessa imundície pedregosa? Filho do homem,
Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces
Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,
E as árvores mortas já não mais te abrigam,
nem te consola o canto dos grilos,
E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas
Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto
De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;
Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.
(Trecho de “Terra Desolada”, de T. S. Eliot. Tradução de Ivan Junqueira)
2 — Tabacaria
Não sou nada. |
3 — A Máquina do Mundo
E como eu palmilhasse vagamente |
4 — Os Homens Ocos
Nós somos os homens ocos |
5 — Velejando para Bizâncio
Aquela não é terra para velhos. Gente |
6 — À Espera dos Bárbaros
O que esperamos na ágora reunidos? |
7 — O Cemitério Marinho
Esse teto tranquilo, onde andam pombas, |
8 — Hugh Selwyn Mauberly
Vai, livro natimudo, |
9 — Poema em Linha Reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. |
10 — Poema Sujo
turvo turvo |
Somos todas Valentina - Ruth de Aquino
Ruth de Aquino - Colunista da revista Época
Reproduzo abaixo o texto de Ruth de Aquino publicado na revista Época sobre os ataques desleais, bestificados, desqualificados e covardes, praticados contra uma menina de 12 anos.
Apareceram outros idiotas que escondidos por anonimatos ou não, tentaram fazer pilhérias com piadas e frases que demonstram claramente o quanto são doentes ou não tiveram a devida educação em suas famílias.
Abomino esses cretinos que se acham no direito de macular a infância de uma criança, jovem, mulher.
Será que eles tratam assim as suas mães e irmãs?
Segue o texto de Ruth de Aquino:
É impressionante como, depois de tanta luta, a menina-moça-mulher ainda é intimidada
Ruth de Aquino, ÉPOCA
Valente Valentina, o assédio sexual e cretino a sua beleza, nas redes sociais, não pode fazer tremer suas mãos quando você criar novos pratos no MasterChef Júnior. Aos 12 anos, você, sem querer, apenas por ser linda e charmosa, despertou tarados que estão por aí, escondidos na pele de filhos, maridos e pais normais. Pedófilos e potenciais estupradores se expuseram no Twitter, protegidos ou não por apelidos. Assustaram seu pai, Alexandre. Ele estava preparado para o encantamento que você espalha, não para sujeira. “Teve gente que pediu que ela mandasse foto nua”, disse. Ele apagou tuítes ofensivos. Ele tenta proteger você, Valentina, da malícia do mundo.
Menina, uma hora você saberá que, por um tempo, uniu o gênero feminino em torno de seu nome. Valentina, você não é vítima. Não somos vítimas por ser mulheres. Você aprenderá que o feminismo ainda é necessário no século XXI. Para defender nossa autodeterminação e autoestima, nossos direitos e escolhas, numa sociedade ainda patriarcal. Não adianta omitir seu nome, nem cortar seus cabelos ou cobrir seu corpo de cima a baixo com roupas pouco atraentes. Você perceberá que a menina-moça-mulher continua a ser discriminada em vários momentos da vida e tem de reagir.
Ainda vai encarar muitas brigas, Valentina. Já devem mexer com você na rua quando sai sozinha. Na sua idade e muito depois, meus sentimentos variavam entre o medo e o desafio. Mudava de calçada quando via grupos de rapazes, para evitar o assédio, o desconforto ou a humilhação. Às vezes, xingava alto quem me dizia coisas, quem insinuava convites ou mexia no meu cabelo e pegava meu braço, para denunciá-lo, para expor meu nojo e sua doença.
É impressionante como, depois de tanta luta, desde o direito a votar, ou a usar calças compridas, ou a desamarrar o espartilho, ou a controlar a fertilidade, ou a trabalhar... é impressionante como a menina-moça-mulher ainda é intimidada ou ameaçada. Nem falo de países que obrigam meninas a casar com estranhos ou matam a chibatadas mulheres que traem. Acho incrível que os direitos femininos continuem em questão. Direito de ser bonita, de ser sensual, de usar saia curta, direito de ser feia, de ser velha, direito de não casar, direito de se dedicar aos filhos e à casa, direito de não ser mãe, de amamentar ou não, de insistir em parto normal ou escolher cesárea, direito de abortar, direito de transar com muitos, direito ao prazer, direito de pintar os cabelos ou deixá-los brancos, direito de ser ambiciosa ou não, direito de ganhar bem e ser promovida, direito de não ser assediada por chefes.
É muita patrulha contra as escolhas femininas. A patrulha não é só masculina. Mulheres também patrulham mulheres. Mulheres patrulham a si próprias. Uma autocrítica descabida e injusta. Filhas patrulham mães e vice-versa.
Mas, semana passada, o ataque veio de homens. Não só no Twitter. Não vou reproduzir os comentários excitados com a visão de Valentina. Por que as mulheres reagiram em massa? É só ler os depoimentos de #primeiroassedio, uma campanha criada pelo coletivo Think Olga, e ler lembranças femininas dolorosas aos 4, 9, 13 anos, em casa e na rua. Lembranças que falam de garotos e homens, da família ou estranhos, metendo a mão, passando a mão, falando sacanagens, deflorando tudo, a inocência, o corpo, a mente. Muitos homens reagiram também nas redes sociais, xingando de “babacas” os que chamavam Valentina de “uma mulher de 12 anos”.
Não foi só esse episódio que me fez lembrar que continuo feminista. O outro ataque veio de engravatados, na Câmara. Um projeto retrógrado, elaborado pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha, aprovado pela CCJ, Comissão de Constituição e Justiça, com apoio sobretudo da bancada evangélica. E suspeito que seja só o começo. O texto dificulta o aborto legal por estupro, ao fazer novas exigências à mulher estuprada – ela não poderá ser atendida em hospitais sem que antes faça exame de corpo de delito no IML e registre a denúncia na delegacia.
O texto proíbe “medicamentos abortivos”. Deixa assim em aberto a possível proibição, na rede pública, da pílula do dia seguinte para vítimas de estupro, caso a pílula seja considerada abortiva. Isso significa que o projeto de Cunha poderá obrigar a menina-moça-mulher violentada a engravidar, para, depois, abortar. Nada mais cruel. O texto ainda transforma em crime a “indução” ao aborto ou a “informação” sobre o aborto. Seja você amigo ou médico, poderá ser preso se aconselhar ou informar. Típico de sociedades obscurantistas. Em vez de evoluir, o Brasil está rasgando direitos reprodutivos da mulher conquistados no século passado.
Não podemos esquecer: #somostodasvalentes.
Valente Valentina, o assédio sexual e cretino a sua beleza, nas redes sociais, não pode fazer tremer suas mãos quando você criar novos pratos no MasterChef Júnior. Aos 12 anos, você, sem querer, apenas por ser linda e charmosa, despertou tarados que estão por aí, escondidos na pele de filhos, maridos e pais normais. Pedófilos e potenciais estupradores se expuseram no Twitter, protegidos ou não por apelidos. Assustaram seu pai, Alexandre. Ele estava preparado para o encantamento que você espalha, não para sujeira. “Teve gente que pediu que ela mandasse foto nua”, disse. Ele apagou tuítes ofensivos. Ele tenta proteger você, Valentina, da malícia do mundo.
Menina, uma hora você saberá que, por um tempo, uniu o gênero feminino em torno de seu nome. Valentina, você não é vítima. Não somos vítimas por ser mulheres. Você aprenderá que o feminismo ainda é necessário no século XXI. Para defender nossa autodeterminação e autoestima, nossos direitos e escolhas, numa sociedade ainda patriarcal. Não adianta omitir seu nome, nem cortar seus cabelos ou cobrir seu corpo de cima a baixo com roupas pouco atraentes. Você perceberá que a menina-moça-mulher continua a ser discriminada em vários momentos da vida e tem de reagir.
Ainda vai encarar muitas brigas, Valentina. Já devem mexer com você na rua quando sai sozinha. Na sua idade e muito depois, meus sentimentos variavam entre o medo e o desafio. Mudava de calçada quando via grupos de rapazes, para evitar o assédio, o desconforto ou a humilhação. Às vezes, xingava alto quem me dizia coisas, quem insinuava convites ou mexia no meu cabelo e pegava meu braço, para denunciá-lo, para expor meu nojo e sua doença.
É impressionante como, depois de tanta luta, desde o direito a votar, ou a usar calças compridas, ou a desamarrar o espartilho, ou a controlar a fertilidade, ou a trabalhar... é impressionante como a menina-moça-mulher ainda é intimidada ou ameaçada. Nem falo de países que obrigam meninas a casar com estranhos ou matam a chibatadas mulheres que traem. Acho incrível que os direitos femininos continuem em questão. Direito de ser bonita, de ser sensual, de usar saia curta, direito de ser feia, de ser velha, direito de não casar, direito de se dedicar aos filhos e à casa, direito de não ser mãe, de amamentar ou não, de insistir em parto normal ou escolher cesárea, direito de abortar, direito de transar com muitos, direito ao prazer, direito de pintar os cabelos ou deixá-los brancos, direito de ser ambiciosa ou não, direito de ganhar bem e ser promovida, direito de não ser assediada por chefes.
É muita patrulha contra as escolhas femininas. A patrulha não é só masculina. Mulheres também patrulham mulheres. Mulheres patrulham a si próprias. Uma autocrítica descabida e injusta. Filhas patrulham mães e vice-versa.
Mas, semana passada, o ataque veio de homens. Não só no Twitter. Não vou reproduzir os comentários excitados com a visão de Valentina. Por que as mulheres reagiram em massa? É só ler os depoimentos de #primeiroassedio, uma campanha criada pelo coletivo Think Olga, e ler lembranças femininas dolorosas aos 4, 9, 13 anos, em casa e na rua. Lembranças que falam de garotos e homens, da família ou estranhos, metendo a mão, passando a mão, falando sacanagens, deflorando tudo, a inocência, o corpo, a mente. Muitos homens reagiram também nas redes sociais, xingando de “babacas” os que chamavam Valentina de “uma mulher de 12 anos”.
Não foi só esse episódio que me fez lembrar que continuo feminista. O outro ataque veio de engravatados, na Câmara. Um projeto retrógrado, elaborado pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha, aprovado pela CCJ, Comissão de Constituição e Justiça, com apoio sobretudo da bancada evangélica. E suspeito que seja só o começo. O texto dificulta o aborto legal por estupro, ao fazer novas exigências à mulher estuprada – ela não poderá ser atendida em hospitais sem que antes faça exame de corpo de delito no IML e registre a denúncia na delegacia.
O texto proíbe “medicamentos abortivos”. Deixa assim em aberto a possível proibição, na rede pública, da pílula do dia seguinte para vítimas de estupro, caso a pílula seja considerada abortiva. Isso significa que o projeto de Cunha poderá obrigar a menina-moça-mulher violentada a engravidar, para, depois, abortar. Nada mais cruel. O texto ainda transforma em crime a “indução” ao aborto ou a “informação” sobre o aborto. Seja você amigo ou médico, poderá ser preso se aconselhar ou informar. Típico de sociedades obscurantistas. Em vez de evoluir, o Brasil está rasgando direitos reprodutivos da mulher conquistados no século passado.
Não podemos esquecer: #somostodasvalentes.
Os monstros que carregamos: reflexões acerca da depressão - Raquel Aviolo
Artigo do OBVIUS, publicado em sociedade por Raquel Avolio
A depressão é vista como um dos principais males da modernidade, mas a doença está presente ao longo da história como uma das mais frequentes formas de desequilíbrio em seres humanos. Aventure-se em uma breve análise intimista do monstro conhecido por matar lentamente, e com requintes de crueldade
“Um, dois, três... vá, você consegue. Você não apenas consegue, você também precisa. Um, dois, três... por favor, vamos, você não tem o dia inteiro.”
A frase acima assemelha-se ao discurso de alguém que tenta escalar uma montanha ou atingir alguma meta que requere esforço anormal, mas é só o tipo de coisa que um indivíduo deprimido fala para si mesmo ao tentar levantar da cama num dia comum. A depressão não é algo poético, ao contrário do que muitos pensam, e não é assunto para ser romantizado. Há um mito que cerca a condição, e ele precisa ser extinto. A depressão não ajuda pessoas criativas. O sofrimento pode inspirar, mas a depressão paralisa. É uma doença cruel, dolorosa e insidiosa, que leva o hospedeiro a ter vontade de pedir ajuda para tomar banho, pentear cabelos e escovar os dentes: ela leva embora a energia vital presente em cada um de nós, transformando tarefas simples como se alimentar em tarefas complicadas como erguer um monumento. É uma máxima: não há beleza na depressão.
Muitas vezes os incentivos não geram resultados, todo e qualquer esforço falha ou parece falhar, e a desistência se apresenta como a única saída viável. Após a ideia da desistência criar raízes firmes, a idealização do grand finale, o suicídio, parece se formar na mente do doente, límpida e nítida como uma pintura ou até mesmo como um filme.
Os mais diversos cenários são imaginados: do envenenamento (costuma ser descartado, pode ser extremamente doloroso e falho) até o tiro fatal da misericórdia, da auto-defenestração até a overdose, tudo é levado em consideração. Os prós e contras são ponderados. É possível que o deprimido considere que é melhor deixar o tiro pra lá, afinal, ninguém gosta de limpar sujeira, e morrer de forma serena não parece uma má ideia. Para completar, conseguir uma arma não é muito fácil em grande parte dos casos. Infelizmente, muitos doentes abraçam algum dos métodos, o método escolhido decide abraçar de volta, e é assim que o monstro consegue mais um soldado para seu exército em constante expansão.
Mas é difícil que pessoas vivas cometam suicídio: a maior parcela dos suicidas é constituída de mortos que caminham entre os vivos, até que se cansam do ciclo vicioso e estabelecem o que acreditam ser um fim definitivo para a dor.
Ainda bastante incompreendida, a condição leva os portadores a serem vítimas de preconceitos e julgamentos, estes que são alguns dos principais aspectos sociais da doença. Além de suportarem diversos martírios dentro de si mesmos, depressivos são julgados “preguiçosos”, “inúteis”, muitas vezes escutam insultos de pessoas próximas, aquelas que deveriam ajudar e cuidar: “Levante daí, você não cansa de ficar nessa cama o dia inteiro?”, “E então, quando você vai decidir fazer algo da sua vida?”, “Você parece bem, não parece doente, está rindo, será que não poderia fazer algo que preste?”, “Me poupe, isso não passa de frescura”.
Além disso, é comum que pessoas deprimidas não suportem ouvir o termo “reagir”. “Reaja!”, o mundo parece gritar em uníssono. Por favor, parem. É uma situação extremamente delicada. Não é assim que funciona, não foi e nunca será. Depressão não é tristeza. Estamos reagindo, mas estamos acorrentados, e do que adianta tentar fugir quando seu carcereiro decidiu te acorrentar? O único resultado que será possível obter é o cansaço, e nossos corpos já não comportam mais qualquer adição de cansaço. Estamos fazendo o possível.
Não há depressão que seja igual. Diferentemente da gripe ou de qualquer outro vírus terrível que possa torturar nossos corpos, a depressão é única para cada portador, o que faz dela um martírio solitário. É a doença da solidão, do isolamento, e, por fim, da ausência de amparo. Muitas pessoas deprimidas são abandonadas ou ignoradas por seus familiares, cônjuges e amigos quando mais precisam de conforto e ajuda. As pessoas cansam e vão embora. Não queremos dar trabalho, não queremos causar desconforto, mas precisamos de amor. Não pedimos para ter uma doença. Da mesma forma que alguém não escolhe um câncer, não escolhemos desenvolver a depressão.
O amor é um aliado porque nos fortalece, e nos torna mais esperançosos no que tange a luta diária por coisas que não deveriam envolver lutas: é como se, ao sentirmos que somos amados, estivéssemos lutando com um propósito que não é apenas o de permanecermos vivos. Se você conhece alguém que sofre de depressão, demonstre compaixão. Desenvolva sua empatia, ela pode salvar uma vida. Se você sofre de depressão, tente buscar o amor. Se não o encontrar no outro, busque-o dentro de si.
Como se não fosse doloroso o suficiente o fato de estarmos sendo julgados com frequência, também ocorre de sermos interpretados das piores formas possíveis. O inferno parece não ter fim: se elaboramos alguma desculpa para não sairmos de casa em determinado dia, somos péssimos amigos. Mas não somos, na verdade. Acreditem que zelamos por nossas amizades, acontece que não queremos preocupar ninguém ao sermos obrigados a dizer coisas como “desculpe, hoje não, talvez na semana que vem, sabe, faz três dias que tento sair da cama e não consigo, mas hoje consegui ir até a cozinha e fazer um lanche, de tanta felicidade por ter feito isso eu poderia dançar frevo se tivesse alguma energia restante”. Ou então: “não acho que é uma boa ideia ir naquele encontro de hoje, eu acabo de ter uma crise de choro no chão do meu quarto e agora estou deitada em posição fetal”. A maioria das vítimas da depressão crê que é bom evitar contribuir para que sejam vistas como “loucas”, e omitem detalhes de suas lutas diárias contra a doença na tentativa de sentirem-se mais “normais”.
Mas, afinal, o que é a normalidade? O que é normal para um peixe é completamente insano para uma zebra. Os conceitos de “loucura” e “normalidade” foram bastante distorcidos ao longo da história da humanidade, e, em todo caso, são tão relativos e complexos quanto o conceito de “perfeição”: se o que é perfeito para um não é perfeito para outro, a perfeição absoluta não existe. E a tentativa de se enquadrar no padrão do supostamente “perfeito” ou até mesmo da “normalidade” é uma grande armadilha. Não é possível se enquadrar no que não existe. De perto, somos todos uns loucos, e nem toda loucura é algo negativo.
A depressão é traiçoeira, e costumo compará-la com uma árvore repleta de galhos. Dificilmente um deprimido será apenas um deprimido. Muitas vezes ele também é ansioso, é bipolar, é borderline, é obsessivo-compulsivo, é anoréxico, é bulímico, é vítima de transtorno do estresse pós-traumático, é esquizofrênico. Há uma miríade de condições que podem acompanhar a depressão, e elas caminham lado a lado, em algo que pode ser visto como uma espécie de complô para drenar a vida da vítima.
Muitas vítimas da depressão insistem no fato de que, na verdade, não estão doentes, não estão deprimidas, não precisam de ajuda, mas estas pessoas não apenas estão deprimidas como também possuem outras condições eclodindo no fundo de suas mentes: condições tão complicadas e dolorosas quanto a depressão em si.
Por experiência própria, é válido ressaltar que a meditação pode ser como o oásis no deserto da tormenta para algumas pessoas. Foi o meu caso. Através dela, é possível reestabelecer um tipo de conexão com seu verdadeiro eu, conexão esta que é muitas vezes destruída pela depressão, fazendo com que o deprimido sinta-se “completamente perdido” e não saiba para onde ir, quem procurar ou o que fazer. A meditação leva clareza para onde há escuridão: é como a amiga solícita que bate na sua porta e te entrega uma lanterna ao ver que faltou luz em sua casa. Há os que preferem antidepressivos, mas a eficiência de tais medicamentos é propensa a questionamentos e é tema de debates acirrados entre psiquiatras: apesar de algumas obterem verdadeiro êxito, nem todas as pessoas respondem bem ao tratamento com intervenção medicamentosa. Sempre nutri certa recusa ao tratamento com auxílio de fármacos por medo de virar uma escrava das companhias farmacêuticas, que, segundo algumas pessoas, tratam clientes, e não doentes. A última coisa que preciso, eu costumava dizer para mim mesma no auge da dor, é virar dependente química agora: já estou no meio de uma luta e não creio ser necessário participar de outra.
Por ser natural, procurei refúgio na meditação, e descobri que é possível estabelecer paz no caos. É possível decorar o abismo de forma a torná-lo habitável, e o resgate não é imediato, mas ele acontece. E, quando você menos espera, pode se ver fora do abismo pela primeira vez em muito tempo. É uma sensação única, talvez inigualável, e pode ser comparada com o ato de receber um novo par de olhos: é como enxergar o mundo pela primeira vez novamente.
Talvez um dia os grandes cientistas desenvolvam a arma definitiva para aniquilar o monstro para sempre.
Até lá, resta a luta.
Texto publicado originalmente no site:
© obvious: http://obviousmag.org/raquel_avolio/2015/os-monstros-que-carregamos-reflexoes-acerca-da-depressao.html#ixzz3pbbyr016
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Coisas que nenhum mineiro te contou - Luana Simonini
Publicado no OBVIUS em recortes por Luana Simonini
Ser mineiro é comer quieto o fim das palavras. Mineiro que é mineiro tem fome de sílaba e deve ser por isso que guarda dentro do peito poemas inteiros. Entre tantas letras embaralhadas, o vagão das ideias se perde e a coisa vira trem, ou o trem vira coisa.
É, o trem tá feio.
Ser mineiro é escutar no silêncio uma prosa bonita e musicar em sotaque frases curtas. O mineiro não fala, ele canta com um sorriso tímido no canto da boca.
Nem todo mineiro é tímido, mas todo mineiro carrega o charme da timidez. Das bochechas coradas, do sorriso amarelo que ganha novas cores num piscar de olhos abertos, bem abertos.
Mineiro parece não gostar de elogio, mas gosta, pode apostar. Sempre retruca, mas cá dentro tá todo feliz.
São seus olhos. Ele diz.
Mineiro se esconde em suas montanhas, mas desmorona em abraço apertado. Chora água doce e se derrama em cachoeira.
Ser mineiro é fazer da cozinha a melhor parte da casa. Receber os amigos com mesa farta. Mineiro tem mesmo fome seja de letra ou de amor.
O mineiro não se apaixona “pelas” pessoas e, sim, “com” as pessoas. Ser mineiro é sentir as coisas sem dar nome. É se confundir entre dois ou três beijinhos quando conhece alguém.
São três pra casar.
Ser mineiro é passar a noite inteira em um ônibus e ainda não sair de Minas. As montanhas parecem continentes, mas fazem tudo parecer pertim.
É logo ali.
Nunca confie em um “ali” de mineiro.
De resto, pode confiar. Seja nas reticências que ele não diz ou nos versos dos seus poemas inteiros.
Ser mineiro é saber que as melhores coisas da vida não são coisas.
Luna Simonini
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo
Internet: páginacultural.com.br
“Deflagrou um incêndio nos bastidores de um teatro. O palhaço apresentou-se para dizê-lo aos espectadores.
Estes julgaram tratar-se de uma piada e aplaudiram.
Ele falou-lhes novamente, e eles acharam ainda mais engraçado.
É desta forma, penso eu, que o mundo será destruído – entre a universal hilaridade de avisos e acenos que são encarados como piada.”
(KIERKEGAARD)
Søren Aabye Kierkegaard (Copenhague, 5 de maio de 1813 — Copenhague, 11 de novembro de 1855) foi um filósofo e teólogo dinamarquês.
Dicas de leitura
Foto: Blog Falcão de Jade
Nos últimos meses investi mais tempo em me deliciar com a leitura.
Li os 3 volumes da obra de Ken Follet, A Trilogia do Século - Inverno do mundo, Queda de gigantes, Eternidade por um fio e Um lugar chamado liberdade.
Do autor Émile Zola - Germinal. De Lúcio Cardoso - Crônica de uma casa assassinada e acabei de ler Mulheres apaixonadas de D.H. Lawrence.
Reli, O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo. Tocaia Grande, Os velhos marinheiros ou O capitão de longo curso, de Jorge Amado e Leite derramado, de Chico Buarque (achei fraco).
Um total de 9423 páginas lidas.
Fiquei com uma sensação de Ken Follet "bebeu" na literatura de Érico veríssimo quanto ao estilo de se narrar as histórias. Leiam e avaliem. Mistura de ficção com fatos reais, personagens fictícias e reais, evolução das famílias e seus entrelaçamentos e envolvimento nos fatos históricos.
Os livros de Ken Follet são de uma leitura que te domina e cria uma vontade de ler o mais rápido possível para conhecer o final das histórias e o que virá pela frente. Uma cachaça, até parece que você está com um Iphone nas mãos, não para de ler e digitar nunca.
Germinal e Mulheres apaixonadas, assim como os livros de Ken Follet (1º volume da trilogia e Um lugar chamado liberdade), são histórias narradas em períodos, tanto na Inglaterra ou na França, sobre as mineradoras de carvão cujo produto (carvão) era o combustível fóssil mais usado, para mover e aquecer o mundo.
O Tempo e o Vento de Érico Veríssimo, é sem dúvida nenhuma, para mim, a sua obra mestre e definitiva sobre o Rio Grande do Sul.
Quanto as belas obras de Jorge Amado e Lúcio Cardoso, são livros para se ter e reler de tempos em tempos.
Leite derramado de Chico, reli para confirmar o que já tinha achado. É fraco.
Recomendo a leitura dos livros acima, exceto o do Chico.
Boa leitura.
domingo, 18 de outubro de 2015
Se Eu Quiser Falar Com Deus - Gilberto Gil
Para mim, essa é uma das poucas músicas de Gil que eu gosto, e gosto muito. É um momento de reflexão esse encontro com o Deus de cada um.
Cada um tem o seu Deus, conforme a sua visão, necessidade de amparo, busca, fuga, desculpas, para obter forças, para enfrentar as vicissitudes da vida ou para acomodação. "Deus quis assim fazer o que?", "Tem que ser como Deus quer", "Esperar que Deus me ajude e resolva os "pobremas", "poblemas" ou "probremas".
Cada um vê e curte o seu Deus, conforme sua crença. Fala com ele, acredita e credita todas as suas lutas e conquistas pessoais somente a Deus, muitas vezes, nunca acreditando em si e seus esforços. A todo momento cita Deus, todas as falas terminam com Deus. Eu tenho um certo desconforto e fico admirado com esse uso exagerado de Deus.
Muitos usam Deus, para explicar e justificar seus atos, o que ignoram, o desconhecido. Deus foi criado para tentar explicar o inexplicável. Cada um tem o Deus que deseja e segue a fé que acredita. Cada um sabe de si.
Tenho avaliado essa busca, a minha, por Deus. Tenho algumas conclusões. Não o encontrei ainda pessoalmente, não sei quem é. Nunca vi uma certidão de registro de seu nascimento. Não sei sua origem.
Mas já ouvi algumas de suas ideias.
De uma coisa eu tenho certeza. Ele não gosta de templos ricos e suntuosos, nem de qualquer tipo de templo ou imagens. Ele não precisa ser confinado a quatro paredes, gosta de ficar livre, leve e solto.
Não aprova representantes de qualquer tipo e credo.
Não precisa que profissionais da fé tentem falar em seu nome, como se fossem seus legítimos representantes, que usam roupas caras, bordadas a ouro, há Cardeal usando veste de grife, cabelos bem cortados, bem produzidos para impressionar pela imagem. Pessoas, muitas vezes, sem experiência de ter tido uma mulher, um lar, filhos, trabalho, que se acham capacitadas para dizer o que o outro deva fazer.
Não aprova os falsos líderes religiosos, muitos mal- intencionados, que cometem abusos sexuais contra indefesos, que se aproveitam de sua posição para influenciar e obter vantagens financeiras sobre pessoas que mal ganham para viver.
Que condenam a televisão como máquina do diabo, mas possuem uma escondida em sua casa. Ou até mesmo uma rede de TV. Que fazem verdadeiros shows e circos da fé arrecadores de dinheiro.
Não aprova suntuosidade, taças e peças de ouro, prata, jatos, helicópteros, carros importados blindados, casas luxuosas, adquiridos com as "doações", para uso e benefícios dos profissionais da fé.
Não precisa e condena pagamento de dízimos e doações que aliviem a consciência de doadores, para sustento de verdadeiras empresas da fé. Lavagem de dinheiro, malas cheias de dinheiro circulando, evasão de divisas, isenção de impostos que oneram o contribuinte e que mantém o status de uma minoria. Para ele o estado deve ser laico.
Não precisa, menos ainda, de um potentado, país, sede de governo para sua morada ou ser cultuado.
Não necessita e nem apoia a mistura explosiva de política e religião, não prega o apoio a ditadores e opressores, partidos, grupos políticos e financeiros. Não aceita a junção de fé e poder. Nunca incentivou e incentiva guerras santas ou que a sua fé estivesse e esteja a serviço do poder.
Não quer que eu o tema.
Não quer que eu vire o rosto para receber outra agressão, ou que eu perdoe pessoas que me fazem o mal.
Deseja que eu viva bem e feliz com a minha família e os verdadeiros amigos.
Orienta-me para que eu não prejudique as pessoas com objetivos de tirar benefícios pessoais e profissionais.
Que eu continue honesto, ético e viva a vida com muito prazer e felicidade.
Pede para não me frustrar com dificuldades e pessoas ruins, apenas que busque superá-las e esquecê-los. Virar a página da vida e seguir em frente.
Pede que eu não seja perfeito. Sobretudo, que eu cometa erros para que eu tente me aprimorar e crescer como pessoa.
Que eu seja o responsável pelos meus atos e não fuja de minhas responsabilidades.
Que eu faça sempre as críticas necessárias de forma equilibrada e que contribua com ideias e soluções.
Que não abra mão de meus princípios e direitos. Mas, que cumpra com os que cabem, respeitando os dos outros.
Que não aceite a violência e a não a pratique.
Que entenda que as minhas ideias, nem sempre, são as melhores ou que tenham que ser aceitas. Que procure entender e aceitar ideias,opiniões contrárias.
Que respeite as diversidades. Entendendo que não há brancos, negros, amarelos, índios, gays, lésbicas, ricos, pobres, de credos e posições políticas diferentes. Mas, seres humanos, que tem que ser respeitados e valorizados.
Que eu não tenha inveja do sucesso dos outros. Que eu busque ser, mais do que ter. Que eu tenha o que desejar, sem me perder, desde que seja para minha felicidade e obtido com o meu trabalho e honestamente.
Ajudar a quem eu possa e que mereça. Sem criar vícios e dependências. Não sentir culpa, caso não o faça ou possa fazê-lo.
Que eu trate e cuide bem dos animais assim como, de toda a natureza.
Para cuidar dos meus, olhá-los com amor. Orientá-los, motivá-los e dar-lhes muita luz e sabedoria de viver.
Que eu cuide de minha vida e saúde.
Que eu não o ocupe com coisas mesquinhas, pois ele tem muitas outras pessoas para olhar e que necessitam mais de seu apoio.
Espero que, quando encontrá-lo, pessoalmente, possamos bater um bom papo, descobrir coisas em comum e se torcermos para o mesmo time, aí será "Mamão com açúcar".
Esse é o Deus com quem converso sobre o Universo que habito. Que, assim ele seja. Já, que assim sou.
Mas já ouvi algumas de suas ideias.
De uma coisa eu tenho certeza. Ele não gosta de templos ricos e suntuosos, nem de qualquer tipo de templo ou imagens. Ele não precisa ser confinado a quatro paredes, gosta de ficar livre, leve e solto.
Não aprova representantes de qualquer tipo e credo.
Não precisa que profissionais da fé tentem falar em seu nome, como se fossem seus legítimos representantes, que usam roupas caras, bordadas a ouro, há Cardeal usando veste de grife, cabelos bem cortados, bem produzidos para impressionar pela imagem. Pessoas, muitas vezes, sem experiência de ter tido uma mulher, um lar, filhos, trabalho, que se acham capacitadas para dizer o que o outro deva fazer.
Não aprova os falsos líderes religiosos, muitos mal- intencionados, que cometem abusos sexuais contra indefesos, que se aproveitam de sua posição para influenciar e obter vantagens financeiras sobre pessoas que mal ganham para viver.
Que condenam a televisão como máquina do diabo, mas possuem uma escondida em sua casa. Ou até mesmo uma rede de TV. Que fazem verdadeiros shows e circos da fé arrecadores de dinheiro.
Não aprova suntuosidade, taças e peças de ouro, prata, jatos, helicópteros, carros importados blindados, casas luxuosas, adquiridos com as "doações", para uso e benefícios dos profissionais da fé.
Não precisa e condena pagamento de dízimos e doações que aliviem a consciência de doadores, para sustento de verdadeiras empresas da fé. Lavagem de dinheiro, malas cheias de dinheiro circulando, evasão de divisas, isenção de impostos que oneram o contribuinte e que mantém o status de uma minoria. Para ele o estado deve ser laico.
Não precisa, menos ainda, de um potentado, país, sede de governo para sua morada ou ser cultuado.
Não necessita e nem apoia a mistura explosiva de política e religião, não prega o apoio a ditadores e opressores, partidos, grupos políticos e financeiros. Não aceita a junção de fé e poder. Nunca incentivou e incentiva guerras santas ou que a sua fé estivesse e esteja a serviço do poder.
Não quer que eu o tema.
Não quer que eu vire o rosto para receber outra agressão, ou que eu perdoe pessoas que me fazem o mal.
Deseja que eu viva bem e feliz com a minha família e os verdadeiros amigos.
Orienta-me para que eu não prejudique as pessoas com objetivos de tirar benefícios pessoais e profissionais.
Que eu continue honesto, ético e viva a vida com muito prazer e felicidade.
Pede para não me frustrar com dificuldades e pessoas ruins, apenas que busque superá-las e esquecê-los. Virar a página da vida e seguir em frente.
Pede que eu não seja perfeito. Sobretudo, que eu cometa erros para que eu tente me aprimorar e crescer como pessoa.
Que eu seja o responsável pelos meus atos e não fuja de minhas responsabilidades.
Que eu faça sempre as críticas necessárias de forma equilibrada e que contribua com ideias e soluções.
Que não abra mão de meus princípios e direitos. Mas, que cumpra com os que cabem, respeitando os dos outros.
Que não aceite a violência e a não a pratique.
Que entenda que as minhas ideias, nem sempre, são as melhores ou que tenham que ser aceitas. Que procure entender e aceitar ideias,opiniões contrárias.
Que respeite as diversidades. Entendendo que não há brancos, negros, amarelos, índios, gays, lésbicas, ricos, pobres, de credos e posições políticas diferentes. Mas, seres humanos, que tem que ser respeitados e valorizados.
Que eu não tenha inveja do sucesso dos outros. Que eu busque ser, mais do que ter. Que eu tenha o que desejar, sem me perder, desde que seja para minha felicidade e obtido com o meu trabalho e honestamente.
Ajudar a quem eu possa e que mereça. Sem criar vícios e dependências. Não sentir culpa, caso não o faça ou possa fazê-lo.
Que eu trate e cuide bem dos animais assim como, de toda a natureza.
Para cuidar dos meus, olhá-los com amor. Orientá-los, motivá-los e dar-lhes muita luz e sabedoria de viver.
Que eu cuide de minha vida e saúde.
Que eu não o ocupe com coisas mesquinhas, pois ele tem muitas outras pessoas para olhar e que necessitam mais de seu apoio.
Espero que, quando encontrá-lo, pessoalmente, possamos bater um bom papo, descobrir coisas em comum e se torcermos para o mesmo time, aí será "Mamão com açúcar".
Esse é o Deus com quem converso sobre o Universo que habito. Que, assim ele seja. Já, que assim sou.
SE EU QUISER FALAR COM DEUS - Gilberto Gil - 1980
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar
Dica enviada pela querida prima de "Xisdifora" - Áurea Maranduba
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
A alma - Adélia Prado
A alma .
Todos vamos envelhecer… Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá s...e alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos. A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar. Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios. Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores. Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio.
Texto de Adélia Prado.
Dica da Rosemary Campagnuci, de Juiz de Fora - Capital do Grande Rio e adjacências - Via Facebook
Dica da Rosemary Campagnuci, de Juiz de Fora - Capital do Grande Rio e adjacências - Via Facebook
Carta a Gustavo Teixeira - Pedro Luis de Aguiar
Poesia do amigo Pedro Luis de Aguiar que conquistou honroso segundo lugar no concurso de poesias criadas, como parte das comemorações da Semana Gustavo Teixeira.
Gustavo de Paula Teixeira (São Pedro, 4 de Março de 1881 — São Pedro, 22 de Setembro de 1937) foi um poeta brasileiro, de tendências literárias entre o Parnasianismo e Simbolismo, peculiares as primeiras décadas do Século XX.

PEDRO LUÍS DE AGUIAR
Carta a Gustavo Teixeira
Caro Gustavo, inda que não me conheça, tomei a liberdade
de a você escrever, para satisfazer uma grande curiosidade,
que hoje, mais do que nunca, me deixa bastante intrigado.
Como você, em época tão distante, quase uma eternidade,
uma obra tão densa e profunda, de gerar teve capacidade?
Você deixa, na arte da poesia, um admirador extasiado.
Como se inspirar? Pesquisar? A muitos temas dar propriedade?
Ritmos, métricas, rimas, sonoridade, tonicidade, musicalidade?
Lugares e pessoas, flores e amores, um vocabulário rebuscado?
A luz que o inspirou, só pode ter vindo do amor, celestialidade.
Para na terra se materializar, em forma de poesia, em verdade.
Do Velho ao Novo testamento, do fato presente ao passado.
Ah! Mulheres, rosas, casa paterna. Sentimentos de saudade.
A embalar corações, a estimular mentes. Poesia e realidade.
Versos e emoções. Frases e razões. Um inestimável legado.
Causa espanto e admiração, a sua grande versatilidade
Entre o Parnasianismo e o Simbolismo, transitou com facilidade
No primeiro, da mitologia grega, do Apolo consagrado.
E, no segundo, na “arte pela arte”, fatos históricos com criatividade.
Fiel à forma, às rimas raras, à preciosidade.
Rítmico e vocabular, cada verso estruturado.
Eu me surpreendo, como se filmado fosse, o visual de veracidade
da enigmática Cleópatra, descrita com incomum autoridade.
“E a Náiade do Egito, ao ver a frota ingente de Marco Antônio, ri, levando unicamente contra as lanças de Roma a graça de um sorriso.”
Objetos e paisagens, detalhados com rara capacidade.
Flui a narrativa, em meio à emoção, do forte apelo à saudade.
Como em Casa Paterna: “Da velha casa em que a manhã da vida passei, conservo uma lembrança exata: Antes de eu vir ao mundo foi erguida perto da serra, quase ao pé da mata”.
E a perfeita descrição se encerra em tom emocionado...
“O ribeirão, o cafezal, a horta...Ah! Que saudade o coração me corta do lar querido que deixei chorando!”
Ah, você foi um ícone do Simbolismo, valorizou a subjetividade,
o seu eu, o particular e o individual, sem a visão com generalidade.
e do Romantismo também se enamorou, um romance privilegiado.
Aos seus versos trouxe o imaginário, a fantasia, musicalidade.
Sem lógica ou sem razão, com intuição interpretou a realidade,
Se necessário foi vago, indefinido, impreciso... um verso inacabado.
Uma obra genuína, marcante, sempre plena de atualidade,
que, a despeito do momento, a tudo tratou com fidelidade.
Fatos e imagens, no presente e no passado.
Conta a história, a sua retraída e tímida personalidade.
Em São Paulo não se adaptou à já vibrante realidade.
Na volta a São Pedro, mantém-se aconchegado.
Conta a história, a sua reconhecida humildade.
Em tudo e com todos, evidenciava a simplicidade
Própria dos soberanos, do espírito elevado.
A sua história, também contava meu pai, com grande saudade.
E que seus manuscritos organizou, há quase uma eternidade,
E que por você, no caminho das letras foi influenciado.
Ah, doces lembranças de meu pai, emocionante saudade.
Bem que eu tento, de vocês dois, ter a mínima capacidade
de escrever algumas linhas, mas não me faço de rogado.
Reconheço a dupla sabedoria, aprecio a dupla humildade,
e ouso, nas rimas pobres, pobres versos, mostrar autenticidade.
Feliz aquele que desfrutou mínima parte de seu legado.
A você, Gustavo, e pela sua eterna obra, o meu muito obrigado
Fotos: Gustavo Teixeira - Pedro Luis de Aguiar - Texto e poema: Facebook e Internet
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Teach me tonight - Ensina-me esta noite
Hoje, ouvi no rádio do carro Teach me Tonight com Aretha Franklin, me lembrei de tê-la ouvido com Dinah Washington, Frank Sinatra, Nat King Cole, Kiri te Kanawa, Etta James, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald.
Resolvi ouvir novamente em casa, pesquisei, descobri muitas outras gravações com muitos outros artistas.
Talvez, seja uma das canções mais gravadas, com instrumental, em ritmo de Chá-Chá-Chá e com as mais variadas e belas interpretações.
Selecionei a letra em inglês e português e os vídeos abaixo para sua audição, com calma, para apreciar as variadas interpretações, arranjos e orquestrações, e assim, você escolher as que mais lhe agradaram.
Boa audição.
A música é de Gene de Paul e a letra de Sammy Cahn, e foi lançada em 1953.
Gene de Paul - 1919 - 1988 - Músico e compositor americano. Teach Me Tonight, You Don't Now Waht Love is, Star Eyes, I'll Remember April, He's My Guy, são algumas de suas mais conhecidas canções.
1959 – "High Hopes" (music by Jimmy Van Heusen) introduced by Frank Sinatra and Eddie Hodges in the film A Hole in the Head.
1963 – "Call Me Irresponsible" (music by Jimmy Van Heusen) introduced by Jackie Gleason in the film Papa's Delicate Condition.
Teach Me Tonight
Did you say I've got a lot to learn?
Well, don't think I'm trying not to learn
Since this is the perfect spot to learn
Teach me tonight
Starting with the abc of it
Right down to the xyz of it
Help me solve the mystery of it
Teach me tonight
The sky's a blackboard high above you
If a shooting star goes by
I'll use that star to write "I love you"
1000 Times across the sky
One thing isn't very clear, my love
Should the teacher stand so near, my love?
Graduation's almost here, my love
Teach me tonight
ENSINA-ME ESTA NOITE
Você disse que eu tenho muito a aprender?
Pois bem querido, não pense que estou tentando não
aprender
Uma vez que aqui é ótimo para aprender
Vá em frente, me ensine esta noite
Começando com o ABC disso
Direto para a XYZ do mesmo
Ajude-me a resolver o mistério disso
Vá em frente, me ensine esta noite
O céu é um quadro negro, acima de nós
Se uma estrela cadente passa por aqui
Vou usa-la para escrever "Eu te amo"
Mil vezes pelo céu
Uma coisa não é muito claro, meu amor
Deveria o professor permanecer tão perto, meu amor?
Formatura está quase ai, meu amor
Me ensina esta noite
Vou usar a estrela para escrever "Eu te amo"
Mil vezes pelo céu
Uma coisa não é muito claro, meu amor
Deveria o professor permanecer tão perto, meu amor?
Formatura está quase aqui, meu amor
Me ensina ...
Oh oh
Ensina-me esta noite
Resolvi ouvir novamente em casa, pesquisei, descobri muitas outras gravações com muitos outros artistas.
Talvez, seja uma das canções mais gravadas, com instrumental, em ritmo de Chá-Chá-Chá e com as mais variadas e belas interpretações.
Selecionei a letra em inglês e português e os vídeos abaixo para sua audição, com calma, para apreciar as variadas interpretações, arranjos e orquestrações, e assim, você escolher as que mais lhe agradaram.
Boa audição.
A música é de Gene de Paul e a letra de Sammy Cahn, e foi lançada em 1953.
Gene de Paul - 1919 - 1988 - Músico e compositor americano. Teach Me Tonight, You Don't Now Waht Love is, Star Eyes, I'll Remember April, He's My Guy, são algumas de suas mais conhecidas canções.
Sammy Cahn - 1913 - 1992 - compositor americano muito conhecido pelas letras românticas para os musicais da Broadway e trilhas sonoras de filmes.
Foi premiado por quatro vezes com o Oscar de melhor canção original.
1954 – "Three Coins in the Fountain" (music by Jule Styne) introduced by Frank Sinatra in the film Three Coins in the Fountain.
1957 – "All the Way" (music by Jimmy Van Heusen) introduced by Frank Sinatra in the film The Joker Is Wild.1959 – "High Hopes" (music by Jimmy Van Heusen) introduced by Frank Sinatra and Eddie Hodges in the film A Hole in the Head.
1963 – "Call Me Irresponsible" (music by Jimmy Van Heusen) introduced by Jackie Gleason in the film Papa's Delicate Condition.
Teach Me Tonight
Did you say I've got a lot to learn?
Well, don't think I'm trying not to learn
Since this is the perfect spot to learn
Teach me tonight
Starting with the abc of it
Right down to the xyz of it
Help me solve the mystery of it
Teach me tonight
The sky's a blackboard high above you
If a shooting star goes by
I'll use that star to write "I love you"
1000 Times across the sky
One thing isn't very clear, my love
Should the teacher stand so near, my love?
Graduation's almost here, my love
Teach me tonight
ENSINA-ME ESTA NOITE
Você disse que eu tenho muito a aprender?
Pois bem querido, não pense que estou tentando não
aprender
Uma vez que aqui é ótimo para aprender
Vá em frente, me ensine esta noite
Começando com o ABC disso
Direto para a XYZ do mesmo
Ajude-me a resolver o mistério disso
Vá em frente, me ensine esta noite
O céu é um quadro negro, acima de nós
Se uma estrela cadente passa por aqui
Vou usa-la para escrever "Eu te amo"
Mil vezes pelo céu
Uma coisa não é muito claro, meu amor
Deveria o professor permanecer tão perto, meu amor?
Formatura está quase ai, meu amor
Me ensina esta noite
Vou usar a estrela para escrever "Eu te amo"
Mil vezes pelo céu
Uma coisa não é muito claro, meu amor
Deveria o professor permanecer tão perto, meu amor?
Formatura está quase aqui, meu amor
Me ensina ...
Oh oh
Ensina-me esta noite
No YouTube você encontrará muitas outras gravações de artistas de renome:
Erin Boheme - Liza Minelli - Nicole Henry - Phoebe Snow - Oscar Peterson - Nat King Cole - Brenda Lee - Al Jarreau - Neil Diamond - Natalie Cole - Jo Stafford - Nancy Wilson - The De Castro Sisters - Marvin Gaye e Kim Weston.
Dezenas de outros artistas gravaram essa canção, a lista é extensa.
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