terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

2012 - Uma Crise de Consciência - A mensagem maia, por Fernando Malkun

Templo dos Guerreiros e Grupo das Mil Colunas - Chichén Itzá - México - Foto: UNIVERSO 1998

Do Blog Célio Siqueira
 O especialista em cultura maia explica o que esta civilização escreveu sobre o próximo ano. Há quinze anos atrás, Fernando Malkun, barranquillero ( natural de Barranquilla, uma cidade da Colômbia) de origem libanesa, deixou a arquitetura que tinha estudado na Universidade de los Andes, e a qual havia se dedicado por quase uma década, para responder às perguntas que se atravessaram em sua vida. Durante esse tempo, ele se encontrou com a cultura Maia e dedicou-se completamente ao seu estudo. Hoje é um especialista no tema, com reconhecimento internacional e continua viajando pelo mundo explicando a mensagem que esta civilização deixou para os seres humanos.

Os maias disseram que o mundo iria acabar em 2012?
Estão gerando um pânico coletivo absurdo aduzindo que eles tinham anunciado que o mundo iria acabar em dezembro de 2012. Não é verdade. Os Maias nunca usaram a palavra fim. Anunciaram um momento de mudança, de grande aumento de energia do planeta, o que causaria "eventos de destino", isto é, definitivos, nas pessoas. O problema é que o nível de consciência da maioria das pessoas atinge apenas o fim do mundo e não a transformação de consciência.

Quando isso vai acontecer?
Não vai acontecer, está acontecendo. As pessoas não estão juntando todas as peças do quebra-cabeças para perceber isso. Acreditam apenas que estes eventos atuais são causados por um conjunto de "coincidencias" evolutivas. Mas estamos em uma onda de mudanças como nunca antes.

O que se percebe, segundo o que é dito pelos Maias?
A profecia anunciou que o planeta aumentaria a sua freqüência vibracional, o que é um fato: esta freqüência, que se mede com a ressonância Schumann, passou de 8 a 13 ciclos. Todos os planetas do sistema solar estão mudando. De 1992 até hoje, os pólos de Marte desapareceram 60 por cento e Vênus tem quase o dobro de luminescência. Passamos 300 anos registrando o Sol e as tempestades solares maiores têm ocorrido nos últimos seis meses. Houve um aumento de terremotos de 425 por cento. Tudo está acelerado dos pontos de vista geofísico e solar. Nosso cérebro, que irradia suas próprias ondas, é afetado por essa maior irradiação do sol. Essa carga eletromagnética é o motivo por que sentimos o tempo mais rápido. Não é o tempo físico, mas o tempo de percepção emocional.

Fale sobre 1992. Por que este ano? O que aconteceu ?
A essência das profecias maias é comunicar a existência de um ciclo de 26.000 anos, chamado "o grande ciclo cósmico". Tudo, estações, meses, dias se ajustam a esse ciclo. Há 13 mil anos atrás, o sol –assim como agora- irradiou mais energia no planeta e derreteu a camada de gelo . Essa camada desaguou no mar, elevou o seu nível em 120 metros e ocorreu o chamado "Dilúvio Universal ". Os Maias disseram que quando o sistema solar estiver novamente a 180 graus de onde estava a 13.000 anos atrás, a Estrela do Norte brilha sobre o pólo, a constelação de Aquário aparece no horizonte e o trânsito décimo terceiro de Vênus se der - o que vai acontecer em 6 de junho de 2012 - o centro da galáxia pulssará e haverá manifestações de fogo, água, terra, ar. Eles falam, especificamente, de dois períodos de vinte anos , de 1992 a 2012 e 2012-2032 - de intensas mudanças.

Por que anunciavam isso?
A proximidade da morte faz com que as pessoas repensem suas vidas, examinem e corrijam a direção que tomam. Isso é algo que ocorre somente se algo se aproxima de você, ou você passa diretamente, te impacta tremendamente. Isto é o que tem acontecido com os tsunamis,os terremotos, as catástrofes naturais de que vivemos, os conflitos sociais, econômicos, etc.
Então, eles falam de morte. Eles falam de mudança, de um despertar da consciência. Tudo o que está errado com o planeta está se potencializando com o objetivo de que a mente humana se dedique a resolvê-lo. Há uma crise de consciência individual. As pessoas estão vivendo "eventos de destino", seja em seus relacionamentos, seus recursos, em sua saúde. É um processo de mudança que se baseia principalmente no desdobramento invisível, e está afetando em especial à mulher.

Por que as mulheres?
A mulher é quem terá o poder de criar a nova era, devido à sua maior sensibilidade. De acordo com as profecias - não só as maias, mas muitas-, a era que se aproxima é de harmonia e espiritualidade. As coisas que estão mal vão se resolver no período que os Maias chamaram de "tempo do não tempo", que será de 2012-2032. Desde 1992, o percentual de mulheres que vêem a aura (seres curadores) do planeta tem aumentado. Hoje, é de 8,6 por cento. Imagine que em 2014 seja de 10 por cento. Isso significaria o início de um período mais transparente. Essa seria a direção da mudança não violenta.
Mas o que se vê hoje é um aumento na agressividade ... As duas polaridades são intensificadas. Estão abertos os dois caminhos, o negativo, escuro, destruição, de confronto do homem com o homem; e o de crescimento da consciência. Existem várias vozes que estão levando os seres humanos a pensar sobre isso. Desde 1992, as informações proibidas dos gnósticos, dos maçons, dos Illuminati, estão abertas para que se utilize no processo de mudança de si mesmo. A religião esta acabando e a religiosidade é que irá permanecer.

Tudo isso , os Maias deixaram de escrito, assim específico?
Não a esse ponto. Eles disseram que o sol iria mudar as condições do planeta e criar "eventos de destino ". O sol bateu todos os recordes este ano. Os Terremotos aumentaram 425 por cento. A mudança de temperatura é muito intensa: de 92 para cá aumentou quase um grau, o mesmo que subiu nos últimos 100 anos anteriores. Antes, havia 600 ou 700 tormentas elétricas simultâneas, hoje há duas mil. Antes se registravam 80 raios por segundo, agora caem entre 180 e 220.

Como eles sabiam que isso ia acontecer?
Eles tinham uma tecnologia extraordinária. Em suas pirâmides havia altares de onde eles estudaram o movimento do sol no horizonte. Produziam gráficos com os quais sabiam quando haveria as manchas solares, quando aconteceriam tempestades elétricas. Foi um conhecimento que receberam dos egípcios, que, por sua vez, o receberam dos sacerdotes sobreviventes da Atlântida, civilização destruída 13.000 anos atrás. Os Maias aperfeiçoaram o conhecimentos e foram os criadores dos calendários mais precisos. Um deles, chamado "Conta larga" termina em 21 de dezembro de 2012, e marca o ponto do centro exato do período de 26.000 anos. Eles sabiam que essas mudanças estavam vindo e o que eles fizeram foi dar essa informação para o homem de 2012.

Será que estas mudanças só foram levantadas por eles?
Todas as profecias falam da mesma coisa. Os hindus, por exemplo, anunciam o momento de mudança e falam sobre a chegada de um ser extraordinário qual o mundo ocidental cristão apregoa. Os Maias nunca falaram de um ser extraordinário que viria para nos salvar, mas falaram de crescer em consciência e assumir a responsabilidade, cada ser na sua individualidade.

E se as pessoas não acreditam nisso?
Acreditando ou não, vai senti-lo no seu interior. A mudança que estamos vivenciando não é algo de se acreditar ou não. Neste momento, a maioria está vivendo um tempo de avaliação de sua vida. Por que estou aqui, o que está acontecendo, para onde eu quero ir? Basta olhar o crescimento da busca de espiritualidade, não de religiosidade, porque a religião não está dando mais respostas às pessoas.

A sua vida pessoal mudou?
Há quinze anos atrás, eu era tremendamente materialista. Minha conduta é muito diferente hoje. Eu me perguntei por que estava aqui, para quê, e por razões especiais acabei metido no mundo Maia. E posso afirmar que não se tratam de crenças falsas para substituir crenças falsas. Tirei muitas histórias da minha mente, mas eu ainda estou no terceiro nível de consciência, que é dominante no planeta.

Quem está mais em cima?
Há pessoas que estão em um nível 4 ou 5. São as menos famosas, de perfil baixo. Em uma viagem conheci um jardineiro extraordinário, por exemplo. Estes seres estão em serviço permanente, afetando a vida de muitas pessoas, mas não publicamente.

O que devemos fazer, de acordo com essa teoria?
O universo está nos dando uma oportunidade individual para reestruturar nossas vidas. A maneira de sincronizar-nos é, primeiro, não ter medo, perceber que podemos mudar nossa consciência. A física quântica já disse: a consciência modifica a matéria. O que significa que sua vida depende daquilo que você pensa. A distância entre causa e efeito tem diminuído. Há vinte anos atrás, para que se manifestasse algo em sua vida, necessitava-se de muita energia. A vinte anos atrás qualquer fator de punição de um ato maldoso ganhavam-se os anos para receber alarde. Hoje tudo ganha destaque rápido. A corrupção pelo mundo a fora tem ganhado destaque internacional. As ditaduras estão caindo. As religiões estão a cada dia mais problemáticas, Hoje, você pensa algo e em uma semana está acontecendo. Sua mente causa isso. O que devemos é buscar, as respostas estão aí. Basta ter olhos para ver e ouvidos para ouvir.
O universo está nos dando uma oportunidade individual para reestruturar nossas vidas.

" NÃO PODEMOS NOS ESQUECER QUE ESTAMOS AQUI SOMENTE DE PASSAGEM E O QUE LEVAREMOS CONOSCO, SERÁ APENAS AS EXPERIÊNCIAS QUE FORAM REGISTRADAS EM NOSSA CONSCIÊNCIA."

Dica: enviada pelo amigo e assessor para assuntos imobiliários insolúveis - Pepê (Paulo Roberto) da MULTIMÓVEIS de Belo Horizonte

Casa do Sr. Tito - CARTA AOS DOADORES - Serviço de utilidade pública do Blog do Universo

Apoio o trabalho de minha amiga Teresa Curátola. Pessoa séria e que trabalha em prol de pessoas realmente carentes e necessitadas. Conheça e avalie o trabalho dela com a sua equipe perante a Casa do Sr. Tito. caso deseje contribuir, faça doação e abata na sua declaração de Imposto de Renda.
Acesse o site de lá, WWW.geaa.casasrtito.org.br  e conheça mais sobre os trabalhos realizados com a comunidade. A Casa do Sr. Tito fica em Lagoa Santa -Minas Gerais - Brasil.

Caros amigos, queremos fazer um breve relato das conquistas de 2011 e dos planos para 2012. Terminamos 2011 com mais de 150 inscritos (crianças, adolescentes e adultos) nas atividades do GEAA. Consideramos um sucesso, sem falsa modéstia, nossa atuação junto à comunidade do bairro Palmital em Lagoa Santa, que sem a sua contribuição não seria possível.
Em 2011, o repasse do FIA - Fundo da Infância e Adolescência, através do CMDCA - Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, foi no valor de R$ 2.048,00, que utilizamos para a confecção de cartões, panfletos e nosso site que já está em funcionamento desde o meio do ano passado, onde vocês podem acompanhar nosso trabalho.
Para 2012 conseguimos arrecadar o valor de R$ 2.920,00, para o qual vamos apresentar ao Conselho um projeto de aplicação do recurso, ainda em estudo.
O convênio aprovado junto a Prefeitura Municipal de Lagoa Santa, com repasse mensal de R$ 3.500,00 nos possibilitou trabalhar durante o ano de 2011 com as seguintes oficinas:
Futebol, Esportes, Ginástica, Yoga, Percussão, Música, Desenho/Graffite, Inclusão Digital, Teatro, Dança e a confecção do Jornal do Palmital na oficina Mídia, Arte e Comunicação
O repasse Federal de R$ 1.256,25 para o Núcleo do Projovem adolescente, nos possibilitou um trabalho mais dedicado aos adolescentes, no sentido de formar cidadãos mais conscientes e mais felizes, trabalhando a auto-estima e a socialização. Fizemos eventos como Festa de 15 anos para seis adolescentes inscritos na casa, Feira da Família aproximando os adultos das atividades desenvolvidas com seus filhos e abrindo espaço para a comercialização de produtos confeccionados na própria comunidade.
Estamos renovando os convênios, municipal e federal para continuarmos as oficinas em 2012.
Conseguimos também aprovar um projeto junto ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, intitulado "Projeto Capacitar" no valor de R$ 20.000,00, com o qual adquirimos uma TV LCD 42" e estamos trabalhando durante 10 meses a partir do mês de setembro/2011, com 30 adolescentes e familiares, a capacitação para o mercado de trabalho com cursos, palestras e a contratação de um profissional de psicologia para orientar e acompanhar todas as atividades oferecidas pelo GEAA.
Como planejamos no início do ano passado, conseguimos trocar a cerca da frente da casa por uma grade e muro, construímos o muro lateral com a ajuda do vizinho e colocamos tela em cima do muro, cimentamos os passeios e o piso da frente.
Para 2012 pretendemos continuar a reforma construindo o muro nos fundos, refazendo o piso lateral que está muito danificado, pintando a casa por dentro e por fora e continuamos na pretensão de fazer um piso nos fundos para as atividades externas, assim como a construção futura da quadra poliesportiva coberta, no terreno ao lado de 1.200m2.
Todos esses relatos são sucintos, com o objetivo de contar nossos feitos, mas estamos à disposição para maiores detalhes.
Contamos com vocês nos próximos anos, para continuarmos nossa missão junto aos nossos irmãos que precisam de nossa persistência por um mundo melhor.
PAZ E BEM

Maria Teresa Curátola de Melo – Presidente
GRUPO ESCOLA AMIZADE E AMOR – GEAA
CASA SR. TITO
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WWW.geaa.casasrtito.org.br

Seres Invisíveis - Fernando Braga da Costa Psicólogo Social

O dia em que eu fiquei invisível - Foto: UNIVERSO

E aí? Você já cumprimentou o "porteiro" de seu prédio? ( Sabe o nome deles?). A funcionária da limpeza(Como é que ela chama? Tereza, Luíza , Dagmar...?). A "moça" do cafézinho de sua empresa? O ascensorista (Sr. Sobe e Desce, Dona Maria Vai pra Cima e pra Baixo?).

Mas, bom dia sem olhar nos olhos e um sorriso amplo e sincero não vale, combinado?

Com certeza não deve ter cumprimentado, estava atrasado e tinha uma reunião importante, né mesmo? Mas, tenho certeza de que encontrou tempo para reclamar do serviço de algum deles, antes de pegar o importado financiado na garagem. Ou tô errado?
Espero que sim.


O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou
oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,
constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu
comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma
percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode
significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o
pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não
como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP
passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes,
esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me
ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',
diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma
garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha
caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra
classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo
pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e
serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num
grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de
refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem
barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar
comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí
eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo
andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na
biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei
em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse
trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O
meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da
cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a
situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se
aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar
por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse
passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está
inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais.
Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa.

Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.

Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome.

Dica do Adenir Balmant. Amigo e MESTRE sintonizado com os problemas sociais

Um estupro em 1833


Sentença judicial datada de 1833 e passada na então província de Sergipe. Sua fonte é o Instituto Histórico de Alagoas.

"O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher de Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recusasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimonio porque ela gritou alto e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.

CONSIDERO
QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambar com ella e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana.

QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas; QUE Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.

CONDENO
O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher de Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta villa.

Nomeio carrasco o carcereiro.

Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos

Juiz de Direito da Vila de Porto

Folha de Sergipe, 15 de Outubro de 1833."

Charge e texto: Internet

Andrea Bocelli and The Mormon Tabernacle Choir - The Lord's Prayer



Dica: Adenir Balmant, amigo do Rio de Janeiro que continua lindo e é mês de carnaval

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Maya Plisetskaya dances the Dying Swan and the Black Swan




Dica do Alaor, de Juez di Fuera, meu terapeuta para assuntos gastronômicos, vinículos e culturais.

A beleza da polinização- Simplesmente belo e genial

Esse belo texto foi escrito e enviado pela minha amada filha JULIANA. Aproveitei para complementar a mensagem do vídeo sobre a beleza da polinização, postado abaixo. Fica sendo também, uma das minhas mensagens de um novo ano com muita beleza, saúde e luz para todos os amigos e seguidores do blog. 

Renovar.
Sem promessas e sem ataduras. Libertos. Todos os dias sonhar.
Pulverizar, distribuir o amor. Amar.
Recomeçar todos os dias com novos ares. Rir. Rir bem alto.
Abrir as portas da alma e do coração.
Chamar os amigos e brindar a vida.
Viver.
Mudar o que é velho e obsoleto pelo novo.
Deixar a curiosidade e os instintos levarem a criatividade e voar.
Ser leve. Sem dores. Só amores.
“Metamorfosear”. Transformar, reciclar os desejos e sentimentos.
Gritar de felicidade. Borboletear.
Colorir.
Ser você com suas qualidades e aceitar os defeitos.
Apagar as culpas.
Ser dois se quiser. E três também.
Ser par, parceiro, companheiro, amigo, amante.
Amar você. Amar a mim. Amar-nos sem armar-nos.
Levar a paz em tudo o que fazemos.
Fazer o bem.
Fazer bem. Querer bem.
Querer. Viver.
Seguir o fluxo e não parar nas curvas dos rios da vida.
Produzir. Ganhar o pão e saborear cada mordida.
Polinizar. Frutificar. Doar. Colorir.
Sem carregar o mundo. Caminhar, voar, sorrir e brilhar.
Nada de listas. Ser prioridade de você mesmo.
Pedir o que merece. Receber flores.
Sentir o doce do mel.
Ver mais as cores do mundo e menos dores.
Sentir a brisa do Deus que crê tocar sua vida.
Abrir os olhos, respirar fundo. Navegar em direção aos desejos.
Ser feliz.
Feliz 2012.




Dica do Flumineiro amigo Adenir Balmant, o maior "Pó de arroz" das Laranjeiras.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A casa de cada um - Walcyr Carrasco

Foto: UNIVERSO - Sabará - Minas Gerais - Brasil

Nesta época, gosto de tratar da vida.

Dou a roupa que não uso mais. Livros que não pretendo reler. Envio caixas para bibliotecas. Ou abandono um volume em um shopping ou café, com uma mensagem: “Leia e passe para frente!”.

Tento avaliar meus atos através de uma perspectiva maior.

Penso na história dos Três Porquinhos. Cada um construiu sua casa. Duas, o Lobo derrubou facilmente. Mas a terceira resistiu porque era sólida. Em minha opinião, contos infantis possuem grande sabedoria, além da história propriamente dita. Gosto desse especialmente.

Imagino que a vida de cada um seja semelhante a uma casa. Frágil ou sólida depende de como é construída. Muita gente se aproxima de mim e diz:

— Eu tenho um sonho, quero torná-lo realidade!

Estremeço. Frequentemente, o sonho é bonito, tanto como uma casa bem pintada. Mas sem alicerces. As paredes racham, a casa cai repentinamente, e a pessoa fica só com entulho. Lamenta-se. Na minha área profissional, isso é muito comum. Diariamente sou procurado por alguém que sonha em ser ator ou atriz sem nunca ter estudado ou feito teatro. Como é possível jogar todas as fichas em uma profissão que nem se conhece?

Há quem largue tudo por uma paixão. Um amigo abandonou mulher e filho recém-nascido. A nova paixão durou até a noite na qual, no apartamento do 10º andar, a moça afirmou que podia voar.

— Deixa de brincadeira, ele respondeu.

— Eu sei voar, sim! Rebateu ela.

Abriu os braços, pronta para saltar da janela. Ele a segurou. Gritou por socorro. Quase despencaram. Foi viver sozinho com um gato, lembrando-se dos bons tempos da vida doméstica, do filho, da harmonia perdida!

Algumas pessoas se preocupam só com os alicerces. Dedicam-se à vida material. Quando venta, não têm paredes para se proteger.

Outras não colocam portas. Qualquer um entra na vida delas. Tenho um amigo que não sabe dizer não (a palavra não é tão mágica quanto uma porta blindada). Empresta seu dinheiro e nunca recebe. Namora mulheres problemáticas. Vive cercado de pessoas que sugam suas energias como autênticos vampiros emocionais.Outro dia lhe perguntei:  

 — Por que deixa tanta gente ruim se aproximar de você?

Garante que no próximo ano será diferente.

Nada mudará enquanto não consertar a casa de sua vida. São comuns as pessoas que não pensam no telhado. Vivem como se os dias de tempestade jamais chegassem. Quando chove, a casa delas se alaga.

Ao contrário das que só cuidam dos alicerces, não se preocupam com o dia de amanhã.

Certa vez uma amiga conseguiu vender um terreno valioso recebido em herança. Comentei:

— Agora você pode comprar um apartamento para morar. Preferiu alugar uma mansão. Mobiliou. Durante meses morou como uma rainha.

Quase um ano depois, já não tinha dinheiro para botar um bife na mesa!

Aproveito as festas de fim de ano para examinar a casa que construí: alguma parede rachou porque tomei uma atitude contra meus princípios? Deixei alguma telha quebrada? Há um assunto pendente me incomodando como uma goteira? Minha porta tem uma chave para ser bem fechada quando preciso, mas também para ser aberta quando vierem as pessoas que amo?

É um bom momento para decidir o que consertar. Para mudar alguma coisa e tornar a casa mais agradável. Sou envolvido por um sentimento muito especial.

Ao longo dos anos, cada pessoa constrói sua casa. O bom é que sempre se pode reformar, arrumar, decorar! E na eterna oportunidade de recomeçar reside a grande beleza de ser o arquiteto da própria vida!

Dica do amigo J. Rodrigues do Rio de Janeiro

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Prêmio Ig Nobil - 2011

Saiu a edição 2011 dos prêmios Ig Nobel.

O Ig Nobel é outorgado anualmente pela revista Annals of Improbable Research àquelas pesquisas e estudos que, apesar de sérias, têm temáticas e assuntos tão improváveis quanto absurdos e que despertam mais o riso do que a curiosidade.

Como o caso da pesquisa que concluiu porque o biscoito ou fatia de pão com uma camada de geléia cai sempre com a face da geléia virada para baixo.

Ou das pesquisas por mim realizadas, e ainda sem reconhecimento e premiação.

Uma é sobre a importância do carrinho de Angu a Baiana, na melhoria do PIB do Pelourinho, na cidade de Salvador, Bahia, e no desenvolvimento do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), indepedentemente das vendas de Acarajé e das apresentações do Olodum.

A outra, é sobre a melhoria da performance de um time no futebol de botão, quando, se tem como atacante, um jogador feito de tampa de plástico de mostrador de relógio de pulso da década de 60.

Este anos todos os profetas do fim do mundo foram premiados, corrigindo-se, assim, uma injustiça dos anos anteriores.
  • Fisiologia: para Anna Wilkinson, Natalie Sebanz, Isabella Mandl e Ludwig Huber por seu estudo "Ausência de evidência de contágio do bocejo na tartaruga terrestre de patas vermelhas".
  • Química: para Makoto Imai, Naoki Urushihata, Hideki Tanemura, Yukinobu Tajima, Hideaki Goto, Koichiro Mizoguchi e Junichi Murakami por determinar a intensidade ideal dowasabi em forma de aerossol para despertar às pessoas em caso de incêndio ou outra emergência, e por aplicar esta informação ao desenho de um alarme com wasabi.
  • Medicina: para Mirjam Tuk, Debra Trampe e Luk Warlop compartilhado com Matthew Lewis, Peter Snyder e Robert Feldman, Robert Pietrzak, David Darby, e Paul Maruff, por demonstrar que as pessoas tomam melhores decisões a respeito de algumas coisas, mas piores a respeito a outras, quando estão com grande vontade urinar.
  • Psicologia: para Karl Halvor Teigen da Universidade de Oslo por tentar compreender por que as pessoas suspiram no dia a dia.
  • Literatura: para John Perry, da Universidade de Stanford, por sua Teoria da Procrastinação Estruturada, que diz:"Para conseguir grandes resultados, trabalhe sempre em algo importante, usando-o como forma de evitar fazer algo que seja ainda mais importante".
  • Biologia: para Darryl Gwynne e David Rentz por descobrir que certo tipo de escaravelho se emparelha com um certo tipo de garrafa de cerveja australiana.
  • Física: Philippe Perrin, Cyril Perrot, Dominique Deviterne, Bruno Ragaru e Herman Kingma por determinar por que os lançadores de disco ficam tontos no momento do lançamento enquanto não acontece nada com os de martelo.
  • Matemática: para Dorothy Martin (que predisse que o mundo acabaria em 1954), Pat Robertson (que predisse que o mundo acabaria em 1982), Elizabeth Clare Prophet (que predisse que o mundo acabaria em 1990), Lee Jang Rim (que predisse que o mundo acabaria em 1992), Credonia Mwerinde (que predisse que o mundo acabaria em 1999), e Harold Camping (que predisse que o mundo acabaria o 6 de setembro de 1994 e mais tarde disse que acabaria em 21 de outubro de 2011) por ensinar a todo mundo a ser cuidadoso à hora de fazer prognósticos baseados em cálculos matemáticos.
  • Paz: para Arturas Zuokas, o prefeito de Vilna, por demonstrar que o problema dos carros de luxo mal estacionados pode ser solucionado esmagando-os com um trator.
  • Segurança pública: para John Senders da Universidade de Toronto, Canadá, por realizar uma série de experimentos nos quais uma pessoa conduzia um carro por uma rodovia enquanto um visor se baixava e subia na frente de seu rosto, lhe impedindo de ver.

Leia mais: http://www.ndig.com.br/item/2011/09/premios-ig-nobel-2011#ixzz1dKXpR2Ey

sábado, 5 de novembro de 2011

ORMIE, a hilariante e persistente porquinha e os cookies

Veja que desenho inteligente e engraçado



Enviado pela vó Aurea Maranduba, de xisdifora. Primaminha querida e loura inteligentíssima.

"No frigir dos ovos" o que signica?


Imagem - WIKIPÉDIA

Não é à toa que os estrangeiros acham nossa língua tão difícil !

Como a língua portuguesa é rica em expressões!
Achei interessante, porque demonstra o quanto o vocabulário
"alimentar" está presente nas nossas metáforas do dia-a-dia. Aí vai.

Pergunta:
Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"?

Resposta: Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.

Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Contudo, é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal, não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.
Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.
Há também aqueles que são arroz de festa; com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor, que sai com cara de quem comeu e não gostou.
O importante é não cuspir no prato em que se come, pois os leitores não são farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga, o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado, porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco...

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho.
Embananar-se, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir, mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.

Entendeu o que significa “no frigir dos ovos”?

Enviado pela Rosemary Campagnuci, de Juiz de Fora. Ex-aluna do Colégio Evangélico de Alto Jequitibá, nossa comtemporânea, amiga de fé camarada.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Para não dizerem que não falei de flores

Esse vídeo espetacular mostra diversos tipos de flores se abrindo em câmara lenta, vale a pena ver e compartilhar.


Life of flowers from VOROBYOFF PRODUCTION on Vimeo.

Dica do mais do que amigo Amilcar Ziller de Brasília

sábado, 15 de outubro de 2011

Leiam com o coração... - Tadashi Kadomoto

  
Foto: UNIVERSO - Miami - Clique na foto para ampliar

Os Índios são chamados de selvagens, mas acredito que são muito mais civilizados do que nós para se relacionarem com a natureza, com o Todo.

Por favor, leiam com o coração e tirem algum aprendizado.

"Não me interessa saber o que você faz para ganhar a vida.
Quero saber o que você deseja ardentemente, se ousa sonhar em atender aquilo pelo qual seu coração anseia.
Não me interessa saber a sua idade.
Quero saber se você arriscará a parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua.
Quero saber se tocou o âmago da sua dor, se as traições da vida o abriram ou se você se tornou murcho e fechado por medo de mais dor!
Quero saber se pode suportar a dor, minha ou sua, sem precisar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la.
Quero saber se você pode aceitar alegria, minha ou sua; se pode dançar com abandono e deixar que o êxtase o domine até as pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos dizer para termos cautela, sermos realistas, ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos.
Quero saber se consegue desapontar outra pessoa para ser autêntico consigo mesmo, se pode suportar a acusação de traição e não trair a sua alma.



Foto: UNIVERSO - Miami - Clique na foto para ampliar

Quero saber se você pode ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os dias, e se pode buscar a origem de sua vida na presença de Deus.
Quero saber se você pode viver com o fracasso, seu  e meu, e ainda, à margem de um lago, gritar para a lua prateada: “Eu Posso!”
Não me interessa onde você mora ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se pode levantar-se após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até os ossos, e fazer o que tem que ser feito pelos filhos.
Não me interessa saber quem você é e como veio parar aqui.
Quero saber se você ficará comigo no centro do incêndio e não se acovardará.
Não me interessa saber onde, o quê, ou com quem você estudou.
Quero saber o que o sustenta a partir de dentro, quando tudo mais desmorona.
Quero saber se consegue ficar sozinho consigo mesmo e se, realmente, gosta da companhia que tem nos momentos vazios."

The Invitation, inspirado por Sonhador da Montanha Oriah,
ancião índio americano"

"Que haja amor, compaixão e paz entre todos os seres do Universo"

Enviado pelo amigo Nelson de Souza de Juiz de Fora.

Filosofia barata - Adriana Godoy

Eu renascida - LUCIA PELLEGRINO

reverencio os mistérios
mas não os creio divinos
a dor e o sofrimento não são divinos
a humanidade feder e exalar horrores
a natureza gritar e transbordar
agonizar em febre e frio por causa do homem
também não
se deus fosse a natureza
não se chamaria flor a flor
nem bicho o bicho
nem mar o mar
nem homem o homem
há mistérios multitudinários
mas ninguém escolheu
comer o pão que o diabo amassou
ser miserável ter fome e desprezo
lutar em uma guerra inaceitável e desigual
morrer aos milhões por bala perdida ou canhão
à míngua ou solidão?
não me fale em livre arbítrio
a escolha não é essa
quem escolheu sofrer até a exaustão?
reverencio os mistérios
mas não me fale em deus

Do Blog da Adriana Godoy

Gostava de ser quem era... - Amália Rodrigues

Relembranças - LUCIA PELLEGRINO - www.luciapellegrino.com.br

Tinha alegria nos olhos
Tinha sorrisos na boca
Tinha uma saia de folhos
Tinha uma cabeça louca

Tinha uma louca esperança
Tinha fé no meu destino
Tinha sonhos de criança
Tinha um mundo pequenino

Tinha toda a minha rua
Tinha as outras raparigas
Tinha estrelas tinha a lua
Tinha roda de cantigas

Gostava de ser quem era
Pois quando eu era menina
Tinha toda a Primavera
Só numa flor pequenina

Lágrimas - Daniel Aladiah

DEVIR - LUCIA PELLEGRINO


Surfei uma lágrima
Que me contornou o rosto
Olhei-a de frente
Como se fora sol posto…

Espero encontrar
Quem me faz a tristeza
Sinto saudade...

Sei porque choro,
Escrevo e descrevo
Sem sentido algum...

Não sei onde moro
Desdigo o que digo
Serei só mais um…

Dica da amiga Luciane de Curitiba

Insensatez - Delfim Peixoto


Renascimento - A árvore da vida - LUCIA PELLEGRINO

Não foi o vento nem as marés que levaram das águas o brilho,
Não foi o sol nem a lua que se apagaram e fizeram esse escuro,
Não foram os passos que correram cansados e dolentes esse trilho
Que agora feito de pedras e de sombras se tornou mais duro...
Não foram as palavras, antes flores, que murcharam
Nem as suas emoções que me perfumaram
Que alagaram esse canteiro cuidado
E o fizeram abandonado...
Não foi a noite que chegou sem aviso,
Mostrando somente sombras e penumbras
E do dia tirou e levou o sorriso....
Foi o silêncio cortante que cantaste
E fizeste soar calando o mar,
Secando a areia onde te deitaste,
Em que não soubeste sonhar
Nessa permanente insensatez

DELFIM PEIXOTO IN SERENATA ÀS ESTRELAS
Dica da Luciane direto de Curtiba

Nem todas as respostas existem - Simone Huck

Pensando no quarto - LUCIA PELLEGRINO

Será que algo sempre irá nos escapar? Escorrendo pelas mãos,
entre nossos dedos ávidos por respostas que nunca existirão?
Ultimamente, chove mais em mim.
Dias de chuva prolongados, silenciosos.
Tantas questões escorrem, abertas: não consigo fechar meus portões.
Tantas coisas que sei que jamais responderei, ecoam.
Outras, querem se transformar em dúvidas...
Então fecho os olhos e acredito apenas na verdade das minhas verdades.
Sigo.
Lentamente vou abrindo os dias,
perguntando sobre mim e me reconhecendo sempre uma outra.
Não sei se gosto.
Mas também não desgosto.
Hoje, apenas sigo.

Dica da Luciane, amiga e colaboradora de Curitiba - Paraná

Sensibilidade - Jeane Siqueira

Ter sensibilidade
Não é chorar por qualquer bobagem;
Nem se magoar por qualquer coisa;
Menos ainda, se lamentar diante de qualquer dificuldade.

Não é se arrepiar ao ouvir uma bela música;
Nem ficar extasiado diante de uma tela mais cara;
Ou simplesmente gostar de flores.
Flores de Abril - Lucia Pellegrino - www.luciapellegrino.com.br

Ter sensibilidade
É ter compaixão pelos irmãos que sofrem;
É ter perdão para aqueles que erram;
É ter tolerância para os que pensam ou desejam ser diferentes;
É ter paciência com os que se demoram no caminho da evolução;
É querer enxergar as qualidades que há no outro;
É entender que a crítica venenosa fere;
É não alimentar vaidades em si mesmo;
É entender que a cooperação facilita a jornada da vida para todos;
É saber a importância de ouvir sempre;
É ter a humildade de aprender com o outro;
É ter coragem de falar contra o mal;
É ter capacidade de se indignar com as injustiças;
É ter esperança em dias melhores;
É ter confiança na providência divina;
É encontrar Deus em si mesmo e no próximo.

Ter sensibilidade é estar com os sentimentos sintonizados às necessidades alheias e ser capaz de enxergar no próximo o pai, a mãe, o irmão ou o próprio filho. Pois ainda hoje e sempre, amar o próximo como a si mesmo, desejando para ele apenas aquilo que se deseja para si mesmo, é a lei. Sejamos, então, sensíveis!

Mais uma dica da amiga LUCIANE, de Curitiba

O sonho dos ratos - Rubens Alves

Vigília do silêncio - LUCIA PELLEGRINO - http://www.luciapellegrino.com.br/

Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do assoalho de uma casa velha. Havia ratos de todos os tipos: grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, da roça e da cidade.

Mas ninguém ligava para as diferenças, porque todos estavam irmanados em torno de um sonho comum: um queijo enorme, amarelo, cheiroso, bem pertinho dos seus narizes. Comer o queijo seria a suprema felicidade...Bem pertinho é modo de dizer.

Na verdade, o queijo estava imensamente longe porque entre ele e os ratos estava um gato... O gato era malvado, tinha dentes afiados e não dormia nunca. Por vezes fingia dormir. Mas bastava que um ratinho mais corajoso se aventurasse para fora do buraco para que o gato desse um pulo e, era uma vez um ratinho...Os ratos odiavam o gato.

Quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam. O ódio a um inimigo comum os tornava cúmplices de um mesmo desejo: queriam que o gato morresse ou sonhavam com um cachorro...

Como nada pudessem fazer, reuniram-se para conversar. Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe bem para quem), e chegaram mesmo a escrever livros com a crítica filosófica dos gatos.Diziam que um dia chegaria em que os gatos seriam abolidos e todos seriam iguais. "Quando se estabelecer a ditadura dos ratos", diziam os camundongos, "então todos serão felizes"...

- O queijo é grande o bastante para todos, dizia um.

- Socializaremos o queijo, dizia outro.

Todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções.

Era comovente ver tanta fraternidade. Como seria bonito quando o gato morresse! Sonhavam. Nos seus sonhos comiam o queijo. E quanto mais o comiam, mais ele crescia. Porque esta é uma das propriedades dos queijos sonhados: não diminuem: crescem sempre. E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando: "o queijo, já!"...

Sem que ninguém pudesse explicar como, o fato é que, ao acordarem, numa bela manhã, o gato tinha sumido. O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. Bastaria dar uns poucos passos para fora do buraco. Olharam cuidadosamente ao redor. Aquilo poderia ser um truque do gato. Mas não era.

O gato havia desaparecido mesmo. Chegara o dia glorioso, e dos ratos surgiu um brado retumbante de alegria. Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum. E foi então que a transformação aconteceu.

Bastou a primeira mordida. Compreenderam, repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados. Quando comidos, em vez de crescer, diminuem.

Assim, quanto maior o número dos ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um. Os ratos começaram a olhar uns para os outros como se fossem inimigos. Olharam, cada um para a boca dos outros, para ver quanto queijo haviam comido. E os olhares se enfureceram.

Arreganharam os dentes.Esqueceram-se do gato. Eram seus próprios inimigos. A briga começou. Os mais fortes expulsaram os mais fracos a dentadas. E, ato contínuo, começaram a brigar entre si.

Alguns ameaçaram a chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a ordem. O projeto de socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos:

“Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono”.

Mas como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar esperando.Os ratinhos magros, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que havia acontecido.

O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo. Tinham todo o jeito do gato o olhar malvado, os dentes à mostra.

Os ratos magros nem mais conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora. E compreenderam, então, que não havia diferença alguma. Pois todo rato que fica dono do queijo vira gato. Não é por acidente que os nomes são tão parecidos.

"Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência!"