quarta-feira, 14 de julho de 2010

Praça da Liberdade - Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil

Fotos tiradas numa tarde, dia de semana, coisas, que um feliz aposentado pode fazer. São cenas da Praça onde está situado o Palácio da Liberdade sede do governo do estado.
Alameda Travessia, homenagem ao cantor e compositor mineiro Milton Nascimento, com o Palácio da Liberdade ao fundo
Alameda Travessia com as belas Palmeiras Imperiais


Edíficio projetado por Oscar Niemeyer - 1960

"Os 4 Cavaleiros do Apocalipse": Fernando Sabino, Otto Lara Rezende, Paulo Mendes Campos, Hélio Pellegrino e eu de sapo. Hoje, por medidas de segurança, e para mim o local é mais apropriado, as estátuas estão defronte a Biblioteca Pública, situada na Praça.
Vândalos derrubaram a estátua de Paulo Mendes Campos quando elas se encontravam nesse local onde tirei a foto.


Ipê amarelo

Belo Horizonte era iluminada, em grande parte da área situada dentro da Av. do Contorno, por postes iguais a esse. Foram trocados por postes de concreto. Procuram-se os postes antigos...

A praça tem um projeto baseado em jardins franceses, foi recuperada faz alguns anos, hoje está bem cuidada e pessoas fazem caminhadas ao seu redor diariamente.
Os prédios das antigas secretarías de estado, estão sendo recuperados e transformados em centros culturais. Espero que os governos, municipal e estadual, construam estacionamentos subterrâneos, façam uma passagem para os veículos, em nível rebaixado, defronte ao Palácio da Liberdade e assim incorporem a Alameda Travessia, direto, até o palácio, como era antigamente.
Banheiros públicos, decentes, também serão obras necessárias, não só na Praça da Liberdade, mas em toda a cidade.
Fotos:UNIVERSO - 2009 e 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

MPQ - Música Popular de Qualidade - Paulo Moura, o sopro dos anjos

PAULO MOURA

Informação geral
Data de nascimento15 de Julho de 1932
OrigemSão José do Rio Preto, SP
PaísBrasil Brasil
Data de morte12 de Julho de 2010 (77 anos)
Gênerosinstrumental, jazz, swing, choro, samba, música instrumental
Instrumentosclarinete,saxofone
Página oficial

Paulo Moura

Paulo Moura, nasceu em São José do Rio Preto, São Paulo, em 15 de julho de 1932, faleceu aos 77 anos - 12 de julho de 2010. Foi compositor, saxofonista, clarinetista, arranjador. Do samba ao Jazz, chorinho, cantigas de roda, erudito, enfim, em qualquer gênero de música popular, com seu sax ou clarineta, seu som era inconfundível, limpo, suave.

Hoje, o céu receberá Paulo Moura. Noel Rosa, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Vinicius, Tom, Elizeth, Baden, Elis, João Nogueira, Roberto Ribeiro, Canhoto, Abel Ferreira, Nelson Cavaquinho, Raphael Rabello, Moacir Santos, Sivuca, Garoto, Canhoto, Benedito Lacerda, Cartola, Dilermando Reis, Maysa e centenas de outros músicos, cantores, compositores e maestros estão recebendo o Paulo para uma grande festa. O Brasil fica mais triste. Que saudades!

Para mim, um dos melhores instrumentistas do Brasil e do mundo.










Acesse os links abaixo e ouça a programação da Rádio da USP com especial do Paulo Moura.


http://wms.emm.usp.br:7070/radiousp_broadcast/olharbrasileiro/060223(1).wma

http://wms.emm.usp.br:7070/radiousp_broadcast/olharbrasileiro/060223(2).wma

http://wms.emm.usp.br:7070/radiousp_broadcast/olharbrasileiro/060223(3).wma

Pesquisa, fotos, links e vídeos: Internet, Wikipédia e YouTube

Super telas de grandes mestres

Selecionei essa apresentação e a compartilho pela beleza das pinturas. Você verá uma apresentação de 22 telas de mestres da pintura. A musiquinha, como a maioria das apresentações de PPS, é "xaropinha", se desejar, tire o som e aprecie obras. Veja alguns exemplos abaixo.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Miguelangelo - Pietá, David e Moisés

Postei 2 apresentações sobre as obras primas de Miguelangelo e algumas fotos que fiz com uma máquina fotográfica 35mm de filme de rolo durante visita a Firenze. Gastei um rolo de 24 fotos só da estátua de David.
Deixo para você apreciar e sentir a força da obra desse GÊNIO. Esculpir uma Pietá com apenas 23 anos só mesmo Miguelangelo.

David

Clique nos links abaixo e veja as apresentações com as imagens da Pietá, Moisés e David.
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Colaboração da Luciane de Curitiba, Marta Cunha de Brasilia
Fotos de David: UNIVERSO

sábado, 10 de julho de 2010

O dia em que sumi

Hoje, enquanto falávamos com a minha filha pelo Skype, minha imagem sumiu e ficou transparente. Será que eu desencarnei? Virei Vampiro? Será minha antimatéria? Um fatasminha camarada? Veja na foto abaixo como ficou minha imagem na tela do computador de minha filha.

BRRRRRRRR!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Aqui Jazz, para quem é vivo - Hank Jones, os últimos acordes

Henry (HANK) Jones

Nasceu em Vicksburg em 31 de julho de 1918 e faleceu em 16 de maio de 2010, em Manhattan. Conhecido como Hank Jones, pianista e compositor americano de jazz. em sua longa carreira fez parte das principais correntes jazzísticas - swing,bop e hard bop.

Hank Jones, conquistou importantes prêmios. Recebeu o "NEA Jazz Masters" da "National Endowmwnt for the Arts", em 1989.

Em 2003 recebeu o "Jazz Living Legend Award" da American Soicety of Composers, Authors and Publishers.

Em 2008 foi agraciado com a "National Medal of Arts".

Em 2009, a Universidade de Hartford outorgou-lhe título de Doutor e recebeu também o Prêmio Grammy pelas conquistas em toda sua carreira.

Jones, gravou mais de 60 discos próprios e inúmeros outros com diversos músicos.

Irmão de Elvin Ray Jones, influente baterista e de Thad Jones, trompetista.

Em 19 de maio de 1962, acompanhou ao piano a atriz Marilyn Monroe, quando ela cantou "Happy Birthday Mr President" para o Presidente John F. Kennedy.


Hank Jones

Pesquisa, fotos, vídeos: Internet, Wikipédia e YouTube

Lena Horne - Mais um adeus

Lena Mary Calhoun Horne
fotografada por Carl Van - 1941

Nome completo

Lena Mary Calhoun Horne

Data de nascimento

30 de junho de 1917

Origem

Nova Iorque

País

Estados Unidos

Data de morte

9 de maio de 2010 (92 anos)
Nova Iorque, Estados Unidos

Gêneros

Vocal jazz, pop tradicional, Broadway

Ocupação

cantora, dançarina, atriz

Extensão vocal

Contralto/mezzo-soprano

Período em atividade

1933–2000

Lena Horne em foto de 1959; ao longo de sua carreira, ela acumulou prêmios, entre os quais quatro Grammy Awards  Foto: Getty Images

Na década de 40, Lena Horne quebrou barreiras raciais ao ser uma das primeiras intérpretes negras a cantar em uma banda de brancos e de trabalhar em vários filmes de Hollywood, o que era raro para um negro. Tinha a pele muito clara e isso deve ter facilitado sua carreira cinematográfica.

Pesquisa, vídeos, fotos: Internet - Wikipédia - Youtube

Saramago, despedida ainda que tardia - Discurso de José Saramago na Academia Sueca ao receber o Prêmio Nobel

José de Sousa Saramago
Nascimento16 de Novembro de 1922
Azinhaga, Golegã, Portugal
Morte18 de Junho de 2010 (87 anos)
Tías, Província de Las Palmas, Canárias, Espanha
NacionalidadePortugal Português
OcupaçãoEscritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista, romancista, poeta
Principais trabalhosMemorial do Convento; O Evangelho segundo Jesus Cristo; Ensaio sobre a Cegueira, etc.
PrêmiosMedalha do prêmio Nobel Nobel de Literatura (1998)
Prémio Camões (1995)

"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem
escrever. As quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia
ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o
campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se
alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós
maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram
vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do
Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram
analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao
ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às
pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo
das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do
enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente
de bom caráter, não era por primores de alma compassiva que os dois
velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem
retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem,
para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável.

Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de
pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei
lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de
ferro que acionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a
transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das
searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de
ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que
depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em
noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje
vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas
figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais
antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a
figueira.

Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos
depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz
noturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e
depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu
noutra direção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo,
surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago,
como ainda lhe chamávamos na aldeia.

Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os
casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros,
episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra,
palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me
mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca
pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha
adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a
resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais
demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez
repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as
esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.

Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso
dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a
ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos
pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o
campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me,
dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos
14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte
cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao
lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente
uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha
dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias
do avô, ela sempre me tranqüilizava: "Não faças caso, em sonhos não há
firmeza".

Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito
sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo
da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em
movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando
o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim
a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra
coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à
porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas
maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras:
"O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse
medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e
contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento
quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida,
a consolação da beleza revelada.

Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido
alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com
porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena de
ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô
Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte
o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por
uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a
ver."
(por José Saramago)

Enviado pela amiga e artista plástica - Lúcia Pellegrino (Tia Lucinha) de Brasília
Pesquisa, foto e desenho: Internet - Wikipédia

domingo, 4 de julho de 2010

Melhor morrer - História do Dínamo de Kiev

Para quem acha que não existe vida inteligente no futebol, leia abaixo o artigo do Dante Mendonça.

Na história do futebol não se sabe quem mais implorou para morrer: Dunga, ao ver a arrogância no fundo da rede, ou o atacante Gyan, ao ver a felicidade dos torcedores de Gana bater na trave. O que se sabe com certeza é que no mundo da bola o único time de futebol que pediu para morrer foi o Dínamo de Kiev, na segunda Guerra Mundial.

Tudo começou em 19 de Setembro de 1941, quando os alemães invadiram Kiev, na Rússia. Seus habitantes, que não podiam trabalhar nem viver nas suas casas, vagueavam pelas ruas. Entre os esfomeados estava Nikolai Trusevich, antigo goleiro do Dínamo de Kiev.

Josef Kordik
era um padeiro alemão e torcedor do Kiev que sabia o nome e o sobrenome de seus jogadores de cor e salteado. Certo dia, Kordik reconheceu o ídolo Nikolai Trusevich pedindo comida nas ruas. Emocionado ao reconhecer o ídolo, Kordik levou o goleiro para sua padaria. Deu-lhe teto, comida e trabalho e, para driblar a marcação nazista, de quem recebia proteção, argumentou que precisava de um ajudante para amassar o pão.

Numa daquelas madrugadas frias de conversas calorosas, o padeiro teve a ideia: em vez de Trusevich perder tempo amassando pão, poderia sair em busca do resto do time do Dínamo de Kiev. Dito e feito. Trusevich resgatou da miséria os outros dez companheiros, encontrou mais três craques do arquirrival Lokomotiv e juntos se refugiaram na casa do padeiro sem que os nazistas desconfiassem. Depois de um tempo naquela “concentração”, os jogadores não demoraram a dar o passo seguinte. Formaram o FC Start, para desafiar na grama o III Reich. No início de junho de 1942 aconteceu o primeiro jogo: 7x0 para o Start. E assim foi, de goleada em goleada o redivivo Dínamo de Kiev humilhou o exército nazista na bola.

Em agosto de 1942, mês de cachorro louco, os alemães pagaram para ver: trouxeram de Berlim a poderosa equipe da Luftwaffe para bater os padeiros de Kiev. Mais agressivos que nunca, os alemães marcaram o primeiro gol. Mas sofreram dois até ao intervalo. O que levou o comandante da SS a dar a ordem superior:
- Se ganharem, serão fuzilados!

Os craques de Kiev olharam uns para os outros. Desanimados, pensaram em desistir. Porém as lembranças de suas famílias destruídas pelos nazistas os levaram de volta ao segundo tempo dispostos a vencer. Vencer ou morrer! No último minuto, o goleador Klimenko passou pela defesa inimiga, driblou o goleiro e, com o gol vazio, deu meia volta e chutou a bola para o seu meio-campo, num gesto de desprezo, de superioridade total. O estádio veio abaixo.

Naquele dia, os alemães nada fizeram. O time do padeiro venceu de goleada mais uma partida três dias depois, mas o final já estava traçado e a Gestapo visitou a padaria para destruir pela segunda vez o Dínamo de Kiev: o primeiro a morrer torturado foi o padeiro Kordik. Os demais foram exterminados nos campos de concentração. O goleiro Trusevich teve um fim diferente: caiu fuzilado com o uniforme do FC Start.

***

Ainda hoje, nas escadarias do Dínamo de Kiev vê-se um monumento que saúda e recorda aqueles indomáveis heróis de guerra do FC Start, os quais ninguém pôde derrotar durante uma dezena de históricas partidas, entre 1941 e 1942. Na Ucrânia, os jogadores do FC Start são heróis da pátria e o seu exemplo de coragem é ensinado nas escolas.

Essa é a história da "Partida da Morte". John Huston inspirou-se nela para fazer o "Fuga para a Vitória", com outro final: no empate de 4x4, o campo foi invadido para permitir que, na confusão, os prisioneiros escapassem com o seguinte time: Michael Caine, Sylvester Stalone, Pelé, Deyna (Polônia), Ardiles (Argentina), Van Himst (Bélgica) e Bobby Moore (Inglaterra), entre outros que nunca seriam escalados pelo Dunga.

Dante Mendonça (O Estado do Paraná)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

"Suspeitas sobre o Universo"...

'

"Suspeito que o universo não é apenas mais estranho do que supomos: é mais estranho do que somos capazes de supor."

Rubem Fonseca
(in "O Caso Morel.")

Enviado pelo "Brimo" Luiz Edmundo Alvarenga o homem do Blog do Alvarenga
http://legalvarenga.blogspot.com

Foto: Internet

quinta-feira, 24 de junho de 2010

MPQ - Música Popular de Qualidade - Flor Amorosa - Catulo da Paixão Cearense

Catulo da Paixão Cearense
Flor amorosa, compassiva, sensitiva, vem porque
É uma rosa orgulhosa, presunçosa, tão vaidosa
Pois olha a rosa tem prazer em ser beijada, é flor, é flor
Oh, dei-te um beijo, mas perdoa, foi à toa, meu amor
Em uma taça perfumada de coral
Um beijo dar não vejo mal
É um sinal de que por ti me apaixonei
Talvez em sonhos foi que te beijei
Se tu pudesses extirpar dos lábios meus
Um beijo teu tira-o por Deus
Vê se me arrancas esse odor de resedá
Sangra-me a boca, é um favor, vem cá
Não deves mais fazer questão
Já perdi, queres mais, toma o coração
Ah, tem dó dos meus ais, perdão
Sim ou não, sim ou não
Olha que eu estou ajoelhado
A te beijar, a te oscular os pés
Sob os teus, sob os teus olhos tão cruéis
Se tu não me quiseres perdoar
Beijo algum em mais ninguém eu hei de dar
Se ontem beijavas um jasmim do teu jardim
A mim, a mim
Oh, por que juras mil torturas
Mil agruras, por que juras?
Meu coração delito algum por te beijar não vê, não vê
Só por um beijo, um gracejo, tanto pejo
Mas por quê?
Chorinho composto por Joaquim Antônio da Silva Callado (Flautista) e letra de Catulo da Paixão Cearense
Joaquim Antônio da Silva Callado
Selecionei alguns vídeos com interpretações variadas de Flor Amorosa, clique nos vídeos abaixo e escolha as de sua preferência. Boa audição!


Vídeos: Youtube - desenhos e letra da música - Internet
Dica do "Brimo" Luiz Alvarenga - Blog do Alvarenga

Máquina de Escrever - Giuseppe Ghiaroni



Mãe, se eu morrer de um repentino mal,
vende meus bens a bem dos meus credores:
a fantasia de festivas cores
que usei no derradeiro Carnaval.

Vende esse rádio que ganhei de prêmio
por um concurso num jornal do povo,
e aquele terno novo, ou quase novo,
com poucas manchas de café boêmio.

Vende também meus óculos antigos
que me davam uns ares inocentes.
Já não precisarei de duas lentes
para enxergar os corações amigos.

Vende, além das gravatas, do chapéu,
meus sapatos rangentes. Sem ruído
é mais provável que eu alcance o Céu
e logre penetrar despercebido.

Vende meu dente de ouro. O Paraíso
requer apenas a expressão do olhar.
Já não precisarei do meu sorriso
para um outro sorriso me enganar.

Vende meus olhos a um brechó qualquer
que os guarde numa loja poeirenta,
reluzindo na sombra pardacenta,
refletindo um semblante de mulher.

Vende tudo, ao findar a minha sorte,
libertando minha alma pensativa
para ninguém chorar a minha morte
sem realmente desejar que eu viva.

Pode vender meu próprio leito e roupa
para pagar àqueles a quem devo.
Sim, vende tudo, minha mãe, mas poupa
esta caduca máquina em que escrevo.

Mas poupa a minha amiga de horas mortas,
de teclas bambas, tique-taque incerto.
De ano em ano, manda-a ao conserto
e unta de azeite as suas peças tortas.

Vende todas as grandes pequenezas
que eram meu humílimo tesouro,
mas não! ainda que ofereçam ouro,
não venda o meu filtro de tristezas!

Quanta vez esta máquina afugenta
meus fantasmas da dúvida e do mal,
ela que é minha rude ferramenta,
o meu doce instrumento musical.

Bate rangendo, numa espécie de asma,
mas cada vez que bate é um grão de trigo.
Quando eu morrer, quem a levar consigo
há de levar consigo o meu fantasma.

Pois será para ela uma tortura
sentir nas bambas teclas solitárias
um bando de dez unhas usurárias
a datilografar uma fatura.

Deixa-a morrer também quando eu morrer;
deixa-a calar numa quietude extrema,
à espera do meu último poema
que as palavras não dão para fazer.

Conserva-a, minha mãe, no velho lar,
conservando os meus íntimos instantes,
e, nas noites de lua, não te espantes
quando as teclas baterem devagar.

Giuseppe Ghiaroni - 22-02 -1919 / 21-02-2008

Foto: poetasdesconexos.blogspot.com e Internet

Dica do amigo, infelizmente tricolor carioca, Adenir Balmant

terça-feira, 22 de junho de 2010

As paredes pintadas de Bruxelas e Dozza X Pichações

Postei essa apresentação com fotos de casas e prédios pintados na cidade Bruxelas, Bélgica. São pinturas de ARTE com qualidade e bom gosto, que embeleza, preserva e atrai visitantes para conhecer trabalhos que "artistas" de fato, legam a cidade.
Clique no link abaixo e veja como Bruxelas fica bonita.

Há na Itália, a cidade de Dozza, que realiza um festival anual de pinturas nas fachadas das casas. São convidados pintores de renome de toda a Itália, fazem pinturas que embelezam a cidade. Veja algumas fotos abaixo.


Dozza - Itália


BRASIL - ISSO É ARTE?

No Brasil, um bando de possíveis ignorantes sobre o que é arte e sugismundos, emporcalham nossas cidades com a complacência e inoperância das autoridades que deveriam proteger o patrimônio público e particular. Para mim isso é puro vândalismo. Vi numa emissora de TV uma figura patética que mal sabe falar errado o português, afirmar que pichar "... é pura ADRENALINA" (pena que o repórter não perguntou para ele o que era ADRENALINA), e que ele continuaria a pichar, pois era uma forma de protesto . Ainda ouvi alguém dizer em defesa das pichações que isso era uma forma de arte popular e que deveria se fazer um estudo sobre o assunto e promover esse tipo de manifestação artística. E o cara era um intelectual, não sei de que, de uma Universidade não sei de onde, fiz questão de não guardar o nome dele, nem o que faz e onde. Avalie pelas fotos acima o que é arte de verdade e tire as suas conclusões.

Dica da Sonia Nigri, amiga do Rio. - Fotos de Dozza - Itália: UNIVERSO

sexta-feira, 18 de junho de 2010

As Mãos - Bel Talarico


Hoje, falarei um pouco sobre as mãos, da maneira que eu as vejo. Se refletirmos a cada parte do nosso corpo, com certeza além do biológico, que eu não sei nada, tem tantas coisas boas, ruim, ou tristes, enfim depende do nosso entendimento, um mundo em cada Órgãos de nosso maravilhoso vaso onde foi plantado nosso espírito, que Deus nos presenteou aos reencarnarmos. Vejamos: para mim, muitas vezes as mão não tem rosto, não tem corpo, mas tem som. O som que sai da boca de alguem em forma de palavras, podem nos machucar, nos por para baixo, mas também pode nos dar animo, alegria, gratidão. Sabem porque? digo isso, pois pela minha dificuldade de enxergar, sempre preciso estar atenta, principalmente para atravessar as ruas. E sempre tem um mãos amiga, uma mão solidária, que me pergunta se quero ajuda, para atravessar, aceito sempre! pois é reconfortante o auxílio e carinho. Diante disso, o que consigo ver é uma mão estendida, para eu segurar, nos braços, outras vezes, colocam a mão no meu braço, e outras até seguram mesmo na minha mão. A maioria das vezes essa mão, não vejo a porque se quiser ver, tenho que fazer algo que no mínimo fica deselegante, ou pode dar a impressão de ingratidão. É que para eu conseguir enxergar o rosto da pessoa que está me auxiliando preciso parar, me soltar dela e me afastar, para poder focaliza la, isso se deve ao fato que minha visão ser tubular, precisaria de quase um metro de afastamento. Isso ficaria esquisito para a pessoas que me ajuda. Diante disso, não vejo o rosto, sei se é homem ou mulher pelo tom da voz, e tenho absoluta certeza que são pessoas maravilhosas, digna de confiança, sensíveis pois estão alí de passagem e se propõem em auxiliar o próximo, no caso uma próxima heheh. As vezes brinco, perguntando se podemos ir, e lembro que se eu for atropelada, ele ou ela também será, brincadeira a parte não tenho que me queixar, dificilmente preciso pedir ajuda, sempre tem um alma boa para me ajudar.
Engraçado que não fico curiosa para ver o rosto, simplesmente aceito, agradeço, cada um seguindo seu caminho, eu com a alegria de saber que tem pessoas que se importam. Agradeço a todas as mãos, sem rostos que nos ajudam.
Ex: de mãos, que juntas em prece, que salvam em cirurgia, que acariciam, que cobrem um irmãos, nossa são muitas coisas boas com as mãos, tem as ruim tb, mas essas eu deixo pra lá.
E tem as mãos estendidas para ajudar a levantar, seu próximo, seu irmão que está no chão, pela magoa, pelo sofrimento, muitas vezes sem força. Como estender as mãos ao próximo é um ato de amor,, de caridade, e tão importante que com este gesto vidas podem ser salvas.
Obrigada.
Bel Talarico

Postado por Izabel Talarico no BLOG BENGALA MÁGIC@ -http://bengalamagica.blogspot.com "Bengala Magic@" - Diário de uma deficiênte visual

Aproveitei para postar o vídeo abaixo com Bibi Ferreira apresentando o "Monólogo das Mãos"


Monólogo das Mãos

De Ghiaroni

Para que servem as mãos?
As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder,
ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar,
confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar,
acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir,
reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever...
As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau,
salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário;
Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena;
foi com as mãos que Jesus amparou Madalena;
com as mãos David agitou a funda que matou Golias;
as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena;
Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência;
os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!
Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram.
A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda;
o operário construir e o burguês destruir;
o bom amparar e o justo punir;
o amante acariciar e o ladrão roubar;
o honesto trabalhar e o viciado jogar.
Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba!
Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!
As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos.
As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes;
no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.
O autor do "Homo Rebus" lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida;
a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem. Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.
A mão aberta, acariciando, mostra a bondade;
fechada e levantada mostra a força e o poder;
empunha a espada a pena e a cruz!
Modela os mármores e os bronzes;
da cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza. Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza; doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos.
O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade.
O noivo para casar-se pede a mão de sua amada;
Jesus abençoava com a s mãos;
as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.
Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar. Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.
E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.
Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.
E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.
E as mãos dos amigos nos conduzem...
E as mãos dos coveiros nos enterram!
Vídeo: YouTube - Foto e Texto do Monólogo das Mãos: Internet