segunda-feira, 22 de março de 2010

Se tiver apenas um ano a mais de vida... - Rubem Alves

Foto: Walcira - Local: Biribiri (Diamantina) - Minas Gerais

Faz cinco anos que um grupo de amigos se reúne comigo para ler poesia.
Para que ler poesia? Para a gente ficar mais tranquilo e mais bonito.
Mas não me entendam mal. Já observaram os urubus - como eles voam em
meio à ventania? Eles nem batem as asas. Apenas deixam-se levar,
flutuam. Esse jeito de ser chama-se sabedoria. A poesia nos torna mais
sábios, retirando-nos do torvelinho agitado com que a confusão da vida
nos perturba. Drummond, escrevendo sobre a Cecília Meireles, disse:
"Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que
aferisse os traços de sua presença entre nós, marcada por gestos de
cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava
onde nós a víamos. Por onde erraria a verdadeira Cecília, que,
respondendo à indagação de um curioso, admitiu ser seu principal
defeito 'uma certa ausência do mundo'? Do mundo como teatro, em que
cada espectador se sente impelido a tomar parte frenética no
espetáculo, sim; mas não, porém, do mundo das essências, em que a vida
é mais intensa porque se desenvolve em um estado puro, sem atritos,
liberta das contradições da existência".

Pois é isso que a poesia faz: ela nos convida a andar pelos caminhos
da nossa própria verdade, os caminhos onde mora o essencial. Se as
pessoas soubessem ler poesia é certo que os terapeutas teriam menos
trabalho e talvez suas terapias se transformassem em concertos de
poesia!

Pois aconteceu que, numa dessas reuniões, quando líamos trechos da
Agenda 2001 - Carpe Diem, encontramos, no dia 2 de fevereiro, essa
afirmação de Gandhi: "Eu nunca acreditei que a sobrevivência fosse um
valor último. A vida, para ser bela, deve estar cercada de vontade, de
bondade e de liberdade. Essas são coisas pelas quais vale a pena
morrer." Essas palavras provocaram um silêncio meditativo, até que um
dos membros do grupo, que se chama "Canoeiros", sugeriu que fizéssemos
um exercício espiritual. Um joguinho de "faz-de-conta". Vamos fazer de
conta de sabemos que temos apenas um ano mais de vida. Como é que
viveremos, sabendo que o tempo é curto, "tempus fugit"?

A consciência da morte nos dá uma maravilhosa lucidez. D. Juan, o
bruxo do livro "Viagem a Ixtlan", advertia o seu discípulo: "Essa bem
pode ser a sua última batalha sobre a terra". Sim, bem pode ser.
Somente os tolos pensam de outra forma. E se ela pode ser a última
batalha, ela deve ser uma batalha que valha a pena. E, com isso, nos
libertamos de uma infinidade de coisas tolas e mesquinha que
permitimos se aninhem em nossos pensamentos e coração. Resta então a
pergunta: "O que é o essencial?" Um conhecido meu, místico e teólogo
da Igreja Ortodoxa Russa (seu livro - maravilhoso - "Para a vida do
mundo", está sendo traduzido e em breve será publicado pela Paulus),
ao saber que tinha um câncer no cérebro e que lhe restavam não mais
que seis meses de vida, chegou à sua esposa e lhe disse: "Inicia-se
aqui a liturgia final". E, com isso, começou uma vida nova. As
etiquetas sociais não mais faziam sentido. Passou a receber somente as
pessoas que desejava receber, os amigos, com quem podia compartilhar
seus sentimentos. Eliot se refere a um tempo em que ficamos livres da
compulsão prática - fazer, fazer, fazer. Não havia mais nada a fazer.
Era hora de se entregar inteiramente ao deleite da vida: ver os
cenários que ele amava, ouvir as músicas que lhe davam prazer, ler os
textos antigos que o haviam alimentado.

O fato é que, sem que o saibamos, todos nós estamos enfermos de morte
e é preciso viver a vida com sabedoria para que ela, a vida, não seja
estragada pela loucura que nos cerca.

Lembrei-me das palavras de Walt Whitman: "Quem anda duzentos metros
sem vontade/ anda seguindo o próprio funeral/ vestindo a própria
mortalha..." Pensei então nas minhas longas caminhadas pelo meu
próprio funeral, fazendo aquilo que não desejo fazer, fazendo porque
outros desejam que eu faça. "Sou o intervalo entre o meu desejo e
aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim" - Álvaro de Campos.
Sou esse intervalo, esse vazio - de um lado o meu desejo (onde foi que
o perdi?); do outro lado o desejo dos outros que esperam coisas de
mim. Não, não são os inimigos que me impõem o intervalo. Inimigos -
não lhes dou a menor importância. Os desejos que me pegam são os
desejos das pessoas que amo - anzóis na carne. Como tenho raiva do
Antoine de Saint Exupéri - "tornamo-nos eternamente responsáveis por
aqueles que cativamos..." Mas isso não é terrível? Ser reponsável por
tanta gente? Cristo, por amar demais, terminou na cruz. Embora não
saibamos, o amor também mata.

Então, abandonar o amor? Não. Mas é preciso escolher. Porque o tempo
foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que
desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei
abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de
"abrir mão" - a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial.

Aí eu comecei a pensar nas coisas que amo e que abandonei - vejam só:
nesse preciso momento me dei conta de que, por causa dessa crônica não
liguei a fonte que faz um barulhinho de água e nem pus nenhuma música
no meu tocador de CDs, a pressa era demais, a obrigação era mais
forte. Tudo bem agora, a fonte faz o seu barulhinho e o Arthur Moreira
Lima toca minha sonata favorita de Mozart, em lá maior KV 331 - coisas
que amo e abandonei. Eu, mau leitor de poesia! Poesia lida e não
vivida! Não levei a sério o dito pelo Fernando Pessoa: "Ai, que prazer
não cumprir um dever. Ter um livro para ler e não o fazer! Grande é a
poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as
crianças..."

Sempre fui louco por jardins. Uns acham que eu não acredito em Deus.
Como não acreditar em Deus se há jardins? Um jardim é a face visível
de Deus. E essa face me basta. Não tenho necessidade de ir olhar atrás
das estrelas... Escrevi inúmeros textos sobre jardins. Num jardim
estou no paraíso. Mas, que foi que fiz com o meu jardim? Abandonei. A
caixa das abelhinhas apodreceu, caiu a tampa e eu não fiz nada.
Cresceu o mato eu eu não fiz nada. Da fonte tirei os peixes,
coitados... De lugar de prazer, onde se assentar em abençoada vadiação
contemplativa, meu jardim virou um lugar de passagem. Abandonei o meu
amigo, por causa do dever. Para o inferno com o dever! Vou mesmo é
cuidar do meu jardim. Por prazer meu. E pela alegria das minhas netas.
Vou reformar a fonte, vou fazer um balanço (que os paulistas insistem
em chamar de balança...), vou reformar o gramado, vou refazer a casa
das abelhinhas, vou fazer uma cobertura para as orquídeas. E mais, vou
fazer uma "casinha de bruxa", cheia de brinquedos, para as minhas
netas, a Mariana, a Camila, a Ana Carolina, a Rafaela e a Bruna...
Quero brincar com elas. Breve elas terão crescido e não mais terei
netas com quem brincar. "Mas o melhor do mundo são as crianças..."

Vou voltar a tocar piano - coisas fáceis: a "Fantasia", de Mozart, a
"Träumerai", de Schumann, o Improviso op. 90. n. 4 de Schubert, o
prelúdio da "Gota dágua", de Chopin, alguns adágios de sonatas de
Beethoven.

Quero ouvir música: aquelas que fazem parte da minha alma. Pois a
alma, no seu lugar mais fundo, está cheia de música. E, sem precisar
me desculpar pelo meu gosto, digo que amo música erudita. Música
erudita é aquela que nos faz comungar com a eternidade. As outras, são
bonitas e gostosas - mas são coisa do tempo.

Quero reler livros que já li. Vou relê-los porque é sempre uma alegria
caminhar por caminhos conhecidos e esquecidos. É como se fosse pela
primeira vez.

Não quero novidades. Não vou comprar apartamentos ou terrenos. Não
quero viajar por lugares que desconheço. Eliot: "E ao final de nossas
longas explorações chegaremos finalmente ao lugar de onde partimos e o
conheceremos então pela primeira vez..." É isso. Voltar às minhas
origens, às coisas de Minas que tanto amo, a cozinha, os jardins de
trevo, malva, romãs e manacás, as montanhas, os riachinhos, as
caminhadas...

Há coisas que só poderei gozar em solidão. Ninguém é obrigado a gostar
das músicas que amo. Entrando no seu mundo, gozarei de abençoada
solidão. Lugar bom para se ouvir música assim é guiando o carro,
sozinho, sem precisar conversar.

Mas quero meus amigos. Não do jeito do Roberto Carlos que queria ter
um milhão de amigos. Não é possível ter um milhão de amigos. Quero
meus poucos amigos. Amigos: pessoas em cuja presença não é preciso
falar...

Estou tentando, estou começando. Espero que consiga...

Enviado pela Walcira, minha linda mulher

Ouvido Masculino - Carlos Drummond de Andrade

Foto: Blog Amassaobarro

Muitas vezes se ouve dizer que as mulheres falam
demais... Mas não tem problema. Porque o ouvido
masculino (seletivo) escuta somente o que interessa...

Preste atenção. O que a mulher diz:

- Esse lugar está uma bagunça, amor !
Você e eu precisamos limpar isto.
Suas coisas estão jogadas no chão
e você vai ficar sem roupas
pra usar, se não lavá-las agora mesmo.

O que o homem escuta:

- Blah, blah, blah, blah, AMOR,
blah, blah, blah, blah, VOCÊ E EU,
blah, blah, blah, blah, NO CHÃO,
blah, blah, blah, blah, SEM ROUPAS,
blah, blah, blah, blah, AGORA MESMO.

Percebem a diferença?

Enviado pelo amigo João do Rio Rodrigues

Associação Brasileira de Imprensa - Sobre a vírgula


Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua
informação.

Detalhes Adicionais:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA
PROCURA.


* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...

Enviado pela "brimaminha" de Xis di Fora - Áurea Maranduba
Imagem: Internet - Blog do Capitão

O adeus de Tereza - Castro Alves

A vez primeira que eu fitei Tereza,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus…
E amamos juntos… E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala…

E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”

Uma noite… entreabriu-se um reposteiro…
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus…
Era eu… Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa…

E ela entre beijos murmurou-me “adeus!”

Passaram tempos… séc’los de delírio
Prazeres divinais… gozos do Empíreo…
… Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — “Voltarei!… descansa!…”
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”

Quando voltei… era o palácio em festa!…
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!… Ela me olhou branca… surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!…

E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”

[Castro Alves]


Postado no BLOG: http://portocroft.cultarte.com - recomendo acompanhar esse blog.

domingo, 21 de março de 2010

Despedida e homenagem a Johnny Alf - Eu e a Brisa

Para lembrar de Jonnhy Alf, selecionei a música que mais gosto, dentre outras compostas por ele. Abaixo você poderá acessar e ouvir as interpretações de Eu e a Brisa, nas vozes de Tim Maia, Marcia, Maysa e do próprio Johnny Alf. Clique nos links em vermelho, abaixo da foto de cada cantor e ouça as lindas interpretações de Eu e a Brisa. Divirta-se.

Alfredo José da Silva ou bossanovisticamente falando Johnny Alf, nasceu no Rio de janeiro em 19 de maio de 1929 e morreu em Santo André, São Paulo, dia 4 de março de 2010, aos 80 anos de idade. Foi Cantor, compositor e pianista.


Johnny Alf


Abaixo foto de Tim Maia em 1958, aos 16 anos

http://www.youtube.com/watch#!v=JH_l1ZMrjqo

Eu e a Brisa

Ah ,se a juventude que essa brisa canta
Ficasse aqui comigo mais um pouco ,
Eu poderia me esquecer da dor
De ser tão só ,pra ser um sonho
Daí então quem sabe alguém chegasse ,
Buscando um sonho em forma de desejo
Felicidade então pra nós ,seria
E depois que a tarde nos trouxesse a lua
Se o amor chegasse eu juro ,não resistiria
E a madrugada acalentaria
A nossa paz
Fica ,oh brisa fica ,pois talvez quem sabe
O inesperado faça uma surpresa
E tenha alguém que queira te escutar ,
E junto a mim ,queira ficar
E junto a mim , queira ficar


http://www.youtube.com/watch#!v=2--CC8dYT6A

http://www.youtube.com/watch#!v=G01Rnt6igQk

http://www.youtube.com/watch#!v=stRTgRT2NKY

Pesquisa: Fotos e letra de música - Internet
Vídeos: YouTube

Dozza - Itália 1

Fotos: UNIVERSO

Frase do dia - Cíntia Moscovich

On Reading - André Kertész

"Há uma certa delicadeza de alma que só a leitura propicia. Sem livros, a vida é selvagem, bruta, dura. Não há transcendência possível. Não há a humanidade necessária."

Cíntia Moscovich - Escritora e jornalista gaúcha

Dica da amiga de Curitiba - Luciane

sábado, 20 de março de 2010

Prato do dia - Risoto de Abóbora e Fraldinha assada

Sábado é o Dia Nacional da Preguiça (DNP), bom para se fazer um DLG - Dia de Limpar a Geladeira, preparar pratos rápidos e criativos aproveitando as sobras que estão na geladeira. Outra alternativa é fazer uma refeição simples, com ingredientes ídem. Veja abaixo uma sugestão de almoço simples, rápido e saboroso. Bom apetite!!!!


Fraldinha assada no forno com sal grosso

Risoto de Abóbora - Arroz comum misturado com abóbora cozida e uma colher de manteiga

Cheiro verde para enfeitar e dar sabor especial, pode ser salsinha ou cebolinha picada

Fotos e Preparo: Universo e Walcira

Pratos: Pintados pela minha "nora predileta" Renata

quarta-feira, 17 de março de 2010

Shaun Ellis - Vivendo com Lobos

Shaun Ellis

O britânico viveu dois anos, se alimentando e dormindo com uma família de lobos, totalmente afastado de humanos. Para narrar essa essa incrível aventura, lançou um livro com o título de "O Homem que Vive com os Lobos" (The Man Who Lives With Wolves), o livro foi escrito por Shaun Ellis em parceria com Penny Junor e conta como foi a sua experiência em viver com a matilha de lobos.

Antes dessa experiência, Ellis viveu por 7 anos com uma tribo indígena do estado de Idaho, nos Estados Unidos. Observando os lobos, aprendeu como eles se relacionavam.

Conseguiu se aproximar de uma matilha e viveu por cerca de dois anos como membro do grupo.

No início teve muito medo de ser atacado a qualquer momento e se alimentava do que os lobos comiam, ou seja, comia carne crua. As melhores partes, fígado, coração , rim eram comidas pelos líderes do grupo, para ele sobrava o pescoço, tórax e outras partes menos nobres.

Das muitas lições que aprendeu com essa convivência, foi que os lobos são compassivos e muito ligados à família. Ele compreendeu que assim como ele foi criado pelos seus pais e avós, assim como os lobos fazem. Os mais novos aprendem, adquirindo experiência e tendo os mais velhos para guiá-los.

"Com o passar do tempo o medo que sentia transformou-se num saudável respeito pelos lobos. Havia sempre uma linha tênue entre ser aceito e ser expulso do grupo, ou até mesmo ser ferido ou morto".

O momento mais incrível e assustador foi quando um lobo aparentemente o impedia de ir tomar água no rio. O lobo estava agressivo e o mordeu em várias partes do seu corpo , chegando mesmo a derrubá-lo dentro de uma árvore oca.

Horas depois, o mesmo lobo lambeu seu rosto e o conduziu ao rio, onde encontrou sinais de que um urso gigante havia andado por lá. " Então na verdade, aquele lobo salvou minha vida", disse Ellis.

A decisão mais difícil que teve que tomar, foi ter de deixar a sua família de lobos e retornar à civilização. "Levou meses até que eu voltasse a ter qualquer interesse na humanidade".

Pesquisa e fotos: Internet, BBC Brasil, Folha Online

segunda-feira, 15 de março de 2010

Dozza - Itália - 2

Na cidade de Dozza, Itália, acontece um grande evento cultural anual de pintura. Pintores convidados de toda Itália fazem pinturas nas fachadas das casas. Com isso Dozza é uma obra de arte a ser visitada todos os anos para se conhecer as novas pinturas. Os moradores cedem as fachadas de suas casas para que cada artista convidado execute a sua obra. Outra atração da cidade de Dozza é a fortaleza - Rocca Di Catterina. Veja a linda cidade de Dozza com as pinturas nas casas. Clique nas fotos para ampliá-las.





Fotos: UNIVERSO